A aprovação na China continua pendente enquanto a Tesla expande seu software de direção pago
A Tesla encerrou o terceiro trimestre de 2026 com 1,74 milhão de clientes ativos pagantes de seu software Full Self-Driving (FSD) no mundo todo, alta de 67% em relação ao ano anterior. Ainda assim, a expansão do sistema na China segue sem uma data definida para ser concluída. Na teleconferência de resultados realizada em 21 de outubro, o CEO Elon Musk afirmou que a Tesla trabalhava com os órgãos reguladores chineses para obter uma aprovação mais ampla, em meio à forte concorrência das montadoras locais.
Conteúdo
- A aprovação na China continua pendente enquanto a Tesla expande seu software de direção pago
- O que os consumidores chineses podem comprar hoje
- Como mudou o cronograma de aprovação
- Concorrentes chinesas disputam alcance e preço
- Tesla aposta em dados de segurança
- Nove aprovações na Europa, mas sem prazo para conclusão na UE
- A adesão paga torna o FSD central para os negócios da Tesla
- Por que um acesso mais amplo importa além do próximo lançamento
- Principais pontos
O desafio vai além de conseguir autorização para vender mais um recurso de software. Os consumidores chineses já podem escolher entre vários sistemas que ajudam os veículos a circular pelas ruas das cidades, inclusive tecnologias disponíveis em carros na faixa de 150 mil yuans. A Tesla vende seu pacote chinês de assistência à direção por 64 mil yuans, o que torna o preço e a utilidade no dia a dia centrais nessa disputa.
Musk afirmou que a assistência à direção é o principal fator por trás da crescente demanda pelos veículos da Tesla e disse que a procura supera a produção. Sua avaliação sobre a China foi mais cautelosa: a Tesla ainda não havia conquistado uma vantagem clara sobre as concorrentes domésticas.
O diretor financeiro, Vaibhav Taneja, também reconheceu que a antiga vantagem tecnológica da Tesla sobre as montadoras chinesas havia diminuído. Ao falar dos esforços para ampliar a autorização regulatória, ele afirmou:
Estamos trabalhando intensamente para tentar obter uma aprovação mais ampla do FSD na China.
O próximo passo da Tesla depende tanto da autorização regulatória quanto de sua capacidade de convencer os compradores em um mercado onde os sistemas concorrentes estão se disseminando rapidamente. A empresa também busca uma aprovação mais ampla na Europa, mas nenhum dos dois processos tem uma data de conclusão garantida.
O que os consumidores chineses podem comprar hoje
A Tesla comercializa o FSD Supervised na China como Tesla Assisted Driving. O sistema ajuda a controlar o veículo, mas o motorista deve continuar atento à estrada e pronto para assumir o controle. Apesar do nome Full Self-Driving, o produto supervisionado exige que uma pessoa permaneça atenta ao volante.
O pacote chinês custa 64 mil yuans em uma compra única. Quando confirmou a compatibilidade com o mercado chinês, em maio, a Tesla ainda não havia lançado uma assinatura mensal no país. Isso diferia da estratégia anunciada nos Estados Unidos, onde a empresa estava migrando para assinaturas de US$ 99 por mês.
A expansão anunciada pela Tesla em maio foi descrita como o lançamento do FSD Supervised na China. Em seu comunicado de 21 de maio, a empresa confirmou especificamente que o software era compatível com a região chinesa, mas a Tesla China não informou uma data para disponibilizá-lo aos clientes naquele momento. Agora, a empresa busca uma autorização mais ampla, além do acesso já disponível.
Para quem pensa em comprar o sistema, a questão prática é quais funções estão disponíveis em cada veículo na China. A Tesla não anunciou quando o pacote mais abrangente que está buscando será disponibilizado em todo o mercado.
Como mudou o cronograma de aprovação
Musk havia previsto anteriormente que a aprovação integral na China viria por volta de fevereiro ou março de 2026. Ele fez essa estimativa na assembleia anual de acionistas da Tesla e disse que a empresa já tinha uma aprovação parcial. Na teleconferência de resultados de outubro, o foco passou a ser a continuidade das negociações com os órgãos reguladores, sem uma nova previsão mensal.
Na teleconferência de resultados da Tesla em 23 de abril, Taneja também havia estabelecido uma meta posterior: obter aprovação abrangente na China até o terceiro trimestre de 2026. Os comentários mais recentes foram feitos após o fim desse trimestre, enquanto a empresa ainda busca uma autorização mais ampla.
- Antes de 2026: Musk disse na assembleia anual de acionistas da Tesla que esperava obter aprovação integral na China por volta de fevereiro ou março de 2026.
- 23 de abril de 2026: Taneja afirmou que a Tesla trabalhava para obter aprovação abrangente na China até o terceiro trimestre.
- Início de maio: a Tesla China atualizou o manual do proprietário para a versão 2026.14, com uma apresentação do FSD V14.
- 21 de maio: a Tesla confirmou a compatibilidade do FSD Supervised com o mercado chinês.
