Dez meses até o nível profissional mais alto da Xiaomi
Luo Fuli, ex-pesquisadora da DeepSeek que lidera a equipe de inteligência artificial MiMo da Xiaomi, teria alcançado o nível 22, o mais alto do sistema de classificação profissional da empresa, apenas 10 meses depois de ingressar nela. Sua promoção apareceu em um comunicado interno em 22 de setembro, colocando a pesquisadora de 31 anos no topo dessa trajetória profissional enquanto a Xiaomi amplia seus investimentos nos modelos por trás de seus produtos de IA.
Conteúdo
- Dez meses até o nível profissional mais alto da Xiaomi
- O que Luo supervisiona agora
- De um modelo pequeno a apostas muito maiores
- Os custos computacionais por trás da pesquisa
- Como Luo chegou à Xiaomi
- Por que a contratação chamou atenção
- Perseverança por trás da imagem pública
- Uma promoção rápida, uma ambição de longo prazo
- Principais pontos
Luo confirmou sua ida para a Xiaomi em novembro de 2025. Desde então, sua ascensão envolveu mais do que um novo título: sua equipe passou a ser responsável pelos modelos fundamentais usados na XiaoAI, a assistente virtual da Xiaomi, e lançou projetos muito maiores do que o primeiro modelo MiMo da empresa.
O negócio da Xiaomi oferece um contexto prático para essas decisões. A empresa vende smartphones, veículos elétricos e outros dispositivos conectados. Seus pesquisadores de IA desenvolvem tecnologia que pode atender a produtos de toda essa linha, enquanto equipes distintas cuidam da infraestrutura computacional e do trabalho de levar a IA aos dispositivos.
A promoção também voltou a chamar atenção para uma proposta de contratação não confirmada. O fundador e CEO Lei Jun teria tentado contratar Luo no fim de 2024 com um salário anual de 10 milhões de yuans; outra descrição mencionou um salário proposto de "dezenas de milhões" de yuans. Nem a Xiaomi nem Luo confirmaram a oferta, e o anúncio da promoção não divulgou nenhum novo valor de remuneração.
O que Luo supervisiona agora
MiMo é a família de grandes modelos de linguagem da Xiaomi, sistemas de software treinados para compreender e gerar textos, raciocinar sobre problemas e realizar tarefas complexas. Luo lidera a equipe de pesquisa que desenvolve esses modelos, responsáveis pelas capacidades fundamentais que outras equipes podem incorporar a serviços.
Uma reestruturação da XiaoAI em julho ampliou essa responsabilidade. Com o novo arranjo, a equipe de Luo assumiu o desenvolvimento dos modelos fundamentais de IA. As demais equipes mantiveram a responsabilidade pela infraestrutura em nuvem e pela integração da IA a celulares, veículos e outros dispositivos.
A divisão separa três funções interligadas. Pesquisadores criam e aprimoram o modelo. Equipes de infraestrutura fornecem os sistemas computacionais necessários para executá-lo. Equipes de produto conectam o modelo a recursos que os clientes podem usar. Um modelo melhor pode oferecer recursos mais avançados de raciocínio ou linguagem a um produto, mas a experiência final também depende das outras duas funções.
Ao anunciar sua ida para a Xiaomi em uma publicação no WeChat, Luo descreveu uma ambição mais ampla. A pesquisadora, que estava ingressando na equipe MiMo da Xiaomi, escreveu:
A inteligência vai além da linguagem e chegará ao mundo físico.
Celulares e veículos oferecem à Xiaomi espaços para perseguir essa ambição. A declaração pública de Luo apontou uma direção para a pesquisa, enquanto as mudanças organizacionais deram à sua equipe um papel definido no fornecimento de sua base técnica.
De um modelo pequeno a apostas muito maiores
A Xiaomi lançou seu primeiro modelo MiMo em abril de 2025. Chamado MiMo-7B, ele tinha 7 bilhões de parâmetros, os valores numéricos ajustados durante o treinamento que ajudam a determinar como um modelo processa informações e produz respostas.
O modelo foi desenvolvido pela força-tarefa Core AI da Xiaomi usando aprendizado por reforço. Nesse tipo de treinamento, um sistema recebe feedback que recompensa respostas mais bem-sucedidas, ajudando-o a melhorar em tarefas como resolução de problemas.
A Xiaomi afirmou que o MiMo-7B superou o GPT-4o, da OpenAI, e o QwQ-32B, da Alibaba Cloud, em determinados testes de benchmark, apesar de ter menos parâmetros. Benchmarks são exercícios padronizados usados para comparar sistemas. O desempenho nesses testes permite que pesquisadores meçam habilidades específicas, como raciocínio matemático ou programação.
Depois, Luo e sua equipe decidiram treinar simultaneamente dois modelos muito maiores: um com várias centenas de bilhões de parâmetros e outro com 1 trilhão. Segundo relatos sobre as decisões de desenvolvimento da equipe, esses projetos se tornaram o MiMo-V2-Flash e o MiMo-V2-Pro.
Um trilhão de parâmetros equivale a cerca de 143 vezes os 7 bilhões do modelo MiMo original. A quantidade de parâmetros descreve a escala de um modelo; os métodos de treinamento, os dados e o projeto também afetam suas capacidades. Para a Xiaomi, a decisão representou uma expansão substancial da escala dos sistemas que seus pesquisadores buscavam construir.
Os custos computacionais por trás da pesquisa
Em setembro de 2026, a equipe de Luo teria transmitido ao vivo um painel de treinamento que mostrava um custo combinado de US$ 30.800 por hora para dois modelos em treinamento por reforço. Nesse ritmo, 24 horas de operação ininterrupta custariam US$ 739.200.
O valor exibido no painel descreve o custo por hora dessas atividades de treinamento. O total da conta dependeria do tempo de operação dos sistemas e de como os gastos variaram durante o trabalho. A duração necessária para calcular esse total não foi divulgada.
A expansão da MiMo começou antes de Luo confirmar publicamente sua chegada. Segundo relatos, a equipe tinha menos de 20 pessoas em janeiro de 2025 e cerca de 50 a 60 em maio ou junho. Portanto, a Xiaomi já tinha uma operação de pesquisa em andamento e um modelo lançado antes do anúncio de Luo em novembro.
Lei teria recebido atualizações sobre a MiMo a cada duas semanas, em média, e geralmente deixava as decisões técnicas a cargo de Luo e dos pesquisadores. Esse arranjo deu à equipe bastante liberdade para decidir como desenvolver seus modelos maiores, inclusive para treinar simultaneamente dois sistemas ambiciosos.
A combinação de modelos maiores, custos computacionais substanciais e acesso ao CEO ajuda a explicar por que a posição de Luo importa para além de sua classificação numérica. As escolhas de sua equipe afetam como a Xiaomi direciona recursos de pesquisa e quais capacidades poderão estar disponíveis às equipes de produto no futuro.
Como Luo chegou à Xiaomi
A trajetória de Luo conecta a pesquisa universitária em linguagem, o laboratório de uma grande empresa de tecnologia e a empresa de investimentos por trás da DeepSeek. Nascida em 1995 em uma família rural da província de Sichuan, ela estudou ciência da computação na Universidade Normal de Pequim antes de obter mestrado em linguística computacional na Universidade de Pequim.
A linguística computacional usa a computação para estudar e processar a linguagem humana. Ela está diretamente relacionada ao trabalho por trás de sistemas que interpretam perguntas, traduzem textos e geram respostas escritas.
Sua trajetória entre a pesquisa e o setor privado inclui algumas datas importantes:
- 2019: Luo contribuiu para oito artigos apresentados no encontro anual da Associação de Linguística Computacional.
- Após a graduação: Ingressou na DAMO Academy, instituto de pesquisa da Alibaba.
- 2022: Ingressou na High-Flyer Quant, empresa de investimentos cujos fundadores também criaram a DeepSeek.
- Maio de 2024: A DeepSeek lançou o DeepSeek-V2, com Luo entre os colaboradores.
- Abril de 2025: A Xiaomi lançou o MiMo-7B, antes de Luo confirmar publicamente sua ida para a empresa.
- Novembro de 2025: Luo anunciou que havia ingressado na equipe MiMo da Xiaomi.
- 22 de setembro: A Xiaomi teria anunciado internamente sua promoção, cerca de 10 meses após sua entrada na empresa.
Na DeepSeek, Luo trabalhou no DeepSeek-V2 e, segundo relatos sobre sua trajetória posterior, no DeepSeek-V3. Ela levou à iniciativa da Xiaomi a experiência com modelos de aproximadamente 600 bilhões a 700 bilhões de parâmetros, enquanto a empresa buscava desenvolver sistemas muito maiores.
Lançado como modelo de código aberto em 2024, o DeepSeek-V2 ajudou a consolidar a empresa chinesa como concorrente dos principais desenvolvedores americanos de IA. Lançamentos de código aberto permitem que pessoas de fora da organização desenvolvedora acessem e utilizem recursos do modelo de acordo com a licença aplicável.
Por que a contratação chamou atenção
A abordagem de Lei a Luo no fim de 2024, segundo relatos, colocou um alto valor salarial no centro do interesse público por sua carreira. Um pacote anual de 10 milhões de yuans equivaleria a cerca de 833.333 yuans por mês antes dos impostos, caso o valor divulgado correspondesse a um acordo real.
O marco público confirmado veio mais tarde, quando Luo anunciou em novembro de 2025 que havia ingressado na MiMo. O intervalo entre as notícias sobre a contratação e seu anúncio alimentou meses de especulação sobre seu próximo local de trabalho.
