Um marco demográfico chega às salas de aula e aos centros de cuidado
A China tinha 223,65 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2025, ante 212,76 milhões de crianças de 0 a 14 anos, segundo números atribuídos ao Anuário Estatístico da China 2026, do Departamento Nacional de Estatísticas. A razão de dependência de idosos chegou a 23,1%, superando pela primeira vez a razão de dependência infantil, de 22%.
Conteúdo
- Um marco demográfico chega às salas de aula e aos centros de cuidado
- O que significam as razões de dependência
- Como o equilíbrio mudou ao longo de uma década
- Jardins de infância ganham uma nova função
- O reaproveitamento de escolas rurais vira tarefa de planejamento
- Formação de professores se volta ao atendimento a idosos
- Consumidores mais velhos buscam aprendizado e convívio
- O envelhecimento se acelera, com grandes diferenças regionais
- Finanças públicas e políticas para a força de trabalho sob pressão
- Principais pontos
A diferença representa 10,89 milhões de idosos a mais do que crianças. As pessoas com 65 anos ou mais correspondiam a 15,9% da população, enquanto as crianças representavam 15,1%. Juntos, os dois grupos resultavam em uma razão de dependência total de 45,1%.
Em várias cidades, essa mudança já está alterando o uso de edifícios e a atuação dos trabalhadores. Um antigo jardim de infância em Jinan se tornou um centro comunitário de atendimento a idosos. Um projeto de conversão em Changzhou envolve instalações ociosas de um jardim de infância público. A Faculdade de Educação Pré-Escolar de Guangzhou acrescentou uma formação em saúde inteligente e serviços e gestão de cuidados para idosos.
A mudança demográfica da China está criando duas demandas ao mesmo tempo: adaptar os serviços onde há menos matrículas de crianças e ampliar o atendimento, as refeições, as atividades e a educação para os moradores mais velhos. A resposta vai além dos asilos e inclui a formação de professores, prédios de escolas rurais e aulas de inteligência artificial e operação de drones.
A ultrapassagem também ocorre em meio a um declínio populacional mais amplo. Dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas em 19 de janeiro indicam que a população chinesa era de 1,40489 bilhão no fim de 2025, uma queda de 3,39 milhões em relação ao ano anterior. Houve 7,92 milhões de nascimentos e 11,31 milhões de mortes ao longo do ano, marcando o quarto declínio populacional anual consecutivo.
O que significam as razões de dependência
Uma razão de dependência compara pessoas de determinadas faixas etárias com aquelas de 15 a 64 anos. Por essa definição, a razão de idosos da China em 2025 significa que havia cerca de 23 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 pessoas em idade ativa. A razão infantil significa que havia cerca de 22 crianças para as mesmas 100 pessoas.
O índice combinado de 45,1%, portanto, descreve cerca de 45 crianças e idosos para cada 100 pessoas de 15 a 64 anos. As participações da população de 15,9% e 15,1% usam outro denominador: todas as pessoas do país, incluindo crianças e idosos.
As responsabilidades financeiras efetivas dependem de emprego, renda, poupança, aposentadorias e arranjos familiares. A faixa de 15 a 64 anos inclui estudantes e pessoas sem trabalho remunerado, enquanto alguns idosos continuam trabalhando ou se sustentam com aposentadorias e patrimônio.
A base de dados sobre dependência etária do Banco Mundial registra a razão total da China em 44% para 2025, em comparação com os 45,1% do anuário. O banco identifica estimativas populacionais das Nações Unidas e estimativas da equipe do Banco Mundial como fontes dos dados, que formam uma série estatística separada.
Como o equilíbrio mudou ao longo de uma década
A razão de dependência de idosos da China subiu de 15% em 2016 para 23,1% em 2025. Isso representa um aumento de 8,1 pontos percentuais, ou 54% em relação ao nível inicial. Na prática, o número de idosos por 100 pessoas em idade ativa passou de 15 para cerca de 23.
