Estudo em Osaka testa bolhas de ultrassom como alternativa à cirurgia para câncer de fígado

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Osaka Liver Cancer Study Tests Ultrasound Bubbles as an Alternative to Surgery

Japão começa a testar tratamento que desintegra tumores no fígado

A Universidade Metropolitana de Osaka iniciou o primeiro estudo clínico específico do Japão sobre histotripsia para câncer de fígado, usando ultrassom focalizado para criar pequenas bolhas que desintegram tumores mecanicamente. Até outubro de 2026, dois pacientes haviam recebido o tratamento. O estudo abrange tumores de até 3 centímetros e avaliará se o tratamento consegue destruir o tecido selecionado com segurança, com a possibilidade de os pacientes receberem alta no dia seguinte.

Conteúdo
  1. Japão começa a testar tratamento que desintegra tumores no fígado
  2. Como as bolhas de ultrassom destroem o tecido
  3. Quem pode participar do estudo em Osaka?
  4. O que os pesquisadores vão avaliar primeiro
  5. Por que uma internação mais curta é importante
  6. Como é o tratamento no Johns Hopkins
  7. Tumores pequenos e boa visualização por ultrassom
  8. Resultados iniciais promissores, mas é preciso acompanhamento por mais tempo
  9. Calendário da pesquisa e do acesso ao tratamento
  10. Pontos principais

O registro de estudos clínicos do governo define um primeiro teste preciso para a pesquisa: um exame com contraste no dia seguinte ao tratamento verificará se a lesão-alvo foi liquefeita. Os pesquisadores também registrarão eventos adversos e avaliarão os custos e o agendamento do tratamento. O estudo registrado tem previsão de término em 30 de junho de 2028.

O professor Takeaki Ishizawa, cirurgião especializado em fígado, vias biliares e pâncreas do Hospital Universitário da Universidade Metropolitana de Osaka, lidera a pesquisa. São elegíveis pacientes com carcinoma hepatocelular, um câncer que se inicia no fígado, ou com câncer que se espalhou para o fígado a partir de outra parte do corpo.

A vantagem é prática. A cirurgia exige uma incisão, enquanto tratamentos de ablação usados com frequência inserem uma agulha no tumor. A histotripsia direciona a energia do tratamento de fora do corpo. Para pacientes selecionados, isso pode significar menos desgaste físico e uma internação mais curta.

O estudo japonês está nas fases 1–2, etapa inicial voltada à eficácia em curto prazo, à segurança e à viabilidade prática do procedimento. O dispositivo ainda não foi aprovado no Japão, e a universidade pretende transformar a pesquisa em mais uma opção de tratamento, inclusive para pessoas idosas que não podem se submeter a uma cirurgia.

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Como as bolhas de ultrassom destroem o tecido

A histotripsia usa energia sonora para desintegrar o tecido, em vez de queimá-lo. Um sistema específico concentra pulsos potentes de ultrassom em um pequeno ponto dentro do fígado, criando bolhas microscópicas no tecido-alvo.

As bolhas se expandem e colapsam, gerando forças mecânicas que rompem as células e transformam o tecido selecionado em líquido. No Hospital Johns Hopkins, em Baltimore, onde a técnica já é utilizada, os profissionais descrevem o material resultante como resíduos que o organismo elimina em seguida.

O protocolo japonês especifica pressões de ultrassom de 15 a 25 megapascais, com pulsos de menos de 10 milissegundos cada. A energia é concentrada em uma área de 3 a 6 milímetros de largura. Um milissegundo equivale a um milésimo de segundo, portanto são pulsos muito breves concentrados em uma área pequena.

A ablação por radiofrequência funciona de outra forma. O médico insere um eletrodo fino no tumor e usa calor para destruir o tecido. A ablação por micro-ondas também utiliza calor aplicado por meio de uma agulha. Já a histotripsia depende da ação física das bolhas geradas por ultrassom emitido de fora do corpo.

Quem pode participar do estudo em Osaka?

As regras de elegibilidade registradas em Osaka abrangem adultos com 20 anos ou mais e menos de 90 anos que tenham carcinoma hepatocelular ou câncer que se espalhou para o fígado. A lesão escolhida para o tratamento deve medir no máximo 3 centímetros em seu maior diâmetro.

Os médicos também precisam conseguir visualizar toda a lesão-alvo em um exame de ultrassom abdominal. Esse requisito é importante porque eles precisam de uma imagem nítida do tecido que pretendem tratar e de um trajeto adequado para que a energia do ultrassom chegue até ele.

