Famílias de Yangon enfrentam uma diferença de preços cada vez maior
O óleo de palma era vendido por 15.000 a 25.000 kyats por viss em Yangon em outubro de 2026, enquanto o produto subsidiado custava 8.000 kyats, mas era limitado a um viss por família por semana. Um corte de 50% na cota de distribuição da região, segundo relatos, deixou os moradores comprando mais óleo de cozinha a preços de mercado muito mais altos.
Conteúdo
- Famílias de Yangon enfrentam uma diferença de preços cada vez maior
- Restrições nacionais afetam Yangon com mais força
- Óleo barato tem limite rigoroso
- Filas já consumiam horas em 2024
- Como funciona o preço oficial de referência
- Importadores enfrentaram inclusão em lista negra e acusações criminais
- Por que óleos substitutos oferecem alívio limitado
- A pressão sobre os preços vem se desenvolvendo há vários anos
- Famílias e vendedores de alimentos absorvem a pressão
- Principais pontos
Moradores do município de South Dagon disseram que o óleo de palma custava 12.000 kyats por viss em setembro. Em meados de outubro, os preços informados variavam de 16.000 a 25.000 kyats, enquanto o relato de 19 de outubro situou a faixa mais ampla do mercado entre 15.000 e 25.000 kyats, dependendo da qualidade. Viss é uma unidade tradicional de peso equivalente a cerca de 1,6 quilo.
A esses preços de mercado, uma família que compra um viss paga de 7.000 a 17.000 kyats a mais do que o preço subsidiado. Até o limite inferior da faixa de mercado é 25% superior ao preço de setembro citado por moradores de South Dagon. O limite superior é mais que o dobro daquele valor de setembro, embora as diferenças na qualidade do óleo afetem a comparação.
Pesquisadores do mercado atribuíram a pressão às restrições impostas pelas autoridades militares de Mianmar às importações de óleo de palma, seguidas por cortes nas cotas regionais. A volatilidade cambial e as dificuldades para obter licenças de importação também contribuíram para o problema.
Estima-se que o óleo de palma represente de 40% a 50% do consumo de óleo comestível entre os cerca de 54 milhões de habitantes de Mianmar. Seu preço, portanto, tem impacto muito além da garrafa de óleo: as famílias o usam para preparar refeições, enquanto restaurantes e fabricantes de alimentos precisam dele para continuar funcionando.
Restrições nacionais afetam Yangon com mais força
Segundo relatos, as importações de óleo de palma de Mianmar foram limitadas a cerca de 600.000 toneladas em 2026, ante uma faixa histórica anual de 800.000 a 1 milhão de toneladas. A restrição foi descrita como um corte superior a 30%.
A dimensão da redução depende do valor de referência. Uma queda de 800.000 para 600.000 toneladas é de 25%; de 1 milhão para 600.000 toneladas, é de 40%. Os dois cálculos mostram uma perda substancial de oferta importada, mas a faixa histórica não permite chegar a um percentual exato único.
O corte de 50% na cota de Yangon, segundo relatos, é mais acentuado do que qualquer um dos extremos dessa comparação nacional. A redução da cota diminui a quantidade disponível pelo sistema regional de distribuição, deixando as famílias mais dependentes de lojas que vendem a preços de mercado.
O número de 600.000 toneladas se refere a uma restrição às importações para 2026. Não foram informados o total final de importações efetivamente entregues durante o ano nem uma data para restabelecer a cota anterior de Yangon.
Óleo barato tem limite rigoroso
A Associação de Comerciantes de Óleo Comestível de Mianmar continua distribuindo óleo de palma subsidiado a 8.000 kyats por viss por meio de formulários de registro domiciliar. Em outubro de 2026, a cota informada era de um viss por família por semana.
Uma família que precisa de mais do que essa cota tem de encontrar óleo adicional em outro lugar. A oferta limitada também pode impedir que os moradores obtenham toda a quantidade subsidiada, levando-os a comprar no mercado, onde os preços são mais altos.
A diferença de preço torna financeiramente importante o acesso ao programa de distribuição. A 15.000 kyats, o óleo de mercado custa quase 1,9 vez o preço subsidiado. A 25.000 kyats, custa pouco mais de 3,1 vezes esse valor. Esses cálculos comparam os preços informados; a economia de cada família depende de quanto óleo subsidiado ela consegue obter de fato.
O racionamento por família também cria um problema prático para os negócios de alimentação. As necessidades de um restaurante podem superar rapidamente a cota familiar, tornando difícil evitar compras regulares a preços mais altos.
