Malásia retoma contratação de trabalhadores de Bangladesh, mas taxas e número de vagas seguem indefinidos

11 min de leitura
Malaysia Reopens Recruitment for Bangladeshi Workers, With Fees and Job Numbers Still Undecided

338 agências aprovadas para a retomada da contratação

Bangladesh anunciou em 15 de outubro de 2026 que a contratação de trabalhadores para empregos na Malásia poderá ser retomada por meio de 338 agências aprovadas, reabrindo uma importante rota de trabalho suspensa em maio de 2024. A Malásia também concordou, em princípio, em receber 10 mil trabalhadores de Bangladesh sem custos para eles, após um pedido especial de Bangladesh.

Conteúdo
  1. 338 agências aprovadas para a retomada da contratação
  2. O que significa a promessa de 10 mil vagas sem custo
  3. Como os trabalhadores passarão pelo sistema
  4. Por que a estrutura das agências é alvo de críticas
  5. Custos anteriores explicam a preocupação com as taxas
  6. Exames médicos começarão antes da conclusão da lista revisada
  7. Como as agências foram selecionadas
  8. Uma rota de contratação que já foi aberta e fechada repetidas vezes
  9. Pontos principais

O Ministério do Bem-Estar dos Expatriados e do Emprego no Exterior informou que os trabalhadores poderão iniciar os procedimentos de contratação por meio das agências aprovadas e fazer exames de saúde em centros médicos autorizados. O anúncio deixa em aberto duas decisões centrais para as finanças das famílias: a taxa de contratação do programa mais amplo e o número total de trabalhadores que a Malásia aceitará.

As organizações aprovadas incluem a Bangladesh Overseas Employment and Services Limited (BOESL), única agência pública de recrutamento do país, 25 agências privadas de processamento ou serviços e 312 agências de recrutamento. A BOESL e as 25 agências privadas de processamento cuidarão do trabalho administrativo relacionado aos vistos malaios, enquanto as agências de recrutamento buscarão empregadores e selecionarão trabalhadores.

Shariful Islam, assessor de relações públicas do ministério que assinou o anúncio, afirmou que o custo da contratação e o número de trabalhadores ainda não foram definidos.

"O ministério decidirá em breve o custo da contratação e o número de trabalhadores que serão enviados à Malásia", disse.

Para quem pretende migrar, a mudança imediata é a possibilidade de começar a se candidatar pelo sistema aprovado. As condições financeiras determinarão quanto será preciso tomar emprestado ou economizar antes da partida. No período anterior de contratação, entre 2022 e 2024, os trabalhadores teriam pago até Tk 600.000, apesar de a taxa oficial de contratação estabelecida pelo governo ser muito inferior.

Publicidade

O que significa a promessa de 10 mil vagas sem custo

O acordo em princípio da Malásia abrange 10 mil trabalhadores que não pagarão custos de contratação. O ministério apresentou a medida como resposta ao pedido de Bangladesh para tornar mais acessível o emprego no exterior.

A retomada mais ampla ainda depende da definição de uma taxa. Portanto, os trabalhadores que se candidatarem fora das vagas gratuitas propostas terão uma situação financeira diferente da daqueles selecionados para elas. As regras de elegibilidade, o cronograma de candidaturas, as despesas cobertas e a forma de pagamento desses gastos ainda não foram anunciados.

Estimativas oficiais indicam que cerca de 898.970 cidadãos de Bangladesh trabalham atualmente na Malásia, formando uma das maiores comunidades de trabalhadores estrangeiros do país, atrás apenas de indonésios e nepaleses. As 10 mil vagas gratuitas propostas equivalem a aproximadamente 1,1% da atual força de trabalho de Bangladesh no país. A comparação mostra a dimensão da iniciativa diante de uma relação migratória já substancial.

Para uma família que considera um emprego na Malásia, uma vaga sem taxas de contratação poderia eliminar uma grande despesa inicial. O valor dessa promessa dependerá de como o programa tratar os custos individuais que surgem durante o processo, incluindo os procedimentos administrativos e os exames médicos.

Como os trabalhadores passarão pelo sistema

O ministério descreveu quatro etapas de contratação. Primeiro, as agências aprovadas entrarão em contato com empregadores malaios e obterão cartas de demanda de mão de obra. Uma carta de demanda registra o pedido de um empregador para contratar trabalhadores e serve de base para que uma agência comece a selecionar candidatos.

A agência que tiver a carta de demanda selecionará então trabalhadores em Bangladesh e conduzirá a contratação de acordo com as leis e normas do país. A BOESL e as 25 agências privadas de processamento ajudarão nos procedimentos junto às autoridades malaias, incluindo a solicitação de vistos, vistos eletrônicos e outras etapas administrativas necessárias.

