574 saques colocam regras sobre dinheiro nas prisões sob escrutínio
O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol recebeu 1,94852 bilhão de wons em sua conta de dinheiro na prisão ao longo de 14 meses e sacou cerca de 1,9 bilhão de wons em 574 operações, segundo dados do Ministério da Justiça obtidos pelo parlamentar Seo Young-kyo. Sua esposa, Kim Keon Hee, recebeu cerca de 240 milhões de wons em aproximadamente 13 meses.
Conteúdo
- 574 saques colocam regras sobre dinheiro nas prisões sob escrutínio
- O que mostram os registros financeiros
- Como um limite de saldo permite depósitos repetidos
- O que a proposta mudaria
- Contas médicas e apoio à família teriam exceções
- Por que o ministro interino defende um limite ao longo do tempo
- Como a controvérsia chegou ao Parlamento
- Principais pontos
Os depósitos somados, de cerca de 2,19 bilhões de wons, levaram Seo, parlamentar do Partido Democrático que preside a Comissão de Legislação e Justiça da Assembleia Nacional, a apresentar um projeto de lei para reforçar o controle do dinheiro mantido para pessoas presas. O total equivale a cerca de oito vezes o salário anual do presidente, de aproximadamente 270 milhões de wons, citado durante a análise parlamentar.
A proposta incluiria na lei um limite de 4 milhões de wons por pessoa presa, exigiria a devolução aos remetentes do dinheiro que excedesse esse limite e daria ao ministro da Justiça autoridade para regulamentar a frequência, o valor e o uso de depósitos e saques.
As diretrizes do Ministério da Justiça já estabelecem um limite de 4 milhões de wons. O problema central está em como esse limite funciona: o dinheiro pode ser transferido da conta da prisão para uma conta pessoal externa, abrindo espaço para novos depósitos. Assim, um teto para o saldo mantido em determinado momento permitiu que quantias muito maiores circulassem ao longo do tempo.
O ministro interino da Justiça, Lee Jin-soo, reconheceu que o sistema precisa mudar. Ele também propôs limitar o valor que as pessoas presas podem receber durante um período determinado, preservando a possibilidade de pagar por tratamento médico e outras despesas necessárias.
O que mostram os registros financeiros
Dados do Ministério da Justiça obtidos pelo gabinete de Seo indicam que Yoon recebeu depósitos de 1.948.520.000 wons entre julho de 2025 e agosto de 2026. Seus 574 saques ao longo desses 14 meses equivaleram a cerca de 41 operações por mês, totalizando aproximadamente 1,9 bilhão de wons.
Kim recebeu cerca de 240 milhões de wons em aproximadamente 13 meses. O parlamentar do Partido Democrático Lee Seong-yun divulgou separadamente o total combinado de cerca de 2,19 bilhões de wons durante uma auditoria parlamentar no dia 8. Os números da auditoria apontaram que Yoon recebeu cerca de 1,95 bilhão de wons e Kim, aproximadamente 240 milhões, até o dia 9 do mês anterior.
A dimensão dos valores fica mais clara quando comparada ao limite atual das contas. Sozinhos, os depósitos acumulados de Yoon foram cerca de 487 vezes superiores ao teto de saldo de 4 milhões de wons. A comparação ajuda a explicar por que parlamentares estão analisando as transferências repetidas: o valor que passou pela conta foi muito maior do que aquele que a prisão deveria manter em qualquer momento.
Os números se referem ao dinheiro recebido e sacado por meio de contas administradas para pessoas sob custódia. As mudanças propostas por Seo se concentram na forma como as instituições prisionais aceitam, mantêm e transferem esses recursos.
Como um limite de saldo permite depósitos repetidos
As unidades prisionais sul-coreanas mantêm o dinheiro que as pessoas levam consigo ao entrar sob custódia, além dos valores enviados por pessoas de fora. Os presos podem usar esses recursos em compras e despesas permitidas.
As diretrizes do Ministério da Justiça para a gestão de dinheiro e bens estabelecem um limite de 4 milhões de wons por pessoa presa. Segundo as regras atuais descritas durante a auditoria, os recursos podem ser transferidos para uma conta pessoal externa a pedido da pessoa presa. A retirada do dinheiro reduz o saldo e abre espaço para outro depósito.
Considere uma conta com 4 milhões de wons. Se esse valor for transferido para fora, outros 4 milhões de wons podem entrar sem que a conta ultrapasse o limite de saldo. A repetição do processo permite que o total recebido ao longo de vários meses supere em muito os 4 milhões de wons.
Seo disse durante a auditoria parlamentar que funcionários prisionais estavam processando saques e transferências para contas pessoais quando a conta da prisão atingia o limite. Seu projeto trata tanto do teto da conta quanto das regras para a movimentação do dinheiro.
O que a proposta mudaria
A emenda de Seo à Lei de Execução de Sentenças e Tratamento de Pessoas Presas criaria o Artigo 25-2, incorporando à legislação o teto de 4 milhões de wons. Também autorizaria o ministro da Justiça a definir regras sobre o número e o valor dos depósitos e saques, além da forma como o dinheiro poderia ser usado.
Isso daria às restrições uma base explícita em uma lei aprovada pela Assembleia Nacional. Atualmente, o teto de saldo está previsto em diretrizes ministeriais, enquanto a legislação não contém regras claras que limitem os valores mantidos e seu uso.
Uma alteração proposta ao Artigo 27 impediria que o responsável por uma unidade prisional autorizasse a entrega de dinheiro que excedesse o teto. Valores ou bens entregues acima do limite permitido teriam de ser devolvidos ao remetente.
