Promessas de grandes investimentos em meio a uma crise urgente no tratamento
Bangladesh planeja abrir licitações no valor de mais de 16.000 crore de takas nos próximos 15 a 20 dias, anunciou o ministro da Saúde e do Bem-Estar Familiar, Sardar Md. Sakhawat Hossain, durante inspeções em hospitais de Mymensingh, em 24 de outubro. O pacote, equivalente a mais de 160 bilhões de takas, destinaria recursos a equipamentos, infraestrutura e serviços hospitalares, além de incluir planos para trazer cinco sistemas de cirurgia robótica ao país.
Conteúdo
- Promessas de grandes investimentos em meio a uma crise urgente no tratamento
- O que está previsto nos planos de compra
- Por que pacientes com câncer não podem esperar pelas novas máquinas
- Pacientes enfrentam custos muito além da fila do hospital
- Dezessete máquinas de radioterapia, a maioria fora de Daca
- Cirurgia robótica exige equipes, além de tecnologia
- Mymensingh expõe a sobrecarga do atendimento diário
- Hospitais menores recebem prazos imediatos
- Contratações e fiscalização mais rigorosa de clínicas
- Principais pontos
O anúncio ocorre enquanto o principal hospital público de oncologia do país enfrenta uma fila de cerca de 7.500 pacientes à espera de consultas de radioterapia. Quatro das seis máquinas de radioterapia do hospital estão fora de serviço há mais de dois anos, e alguns pacientes têm consultas marcadas para o fim de 2028.
Separadamente, o governo planeja instalar 17 aceleradores lineares, equipamentos usados para aplicar radioterapia contra o câncer, em hospitais públicos até junho de 2027. Seis seriam destinados a Daca e 11 a outras localidades. O ministro também apresentou planos de contratação, modernização de hospitais rurais e fiscalização mais rigorosa de clínicas privadas.
O Hospital da Faculdade de Medicina de Mymensingh ilustra a pressão por trás das propostas. O ministro disse que um hospital com capacidade para 1.000 pacientes atende de 3.000 a 4.000 por dia e recebe pessoas de oito a dez distritos vizinhos. Médicos, enfermarias e estoques precisam absorver uma demanda que os estabelecimentos menores não conseguem atender localmente.
O desafio imediato é transformar promessas de compras e contratação em serviços efetivamente em funcionamento. Equipamentos já instalados em Faridpur e Gopalganj ainda não operam plenamente por falta de profissionais e infraestrutura necessária. Os pacientes à espera de tratamento contra o câncer precisam de atendimento antes da chegada do próximo lote de máquinas.
O que está previsto nos planos de compra
O ministro anunciou o cronograma das licitações após visitar, pela manhã, os complexos de saúde dos subdistritos de Phulpur e Tarakanda e, à tarde, o Hospital da Faculdade de Medicina de Mymensingh. Um upazila é um subdistrito, e seu complexo de saúde é uma importante fonte de atendimento para quem vive fora das grandes cidades.
Os gastos propostos abrangem equipamentos de diagnóstico, infraestrutura hospitalar e equipamentos modernos de tratamento, incluindo serviços de radioterapia em Mymensingh. A contratação de profissionais também foi apresentada como parte de um esforço mais amplo para enfrentar a falta de pessoal em hospitais distritais e de subdistritos.
O anúncio da licitação é uma etapa inicial da compra: ele convida fornecedores a concorrer por contratos públicos. O prazo de 15 a 20 dias se refere à abertura das licitações; os pacientes só terão acesso aos serviços depois que os equipamentos forem comprados, instalados e colocados em operação. Não foram anunciados detalhes sobre a distribuição dos contratos, os preços de cada máquina nem as datas de instalação dos sistemas robóticos.
Em uma entrevista coletiva na Secretaria, em 7 de outubro, o ministro afirmou que havia demanda por dez sistemas de cirurgia robótica, com cinco previstos inicialmente. Estava sendo preparada uma Proposta de Projeto de Desenvolvimento, conhecida como DPP, para as compras dentro do exercício financeiro. Esse documento define o escopo e os custos propostos de um projeto público.