- 21 de outubro: na teleconferência de resultados, a Tesla informou que continuava buscando uma aprovação mais ampla, sem estabelecer um novo prazo para a China.
A Tesla também está contratando técnicos de teste do Autopilot para realizar testes em vias públicas em nove cidades chinesas: Pequim, Xangai, Tianjin, Chongqing, Guangzhou, Shenzhen, Chengdu, Wuhan e Suzhou. Essas vagas somam o trabalho de testes locais aos esforços regulatórios.
Concorrentes chinesas disputam alcance e preço
A Huawei liderou o primeiro semestre de 2026 em instalações de sistemas de navegação urbana com piloto automático na China, ou urban NOA, com mais de 300 mil veículos. Tesla e Momenta superaram, cada uma, 200 mil. Outras seis empresas, incluindo Li Auto, Xpeng, Xiaomi e Nio, passaram de 100 mil cada.
O levantamento de instalações foi compilado com base nos registros de seguros de veículos de janeiro a junho de 2026 no mercado chinês de automóveis de passeio, abrangendo 12 fornecedores e montadoras com modelos em produção. Foram contabilizadas 1,802 milhão de instalações de hardware para urban NOA, incluindo estimativas de alguns equipamentos opcionais, o que representa o número máximo de sistemas que poderiam ser ativados. Os dados sobre ativações efetivas no período não estavam disponíveis publicamente. A assistência à navegação em rodovias e a navegação urbana baseada em trajetos memorizados, ou modos de deslocamento diário, foram excluídas. Para modelos com hardware opcional, o levantamento usou pesquisas com concessionárias terceirizadas sobre a adesão às opções e verificações cruzadas preliminares.
O urban NOA é um sistema de assistência à direção projetado para ajudar o veículo a seguir um trajeto no trânsito urbano. Dependendo do sistema e das condições de operação permitidas, isso pode incluir atravessar cruzamentos, mudar de faixa e responder a sinais de trânsito. Os motoristas continuam responsáveis por supervisionar esses sistemas de assistência.
Os números de instalações mostram a dimensão da concorrência enfrentada pela Tesla. A Huawei registrou 323 mil instalações e uma participação de mercado de 17,9%, ante 13,3% da Tesla. A Momenta registrou 214 mil instalações, a Qianli, 164 mil, e a DeepRoute, 134 mil. Esses totais de hardware indicam o acesso potencial à tecnologia, não quantos clientes a ativaram ou estavam usando.
A concorrência também envolve o comportamento na direção. Uma avaliação citada de sistemas de assistência classificou o ADS 3.0 da Huawei em primeiro lugar no critério de intervenção do motorista, descreveu o XNGP da Xpeng como o mais agressivo em seu estilo de condução e considerou o sistema da Li Auto o mais equilibrado. Essas diferenças importam para os consumidores que avaliam o conforto com que um sistema lida com o trânsito cotidiano.
O preço aumenta a pressão. A compra do software da Tesla por 64 mil yuans equivale a cerca de 43% do valor de um veículo de 150 mil yuans, faixa em que o urban NOA começa a aparecer. Essa comparação dá a dimensão do custo adicional cobrado pela Tesla aos compradores que o avaliam diante de um carro concorrente inteiro.
Tesla aposta em dados de segurança
Taneja disse que alguns CEOs de montadoras chinesas haviam testado o FSD nos Estados Unidos e ficado impressionados. Ele descreveu a reação nos seguintes termos:
ficaram impressionados
Taneja também argumentou que os relatórios de segurança e os dados da Tesla sobre a direção sem supervisão poderiam ajudar a convencer os órgãos reguladores. Assim, as evidências sobre o comportamento do sistema, inclusive quando algo dá errado, ocupam um lugar central na estratégia de aprovação da empresa.
As restrições chinesas à transferência para centros no exterior de dados coletados na China continental complicam esse trabalho. O desenvolvimento de software de direção depende de gravações e outras informações obtidas nas vias para identificar situações difíceis, aprimorar o software e verificar seu desempenho. As restrições à transferência dessas informações afetam a maneira como a Tesla pode organizar essas atividades.
Regras descritas como entrando em vigor em 1º de julho de 2027 responsabilizariam as montadoras por acidentes ocorridos no modo de direção autônoma e exigiriam um intervalo de 10 segundos para que os motoristas assumissem o controle. A autoridade reguladora e o texto legal não foram identificados nesse relato, o que deixa incerto o alcance exato dessas exigências.
O produto em discussão no momento continua sendo um sistema supervisionado de assistência à direção. O trabalho da Tesla com veículos que circulam sem motorista envolve um conjunto mais amplo de autorizações e responsabilidades operacionais, incluindo quem deve lidar com uma situação perigosa quando ninguém está dirigindo ativamente.
Nove aprovações na Europa, mas sem prazo para conclusão na UE
O avanço da Tesla na Europa oferece outro mercado em expansão para o FSD Supervised. Em meados de outubro, o sistema havia sido aprovado em nove países da União Europeia: Países Baixos, Bélgica, República Tcheca, Dinamarca, Croácia, Lituânia, Estônia, Eslovênia e Eslováquia.
