O que aconteceu em Beed: autoridades contestam alegação de que macacos mataram 250 cães

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What Happened in Beed: Officials Challenge Claim That Monkeys Killed 250 Dogs

Três filhotes, dois langures e uma história que se espalhou pelo mundo

Dois langures capturados no distrito de Beed, em Maharashtra, em dezembro de 2021, foram o centro de uma história extraordinária: dizia-se que macacos haviam matado 250 cães em vingança pela morte de um filhote de macaco. Autoridades florestais locais apresentaram números bem menores e outra explicação. Sachin Kand, oficial florestal divisional de Beed, afirmou que os langures levaram três filhotes, que depois morreram de fome.

Conteúdo
  1. Três filhotes, dois langures e uma história que se espalhou pelo mundo
  2. Como o problema começou em Lavul
  3. O medo levou a um grave ferimento
  4. Reclamações em setembro, captura em dezembro
  5. De onde veio a explicação da vingança
  6. O que pesquisadores disseram sobre o comportamento animal
  7. Alimentar os macacos pode mudar a forma como usam o vilarejo
  8. A captura encerrou o conflito imediato, mas gerou debate
  9. Pontos principais

D.S. More, agente florestal em Wadwani, estimou que de três a quatro filhotes morreram. Moradores apontaram um número de 50 a 60, que, segundo o representante local, era a contagem da comunidade, embora as estimativas individuais variassem de menos de 50 a cerca de 200. O total exato de mortes nunca foi estabelecido por meio de uma contagem documentada divulgada nesses relatos.

Os incidentes se concentraram em Lavul, um vilarejo na taluka de Majalgaon, uma subdivisão administrativa do distrito de Beed. Moradores relataram filhotes sendo levados para telhados e árvores, medo que afetava a rotina e um homem gravemente ferido ao tentar resgatá-los. Autoridades disseram que os macacos não atacaram moradores nem levaram crianças.

A explicação mais útil para o episódio reúne esses detalhes: filhotes vulneráveis ficaram presos em lugares altos, os moradores tiveram dificuldade para agir e uma alegação de vingança se espalhou muito além do vilarejo. A história diz respeito a acontecimentos de 2021, e não a um surto noticiado recentemente.

Kand, a autoridade florestal sênior responsável pelo distrito, contestou diretamente o número de mortes amplamente divulgado:

"As notícias exageraram enormemente os números",

Seu relato desviou o foco de uma suposta campanha de mortes deliberadas para os filhotes que morreram por não conseguirem se alimentar depois de serem levados para longe do chão.

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Como o problema começou em Lavul

Lavul fica a cerca de cinco a sete quilômetros de Majalgaon e tem mais de 5 mil moradores. Segundo relatos do vilarejo, os dois macacos chegaram no início de setembro de 2021, meses antes de o episódio chamar atenção internacional.

Ravindra Shinde, integrante do conselho do vilarejo, disse que macacos apareciam ocasionalmente e antes causavam poucos problemas. Depois da chegada dos dois, os moradores começaram a notar filhotes sendo apanhados e levados para prédios altos ou árvores.

Alguns moradores disseram que os filhotes caíam desses lugares e morriam. More apresentou outra explicação para as mortes: deixados em telhados ou galhos, os filhotes podiam passar dois ou três dias sem comida ou água, e alguns talvez caíssem ao tentar descer. Kand afirmou que os três filhotes mencionados em seu relato morreram de fome e não foram feridos fisicamente pelos langures.

Um telhado pode se tornar uma armadilha para um filhote. Um animal levado para lá por um macaco talvez não consiga descer, chegar até a mãe ou encontrar água. Isso explica como levar um animal para longe pode ter consequências fatais, mesmo quando o ato de carregá-lo não causa ferimentos.

As descrições também mudaram à medida que a história se espalhou. A alegação mais ampla falava em centenas de cães, enquanto os relatos locais detalhados se concentravam em filhotes, pequenos o bastante para serem apanhados pelos macacos.

O medo levou a um grave ferimento

Sitaram Naybal subiu em um telhado para tirar os filhotes de lá. Quando um macaco apareceu, ele se assustou e pulou. Fraturou os dois calcanhares, precisou colocar hastes nas duas pernas e disse que o tratamento custou cerca de 150 mil rúpias.

Três meses após o acidente, Naybal disse que só conseguia andar devagar e por curtos períodos. O ferimento mostra o risco concreto que os moradores enfrentavam ao tentar resgatar animais dos telhados.

More disse que os macacos não haviam atacado ninguém no vilarejo. Ele descreveu acidentes causados pelo medo, e não agressões diretas. Kand também rejeitou as alegações de que os langures tivessem levado crianças, embora tenha reconhecido episódios em que eles pegaram comida.