Ishizawa elaborou o plano de pesquisa japonês depois de conhecer a histotripsia em uma conferência médica nos Estados Unidos. Sua equipe tratou dois pacientes e planeja avaliar outros casos conforme necessário. O registro não informa o número total previsto de participantes, e os resultados individuais dos dois primeiros pacientes não foram divulgados.

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O que os pesquisadores vão avaliar primeiro

A principal medida de eficácia do estudo será a aparência da lesão tratada em uma tomografia computadorizada com contraste no dia seguinte. O contraste ajuda os médicos a distinguir estruturas e tecidos nas imagens. Os pesquisadores verificarão se a lesão-alvo foi liquefeita.

As avaliações de segurança registrarão eventos adversos, incluindo complicações identificadas após o tratamento. A universidade informa que verificará a ocorrência de sangramento e outros problemas antes de decidir se o paciente poderá receber alta no dia seguinte.

A pesquisa também inclui uma avaliação prática do custo e do agendamento do tratamento. Os hospitais precisam entender como o procedimento se encaixa no atendimento, além de saber se ele alcança seu objetivo biológico imediato. Por isso, o estudo combina uma avaliação por imagem com verificações de segurança para o paciente e de viabilidade do procedimento.

O controle do câncer e a sobrevida a longo prazo após a histotripsia ainda são incertos. Esses resultados exigem acompanhamento por muito mais tempo do que até o exame realizado na manhã seguinte. No momento, o foco principal do protocolo de Osaka é a resposta imediata do tecido tratado.

Por que uma internação mais curta é importante

Segundo a descrição da universidade, pacientes submetidos a tratamentos já estabelecidos, como cirurgia ou ablação por radiofrequência, costumam passar vários dias a cerca de 10 dias no hospital. A possibilidade de alta no dia seguinte proposta por Osaka pode reduzir esse período para pacientes cujas avaliações de recuperação não indiquem alterações.

O envelhecimento da população japonesa torna as exigências físicas do tratamento contra o câncer uma preocupação central. A universidade afirma que alguns pacientes não conseguem receber tratamento suficiente porque os médicos precisam levar em conta o desgaste físico. Ishizawa espera que a histotripsia amplie as opções para pessoas cuja idade ou condição de saúde dificulte a realização de uma cirurgia.

Ishizawa, que lidera a equipe de Osaka, destacou tanto os pacientes idosos quanto os mais jovens que desejam retomar mais cedo suas atividades habituais:

O novo tratamento pode permitir tratar pessoas idosas que não podem se submeter a uma cirurgia e também ajudar pacientes mais jovens a retomar as atividades sociais mais cedo. Quero abrir um caminho para a cura dos pacientes.

Para pacientes e familiares, uma internação mais curta pode reduzir o tempo longe do trabalho, dos cuidados com outras pessoas e da rotina diária. A pesquisa precisa determinar com que frequência essa recuperação é possível e quais complicações podem ocorrer.

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Como é o tratamento no Johns Hopkins

O Hospital Johns Hopkins oferece um exemplo concreto de como a histotripsia é realizada no exterior. Os pacientes passam por um procedimento ambulatorial que dura algumas horas, sendo boa parte desse tempo dedicada ao ajuste dos equipamentos e à localização precisa do alvo. Eles podem voltar para casa no mesmo dia.

A equipe de Baltimore usa anestesia geral para manter os pacientes imóveis durante o tratamento. Um radiologista intervencionista, médico que realiza procedimentos guiados por imagens médicas, usa ultrassom para localizar e monitorar o tumor. A anestesia geral faz parte da prática descrita por esse hospital; os detalhes sobre a anestesia no estudo de Osaka não foram especificados.

No Johns Hopkins, os equipamentos ficam no setor de radiologia, sob a supervisão de Robert Liddell e Christos Georgiades. Karen Horton, diretora de radiologia, apoiou a introdução da técnica. Vários médicos do serviço de radiologia intervencionista concluíram o treinamento, incorporando o tratamento a uma equipe que já tem experiência em usar imagens em tempo real para orientar procedimentos.

O hospital tratou principalmente tumores no fígado, embora também relate o tratamento de um paciente com tumor renal. Segundo o hospital, a autorização regulatória nos Estados Unidos abrange tumores hepáticos, enquanto o uso para tumores renais está sendo estudado em ensaios clínicos.

Tumores pequenos e boa visualização por ultrassom

O Johns Hopkins descreve atualmente como candidatos mais adequados pessoas com um ou poucos tumores menores que 4 centímetros em áreas do fígado que possam ser visualizadas facilmente por ultrassom. O estudo de Osaka adota um limite menor, de 3 centímetros, além de seus próprios requisitos de idade e de exames de imagem.