A empresa afirmou que o número de usuários do FSD na Europa superava 100 mil e que eles haviam percorrido, juntos, mais de 160 milhões de quilômetros. Quatro países foram acrescentados à lista de locais com aprovação desde o fim do segundo trimestre, entre eles a Croácia.
Musk disse que a Tesla esperava obter aprovação em toda a UE dentro de alguns meses, mas reconheceu que era difícil prever o prazo. Seus comentários admitiram que o processo poderia se estender até o primeiro trimestre de 2027.
Para os consumidores europeus, uma autorização mais ampla aumentaria o número de locais onde a Tesla pode oferecer o software. Para a empresa, ampliaria uma base de clientes pagantes que já abrange vários mercados nacionais. O cronograma continua nas mãos dos órgãos reguladores, assim como na China.
A adesão paga torna o FSD central para os negócios da Tesla
Os 1,74 milhão de clientes ativos pagantes do FSD da Tesla incluem pessoas que compraram o pacote à vista e aquelas que pagam mensalmente. Os usuários de testes gratuitos não entram na conta. O total subiu de 1,28 milhão no fim do primeiro trimestre, um aumento de 460 mil, ou cerca de 36%, em seis meses.
As assinaturas representaram, pela primeira vez, metade da base global de clientes pagantes. Isso muda a composição da receita de software da Tesla: em vez de receber cada pagamento quando o cliente compra um veículo ou pacote de software, a empresa obtém uma parcela crescente por meio de assinaturas recorrentes.
Mais de 75% dos veículos entregues na América do Norte durante o terceiro trimestre incluíam uma assinatura paga do FSD. A Tesla estimou que o aumento em relação ao segundo trimestre foi de quase 20 pontos percentuais. Esse indicador mede a adesão entre os veículos recém-entregues, um grupo diferente da base global total de clientes pagantes.
A Tesla atribuiu parte da melhora na rentabilidade automotiva ao crescimento da receita de assinaturas do FSD, além de mudanças na composição dos veículos e das regiões em que foram vendidos. A margem bruta automotiva, excluídos os créditos regulatórios, subiu de 16,3% no segundo trimestre para 18,1% no terceiro, uma alta de 1,8 ponto percentual. A margem bruta é a parcela da receita de vendas que sobra após os custos diretos de fornecimento do produto.
A receita da empresa no terceiro trimestre foi de cerca de US$ 28,05 bilhões, enquanto o lucro líquido atribuível aos acionistas ordinários caiu 43% em relação ao ano anterior, para US$ 787 milhões. A receita crescente de software, portanto, vem acompanhada de pressões sobre os negócios em geral, em vez de eliminar a necessidade de vender veículos com rentabilidade.
Por que um acesso mais amplo importa além do próximo lançamento
A Tesla tenta transformar o software de direção tanto em motivo para comprar seus veículos quanto em uma fonte contínua de receita. O processo de aprovação na China afeta os dois objetivos: um acesso mais amplo daria à empresa mais funções para oferecer, enquanto os atrasos dão mais tempo às concorrentes domésticas para vender sistemas rivais.
O programa de robotáxis da empresa mostra até onde vão suas ambições. A Tesla informou que a quilometragem acumulada dos robotáxis sem supervisão se aproximava de 2 milhões de milhas no fim do terceiro trimestre, cerca de oito vezes o total registrado no fim do segundo. A empresa também havia incorporado veículos Cybercab à sua frota em Austin.
A administração espera que a receita e a rentabilidade dos robotáxis se tornem mais expressivas ao longo de 2027. Esses planos exigem gastos enquanto a Tesla continua investindo em veículos, computação e robótica. A empresa revisou para cerca de US$ 20 bilhões sua previsão de investimentos de capital para 2026.
A China representa um teste comercial mais imediato. A Tesla tem uma base crescente de clientes pagantes no mundo todo, mas as fabricantes locais já estão implementando assistência à direção urbana em grande escala e em veículos mais baratos. O sucesso da empresa no país dependerá das autorizações que obtiver, das funções oferecidas aos clientes e de os compradores considerarem que o pacote de 64 mil yuans vale o preço.
Principais pontos
- A Tesla busca uma aprovação mais ampla do FSD na China, mas não anunciou um novo prazo de conclusão na teleconferência de resultados de 21 de outubro.
- O produto supervisionado oferecido na China exige atenção do motorista e custa 64 mil yuans.
- A Huawei superou 300 mil instalações do urban NOA no primeiro semestre de 2026; Tesla e Momenta passaram de 200 mil cada.
- A Tesla tinha 1,74 milhão de clientes ativos pagantes do FSD no mundo todo no fim do terceiro trimestre, alta de 67% em relação ao ano anterior.
- Em meados de outubro, o FSD Supervised tinha sido aprovado em nove países da UE, enquanto uma aprovação mais ampla continuava pendente.
- Os prazos anteriores para a aprovação na China passaram enquanto as concorrentes domésticas expandiam a oferta de assistência à direção para veículos na faixa de 150 mil yuans.