Laxman Bhagat, outro morador, relatou que crianças tinham medo de ir à escola e adultos relutavam em sair de casa para trabalhar ou ir às lavouras. Rumores de que macacos perseguiam crianças ajudaram a espalhar o medo, e algumas famílias mantinham as portas fechadas.

Bhagat também descreveu uma tentativa de salvar filhotes presos. Os macacos ficaram no telhado de sua casa por vários dias e levaram para lá de oito a dez filhotes. Depois de ouvir os animais chorando à noite, sua família providenciou leite e pão no telhado. Ele disse que alguns sobreviveram e depois foram vistos do lado de fora de sua casa.

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Reclamações em setembro, captura em dezembro

Nanasah eb Shelke, funcionário responsável pelo desenvolvimento do vilarejo, disse que escreveu ao departamento florestal em 12 ou 13 de setembro e não recebeu resposta. Moradores disseram que outra carta também não levou a medidas eficazes.

Radhakishan Sonawane, presidente do comitê de resolução de conflitos do vilarejo, disse que equipes florestais foram ao local uma ou duas vezes, avaliaram a situação e foram embora. Os moradores então tentaram dar mais visibilidade ao caso. Depois disso, o departamento florestal de Dharur chamou uma equipe de Nagpur para capturar os macacos.

Segundo a cronologia do vilarejo, a captura ocorreu em 19 de dezembro. Um relato da época, publicado naquele domingo, disse que os macacos haviam sido capturados no sábado, 18 de dezembro. Ambos os relatos mencionaram dois macacos capturados e uma equipe florestal de Nagpur.

  • Início de setembro de 2021: moradores disseram que dois macacos chegaram a Lavul e começaram a levar filhotes para telhados e árvores.
  • 12 ou 13 de setembro: o funcionário responsável pelo desenvolvimento do vilarejo disse que enviou a primeira reclamação por escrito ao departamento florestal.
  • De 17 a 19 de dezembro: alegações sobre 250 mortes e vingança se espalharam amplamente.
  • 18 ou 19 de dezembro: uma equipe de Nagpur capturou os dois macacos; os relatos divergem sobre a data.
  • Após a captura: autoridades florestais disseram que os macacos foram soltos em uma floresta longe do vilarejo.

Segundo o relato do vilarejo, a operação de captura usou um filhote dentro de uma gaiola para atrair os macacos. As primeiras notícias diziam que os animais seriam soltos em uma floresta próxima; depois, More e Kand afirmaram que eles haviam sido soltos em uma área florestal mais distante.

De onde veio a explicação da vingança

Moradores espalharam a história de que cães haviam matado um filhote de macaco e que os adultos estavam se vingando dos filhotes. Shinde também relatou outro rumor no vilarejo: uma macaca angustiada com a perda do filhote talvez estivesse levando filhotes de cães como se fossem seus próprios filhotes.

Algumas autoridades da área de vida selvagem inicialmente consideraram a possibilidade de retaliação. Explicações posteriores de agentes florestais identificados pelo nome se concentraram, em vez disso, nos filhotes levados para longe, presos e privados de comida. A suposta morte de um filhote de macaco permaneceu sem comprovação na história contada no vilarejo.

More sugeriu que os macacos apanhavam os filhotes para comer piolhos e pulgas de seus pelos. Disse que era mais fácil capturar filhotes do que cães adultos e que depois os deixavam em telhados ou árvores. Dhanraj Shinde, presidente da Associação Animal Life Care, apontou a curiosidade como outro motivo possível.

B.S. Naikwade, veterinário que trabalhou por muitos anos no zoológico do Jardim Siddharth, em Aurangabad, disse que macacos podem ferir animais ou pessoas quando estão irritados, mas descreveu como exagerado o relato que circulava sobre Lavul.

H.N. Kumara, cientista principal do Centro Salim Ali de Ornitologia e História Natural, disse que os casos de macacos carregando filhotes de outra espécie eram raros e esporádicos demais para que pesquisadores os explicassem com segurança. Ao comentar as hipóteses sobre os motivos em Beed, afirmou:

Isso é tudo especulação.

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O que pesquisadores disseram sobre o comportamento animal

Kumara explicou que macacos conseguem reconhecer pessoas e cães individualmente e se lembrar de encontros positivos ou negativos. Ele também mencionou casos de langures montados em cães de rua ou fazendo sua higiene. Portanto, as relações entre as espécies podem envolver familiaridade, além de conflito.

Asmita Sengupta, pesquisadora ligada ao Ashoka Trust for Research in Ecology and the Environment, descreveu estudos com primatas em cativeiro. Após um ataque, um animal pode ter maior probabilidade de atacar um indivíduo relacionado ao agressor. Essas reações ocorrem pouco depois do confronto inicial. Pesquisadores não documentaram grupos de primatas realizando retaliações após um longo intervalo, como no relato de Beed.