A sequência mostra como as duas razões se aproximaram até se cruzarem:
- 2016: A razão de dependência de idosos era de 15%.
- 2021: Chegou a 20,8%, superando 20% pela primeira vez.
- 2024: A razão de idosos chegou a 22,8%, pouco abaixo da razão infantil, de 23%.
- 2025: A razão de idosos subiu para 23,1%, enquanto a razão infantil caiu para 22%.
O panorama histórico das razões de dependência da Statista situa essa mudança em um ciclo mais longo. A razão total de dependência da China permaneceu abaixo de 40% entre 2005 e 2017. A queda nas taxas de natalidade havia reduzido a dependência infantil, enquanto, por volta de 2010, o aumento da dependência de idosos começou a compensar essa redução.
Jardins de infância ganham uma nova função
O primeiro projeto de Changzhou para converter instalações ociosas de um jardim de infância público em uma unidade de atendimento a idosos foi assinado em 30 de julho. Ele envolve o terreno do Jardim de Infância Shunyuan Ercun, na cidade de Xuejia, distrito de Xinbei. Não foi informada uma data de inauguração da unidade adaptada.
O Centro Integrado de Serviços de Cuidados a Idosos Sanjiaoxian, em Jinan, ocupa um antigo jardim de infância particular na região da rua Baohua, distrito de Tianqiao. O jardim de infância funcionou por mais de 30 anos antes de mudar de uso.
Jinhua, na província de Zhejiang, oferece um exemplo anterior. Um jardim de infância que funcionava havia 25 anos foi convertido em uma casa de repouso comunitária em 2023.
Alguns jardins de infância também estão explorando serviços combinados de cuidado infantil e atendimento a idosos. Essas iniciativas locais mostram como a mesma mudança demográfica pode reduzir a demanda por um serviço e, ao mesmo tempo, aumentar a demanda por outro. Edifícios antes dedicados às crianças podem se tornar lugares onde idosos recebem atendimento perto de suas comunidades.
O reaproveitamento de escolas rurais vira tarefa de planejamento
Hebei foi além de conversões isoladas com um plano para administrar e reaproveitar prédios ociosos de escolas de ensino fundamental e médio. Cinco departamentos provinciais o emitiram em conjunto: educação, desenvolvimento e reforma, finanças, recursos naturais e agricultura e assuntos rurais.
O plano prevê gestão padronizada, abordagens distintas para cada tipo de imóvel e diferentes formas de reaproveitamento. A participação de cinco departamentos reúne administração escolar, gastos públicos, gestão fundiária e desenvolvimento rural no mesmo processo.
O plano abrange edifícios, terrenos e instalações de apoio ociosos em escolas públicas de ensino fundamental e médio e jardins de infância, em decorrência de mudanças na distribuição das escolas, fechamentos ou fusões. Seus quatro princípios são coordenação governamental, uso sustentável e integral, prevenção da perda de patrimônio público e conversão adaptada às condições locais.
Os procedimentos incluem inventário e registro; esclarecimento da titularidade e classificação da destinação; elaboração e execução de planos; e atualização dos registros e conclusão das baixas patrimoniais. As instalações podem ser reaproveitadas para educação, desenvolvimento econômico, serviços públicos ou reurbanização integrada. Os governos em nível de condado são responsáveis pela implementação, e cada departamento cumpre suas atribuições.
O texto integral do plano ou um comunicado oficial não foi fornecido, por isso não é possível verificar seus requisitos específicos nem o cronograma de execução. O relato disponível descreve os procedimentos e as responsabilidades, mas não apresenta um calendário detalhado.
A migração da população rural acrescenta outra dimensão à mudança. À medida que os moradores se deslocam para cidades e centros urbanos, algumas escolas de vilarejos perdem alunos, embora idosos continuem vivendo nas proximidades. O envelhecimento da população e a redução do número de crianças podem aprofundar esse desequilíbrio local.
