Combustível chega enquanto o primeiro reator aguarda autorização
Uma remessa de combustível nuclear russo, com 41 toneladas, chegou à Usina Nuclear de Rooppur, em Bangladesh, enquanto o primeiro reator aguarda autorização regulatória para iniciar a próxima etapa dos testes. Os engenheiros do projeto esperam que a usina forneça pelo menos 300 megawatts à rede elétrica nacional até dezembro de 2026.
Conteúdo
- Combustível chega enquanto o primeiro reator aguarda autorização
- Dois reatores, etapas diferentes de avanço
- O que significa a meta de 300 megawatts
- Problema em uma válvula antecedeu o marco mais recente dos testes
- Por que os voos com combustível precisaram de autorização para sobrevoar outros países
- Como o cronograma mudou
- Por que o custo em taka aumentou
- O que Bangladesh espera de Rooppur
- Principais pontos
A remessa mais recente, mencionada em uma atualização de 27 de outubro, chegou em 12 contêineres e foi transportada do aeroporto até a usina em três caminhões, sob escolta policial e militar. Rooppur fica em Pabna, cerca de 200 quilômetros a noroeste de Dhaka.
Esse é o terceiro carregamento destinado à segunda unidade de Rooppur. A meta imediata de fornecimento de eletricidade diz respeito à primeira unidade, que concluiu o teste físico B-2. Zahedul Hasan, diretor-geral da Nuclear Power Plant Company Bangladesh Limited (NPCBL), disse que os relatórios do teste foram enviados à Autoridade Reguladora de Energia Atômica de Bangladesh (BAERA) em 21 de outubro.
A aprovação da BAERA é necessária para que o primeiro reator inicie a partida de potência, etapa em que os operadores elevam gradualmente a produção e testam os equipamentos com níveis crescentes de potência. A meta de fornecer eletricidade em dezembro depende dessa autorização e da conclusão bem-sucedida dos testes.
Dois reatores, etapas diferentes de avanço
Rooppur tem dois reatores VVER-1200, cada um com capacidade planejada de geração de 1.200 megawatts. Juntos, eles fornecerão 2.400 megawatts quando estiverem em plena operação. O avanço segue cronogramas distintos: a primeira unidade se prepara para a partida de potência, enquanto prosseguem as entregas de combustível para a segunda.
Segundo autoridades do projeto, 163 conjuntos de combustível para a Unidade 2 devem chegar em sete remessas. Outros 48 conjuntos são esperados em duas remessas para o reabastecimento futuro da Unidade 1. Um conjunto de combustível é um feixe estruturado de varetas que contém combustível nuclear e é instalado dentro do reator.
A atualização sobre a remessa também prevê mais sete voos com combustível vindo da Rússia durante novembro e dezembro. A Rosatom, empresa estatal russa de energia nuclear, informa que as entregas para a Unidade 2 estão programadas para ocorrer de outubro até o fim de dezembro de 2026, em vários voos previstos no contrato do projeto.
As 41 toneladas correspondem ao peso informado da remessa transportada em 12 contêineres. A quantidade de conjuntos se refere ao combustível fornecido para os reatores. Para o projeto, o desafio prático é entregar os conjuntos necessários, concluir as verificações exigidas e preparar cada unidade para a próxima etapa autorizada.
O que significa a meta de 300 megawatts
A NPCBL afirma estar pronta para iniciar a partida de potência no fim de outubro, caso a BAERA conceda autorização. No início, os operadores vão gerar eletricidade em escala limitada e aumentar a produção gradualmente, à medida que os testes forem concluídos com sucesso.
Os engenheiros do projeto esperam que a primeira unidade comece a fornecer eletricidade de teste à rede nacional quando atingir cerca de 25% a 30% da capacidade. Para um reator com potência nominal de 1.200 megawatts, essa faixa corresponde a 300 a 360 megawatts. Portanto, a meta de pelo menos 300 megawatts até dezembro equivale ao limite inferior dessa faixa.