Por que pacientes com câncer não podem esperar pelas novas máquinas
O Instituto Nacional de Pesquisa e Hospital de Oncologia, ou NICRH, em Daca, suspendeu o cadastro de novos pacientes para radioterapia porque os agendamentos existentes já se estendem até o fim de 2028. O diretor, professor Dr. Mostafa Aziz Sumon, disse que cerca de 7.500 pacientes aguardavam consultas e que duas máquinas em funcionamento concentravam toda a demanda por tratamento.
Sumon descreveu a pressão enfrentada pelo hospital e seus pacientes:
Não é aceitável que pacientes com câncer esperem dois anos por tratamento. Cerca de 7.500 pacientes aguardam consultas. Estamos oferecendo o máximo de tratamento possível com as duas máquinas em funcionamento.
As duas máquinas operam em três turnos, das 8h à meia-noite, atendendo cerca de 250 a 300 pacientes por dia. Um ciclo de radioterapia geralmente dura de quatro a oito semanas. Por isso, os pacientes já em tratamento precisam voltar para sessões repetidas, enquanto outros aguardam para começar.
Na entrevista coletiva de 7 de outubro, o ministro mencionou esperas de seis a sete meses; posteriormente, o diretor do NICRH descreveu consultas marcadas para cerca de dois anos à frente naquele hospital. A longa fila deixa os pacientes que dependem do tratamento público acessível diante de escolhas especialmente difíceis.
Pacientes enfrentam custos muito além da fila do hospital
Mohammad Mostafa Kamal viajou de Gopalganj ao NICRH após passar por uma cirurgia para remover um tumor abdominal e por sessões de quimioterapia. Ele esperava conseguir agendar a radioterapia, mas descobriu que o cadastro de novos pacientes estava suspenso.
Kamal explicou por que não tinha condições de pagar uma consulta particular:
Meu médico disse que eu precisaria de radioterapia depois da quimioterapia, mas não consigo marcar uma consulta. Somos pobres e não podemos pagar tratamento em um hospital particular. Viajei de Gopalganj até aqui para me tratar em um estabelecimento público, mas ainda assim não consigo uma vaga.
Sathia Khatun, que viajou de Tangail após uma cirurgia de câncer de mama, também encontrou o cadastro fechado. Ela disse que sua família vivia com o dinheiro contado e não tinha condições de pagar por tratamento particular. A viagem terminou sem o atendimento que ela esperava receber.
A radioterapia usa radiação direcionada com precisão para danificar as células cancerosas. O momento de iniciar o tratamento depende do câncer e do plano terapêutico do paciente. Médicos do NICRH disseram que atrasos após uma cirurgia podem aumentar o risco de o câncer voltar ou se espalhar.
O especialista em saúde pública e vacinologista Tajul Islam A Bari pediu medidas alternativas urgentes, incluindo a coordenação com hospitais privados. Essas medidas atenderiam pacientes que já estão na fila enquanto os hospitais públicos preparam capacidade adicional para o tratamento.
Estimativas de 2024 citadas pelo GLOBOCAN, compiladas pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde, apontam 187.263 novos diagnósticos de câncer em Bangladesh, sendo 107.820 em homens e 79.443 em mulheres. Essa necessidade vai muito além da fila de um único hospital.
Dezessete máquinas de radioterapia, a maioria fora de Daca
O plano de distribuição do governo destinaria 11 dos 17 novos aceleradores lineares a locais fora de Daca, ou cerca de 65% do total. Seis atenderiam hospitais na capital. Para pacientes que hoje precisam viajar longas distâncias, contar com serviços em funcionamento mais perto de casa poderia reduzir os deslocamentos repetidos durante semanas de tratamento.
Entre os locais indicados para instalação estão o NICRH, o Hospital da Faculdade de Medicina de Daca, a Universidade Médica de Bangladesh e o Hospital da Faculdade de Medicina Shaheed Suhrawardy. O governo estabeleceu junho de 2027 como prazo para a instalação, enquanto Sumon manifestou esperança de que o NICRH receba novas máquinas até meados daquele ano.
O ministro também descreveu medidas já em andamento para acrescentar três máquinas de radioterapia, incluindo uma para um hospital de oncologia e outra em Savar. Ele disse que o Ministério da Saúde assumiu o controle de uma máquina que estava sob responsabilidade do Ministério da Ciência e Tecnologia e providenciou sua operação.
Faridpur e Gopalganj oferecem uma lição prática para a expansão. Duas máquinas instaladas nesses locais durante o mandato do governo anterior não puderam entrar plenamente em operação por falta de profissionais e infraestrutura de apoio. A radioterapia exige oncologistas especializados em radioterapia, que planejam o tratamento; físicos médicos, que ajudam a garantir a aplicação precisa da radiação; e técnicos em radioterapia, que operam os equipamentos.
O ministro prometeu disponibilizar enfermeiros e outros profissionais onde necessário. Também disse que o governo agirá contra atrasos burocráticos na instalação e na retirada de equipamentos inutilizáveis e tomará medidas, como isenções de impostos de importação, para acelerar a chegada de equipamentos essenciais ao tratamento do câncer.
Cirurgia robótica exige equipes, além de tecnologia
Os cinco sistemas de cirurgia robótica propostos seriam instalados em grandes hospitais para dar suporte a operações complexas. A compra inicial corresponde à metade da demanda por dez sistemas apontada pelo ministro.
Na entrevista coletiva de 7 de outubro, o ministro descreveu a primeira fase:
Vamos começar com cinco máquinas de cirurgia robótica. Estamos preparando a DPP e pretendemos comprá-las neste exercício financeiro. As máquinas serão instaladas em grandes hospitais para oferecer serviços de cirurgia robótica.
Na cirurgia robótica, um cirurgião treinado controla instrumentos por meio de um sistema especializado. A responsabilidade pela operação continua sendo do cirurgião; a máquina oferece ferramentas para executar movimentos precisos.
As dificuldades com a radioterapia mostram por que as medidas de apoio são importantes. Hospitais que recebem equipamentos avançados também precisam de equipes treinadas, instalações adequadas e manutenção confiável. Os sistemas robóticos propostos ampliariam a capacidade cirúrgica, enquanto o programa de radioterapia enfrenta uma carência diferente e imediata no atendimento oncológico.
Mymensingh expõe a sobrecarga do atendimento diário
O número diário de pacientes no Hospital da Faculdade de Medicina de Mymensingh é de três a quatro vezes a capacidade declarada. O ministro disse que um médico capaz de atender 50 pacientes por dia pode acabar diante de 250 a 300, cinco a seis vezes mais.
Ele descreveu a carga de trabalho dos médicos:
Um médico que tem capacidade para atender 50 pacientes por dia é obrigado a atender de 250 a 300 diariamente.
A inspeção incluiu as enfermarias de obstetrícia, ginecologia, isolamento de sarampo e dengue. O ministro questionou por que uma paciente na enfermaria de ginecologia precisou comprar soro fora do hospital, deu a ela 1.000 takas para a compra e instruiu a administração a resolver o problema.
Ele também criticou o lixo no térreo de um prédio novo e as más condições dos banheiros. Embora tenha se mostrado parcialmente satisfeito com as medidas de proteção contra mosquitos na enfermaria de dengue, pediu que os médicos deem aos pacientes informações mais claras sobre o atendimento.
O ministro disse que foram recolhidas escalas de plantão depois que alguns médicos foram encontrados ausentes durante as inspeções. Medidas administrativas serão tomadas após verificação e investigação de casos confirmados de negligência ou irregularidades no cumprimento dos deveres. Ele reconheceu a grave pressão sobre as equipes, mas ressaltou que reclamações sobre o atendimento ainda precisam ser apuradas.
Hospitais menores recebem prazos imediatos
Phulpur e Tarakanda são centrais para o plano do ministro de reduzir a pressão sobre Mymensingh. Serviços locais melhores permitiriam que mais pacientes recebessem tratamento sem precisar viajar até o hospital de referência de maior porte.
A ampliação proposta foi anunciada com uma meta de 151 leitos, embora também tenha sido mencionada uma meta de 150, ante os 100 atuais. Entre os serviços previstos estão diálise, fisioterapia, atendimento materno e uma estrutura separada para crianças. A diálise filtra resíduos e o excesso de líquido do sangue quando os rins não conseguem fazer isso adequadamente.
Tarakanda ainda não havia iniciado o atendimento com internação, ou seja, os pacientes ainda não podiam ser admitidos para permanecer no hospital. O ministro prometeu designar os médicos necessários na semana seguinte para começar a receber pacientes. Também anunciou uma iniciativa para colocar em funcionamento, dentro de uma semana, um serviço de terapia intensiva infantil com equipe insuficiente.
Em Phulpur, ele ordenou que os banheiros fossem consertados, as tubulações de drenagem limpas e as reformas necessárias concluídas em dois dias, com atualizações em vídeo sobre o andamento. Esses prazos curtos contrastam com os planos de compra de equipamentos, que levarão muito mais tempo:
- 7 de outubro de 2026: O ministro apresentou planos para 17 aceleradores lineares e cinco sistemas de cirurgia robótica na fase inicial.
- 20 de outubro: O diretor do NICRH descreveu uma fila de cerca de 7.500 pacientes, com consultas marcadas até o fim de 2028.
- 24 de outubro: O ministro anunciou o cronograma das licitações do setor de saúde durante inspeções em Mymensingh.
- Até dois dias após as inspeções: Phulpur recebeu a ordem de concluir serviços urgentes de limpeza e reparos.
- Na semana seguinte: Foram prometidas medidas de contratação e ampliação de serviços em Tarakanda e na terapia intensiva infantil.
- Em 15 a 20 dias: O governo planejava abrir as principais licitações do setor de saúde.
- Até junho de 2027: O governo planejava instalar os 17 novos aceleradores lineares.
Contratações e fiscalização mais rigorosa de clínicas
O plano mais amplo para a força de trabalho inclui a contratação de 5.000 médicos, 5.000 enfermeiros e 25.000 parteiras. O ministro relacionou a proposta de contratar parteiras à melhoria do atendimento materno e ao aumento dos partos vaginais.
As clínicas comunitárias passariam a se chamar Centros de Bem-Estar Familiar, com planos de ampliar o atendimento no nível dos sindicatos administrativos locais e manter o fornecimento de medicamentos. Para as famílias rurais, a disponibilidade de profissionais e de medicamentos de forma confiável determinará quanto mais atendimento poderão receber perto de casa.
O ministro também anunciou a proibição da abertura de novas clínicas privadas a menos de um quilômetro de um hospital público. As unidades já existentes serão fiscalizadas quanto às condições de funcionamento, incluindo salas de parto e padrões de atendimento aos pacientes.
Ele alegou que intermediários estavam desviando pacientes de hospitais públicos para clínicas privadas. Estabelecimentos que não cumprirem os requisitos ou oferecerem atendimento inadequado poderão sofrer medidas, inclusive o fechamento. O anúncio estabelece uma orientação de fiscalização mais rigorosa para as clínicas existentes e restringe os locais onde novas unidades poderão ser abertas.
As propostas reúnem duas necessidades diferentes: tratamentos avançados para pessoas que hoje enfrentam longas filas e serviços básicos confiáveis para quem precisa de medicamentos, enfermarias limpas ou um leito hospitalar próximo. O teste imediato para Bangladesh será saber se os prazos mais curtos resultarão em serviços em funcionamento enquanto as grandes compras avançam pelo processo de licitação.
Principais pontos
- O governo planeja abrir, nos próximos 15 a 20 dias a partir de 24 de outubro, licitações do setor de saúde no valor de mais de 16.000 crore de takas.
- Inicialmente, estão previstos cinco sistemas de cirurgia robótica, diante de uma demanda declarada de dez.
- Até junho de 2027, estão previstos 17 novos aceleradores lineares: seis em Daca e 11 em outras localidades.
- Cerca de 7.500 pacientes aguardam consultas de radioterapia no NICRH, onde apenas duas das seis máquinas estão em funcionamento.
- As propostas de contratação incluem 5.000 médicos, 5.000 enfermeiros e 25.000 parteiras.
- Phulpur e Tarakanda devem receber serviços ampliados, enquanto novas clínicas privadas serão proibidas a menos de um quilômetro de hospitais públicos.