Essas disposições tratam de diferentes etapas do mesmo processo. O teto legal regularia quanto uma prisão pode manter. A exigência de devolução trataria dos valores entregues em excesso. As regras ministeriais sobre transações controlariam a movimentação repetida de dinheiro para dentro e para fora das contas.
A proposta se aplica, de modo geral, às pessoas presas, embora os depósitos recebidos por Yoon e Kim tenham motivado a análise parlamentar. Na prática, portanto, seus efeitos se estenderiam a familiares e outras pessoas que enviam dinheiro a quem está sob custódia.
Contas médicas e apoio à família teriam exceções
O projeto de Seo permitiria exceções, por meio de regulamentos do Ministério da Justiça, para despesas legítimas. Entre as finalidades previstas estão compras feitas pelas pessoas presas, tratamento em unidades médicas externas, assistência médica custeada por elas próprias e ajuda para as despesas de subsistência da família.
Despesas necessárias à reabilitação e ao retorno à sociedade também poderiam ser contempladas. Essas disposições permitiriam ao ministério levar em conta necessidades que não se encaixam facilmente em um único teto de saldo.
Uma pessoa presa que precise pagar, por exemplo, uma conta de hospital externo pode precisar ter acesso a um valor maior do que alguém que faça compras comuns dentro da unidade. A proposta abre espaço para esse tipo de despesa enquanto busca controlar com mais rigor os depósitos e saques repetidos.
As famílias também seriam afetadas pela regra de devolução. Uma transferência poderia ser devolvida ao remetente porque a conta do destinatário atingiu o limite. Assim, as exceções e as regras para transações influenciariam tanto o apoio cotidiano quanto os fluxos de dinheiro excepcionalmente elevados.
Por que o ministro interino defende um limite ao longo do tempo
O ministro interino da Justiça, Lee, abordou o tema durante uma auditoria abrangente da Comissão de Legislação e Justiça, depois que Park Eun-jung, parlamentar do Partido da Reconstrução da Coreia, questionou o tratamento dado aos depósitos do casal. Lee reconheceu que as regras existentes haviam se afastado da finalidade de manter o dinheiro das pessoas presas.
Lee descreveu o problema da seguinte forma:
São necessárias melhorias porque o sistema está sendo operado de uma maneira que não condiz com a finalidade original dos recursos mantidos sob custódia.
Lee também defendeu um limite para os valores recebidos durante um período definido. Ao explicar sua posição à comissão, ele disse:
Precisamos estabelecer um limite para os recursos que podem ser recebidos durante determinado período.
Um teto de saldo e um limite ao longo do tempo controlam coisas diferentes. O primeiro restringe quanto dinheiro pode estar na conta de uma só vez. O segundo limita quanto pode ser recebido em determinado período, mesmo que depósitos anteriores já tenham sido sacados.
Lee disse que um teto de saldo, por si só, poderia causar transtornos a quem envia dinheiro e mencionou despesas necessárias, como tratamento hospitalar. Ele prometeu apoiar uma legislação que evitasse efeitos negativos e permitisse às pessoas presas atender às necessidades básicas.
Como a controvérsia chegou ao Parlamento
O retorno de Yoon à prisão, em julho de 2025, e a detenção de Kim no mês seguinte deram início aos períodos examinados nas divulgações financeiras. As principais datas e medidas posteriores são:
- 10 de julho de 2025: Yoon foi detido novamente.
- 12 de agosto de 2025: Kim foi detida.
- De julho de 2025 a agosto de 2026: Yoon recebeu 1,94852 bilhão de wons e fez 574 saques, segundo dados do Ministério da Justiça obtidos pelo gabinete de Seo.
- Durante as auditorias parlamentares: parlamentares questionaram os valores recebidos pelo casal e a transferência de recursos da prisão para contas pessoais.
- No dia 27, ao anunciar sua proposta: Seo afirmou ter apresentado a emenda que estabelece limites legais e mecanismos de controle.
Seo também apontou que YouTubers divulgavam números de contas e incentivavam as pessoas a enviar dinheiro para a prisão. O objetivo declarado por ela é interromper a arrecadação e os saques repetidos de grandes quantias por meio do sistema de contas para pessoas sob custódia.
O projeto ainda é uma proposta. Não foi anunciada uma data para votação na comissão ou aprovação final, e as regras detalhadas para transações e exceções seriam definidas no âmbito dos poderes ministeriais previstos na emenda.
Para os parlamentares, a decisão central é como combinar três mecanismos de controle: o valor que uma prisão pode manter, o montante que uma pessoa presa pode receber ao longo do tempo e as despesas que justificam uma exceção. Para as pessoas presas e suas famílias, essas escolhas determinariam quando o dinheiro pode ser recebido, quando deve ser devolvido e como despesas essenciais podem ser pagas.
Principais pontos
- Yoon e Kim receberam, juntos, cerca de 2,19 bilhões de wons em dinheiro para uso na prisão, segundo dados divulgados durante a análise parlamentar.
- Yoon recebeu 1,94852 bilhão de wons em 14 meses e sacou cerca de 1,9 bilhão de wons em 574 operações.
- O projeto de Seo Young-kyo estabeleceria um teto legal de 4 milhões de wons e exigiria a devolução de valores entregues em excesso.
- A proposta permitiria estabelecer regras sobre a frequência e os valores das transações, bem como sobre o uso do dinheiro, com exceções para assistência médica, apoio à família e outras necessidades permitidas.
- O ministro interino da Justiça, Lee Jin-soo, apoia a reforma e propôs limitar os valores recebidos durante um período definido.
- Não foi anunciada uma data para a votação do projeto.