Os 300 megawatts iniciais corresponderiam a um quarto da capacidade da primeira unidade e a um oitavo dos 2.400 megawatts planejados para toda a usina. Bangladesh receberia eletricidade antes de Rooppur alcançar sua capacidade total prevista, com novos aumentos condicionados aos testes e às autorizações.
A geração de eletricidade para testes ocorre durante o comissionamento, quando os operadores verificam a usina antes do início da operação comercial regular. Cada etapa exige testes e aprovação regulatória formal. Ainda não foi anunciada uma data definitiva para a autorização final da BAERA nem para o início da geração comercial.
Problema em uma válvula antecedeu o marco mais recente dos testes
A primeira unidade de Rooppur já enfrentou um contratempo técnico envolvendo uma válvula de alívio operada por piloto, geralmente chamada de PORV. Uma válvula de alívio ajuda a controlar a pressão ao se abrir quando necessário. O ministro da Ciência e Tecnologia, Fakir Mahbub Anam, apontou o componente como uma das causas do atraso.
Anam descreveu o problema em comentários feitos em bengali. Suas palavras foram traduzidas assim:
A complicação com a válvula em Rooppur foi inesperada.
O ministro disse que cientistas de Bangladesh e da Rússia trabalhavam para resolver o problema. As previsões anteriores de geração de eletricidade em caráter experimental em setembro foram adiadas enquanto a usina prosseguia com os preparativos.
O anúncio posterior da NPCBL de que a primeira unidade havia concluído o teste físico B-2 marcou uma etapa seguinte desse processo. Os testes físicos analisam o comportamento do reator antes de os operadores avançarem para níveis mais altos de potência. A próxima decisão cabe à BAERA, que precisa avaliar os resultados enviados antes de autorizar a partida de potência.
Por que os voos com combustível precisaram de autorização para sobrevoar outros países
As entregas de combustível para a segunda unidade também sofreram um atraso no transporte. Um cronograma de voos previsto foi cancelado porque a autorização para o uso do espaço aéreo não chegou a tempo. A Rosatom não identificou oficialmente o Paquistão como responsável, embora a questão das autorizações tenha levantado dúvidas sobre o tratamento dado pelo país aos voos.
A rota prevista atravessa os espaços aéreos do Cazaquistão, do Turcomenistão, do Afeganistão, do Paquistão e da Índia. Voos que transportam material nuclear precisam de autorização diplomática de cada país ao longo do trajeto, o que torna a coordenação entre vários governos parte do processo de entrega.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Sajjad Haider, descreveu a questão como técnica e processual, e não política. Ele disse que os pedidos para voos diplomáticos e autorização de sobrevoo são processados de acordo com as diretrizes estabelecidas e os protocolos da aviação civil.
Haider também afirmou que a coordenação entre as autoridades de aviação e outros órgãos pode levar a mudanças no cronograma. Posteriormente, a Rosatom estabeleceu um período de entrega de outubro a dezembro para a Unidade 2, substituindo a previsão anterior de que uma remessa chegaria em setembro.
Como o cronograma mudou
As entregas de combustível e os marcos da construção de Rooppur se estendem por vários anos. O combustível para a primeira unidade chegou muito antes dos preparativos atuais para a geração de eletricidade, enquanto a segunda unidade agora recebe seu próprio suprimento.
- Outubro de 2023: A primeira remessa de combustível de urânio para a Unidade 1 chegou a Bangladesh, acompanhada da entrega formal do certificado de conclusão da usina.
- Abril de 2026: Começou o carregamento de combustível no vaso do reator da primeira unidade.
- 21 de outubro de 2026: A NPCBL enviou à BAERA os relatórios dos testes físicos da primeira unidade.
- Outubro a dezembro de 2026: A Rosatom programou vários voos para entregar combustível à Unidade 2.