Filas já consumiam horas em 2024
Moradores de Yangon relatavam escassez e longas esperas dois anos antes das restrições mais recentes. Um sistema de racionamento implantado no início de setembro de 2024 permitia comprar até meio viss por dia a um preço subsidiado, em contraste com a cota semanal por família descrita em outubro de 2026.
Daw Htoo, moradora de Yangon identificada por um nome fictício para sua segurança, descreveu a espera diária em setembro de 2024:
"É preciso esperar cerca de duas horas e meia todos os dias pela sua vez",
Ela disse que alguns moradores começavam a fazer fila às 5h. Quem chegava mais tarde corria o risco de encontrar os estoques esgotados e ter de voltar no dia seguinte.
Um morador idoso do município de Lanmadaw disse que comprar uma quantidade maior de uma só vez reduziria o número de deslocamentos. O dono de um restaurante em North Dagon afirmou que o meio viss disponível pelo sistema de racionamento era suficiente para preparar apenas cinco porções de arroz, o que o obrigava a comprar óleo adicional no mercado.
Para as famílias, o peso, portanto, é tanto financeiro quanto de tempo. Um preço oficial mais baixo oferece alívio limitado quando obter o óleo exige deslocamentos repetidos e horas longe do trabalho remunerado, dos cuidados com os filhos ou de outras tarefas diárias.
Como funciona o preço oficial de referência
O Ministério do Comércio de Mianmar estabeleceu um preço de referência de atacado de 7.075 kyats por viss em Yangon para o período de 10 a 16 de fevereiro de 2025. O comunicado sobre óleo de palma do ministério, publicado em 9 de fevereiro, explica como o governo calcula esse parâmetro.
O comitê do ministério responsável pelas importações, pelo armazenamento e pela distribuição de óleo comestível afirmou que monitorava diariamente os preços FOB da Malásia e depois acrescentava despesas de transporte, custos bancários e impostos. FOB, sigla em inglês para “livre a bordo”, refere-se ao preço dos produtos carregados em um navio no porto de exportação, antes do trajeto até o país importador.
O valor de 7.075 kyats era uma referência de atacado para uma semana específica de fevereiro de 2025. O preço subsidiado de 8.000 kyats e a faixa de varejo de 15.000 a 25.000 kyats se referem a transações diferentes em outubro de 2026. As datas e as categorias de venda são necessárias para entender por que a reportagem apresenta vários preços.
O ministério também alertou que aumentar os preços e armazenar óleo para especular poderia levar a processos com base na Lei de Suprimentos e Serviços Essenciais. Estocar produtos para especular significa retê-los na expectativa de vendê-los depois por um preço mais alto.
Importadores enfrentaram inclusão em lista negra e acusações criminais
As autoridades já haviam tomado medidas contra empresas do setor de óleo antes do aperto mais recente nas importações. Em 24 de junho de 2024, a Diretoria de Administração de Investimentos e Empresas anunciou que oito importadores de óleo de cozinha haviam sido incluídos em uma lista negra por suposta conduta irregular e descumprimento das normas.
As empresas eram Ayeyar Hinthar Trading, First Top Edible Oil, Diamond Dragon, Six Winner Brothers, Thein Than Yadanar, Jewel Arrow, Agri One e Grand Unity. O comunicado não identificou as regras que teriam sido violadas nem explicou se os proprietários poderiam ser presos.
Um comerciante de Yangon disse que a inclusão na lista negra provavelmente significava que as empresas não poderiam mais importar óleo de cozinha. Comerciantes alertaram que medidas para restringir importadores ou desestimular as vendas poderiam agravar a escassez e elevar os preços.
A First Top Edible Oil pertencia a U Myint Kyu, ex-presidente da Associação de Comerciantes de Óleo Comestível de Mianmar, preso em agosto de 2023 por supostas violações dos controles de preços. Em outubro de 2023, 16 executivos de nove empresas importadoras de óleo de palma foram acusados com base no artigo 409 do Código Penal e na Lei de Suprimentos e Serviços Essenciais.
O artigo 409 trata de quebra criminosa de confiança e pode resultar em prisão perpétua. O economista U Moe disse que as autoridades consideravam que os importadores haviam violado a confiança associada à autorização para importar óleo destinado à venda a preços fixos.
Por que óleos substitutos oferecem alívio limitado
Mianmar produz apenas cerca de um terço do óleo de cozinha que consome, segundo dados citados em junho de 2024, quando as importações anuais foram estimadas em aproximadamente 700.000 toneladas. Essa estimativa se refere ao óleo de cozinha em sentido mais amplo e a um período diferente da faixa histórica de importações de óleo de palma usada no relato de 2026.
A produção local de óleos de amendoim, girassol e gergelim havia diminuído ou cessado em alguns lugares em meio ao conflito que se seguiu à tomada do poder pelos militares em fevereiro de 2021. A queda da produção interna aumentou a dependência do óleo de palma importado.
Daw Myint, moradora de Thaketa na casa dos 70 anos, descreveu o custo de trocar de óleo em setembro de 2024, quando o óleo de amendoim era vendido por mais de 20.000 kyats por viss:
simplesmente não temos mais condições de usar esse óleo.
Os importadores também precisam de moeda estrangeira para pagar fornecedores no exterior. Restrições ao acesso a dólares podem limitar as compras mesmo quando há óleo disponível no exterior. A desvalorização do kyat aumenta a quantidade de moeda local necessária para pagar uma fatura em dólares, acrescentando outro custo antes de o óleo chegar a uma loja de Yangon.
A pressão sobre os preços vem se desenvolvendo há vários anos
A alta do óleo de palma começou antes de outubro de 2026. Os preços citados para janeiro de 2021 e janeiro de 2024 foram de 2.570 e 7.500 kyats por viss, respectivamente, o que significa que o valor mais recente era cerca de 2,9 vezes maior que o anterior. Moradores de Yangon que se lembravam de janeiro de 2024 citaram o preço de 8.000 kyats, um valor inicial ligeiramente mais alto para aquele ano.
A sequência de restrições, medidas de fiscalização e racionamento mostra como a pressão mais recente se desenvolveu:
- Janeiro de 2021: O óleo de palma era cotado a 2.570 kyats por viss.
- Agosto e outubro de 2023: As autoridades prenderam comerciantes de óleo e apresentaram acusações contra executivos de empresas importadoras.
- 24 de junho de 2024: Oito importadores de óleo de cozinha foram incluídos em uma lista negra.
- Início de setembro de 2024: Um sistema de racionamento limitou as compras subsidiadas a meio viss por dia.
- Setembro de 2024: Moradores de Yangon citaram preços de mercado de 16.000 kyats por viss.
- De 10 a 16 de fevereiro de 2025: O preço oficial de referência de atacado em Yangon foi de 7.075 kyats por viss.
- Outubro de 2026: Os preços de mercado foram cotados entre 15.000 e 25.000 kyats, juntamente com um corte de 50% na cota de Yangon, segundo relatos.
Em junho de 2024, um teto de preços do governo de 5.700 kyats coexistia com preços de varejo informados entre 11.000 e 16.000 kyats. A diferença entre os preços controlados e os valores pagos pelos consumidores já era grande antes do corte mais recente na cota regional.
Famílias e vendedores de alimentos absorvem a pressão
O problema imediato de Yangon é a combinação de óleo de mercado caro e óleo subsidiado escasso. Uma família que consegue obter sua cota semanal paga menos por essa quantidade, mas as compras adicionais podem custar quase o dobro ou mais de três vezes esse valor por viss.
Restaurantes e fabricantes de alimentos enfrentam a mesma pressão sobre o abastecimento, em maior escala. O aumento do custo do óleo encarece o preparo dos alimentos, pressionando os estabelecimentos a elevar os preços de venda, reduzir as porções ou aceitar ganhos menores. Os relatos não quantificam quanto do aumento mais recente do óleo já foi repassado aos preços das refeições.
O governo tem usado preços de referência, racionamento e penalidades para controlar o comércio. Importadores e comerciantes argumentam que restringir a oferta vai contra esses esforços. Para os consumidores, o resultado prático se mede pelo óleo disponível no balcão, pelo preço cobrado e pelas horas necessárias para obtê-lo.
Principais pontos
- Em outubro de 2026, os preços do óleo de palma em Yangon foram cotados entre 15.000 e 25.000 kyats por viss.
- O óleo subsidiado custava 8.000 kyats por viss, com limite informado de um viss por família por semana.
- A cota de distribuição de Yangon teria sido reduzida em 50% em meio às restrições às importações nacionais.
- A restrição às importações em 2026 foi de cerca de 600.000 toneladas, ante uma faixa histórica anual de 800.000 a 1 milhão de toneladas de óleo de palma.
- O Ministério do Comércio usa os preços de exportação da Malásia, os custos de transporte, as despesas bancárias e os impostos para calcular seu preço de referência de atacado.
- Filas para o racionamento, medidas contra importadores e a queda da produção local de óleo antecederam a pressão mais recente sobre os preços.