Publicidade

A agência de recrutamento concluirá o processo obtendo a liberação do Bureau of Manpower, Employment and Training (BMET) de Bangladesh. Essa é a autorização formal exigida pelos procedimentos de emprego no exterior do país. Cada agência aprovada poderá obtê-la para os trabalhadores selecionados sob sua própria licença de recrutamento.

A BOESL e as 25 agências privadas de processamento podem emitir certificados de não objeção, ou NOCs, necessários para essa liberação. Esses documentos registram que a agência de processamento não se opõe ao andamento da contratação correspondente.

Segundo o ministério, essa estrutura preserva a responsabilidade e a independência operacional de cada agência de recrutamento. Na prática, uma agência poderá encontrar um empregador e escolher os trabalhadores por conta própria, usando uma das agências de processamento designadas para as etapas administrativas malaias.

Por que a estrutura das agências é alvo de críticas

A divisão entre 312 agências de recrutamento e 26 agências de processamento designadas gerou preocupação de que o acesso ao processamento de vistos possa concentrar poder em um grupo menor. As agências de recrutamento têm autorização para encontrar empregos de forma independente, mas seus trabalhadores ainda precisam de assistência administrativa da BOESL ou de uma das 25 agências privadas de processamento.

Shakirul Islam, presidente fundador da organização de defesa dos direitos dos migrantes Ovibashi Karmi Unnayan Program, alegou que o sistema colocou algumas agências em posição subordinada a um sindicato de recrutamento já existente. Ele alertou que duas camadas de operação das agências podem aumentar as cobranças, expor trabalhadores à exploração e enfraquecer a prestação de contas.

"Algumas agências de recrutamento foram transformadas em subagentes do sindicato no processo atual de contratação", disse.

Md Mokhtar Ahmed, secretário do Ministério do Bem-Estar dos Expatriados, rejeitou a descrição de uma hierarquia imposta pelo governo de Bangladesh. Ele disse que a Malásia selecionou as agências.

"O lado malaio selecionou as agências de recrutamento. Não descreveremos nenhuma agência como principal ou associada", afirmou.

A questão prática para os trabalhadores é como as cobranças e responsabilidades serão divididas entre a agência que os recruta e a organização que cuida de seus documentos. O trabalhador precisa saber qual organização responde por cada pagamento e por cada etapa da candidatura, sobretudo se o processamento ficar parado.

Publicidade

Custos anteriores explicam a preocupação com as taxas

Bangladesh havia estabelecido em Tk 79.000 o custo de contratação para a Malásia. Ainda assim, os trabalhadores teriam gastado mais de Tk 500.000, com custos que chegaram a Tk 600.000 durante o período de contratação entre 2022 e 2024.

Um pagamento de Tk 600.000 equivale a cerca de 7,6 vezes a taxa oficial anterior de Tk 79.000, uma diferença de Tk 521.000. Esses números explicam por que a nova definição da taxa é tão importante para muitos candidatos quanto a própria retomada. Um emprego no exterior pode começar com uma dívida substancial antes de o trabalhador receber o primeiro salário.

O ministério afirma que a contratação deve gerar emprego sem impor um peso financeiro excessivo aos trabalhadores. Também pediu que as agências cumpram a lei, protejam os interesses dos trabalhadores e mantenham o processo acessível, seguro e transparente.

Disputas anteriores mostram como dívidas contraídas para conseguir emprego podem se somar a salários não pagos. Em 11 de novembro de 2025, cerca de 100 ex-trabalhadores de fábricas malaias se reuniram em frente ao ministério, em Dhaka, durante um protesto contra salários não pagos. A Migrant Welfare Network afirmou que 431 trabalhadores de Bangladesh nas empresas Mediceram e Kawaguchi Manufacturing tiveram negados o pagamento legal e proteções básicas.

Trabalhadores envolvidos nessas disputas relataram ter voltado a Bangladesh com dívidas após períodos sem receber salários. Entre suas reivindicações estavam o pagamento dos valores atrasados, indenizações e a possibilidade de trocar de empregador rapidamente quando uma empresa fecha ou viola a lei. Para os novos candidatos, as taxas de contratação e a garantia de pagamento após a chegada são partes interligadas do mesmo cálculo familiar.

Exames médicos começarão antes da conclusão da lista revisada

Bangladesh e Malásia ainda estão finalizando uma lista revisada de centros médicos autorizados a examinar os trabalhadores. Pelo acordo bilateral em vigor, a aprovação desses centros é uma responsabilidade conjunta.

Publicidade

O ministério informou que a contratação começará pelos centros que permanecerem na lista do site oficial de aprovados da Malásia, excluindo os associados a irregularidades. Acrescentou que as autoridades de Bangladesh fiscalizarão os centros em funcionamento, exigirão o cumprimento das normas locais e suspenderão os que forem flagrados em irregularidades.