A localização do tumor pode ser tão importante quanto seu tamanho. O ultrassom atravessa mal o ar e os ossos. Costelas sobre o tumor ou alças intestinais no trajeto das ondas sonoras podem dificultar o tratamento. Tumores grandes ou numerosos também são menos adequados para a abordagem descrita pela equipe de Baltimore.

Por isso, os pacientes precisam passar por uma avaliação da localização dos tumores e da facilidade de visualizá-los. Duas pessoas com tumores do mesmo diâmetro podem ter opções de tratamento diferentes devido às diferenças na anatomia ao redor.

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Resultados iniciais promissores, mas é preciso acompanhamento por mais tempo

Mais de 2 mil pacientes já receberam histotripsia no exterior, inclusive nos Estados Unidos, segundo o relato sobre a introdução do procedimento em Osaka. A técnica recebeu autorização nos Estados Unidos para o tratamento de tumores hepáticos em 2023.

Christos Georgiades, professor de radiologia e diretor de oncologia intervencionista no Johns Hopkins, relatou respostas iniciais promissoras, incluindo a regressão completa de alguns tumores ao longo de alguns meses. Ele também destacou o limite atual dessas evidências:

Estou bastante otimista, mas ainda é cedo. Os resultados iniciais são promissores, mas ainda não temos dados de longo prazo.

Norihiro Kokudo, cirurgião hepático e presidente do Instituto Japonês para a Segurança em Saúde, apontou a possibilidade de reduzir o desgaste físico em comparação com a ablação. Sua avaliação destacou que o método não usa agulha nem calor:

Como não usa agulhas nem calor, pode causar menos desgaste aos pacientes do que a terapia de ablação. Se essa técnica se tornar disponível na prática clínica no Japão, será uma boa notícia para muitos pacientes.

A pesquisa de Osaka acrescentará a esse histórico internacional a experiência de pacientes tratados no Japão. Sua contribuição imediata será uma avaliação detalhada da destruição do tecido, dos eventos adversos e das exigências práticas do tratamento no hospital participante.

Calendário da pesquisa e do acesso ao tratamento

O registro do governo classifica o estudo como pesquisa clínica específica e informa que a Gunze Medical fornece tanto o sistema de histotripsia ainda não aprovado quanto o financiamento da pesquisa. O recrutamento continua em andamento.

As etapas previstas se distribuem ao longo de vários meses de 2026, com conclusão do estudo em 2028:

  • 4 de março de 2026: um comitê certificado de análise de pesquisa clínica aprovou o estudo.
  • 30 de junho de 2026: um anúncio da universidade sobre o início do estudo é citado no relato clínico que descreve a introdução da histotripsia no Japão.
  • 6 de julho de 2026: o registro informa a inclusão do primeiro participante.
  • 14 de setembro de 2026: o registro informa essa data como a da notificação e da publicação mais recente.
  • Até 21 de outubro de 2026: dois pacientes haviam recebido o tratamento, e a equipe apresentava seus planos para obter aprovação regulatória e cobertura pelo seguro público.
  • 30 de junho de 2028: está previsto o fim do período do estudo registrado.

A equipe pretende obter a aprovação regulatória japonesa em 2027 e garantir a cobertura pelo seguro público. A aprovação permitirá determinar se o dispositivo pode ser comercializado para o uso pretendido; a cobertura pelo seguro definirá se o tratamento será pago pelo sistema público de saúde do Japão. Ambos continuam sendo objetivos enquanto o estudo avança.

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Pontos principais

  • A Universidade Metropolitana de Osaka tratou dois pacientes no primeiro estudo clínico específico do Japão sobre histotripsia para câncer de fígado.
  • O estudo abrange adultos selecionados com tumores hepáticos de até 3 centímetros que possam ser visualizados por completo no ultrassom.
  • O ultrassom focalizado cria bolhas que desintegram o tecido mecanicamente, sem inserir uma agulha de tratamento no tumor.
  • A principal avaliação de eficácia será uma tomografia no dia seguinte para verificar se a lesão-alvo foi liquefeita.
  • Os pacientes poderão receber alta no dia seguinte se as avaliações não indicarem complicações.
  • O dispositivo ainda não foi aprovado no Japão. A equipe busca aprovação em 2027, e o estudo registrado termina em junho de 2028.
  • A experiência inicial no exterior é promissora, mas os resultados de longo prazo contra o câncer continuam incertos.
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