Antigas escolas em diferentes localidades estão sendo reaproveitadas como casas de repouso, centros de atendimento a idosos e refeitórios para pessoas mais velhas. Esses usos atendem a necessidades distintas: um lugar para morar com assistência, um espaço para receber serviços comunitários ou um local para obter uma refeição pronta. O desafio prático é adaptar um imóvel sem uso aos serviços de que a população ao redor precisa.
Formação de professores se volta ao atendimento a idosos
A Faculdade de Educação Pré-Escolar de Guangzhou acrescentou dois programas em 2025: serviços e gestão de saúde inteligente e cuidados para idosos; e design e produção de artes cênicas. O programa voltado a idosos busca atender à demanda por profissionais nos setores de saúde e cuidados de Guangzhou.
A mudança leva uma instituição associada à educação de crianças pequenas a formar profissionais para serviços usados por idosos. A nova qualificação em cuidados para idosos conecta serviços de saúde, prestação de cuidados e gestão, ampliando o leque de carreiras para as quais os estudantes podem se preparar.
As instituições de ensino enfrentam um tipo de adaptação diferente daquele dos proprietários de edifícios. Converter um jardim de infância muda o uso de um imóvel. Criar um programa universitário muda as competências que chegam ao mercado de trabalho. Juntos, os exemplos mostram como a mudança populacional afeta tanto as instalações físicas quanto as pessoas necessárias para prestar serviços.
Consumidores mais velhos buscam aprendizado e convívio
Universidades para idosos, universidades abertas e prestadores de serviços de cuidado têm recrutado professores para aulas de música, caligrafia, dança e bem-estar. O recrutamento também passou a incluir pessoas capazes de ensinar aplicações de IA, produção de vídeos e operação de drones.
As disciplinas mostram a amplitude da economia prateada, termo que designa bens e serviços voltados a consumidores mais velhos. Além dos cuidados pessoais e das necessidades de saúde, ela inclui atividades culturais, aprendizado e oportunidades de convívio.
Pesquisas sobre o interesse dos idosos por atividades de aprendizagem apontam os gastos com hobbies como uma de suas principais categorias de consumo. Elas identificam o prazer, o convívio social e o sentimento de pertencimento como motivos para as pessoas pagarem por aulas e atividades. Uma aula regular pode oferecer tanto uma habilidade para praticar quanto um grupo ao qual voltar.
Para os provedores de educação, os anúncios de recrutamento apontam para um mercado mais amplo do que o das tradicionais aulas de lazer. Também estão sendo oferecidas aos alunos mais velhos oportunidades de acesso a novas tecnologias. A demanda por instrutores cria outra possibilidade de trabalho para quem tem habilidades de ensino, enquanto as instituições se adaptam à mudança nos padrões de matrícula.
O envelhecimento se acelera, com grandes diferenças regionais
A parcela da população chinesa com 65 anos ou mais subiu de 14,2% em 2021 para 14,9% em 2022, 15,6% em 2024 e 15,9% em 2025. O aumento entre 2021 e 2025 foi de 1,7 ponto percentual.
Os dados provinciais mostram que algumas localidades estão mais avançadas nesse processo. Em 2024, pessoas com 65 anos ou mais correspondiam a 21,9% da população de Liaoning e a 20,3% da população de Xangai. As proporções eram de 19,4% em Jilin e Heilongjiang e de 18,9% em Chongqing.
O dado de Heilongjiang aparece em seu boletim estatístico de 2024, divulgado conjuntamente pelo Departamento Provincial de Estatísticas de Heilongjiang e pela equipe de pesquisa de Heilongjiang do Departamento Nacional de Estatísticas em 16 de abril de 2025. A província tinha 30,29 milhões de residentes permanentes no fim de 2024: 2,54 milhões de 0 a 14 anos, ou 8,4%; 21,87 milhões de 15 a 64 anos, ou 72,2%; e 5,88 milhões com 65 anos ou mais, ou 19,4%. Os dados populacionais vêm da pesquisa amostral de mudanças populacionais de 2024, que abrange cinco pessoas a cada mil, e o boletim identifica os números como estatísticas preliminares.