Persistem preocupações sobre os centros envolvidos. Dezessete centros médicos descritos como afiliados a agências ligadas ao suposto sindicato de um processo de contratação anterior continuam participando do processo. Segundo o relato do ministério, centros controversos foram excluídos da lista em funcionamento. A situação desses 17 centros precisa ser esclarecida com a conclusão da lista revisada.

Uma delegação dos ministérios da Saúde, dos Recursos Humanos e dos Assuntos Internos da Malásia deve visitar Bangladesh para inspecionar os centros médicos antes da aprovação final. Não foi informada uma data para a visita nem para a conclusão da lista revisada.

O ministério afirmou que centros aprovados adicionais serão anunciados no site pertinente e pelos canais do ministério. Também informou que nenhum centro terá exclusividade para realizar os exames, permitindo distribuir as avaliações de saúde entre os prestadores autorizados.

Como as agências foram selecionadas

Segundo o ministério, o memorando de entendimento entre Bangladesh e Malásia, assinado em 18 de dezembro de 2022, atribui ao Ministério dos Recursos Humanos da Malásia a responsabilidade de selecionar e cadastrar as agências de recrutamento. As agências precisam atender aos requisitos de elegibilidade malaios.

O governo interino de Bangladesh iniciou o processo de avaliação e submeteu 423 agências à análise, após a Malásia flexibilizar algumas condições durante as negociações. O grupo aprovado agora soma 338 organizações. A Malásia não explicou publicamente os critérios usados para escolher as 25 agências privadas de processamento.

O atual governo deu continuidade às negociações após assumir o cargo. Segundo o ministério, o primeiro-ministro Tarique Rahman tratou da reabertura do mercado de trabalho com o primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim, durante sua primeira visita oficial ao exterior, à Malásia.

O ministro do Bem-Estar dos Expatriados, Ariful Haque Choudhury, também havia anunciado a reabertura prevista em diversos eventos antes do comunicado de outubro. O anúncio mais recente detalha a estrutura das agências e o procedimento de contratação, oferecendo a candidatos e agências um caminho mais concreto para iniciar o processo.

Publicidade

Uma rota de contratação que já foi aberta e fechada repetidas vezes

A Malásia abriu formalmente seu mercado de trabalho para cidadãos de Bangladesh pela primeira vez na década de 1990. Desde então, a contratação foi suspensa e retomada várias vezes, em meio a preocupações recorrentes com taxas excessivas, intermediários não autorizados, trabalhadores que chegam sem emprego e abusos trabalhistas.

As principais mudanças das últimas duas décadas mostram com que frequência o acesso foi alterado:

  • 2009: a Malásia fechou seu mercado de trabalho para trabalhadores de Bangladesh.
  • Final de 2016: a contratação foi retomada.
  • Setembro de 2018: a contratação foi suspensa em meio a alegações de corrupção e irregularidades.
  • 2022: a contratação foi retomada novamente.
  • Março de 2024: a Malásia anunciou uma suspensão temporária de novas contratações e exigiu que os trabalhadores que já tinham aprovações e vistos entrassem no país até 31 de maio.
  • Maio de 2024: a contratação de trabalhadores de Bangladesh foi suspensa.
  • 15 de outubro de 2026: Bangladesh anunciou que os procedimentos de contratação poderiam começar por meio das agências recém-aprovadas.

O anúncio de março e o prazo de maio de 2024 foram etapas da mesma interrupção: novas contratações foram suspensas, enquanto trabalhadores com aprovações existentes tiveram uma última oportunidade de entrar na Malásia. O anúncio de outubro de 2026 agora inicia um novo processo de contratação após esse longo fechamento.

Para os candidatos, as próximas decisões concretas dizem respeito à taxa normal de contratação, ao total de vagas, ao acesso às 10 mil vagas gratuitas e à lista final de centros médicos. O objetivo declarado pelo ministério é ampliar a participação das agências e reduzir os custos. Essas decisões determinarão quanto cada trabalhador terá de pagar e quais organizações cuidarão do percurso entre a oferta de emprego e a partida.

Pontos principais

  • Bangladesh anunciou a retomada da contratação para empregos na Malásia em 15 de outubro de 2026.
  • O sistema aprovado inclui a BOESL, 25 agências privadas de processamento e 312 agências de recrutamento.
  • A Malásia concordou, em princípio, em receber 10 mil trabalhadores sem que eles paguem custos de contratação.
  • A taxa de contratação e o total de trabalhadores do programa mais amplo ainda não foram definidos.
  • As agências de recrutamento podem encontrar empregadores e selecionar trabalhadores, enquanto as agências de processamento designadas ajudam com os procedimentos administrativos malaios.
  • Uma lista revisada de centros médicos aguarda inspeções e aprovação conjunta de Bangladesh e Malásia.
  • Os custos de contratação anteriores chegaram a Tk 600.000, ante uma taxa oficial de Tk 79.000.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar