Quase metade das jovens de Bangladesh se casou antes dos 18 anos, e UNICEF pede medidas

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Nearly Half of Bangladesh's Young Women Married Before 18 as UNICEF Urges Action

47,2% se casaram antes da maioridade, com grandes diferenças de renda e escolaridade

Quase metade das mulheres de 20 a 24 anos em Bangladesh se casou pela primeira vez antes de completar 18 anos, segundo a Pesquisa de Indicadores Múltiplos por Conglomerados de Bangladesh de 2025. O índice nacional, de 47,2%, sobe para 62,5% entre as famílias mais pobres e 58,2% na divisão de Rajshahi, mostrando como as pressões que levam ao casamento infantil afetam o país de maneira desigual.

Conteúdo
  1. 47,2% se casaram antes da maioridade, com grandes diferenças de renda e escolaridade
  2. O que a pesquisa mede
  3. Onde a pressão é maior
  4. O ensino secundário é um momento crítico
  5. Como uma comunidade impediu um casamento
  6. Fechar brechas legais e permitir a verificação da idade
  7. Meninas querem poder escolher, segurança e acesso à educação
  8. Transformar compromissos de gastos em serviços acessíveis às famílias
  9. Crianças rohingya enfrentam cortes no financiamento da educação
  10. Principais pontos

A diretora executiva do UNICEF, Catherine Russell, pediu mais proteção durante uma visita de três dias que a levou a Korail, o maior assentamento informal de Dhaka, e a comunidades de refugiados rohingya em Cox's Bazar. Seu apelo reuniu três prioridades: manter as meninas na escola, transformar compromissos de gastos do governo em serviços e proteger a educação de crianças refugiadas e das comunidades que as acolhem.

A pesquisa também constatou que 13,4% das mulheres de 20 a 24 anos se casaram antes de completar 15 anos. Para muitas meninas, o casamento interrompe os estudos precocemente, leva à gravidez na adolescência e reduz as oportunidades de obter renda ou tomar decisões sobre a própria vida, afirmou o UNICEF.

Russell, que dirige a agência das Nações Unidas para a infância, descreveu a educação e a proteção como investimentos que beneficiam todo o país.

"Manter as meninas na escola e oferecer os serviços de saúde, educação e proteção de que precisam vai garantir um futuro melhor para elas, suas comunidades e Bangladesh", disse Russell.

Bangladesh registrou avanços desde 2019, quando 51,4% das jovens haviam se casado antes dos 18 anos. A queda para 47,2% representa uma redução de 4,2 pontos percentuais em seis anos. O índice de casamentos antes dos 15 anos caiu de 15,5% para 13,4%, uma redução menor, de 2,1 pontos percentuais.

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O que a pesquisa mede

O levantamento foi elaborado pelo Departamento de Estatísticas de Bangladesh. O relatório de resultados da pesquisa de 2025 registra a idade em que as mulheres se casaram pela primeira vez, além de informações detalhadas sobre escolaridade, renda familiar, local de residência e outros aspectos da vida familiar.

O índice de 47,2% descreve o histórico de casamentos das mulheres que tinham entre 20 e 24 anos quando foram entrevistadas. Em termos simples, cerca de 47 em cada 100 mulheres nessa faixa etária haviam se casado antes da maioridade. As mesmas tabelas mostram que cerca de 13 em cada 100 haviam se casado antes de completar 15 anos.

Quase 63 mil domicílios foram incluídos em todo o país. O departamento apresentou os resultados preliminares em um evento nacional de divulgação em Dhaka, em 16 de novembro de 2025.

A página da publicação da pesquisa do UNICEF, datada de novembro de 2025, descreve 172 indicadores, incluindo 27 relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, metas internacionais para melhorar a vida das pessoas até 2030. A pesquisa abrange nutrição, mortalidade, registro de nascimento, casamento e fecundidade, além de incluir testes de chumbo no sangue de mães e crianças.

As principais datas situam o apelo atual em um esforço mais amplo para reduzir o casamento infantil:

  • 2019: A pesquisa anterior registrou casamento antes dos 18 anos entre 51,4% das mulheres de 20 a 24 anos.
  • 26 de junho de 2025: Uma reportagem anterior analisou a legislação de Bangladesh sobre casamento e as pressões por trás do índice de 51,4%.
  • 16 de novembro de 2025: O departamento de estatísticas divulgou em Dhaka os resultados preliminares da MICS 2025.
  • Outubro de 2026: Meninas e defensores dos direitos humanos pediram mais proteção, educação e responsabilização em um evento em Dhaka.

Onde a pressão é maior

Mulheres rurais de 20 a 24 anos tinham mais probabilidade de se casar antes dos 18 anos do que as mulheres urbanas: 49,4%, em comparação com 42,5%. A diferença é de 6,9 pontos percentuais, e o problema continua expressivo nos dois contextos.

Rajshahi teve a maior proporção entre as oito divisões listadas na pesquisa, com 58,2%. Sylhet teve a menor, com 20,9%. A diferença de 37,3 pontos percentuais significa que o casamento antes dos 18 anos foi quase três vezes mais comum entre as jovens de Rajshahi do que entre as de Sylhet.

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Outras divisões também registraram índices altos: 55,6% em Khulna, 54,6% em Rangpur, 52% em Barishal e 50,4% em Mymensingh. Dhaka ficou em 47,3% e Chattogram, em 40,7%.

A renda familiar revela outra grande desigualdade. O casamento antes dos 18 anos afetou 62,5% das jovens do quinto mais pobre dos domicílios, em comparação com 31,5% no quinto mais rico. Um quintil de renda é um dos cinco grupos de mesmo tamanho usados para comparar os domicílios conforme sua posição econômica relativa.

O índice no grupo mais pobre foi quase o dobro do registrado no grupo mais rico, uma diferença de 31 pontos percentuais. Mesmo entre as famílias mais ricas, quase uma em cada três jovens havia se casado antes dos 18 anos. A prevenção, portanto, precisa tanto apoiar famílias sob pressão financeira quanto proteger meninas de todas as faixas de renda.

O ensino secundário é um momento crítico

A frequência escolar das meninas cai bastante na etapa final do ensino secundário. Entre as meninas em idade de cursar o primeiro ciclo do ensino secundário, a taxa líquida ajustada de frequência foi de 69,2%, enquanto 7,8% estavam fora da escola. Entre as meninas em idade de cursar o segundo ciclo, os índices correspondentes foram de 55,5% e 30,4%.

A medida ajustada de frequência contabiliza crianças que frequentam o nível adequado ou um nível superior. Meninas que não entram nessa medida ainda podem estar estudando em um nível inferior, por isso os índices de frequência e de crianças fora da escola não somam 100%.

A proporção de meninas fora da escola foi quase quatro vezes maior entre as que tinham idade para cursar o segundo ciclo do ensino secundário do que entre aquelas em idade para cursar o primeiro ciclo. Para a meta do UNICEF de manter as meninas estudando até concluírem o ensino secundário, essa é uma etapa especialmente importante para receber apoio.

O histórico de casamentos também varia muito conforme a escolaridade das mulheres. Entre as mulheres de 20 a 24 anos que haviam cursado até o primeiro ciclo do ensino secundário, 73,8% se casaram antes dos 18 anos. O índice foi de 61,5% entre as que tinham cursado o ensino secundário, 25,7% entre as que concluíram o segundo ciclo e 10,1% entre as que tinham ensino superior.

O UNICEF descreve um ciclo prejudicial: o casamento pode afastar uma menina da escola, enquanto a interrupção dos estudos restringe suas escolhas. Manter a escola acessível e ajudar as meninas a continuar aprendendo atende tanto à necessidade imediata de proteção quanto às chances de construir uma vida adulta independente.

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Como uma comunidade impediu um casamento

Em Korail, Russell se reuniu com famílias que enfrentam pobreza, interrupções na escolarização e acesso limitado a serviços básicos. Meninas adolescentes falaram sobre suas ambições e também sobre as pressões que poderiam obrigá-las a abandonar os estudos e se casar.

Bushra, de 14 anos, foi uma das meninas cujas experiências Russell destacou. Líderes comunitários que atuam por meio de um centro de proteção infantil apoiado pelo UNICEF conversaram com o pai dela e impediram seu casamento.

Russell descreveu a intervenção depois de se encontrar com Bushra.

"Conheci uma menina de 14 anos chamada Bushra, que me contou como líderes comunitários de um centro de proteção infantil apoiado pelo UNICEF trabalharam com o pai dela para salvá-la de um casamento precoce", disse Russell.

O caso mostra como a proteção local pode funcionar na prática: identificar uma menina em risco, entrar em contato com a família e envolver pessoas capazes de ajudar a impedir o casamento. O trabalho mais amplo do UNICEF inclui prevenir a violência, apoiar meninas adolescentes e fortalecer a proteção social para famílias vulneráveis.

Os esforços anteriores de Bangladesh para prevenir o casamento infantil também se concentraram na pobreza, nas exigências de dote, na interrupção dos estudos e nas exceções previstas na legislação matrimonial. Essas pressões ajudam a explicar por que é preciso complementar um limite legal de idade com escolas que funcionem, apoio às famílias e pessoas capazes de intervir localmente.

Fechar brechas legais e permitir a verificação da idade

Bangladesh estabelece a idade mínima para o casamento em 18 anos para mulheres e 21 para homens. Ainda assim, a Lei de Restrição ao Casamento Infantil de 2017 permite casamentos abaixo dessas idades em circunstâncias especiais. O UNICEF pediu o fechamento das brechas que permitem o casamento infantil.

O apelo de Russell combinou uma reforma legal com a defesa de que as meninas concluam o ensino secundário. O pedido não foi acompanhado de um cronograma para mudar a lei nem de detalhes sobre uma proposta de alteração.

O registro de nascimento também é uma medida prática de proteção. O relatório da pesquisa explica que ter uma certidão de nascimento permite verificar a idade de uma criança e ajuda a protegê-la do casamento infantil, do trabalho infantil e do recrutamento para forças armadas antes da idade legal.

Um registro confiável da idade permite que autoridades e outras pessoas responsáveis pela proteção verifiquem se o casamento proposto envolve uma criança. A intervenção comunitária, como no caso de Bushra, é outro caminho para chegar à família antes que o casamento aconteça.

Em um evento realizado em outubro de 2026 pela Manusher Jonno Foundation, em Dhaka, participantes pediram maior aplicação da lei e responsabilização institucional. Eles apontaram a pobreza, a insegurança, a vulnerabilidade climática e a falta de alternativas como fatores que levam ao casamento.

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Meninas querem poder escolher, segurança e acesso à educação

Meninas adolescentes que participaram do evento da fundação descreveram obstáculos que vão além do casamento. Sadia Akter Eva, da Maer Achol, que vive em uma casa-abrigo, chamou atenção para a desigualdade no acesso às atividades esportivas escolares. Ayesha Akter, uma menina com deficiência visual, pediu materiais de aprendizagem em braile e áudio para que meninas com deficiência possam participar em igualdade de condições.

Lysa Mahmud Hema, gerente assistente de projetos da fundação, apresentou índices de conclusão escolar compilados a partir de estudos do UNICEF, do UNFPA e do Departamento de Estatísticas de Bangladesh: 91,3% no ensino primário, 75,9% no primeiro ciclo do ensino secundário e 41,1% no segundo ciclo.

Shaheen Anam, diretora executiva da fundação, pediu atenção às oportunidades que as meninas realmente recebem.

"Não basta simplesmente dizer que as meninas vão conquistar o mundo. Precisamos perguntar como elas vão fazer isso e que oportunidades estamos criando para elas", disse.

Uma avaliação anterior do UNICEF, da ONU Mulheres e da Plan International descreveu as pressões mais amplas que afetam as meninas adolescentes. O estudo constatou que 24% das jovens haviam dado à luz antes dos 18 anos, enquanto apenas 47% das adolescentes casadas tinham autonomia para tomar decisões sobre saúde reprodutiva.

A avaliação também registrou que 28% das adolescentes de 15 a 19 anos sofreram violência física ou sexual praticada por parceiros no ano anterior. Menos de 2% das adolescentes tinham alfabetização digital, o que limita o acesso a oportunidades de estudo e trabalho que dependem da tecnologia.