Os documentos de origem e os números populacionais subjacentes de 2024 para as outras localidades da comparação regional não foram fornecidos.
Essa diferença é importante para o planejamento dos serviços. O total nacional pode orientar a dimensão dos gastos com aposentadorias e saúde, enquanto a estrutura etária local ajuda a determinar onde há maior urgência por profissionais de cuidados, refeições comunitárias e instalações acessíveis. A distribuição dos moradores mais velhos também ajuda a explicar por que o reaproveitamento de escolas está se tornando uma preocupação dos governos locais.
Um cenário médio do Relatório de Previsões Populacionais da China 2023 projeta que pessoas com 80 anos ou mais poderão representar 3,7% da população em 2030 e 11% em 2050. Essas projeções dependem de premissas sobre nascimentos, mortes e outras mudanças populacionais. Elas apontam para uma demanda crescente por serviços adequados a pessoas de idade mais avançada, além de atividades para aposentados mais jovens e saudáveis.
Finanças públicas e políticas para a força de trabalho sob pressão
O relatório da RAND sobre o envelhecimento populacional projeta que, até 2050, haverá menos de duas pessoas em idade ativa para cada pessoa com 65 anos ou mais. Também afirma que a população da China poderá diminuir em cerca de 250 milhões em relação aos aproximadamente 1,4 bilhão atuais até aquele ano.
A RAND aponta a pressão sobre as aposentadorias, os cuidados de saúde e as finanças públicas como consequências importantes. Uma força de trabalho menor significa menos contribuintes em potencial em relação ao número de idosos que recebem benefícios. A análise também considera a competição por verbas militares e uma redução do contingente potencial de recrutas, mas descreve o recrutamento como uma preocupação de longo prazo, e não como um problema imediato.
A resposta política da China combina apoio às famílias com medidas para prolongar a vida profissional. A RAND descreve uma diretriz do Gabinete-Geral do Conselho de Estado, de 2024, com 13 medidas que abrangem natalidade, cuidados infantis, moradia, emprego e educação. Também aborda o aumento gradual da idade de aposentadoria para 63 anos para homens e 58 para mulheres até 2040.
A RAND argumenta que as mudanças nas aposentadorias também exigem atenção às alíquotas de contribuição, ao cálculo dos benefícios e aos critérios de elegibilidade. Essas escolhas dizem respeito a quanto trabalhadores e empregadores pagam, quanto os aposentados recebem e quando as pessoas se tornam elegíveis. Para as famílias, elas conectam a mudança demográfica nacional ao momento da aposentadoria e à renda disponível depois dela.
As conversões locais e as mudanças na formação atendem a uma parte mais imediata do mesmo desafio. A China precisa manter serviços para crianças e famílias enquanto direciona alguns edifícios, trabalhadores e gastos para uma população mais velha e crescente. A ultrapassagem de 2025 dá a esse ajuste um marco estatístico concreto.
Principais pontos
- A razão de dependência de idosos da China chegou a 23,1% em 2025, superando pela primeira vez a razão infantil, de 22%.
- O país tinha 223,65 milhões de pessoas com 65 anos ou mais e 212,76 milhões de crianças de 0 a 14 anos.
- As conversões de jardins de infância em Changzhou, Jinan e Jinhua ilustram a mudança na demanda por serviços locais.
- O plano de cinco departamentos de Hebei trata do reaproveitamento de prédios ociosos de escolas de ensino fundamental e médio.
- Faculdades e provedores de educação estão ampliando a formação em cuidados para idosos e as aulas para alunos mais velhos.
- As escolhas políticas de longo prazo envolvem aposentadorias, saúde, idade de aposentadoria e apoio às famílias que criam filhos.