Outros especialistas interpretaram o episódio em termos de proteção e respostas aprendidas ao perigo. Ajit Pawde, cientista principal e diretor de um centro de vida selvagem no Instituto Indiano de Pesquisa Veterinária, em Bareilly, descreveu como os animais se lembram de experiências dolorosas e resistem a uma pessoa associada a elas.

Neelima Gupta, professora de ciência animal e vice-reitora da Universidade Dr. Harisingh Gour, em Sagar, sugeriu o comportamento de proteção como explicação. Ela ressaltou a força do cuidado parental entre os macacos e suas reações a ameaças percebidas.

Esses especialistas apresentaram diferentes opiniões sobre as emoções dos animais. Suas explicações envolveram reações imediatas, memória, proteção e competição por recursos. Em Lavul, o comportamento descrito diretamente foi o de levar filhotes para lugares de onde eles tinham dificuldade para escapar.

Alimentar os macacos pode mudar a forma como usam o vilarejo

Kand disse que era comum alimentar langures-de-Hanuman na região, o que os deixou à vontade perto das pessoas. Os langures-de-Hanuman, também conhecidos como langures-cinzentos, são macacos encontrados por todo o subcontinente indiano. A familiaridade com as pessoas pode aproximá-los de casas, alimentos e outros animais.

Kand explicou como essa familiaridade pode se transformar em conflito:

"No entanto, quando as pessoas param de alimentá-los, os langures ficam agressivos e pegam comida",

Sengupta apontou para uma possível fonte de alimento compartilhada pelos langures e pelos filhotes. Comida deixada por pessoas, lixo e plantações podem atrair diferentes animais para o mesmo espaço, criando competição. Ela apresentou isso como uma possível explicação para as interações em Beed.

Uma pesquisa sobre macacos-rhesus em Bengala Ocidental, da qual ela participou, mostra concretamente mudanças associadas à alimentação. Um estudo de 2015 concluiu que os macacos que recebiam comida das pessoas faziam menos refeições à base de folhas e frutas, reduzindo a quantidade de sementes que dispersavam nas fezes.

Um estudo de 2018 concluiu que os macacos-rhesus que esperavam receber comida passavam mais tempo nas estradas, ficando expostos ao trânsito. O estudo também descreveu comportamentos ameaçadores usados para obter comida, como ficar em pé sobre as patas traseiras, com os braços estendidos e os dentes à mostra.

Esses estudos tratavam de macacos-rhesus, enquanto os animais de Beed foram identificados como langures. Os resultados ajudam a explicar uma preocupação prática levantada por Kand: quando macacos selvagens obtêm comida regularmente das pessoas, casas e estradas podem se tornar lugares que eles procuram ativamente.

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A captura encerrou o conflito imediato, mas gerou debate

O departamento florestal de Maharashtra retirou os dois langures após moradores reclamarem que filhotes estavam sendo levados e que comida era apanhada. Segundo as autoridades locais, a soltura dos animais em uma área florestal foi a medida final.

Anindya Sinha, primatologista do Instituto Nacional de Estudos Avançados, em Bengaluru, alertou que a transferência de primatas pode levar o conflito de uma área para outra. Capturar um animal e soltá-lo em outro lugar muda sua localização, mas seu comportamento aprendido pode persistir.

Kumara sugeriu que, neste caso, manter os animais em cativeiro poderia ser preferível para evitar novos conflitos e hostilidade contra os macacos. Essa foi uma recomendação, não a medida adotada pelo departamento, que informou ter soltado os animais.

A experiência de Lavul reúne questões de bem-estar animal e segurança humana. Os filhotes presos acima do chão precisavam de comida e de uma forma de descer; os moradores que tentavam resgatá-los corriam o risco de cair. A explicação mais sólida para o episódio mantém esses danos específicos no centro, junto das estimativas de mortes muito menores dadas pelas autoridades e das razões ainda desconhecidas para o comportamento dos macacos.

Pontos principais

  • Os incidentes ocorreram em Lavul, perto de Majalgaon, no distrito de Beed, em Maharashtra, em 2021.
  • O oficial florestal divisional Sachin Kand disse que três filhotes foram levados e depois morreram de fome; o agente florestal D.S. More estimou de três a quatro mortes.
  • Moradores deram estimativas maiores, incluindo um número local de 50 a 60, enquanto a alegação de 250 mortes se espalhou internacionalmente.
  • Moradores relataram filhotes presos em telhados e árvores. Um homem fraturou os dois calcanhares após pular de um telhado, assustado.
  • Autoridades florestais disseram que os macacos não atacaram moradores nem levaram crianças.
  • O relato de vingança pela morte de um filhote de macaco não foi comprovado.
  • Uma equipe de Nagpur capturou dois langures em dezembro, e autoridades disseram que eles foram soltos em uma área florestal.
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