A campanha de vacinação contra o HPV em Bangladesh oferece um exemplo mais animador: alcançou 93% das meninas elegíveis, protegendo-as contra um vírus que pode causar câncer do colo do útero. O apelo de Russell busca alcançar meninas de forma igualmente ampla com serviços de educação, saúde e proteção.

Transformar compromissos de gastos em serviços acessíveis às famílias

Russell se reuniu com autoridades governamentais de alto escalão, incluindo a ministra de Estado das Relações Exteriores, Shama Obaed Islam, e elogiou o compromisso de aumentar os gastos com educação e saúde. Ela pediu medidas concretas em relação à promessa do governo de investir 5% do produto interno bruto em educação e saúde.

O produto interno bruto, ou PIB, mede o valor dos bens e serviços produzidos por uma economia. Expressar os gastos como parcela do PIB mostra a dimensão de um compromisso em relação à produção econômica do país.

Russell vinculou diretamente essas escolhas orçamentárias à vida das crianças.

"Os orçamentos refletem prioridades. Investir em educação de qualidade, saúde, nutrição e proteção para as crianças é investir no futuro de Bangladesh", disse.

O trabalho do UNICEF com o governo e parceiros abrange atenção primária à saúde, imunização, nutrição, água potável, saneamento, educação e proteção infantil. Para meninas em risco de casamento, esses serviços atendem a necessidades interligadas: manter a saúde, continuar na escola e buscar ajuda quando a pressão familiar ou comunitária ameaça sua segurança.

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Crianças rohingya enfrentam cortes no financiamento da educação

Em Cox's Bazar, Russell se reuniu com crianças e famílias rohingya e visitou um centro de aprendizagem apoiado pelo UNICEF. Estudantes e professores falaram sobre a importância da educação e de habilidades profissionais, que preparam os jovens para atividades práticas.

Segundo o UNICEF, a educação também ajuda a proteger as crianças contra exploração, tráfico, casamento infantil e recrutamento por grupos armados. Russell pediu apoio internacional tanto para os refugiados quanto para as comunidades de Bangladesh que os acolheram, diante da queda no financiamento humanitário.

Russell descreveu a urgência de preservar a aprendizagem das crianças deslocadas.

"As crianças rohingya perderam muito por causa da violência, do deslocamento e da incerteza. Não podem perder também a educação. O mundo precisa investir nelas e nas comunidades que as acolheram", disse.

Em Cox's Bazar, o UNICEF e seus parceiros oferecem educação, atendimento de saúde, água potável, saneamento, proteção infantil, apoio psicológico e social, além de prevenção e tratamento da desnutrição. As comunidades anfitriãs vulneráveis também recebem apoio.

Tanto nos assentamentos de refugiados quanto no restante de Bangladesh, o apelo de Russell é para manter os serviços essenciais ao alcance de todos. A pesquisa mostra onde o casamento antes da maioridade continua mais comum; as intervenções locais demonstram como impedir um casamento iminente; e o acesso contínuo à educação e à proteção oferece às meninas mais escolhas depois que o perigo imediato passa.

Principais pontos

  • A pesquisa de 2025 em Bangladesh constatou que 47,2% das mulheres de 20 a 24 anos se casaram antes dos 18 anos, uma queda em relação aos 51,4% registrados em 2019.
  • O casamento antes dos 15 anos afetou 13,4% das mulheres da mesma faixa etária.
  • A proporção de mulheres que se casaram antes dos 18 anos chegou a 62,5% entre as famílias mais pobres, em comparação com 31,5% entre as mais ricas.
  • Rajshahi registrou 58,2%, em comparação com 20,9% em Sylhet.
  • Entre as meninas em idade de cursar o segundo ciclo do ensino secundário, 30,4% estavam fora da escola.
  • O UNICEF pediu a Bangladesh que mantenha as meninas no ensino secundário, feche brechas legais e transforme compromissos de gastos em serviços.
  • Russell também pediu a continuidade do apoio internacional às crianças rohingya e às comunidades anfitriãs, diante da queda no financiamento humanitário.
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