- Dezembro de 2026: Os engenheiros do projeto esperam que a Unidade 1 esteja fornecendo pelo menos 300 megawatts de eletricidade de teste à rede.
- Junho de 2028: O prazo revisado para a conclusão do projeto, após duas prorrogações em relação a dezembro de 2025.
O acordo inicial com a Rússia previa a geração de eletricidade pela primeira unidade em 2023. A implementação enfrentou posteriormente interrupções no fornecimento e dificuldades de pagamento associadas à pandemia de COVID-19 e à guerra na Ucrânia.
A meta de dezembro de 2026 diz respeito a uma contribuição inicial para a rede. Junho de 2028 é o prazo revisado para a conclusão do projeto. Assim, Bangladesh busca começar a fornecer uma quantidade limitada de eletricidade antes, enquanto o trabalho continua para concluir o projeto como um todo.
Por que o custo em taka aumentou
O custo estimado do projeto de Rooppur aumentou cerca de Tk 260 bilhões, chegando a Tk 1,39 trilhão. O preço do contrato principal, expresso em euros ou dólares, permaneceu inalterado apesar das prorrogações do prazo.
A valorização do dólar no mercado cambial de Bangladesh aumentou a quantidade de taka necessária para cobrir os custos em moeda estrangeira. Quando o taka compra menos dólares, uma fatura em dólares de valor inalterado exige mais moeda local para ser paga.
Os valores informados indicam uma estimativa anterior de cerca de Tk 1,13 trilhão. O aumento de Tk 260 bilhões representa aproximadamente 23% desse valor. Isso dá uma medida da pressão adicional sobre o orçamento do projeto na moeda local de Bangladesh.
A Comissão de Energia Atômica de Bangladesh, subordinada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, está implementando o projeto de Rooppur com assistência financeira e técnica da Rússia. A divisão de engenharia da Rosatom é responsável pelo projeto geral e atua como contratada principal.
O que Bangladesh espera de Rooppur
Bangladesh busca obter eletricidade de Rooppur em meio à escassez de energia. A redução das importações de gás natural liquefeito e as contas não pagas que afetam produtores privados de energia contribuíram para a paralisação de usinas e o aumento dos cortes programados de eletricidade.
O governo espera que os 1.200 megawatts que a primeira unidade deverá gerar quando entrar em operação ajudem a reduzir a escassez de energia e a dependência de usinas caras movidas a óleo. O fornecimento inicial previsto de 300 megawatts daria uma contribuição menor enquanto os operadores continuam os testes.
A Índia ajudou a treinar engenheiros que vão operar e manter Rooppur, conforme um acordo trilateral com Bangladesh e a Rússia. A cooperação se apoia na experiência indiana com a tecnologia russa de reatores na Usina Nuclear de Kudankulam, em Tamil Nadu.
Na atualização de outubro de 2026, Kudankulam gerava 2.000 megawatts com duas unidades. A previsão era que outras duas unidades entrassem em operação em 2027, seguidas de mais duas em 2030. Para Bangladesh, o acordo de treinamento permite acesso à experiência operacional enquanto seus próprios engenheiros se preparam para operar a primeira usina nuclear do país.
Principais pontos
- Rooppur recebeu sua terceira remessa de combustível para a Unidade 2: 41 toneladas transportadas em 12 contêineres.
- A Unidade 1 concluiu o teste físico B-2, e os relatórios foram enviados à BAERA em 21 de outubro de 2026.
- A partida de potência exige autorização regulatória antes que a produção possa aumentar ao longo das etapas sucessivas de testes.
- Os engenheiros esperam fornecer pelo menos 300 megawatts à rede até dezembro de 2026.
- A Rosatom programou entregas de combustível para a Unidade 2 até dezembro de 2026.
- Os dois reatores têm capacidade total planejada de 2.400 megawatts.
- O prazo revisado para a conclusão do projeto é junho de 2028, e o custo estimado agora é de Tk 1,39 trilhão.