As ações da Xiaomi subiram 1,7%, para HK$ 43,70, no fechamento do pregão da quarta-feira em que ela anunciou sua ida para a empresa. A contratação trouxe para a Xiaomi uma pesquisadora de destaque com experiência direta no desenvolvimento de modelos na DeepSeek, além da equipe MiMo que já existia.
O salário divulgado e a promoção posterior dizem respeito a partes diferentes dessa história. O salário se refere a uma proposta de contratação não confirmada. O nível 22 descreve a posição que ela teria alcançado no sistema de classificação profissional da Xiaomi. Já a ampliação de suas responsabilidades pode ser observada na atribuição do desenvolvimento dos modelos fundamentais à sua equipe e na busca por modelos maiores.
Para a Xiaomi, contratar Luo trouxe experiência relevante para decisões difíceis de reverter depois que grandes ciclos de treinamento começam. O projeto dos modelos, os métodos de treinamento e a alocação de recursos computacionais influenciam o desenvolvimento de um programa de pesquisa.
Perseverança por trás da imagem pública
Luo já rejeitou diversas vezes a descrição de "gênio da IA". Em um perfil publicado pela Universidade de Pequim, ela atribuiu seu progresso à curiosidade, à capacidade de execução e à resiliência.
Ao falar sobre suas conquistas nesse perfil da universidade, Luo disse:
Não sou um gênio.
Ela descreveu as qualidades que acredita terem ajudado a chegar até ali:
A curiosidade por problemas fundamentais, a capacidade de execução e um pouco de resiliência teimosa: foi isso que me trouxe até aqui.
Luo contou que teve dificuldades com computação no início dos estudos porque tinha pouca experiência anterior com computadores. Problemas que os colegas resolviam em três minutos podiam levar três horas para ela, uma diferença de 60 vezes no tempo dedicado a um exercício.
Em dois anos, o trabalho constante a ajudou a se tornar uma das melhores alunas da turma. Sua contribuição para oito artigos apresentados em uma importante conferência de pesquisa sobre linguagem, em 2019, trouxe reconhecimento mais amplo posteriormente.
Seu relato coloca a rápida promoção na Xiaomi ao lado de um período de aprendizado muito mais longo. Os 10 meses descrevem sua ascensão, segundo relatos, no sistema de classificação de uma empresa; a experiência de pesquisa por trás dela abrange os estudos universitários, a Alibaba, a High-Flyer e a DeepSeek.
Uma promoção rápida, uma ambição de longo prazo
Os comentários públicos de Luo sobre sua carreira valorizam o progresso constante, não a velocidade. Em uma entrevista ao criador de vídeos chinês Liang Zi, ela usou uma comparação simples para explicar como enxerga seu desenvolvimento.
Ao descrever sua abordagem ao crescimento profissional, Luo disse:
Sou como um caracol que não busca avançar mais rápido, mas cada passo meu é claramente visível.
Luo, cujo marido também trabalha com tecnologia, disse que quer continuar avançando profissionalmente e, ao mesmo tempo, manter uma vida familiar feliz. Esses objetivos pessoais coexistem com uma função que agora envolve responsabilidade por pesquisas cada vez mais ambiciosas.
Para os clientes da Xiaomi, o trabalho concreto está em conectar essa pesquisa aos produtos. A equipe de Luo desenvolve os modelos fundamentais; outras equipes precisam executá-los de forma confiável e integrar suas capacidades a celulares, carros e dispositivos conectados. A promoção reconhece a posição dela nesse esforço, enquanto o programa mais amplo exige coordenação entre essas responsabilidades distintas.
A próxima etapa do desenvolvimento da MiMo envolverá tanto os modelos maiores quanto os sistemas construídos em torno deles. O primeiro lançamento da MiMo, a reorganização da XiaoAI e os gastos divulgados com treinamento mostram a rapidez com que a Xiaomi ampliou o projeto desde abril de 2025.
Principais pontos
- Luo Fuli teria alcançado o nível 22, a classificação profissional mais alta da Xiaomi, cerca de 10 meses após ingressar na empresa.
- Sua promoção foi anunciada internamente em 22 de setembro.
- Ela lidera a MiMo, e sua equipe passou a ser responsável pelos modelos fundamentais por trás da XiaoAI.
- A Xiaomi lançou o MiMo-7B em abril de 2025; projetos posteriores buscaram desenvolver modelos com centenas de bilhões e 1 trilhão de parâmetros.
- Um painel de treinamento de setembro de 2026 teria exibido custos combinados de US$ 30.800 por hora para dois modelos.
- Nem a Xiaomi nem Luo confirmaram o salário divulgado para a contratação.
- Luo atribui seu progresso profissional à perseverança, à curiosidade e ao trabalho constante.






