Uma lacuna crescente nas salas de aula antes da reabertura das escolas
As Filipinas enfrentavam um déficit de 159 mil salas de aula quando as escolas públicas se preparavam para abrir em 29 de agosto de 2023. Autoridades da educação descreveram salas superlotadas, escolas funcionando em três turnos e mais de um milhão de estudantes aprendendo em espaços provisórios.
Conteúdo
- Uma lacuna crescente nas salas de aula antes da reabertura das escolas
- Como o déficit superou uma previsão anterior
- Por que o orçamento para construções é insuficiente
- Onde as salas superlotadas são mais comuns
- Três turnos comprimem o dia escolar
- Mais de um milhão de estudantes em espaços provisórios
- Falta de professores impõe outra restrição
- O que mudaria com a resposta proposta
- Principais pontos
O Departamento de Educação (DepEd) apresentou o número de 159 mil à Comissão de Educação Básica do Senado em 23 de agosto, durante discussões sobre os preparativos para o ano letivo de 2023-2024 e propostas para restabelecer o calendário escolar de junho a março. O déficit era 68 mil salas de aula maior que o número do ano anterior, de 91 mil, um aumento de cerca de 75%.
O subsecretário adjunto do DepEd, Bringas, disse que a lacuna incluía salas que faltavam e salas danificadas por tufões e outros desastres. As autoridades identificaram 440 salas totalmente destruídas. O problema mais amplo ia muito além de substituir essas salas: os prédios escolares existentes não comportavam todos os estudantes dentro dos padrões de tamanho de sala estabelecidos pelo departamento.
Durante a audiência sobre a preparação das escolas, o DepEd estimou em cerca de P397 bilhões o custo para resolver o déficit; mais tarde, o subsecretário Epimaco Densing III apresentou uma estimativa de cerca de P420 bilhões durante as deliberações do Senado sobre a proposta de orçamento da educação para 2024. Em comparação com essas estimativas, o departamento havia recebido P10 bilhões para investimentos em construções escolares em 2023, e um valor aproximadamente igual foi proposto para 2024.
Para os estudantes, o déficit significava mais do que uma carteira em uma sala cheia. Algumas escolas dividiam o dia entre três grupos, reduzindo o tempo que cada um podia passar em aula. Outras usavam salas improvisadas, estruturas temporárias ou espaços ao ar livre. A resposta do DepEd combinava planos para ampliar as construções, avaliar a possibilidade de salas pré-fabricadas e mudar a lotação de professores.
Como o déficit superou uma previsão anterior
O número de 159 mil do DepEd representou um forte desvio em relação às expectativas anteriores. Em agosto de 2022, Densing disse a uma comissão da Câmara dos Representantes que a previsão era de que o déficit caísse para 40 mil salas de aula. O número apresentado antes da abertura das escolas em agosto de 2023 era quase quatro vezes maior que essa previsão.
Mais tarde, Densing descreveu o déficit antes das construções daquele ano como sendo de 165.433 salas de aula, com possibilidade de cair para cerca de 159 mil após a conclusão das novas salas. Sua explicação colocava o número maior como ponto de partida e o menor como a situação esperada após as obras.
A sequência de anúncios mostra como a avaliação do departamento mudou:
- Agosto de 2022: Densing disse a uma comissão da Câmara dos Representantes que a previsão era de que o déficit de salas de aula caísse para 40 mil.
- 23 de agosto de 2023: o DepEd apresentou à Comissão de Educação Básica do Senado um déficit de 159 mil salas de aula.
- 29 de agosto de 2023: estava previsto o início do ano letivo de 2023-2024.
- Durante deliberações posteriores do Senado sobre a proposta de orçamento de 2024: Densing informou um déficit inicial de 165.433 salas e detalhou as necessidades de financiamento até 2030.
Assim, a construção anual tinha duas tarefas: compensar o déficit acumulado e acompanhar a nova demanda. A estimativa de financiamento de longo prazo de Densing considerava a necessidade de outras 12 mil salas de aula por ano, aumentando o total que o governo teria de fornecer.
Por que o orçamento para construções é insuficiente
O DepEd disse que sua dotação de P10 bilhões para investimentos em construções escolares em 2023 permitiria construir mais de 7.100 salas de aula. Usando 7.100 como referência, isso cobriria cerca de 4,5% do déficit de 159 mil salas, sem considerar a demanda adicional ou novos danos aos prédios.
O senador Sherwin Gatchalian, presidente da comissão de educação básica do Senado, descreveu o financiamento como muito aquém do necessário. Com uma dotação aproximadamente igual proposta para 2024, o departamento enfrentava mais um ano em que as construções planejadas cobririam apenas uma pequena parcela do déficit.
As estimativas de custo também exigem cautela. Bringas mencionou um custo de cerca de P2 milhões por sala de aula, além da estimativa total de P397 bilhões, enquanto Densing usou posteriormente uma média de P2,5 milhões e um total de cerca de P420 bilhões. Uma multiplicação simples de 159 mil por P2 milhões resulta em P318 bilhões; a P2,5 milhões, o resultado é P397,5 bilhões. O DepEd não apresentou uma discriminação que explicasse as diferenças entre esses custos unitários e as estimativas totais.
Densing estimou que seriam necessários P105 bilhões por ano para eliminar o déficit até 2030 e atender à necessidade adicional de 12 mil salas de aula anuais. Esse gasto anual proposto era 10,5 vezes maior que os P10 bilhões alocados em 2023. A necessidade de financiamento foi apresentada aos senadores, mas não foi anunciada nas audiências descritas nenhuma dotação confirmada nesse valor.
Onde as salas superlotadas são mais comuns
O ensino médio enfrentava o nível mais alto de superlotação relatado. Pelo menos metade das 7.520 salas de ensino médio citadas nos dados de preparação estava superlotada, em comparação com 41% das 10.188 salas do nível equivalente aos anos finais do ensino fundamental. A taxa de superlotação informada para a educação infantil até o 6º ano era de cerca de 32%.
Os padrões de sala de aula do DepEd previam uma sala para cada 35 alunos dos anos iniciais do ensino fundamental e uma para cada 40 estudantes dos anos finais do ensino fundamental ou do ensino médio. Esses parâmetros dizem respeito ao espaço físico: indicam quantos estudantes uma sala deve comportar.
A diferença entre os níveis era substancial. A taxa de superlotação no ensino médio era pelo menos 18 pontos percentuais superior à da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental. Nos anos finais do ensino fundamental, a taxa ficava nove pontos percentuais acima da dos anos mais baixos. Os números apontavam uma pressão particular sobre o sistema de ensino secundário, embora as escolas primárias também enfrentassem superlotação generalizada.
Bringas apontou áreas altamente urbanizadas como prioridades para novas construções, incluindo a Região Metropolitana de Manila, a cidade de Cebu e partes de Calabarzon. Escolas desses locais estavam entre as que recorriam a três turnos para acomodar os estudantes nos prédios disponíveis.
Três turnos comprimem o dia escolar
As escolas que funcionam em três turnos usam as mesmas salas para três grupos de estudantes em horários diferentes. Esse sistema permite que um prédio atenda mais crianças ao longo do dia, mas divide as horas disponíveis entre mais grupos.
O líder da minoria no Senado, Aquilino "Koko" Pimentel III, disse que os estudantes das áreas metropolitanas estavam sendo prejudicados pela redução das horas de aula. Ele questionou como se poderia esperar que as crianças assimilassem em quatro horas um conteúdo normalmente previsto para seis.
Para um estudante com esse horário, o déficit se traduz em falta de tempo em sala de aula, além da falta de espaço. Pode haver uma carteira disponível durante parte do dia, mas o tempo para as aulas fica comprimido. A preocupação de Pimentel era que a mudança no horário também alterava as condições de aprendizagem.
Bringas disse que o DepEd estava analisando as desvantagens dos três turnos e priorizando construções em áreas altamente urbanizadas para que o tempo de aula não fosse comprometido. Essa abordagem direcionava a atenção para lugares onde salas adicionais poderiam ajudar as escolas a reduzir a dependência de turnos sucessivos ao longo do dia.
Mais de um milhão de estudantes em espaços provisórios
Densing apresentou aos senadores outro indicador da pressão sobre as instalações escolares: 1.004.000 estudantes tinham aulas em salas improvisadas, salas temporárias ou espaços ao ar livre. Para esses alunos, oferecer uma sala de aula regular era a prioridade declarada do departamento.
O DepEd estava coordenando com o Departamento de Obras Públicas e Rodovias a possibilidade de usar salas de aula pré-fabricadas. A pré-fabricação consiste em produzir antecipadamente as partes de uma construção e montá-las no local, em vez de realizar ali todas as etapas da obra.
A senadora Imee Marcos perguntou, durante a discussão orçamentária, se o departamento estava considerando a tecnologia de prédios escolares pré-fabricados. Densing disse que havia coordenação em andamento, mas não informou um cronograma de conclusão nem o número confirmado de salas que seriam entregues por esse método.
Densing também disse que o DepEd pretendia construir mais escolas com vários andares para aproveitar melhor o terreno disponível. Construir verticalmente permite que vários pavimentos com salas de aula ocupem a mesma área no solo, uma solução pertinente em áreas urbanas densamente povoadas, onde as escolas precisam de mais salas em terrenos limitados.
Falta de professores impõe outra restrição
O problema de capacidade do DepEd também se estendia ao quadro de funcionários. Os números discutidos na audiência sobre a preparação das escolas indicavam insuficiência de professores em 9% das escolas que atendem da educação infantil ao 6º ano, em 24% das escolas dos anos finais do ensino fundamental e em 34% das escolas de ensino médio.
As proporções ideais de professores definidas pelo departamento eram de um professor para cada 25 alunos da educação infantil, 32 dos anos iniciais do ensino fundamental, 42 dos anos finais do ensino fundamental e 45 do ensino médio. Essas proporções têm uma finalidade diferente dos padrões de ocupação das salas: uma diz respeito ao quadro docente, e a outra, às salas disponíveis.
Gatchalian alertou que professores com mais de seis horas de aula poderiam ter menos capacidade para realizar outras tarefas. Ele citou especificamente o planejamento das aulas como um trabalho que poderia ser prejudicado quando os professores fossem sobrecarregados.
O DepEd disse que seu serviço de planejamento estava analisando a distribuição dos professores e considerando transferi-los de escolas com excesso de profissionais para escolas com déficit. Bringas também afirmou que a alocação anual de 10 mil professores era insuficiente para suprir todas as carências e atender à demanda nas escolas que ultrapassavam as proporções ideais. Destinar profissionais a lugares de difícil acesso era outro desafio.
O que mudaria com a resposta proposta
As propostas do DepEd abordavam várias pressões diferentes. Mais construções em cidades superlotadas poderiam ajudar as escolas a abandonar os três turnos. Salas regulares poderiam substituir espaços provisórios de aprendizagem. Prédios com vários andares poderiam ampliar a capacidade onde há pouco terreno, enquanto transferências de professores poderiam corrigir a distribuição desigual dos profissionais.
O volume anual de construções continuava sendo central. Densing estimou que poderiam ser construídas de 5 mil a 6 mil salas de aula por ano, a um custo médio de P2,5 milhões cada. Em comparação com sua estimativa de que seriam necessárias outras 12 mil salas anualmente, esse ritmo deixaria de 6 mil a 7 mil salas ainda faltando a cada ano, antes mesmo de reduzir o déficit existente.
A proposta de P105 bilhões anuais do departamento pretendia enfrentar as duas pressões ao mesmo tempo: as salas que já faltavam e as novas salas necessárias a cada ano. Um programa voltado apenas ao déficit existente ainda teria de levar em conta essa demanda contínua.
O desafio imediato para a abertura em 29 de agosto era acomodar as crianças nas salas e nos horários de aula disponíveis. A meta de longo prazo apresentada aos senadores era 2030, e o ritmo do progresso dependeria de um financiamento anual muito maior e da entrega de novas instalações escolares.
Principais pontos
- O DepEd informou um déficit de 159 mil salas de aula antes da abertura das escolas em 29 de agosto de 2023, cerca de 75% a mais que as 91 mil do ano anterior.
- As autoridades apresentaram estimativas totais de custo de cerca de P397 bilhões e, mais tarde, P420 bilhões para resolver o déficit.
- Era esperado que a dotação de P10 bilhões para construções escolares em 2023 permitisse construir mais de 7.100 salas de aula.
- Algumas escolas da Região Metropolitana de Manila, da cidade de Cebu e de Calabarzon funcionavam em três turnos, o que gerou preocupações com a redução do tempo de aula.
- O DepEd disse que 1.004.000 estudantes aprendiam em salas improvisadas, salas temporárias ou espaços ao ar livre.
- Densing propôs P105 bilhões por ano até 2030, considerando a necessidade de outras 12 mil salas de aula a cada ano.






