Consumidores residenciais receberão reembolso de P 0,1733 por kWh
A Comissão Reguladora de Energia (ERC, na sigla em inglês) determinou que a Manila Electric Company (Meralco) devolva cerca de P 2,64 bilhões aos clientes ao longo de aproximadamente seis meses. Os consumidores residenciais têm direito a um reembolso de P 0,1733 por quilowatt-hora (kWh). A determinação ocorre enquanto as famílias enfrentam contas de eletricidade mais altas em outubro e uma alta separada na tarifa de distribuição da Meralco é esperada para novembro.
Conteúdo
- Consumidores residenciais receberão reembolso de P 0,1733 por kWh
- Como a ERC calculou o excesso arrecadado
- Por que o prazo de devolução foi reduzido para seis meses
- Quanto cada categoria de cliente receberá
- Novembro é a previsão, mas o recebimento da ordem é determinante
- O reembolso e o aumento da tarifa de distribuição são decisões distintas
- As contas de outubro já ficaram mais caras
- Consumidores cobram os cálculos por trás da revisão tarifária
- Outras pressões sobre os preços podem limitar o alívio
- Principais pontos
O reembolso foi aprovado em 9 de outubro, no âmbito do Processo ERC nº 2026-129 RC. Ele abrange a conciliação das tarifas de distribuição cobradas de janeiro a junho de 2026, período em que a média efetivamente arrecadada pela Meralco superou a tarifa aprovada pelo órgão regulador.
Considerando todas as categorias de clientes, o reembolso médio é de P 0,1020 por kWh. Esse valor é diferente da tarifa residencial, uma distinção importante para as famílias que calculam o crédito a receber. Um consumidor residencial que use 200 kWh receberia cerca de P 34,66 no período de cobrança, com base na tarifa anunciada de P 0,1733.
A ERC reduziu de 12 para seis meses o prazo de devolução proposto pela Meralco. A autorização, porém, é provisória: o valor ainda será submetido a verificação na análise final da comissão, com audiências marcadas para 16 a 23 de outubro.
Como a ERC calculou o excesso arrecadado
A decisão decorre de um processo chamado ajuste de conciliação, que verifica se a receita efetivamente arrecadada por uma concessionária corresponde ao valor que ela tinha autorização para cobrar. Neste caso, a ERC analisou a receita de distribuição e as vendas de eletricidade nos primeiros seis meses de 2026, a etapa final do período encerrado abrangido pelo processo de confirmação.
O cálculo usa a Tarifa Média Ponderada Efetiva (AWAT, na sigla em inglês). Em vez de considerar iguais as tarifas de todos os clientes, essa medida reflete a receita efetiva sobre as vendas de eletricidade. A Meralco calculou uma AWAT de P 1,5537 por kWh entre janeiro e junho, ante a tarifa de distribuição aprovada, de P 1,3522 por kWh.
A diferença é de P 0,2015 por kWh, cerca de 14,9% acima da tarifa aprovada. A ERC estimou o excesso arrecadado em aproximadamente P 5,36 bilhões. Após considerar decisões anteriores sobre reembolsos e ajustes de conciliação, reduziu para P 2,64 bilhões o valor líquido a devolver.
Isso representa uma diferença de P 2,72 bilhões entre o excesso inicial e o reembolso líquido. A ERC atribuiu o ajuste a decisões anteriores, mas os anúncios mencionados não divulgaram uma discriminação detalhada dessas compensações. Portanto, os valores de P 5,36 bilhões e P 2,64 bilhões correspondem a etapas diferentes do cálculo, e não a estimativas concorrentes do mesmo reembolso.
Por que o prazo de devolução foi reduzido para seis meses
A Meralco propôs devolver o valor a uma taxa média de P 0,0487 por kWh ao longo de 12 meses. A ERC aprovou, em vez disso, um crédito médio de P 0,1020 por kWh por aproximadamente seis meses, mais que dobrando a taxa de crédito proposta e reduzindo o prazo de devolução pela metade.
O presidente e diretor-executivo da ERC, Francis Saturnino Juan, disse que o cronograma mais curto busca devolver o dinheiro aos consumidores mais rapidamente. Ele descreveu o processo de conciliação como uma proteção contra cobranças acima do valor autorizado à concessionária.
O ajuste de conciliação é uma salvaguarda que garante que o que os consumidores pagam corresponda sempre ao que é justo. Quando a Meralco arrecada mais do que tem direito, a ERC garante que o valor seja devolvido, e rapidamente. Ao reduzir o prazo de reembolso para seis meses, estamos oferecendo um alívio mais rápido aos consumidores em um momento em que os preços da eletricidade continuam elevados.
A mudança afeta a rapidez com que os clientes recebem o alívio, não apenas o valor total devolvido. O efeito em cada conta dependerá da categoria do cliente e do consumo de eletricidade. A comissão exigirá relatórios mensais da Meralco até que o valor integral seja reembolsado.
Quanto cada categoria de cliente receberá
O reembolso não corresponde a um crédito uniforme de P 0,1020 para todas as contas. O cronograma anunciado atribui tarifas diferentes a consumidores residenciais, categorias comerciais e industriais, iluminação pública e geradores que utilizam a rede de distribuição da Meralco.
- Consumidores residenciais: P 0,1733 por kWh.
- Iluminação pública com tarifa fixa: P 0,1764 por kWh.
- Serviço Geral B: P 0,1147 por kWh.
- GHMSCI: P 0,0706 por kWh.
- Energia Geral: P 0,0514 por kWh.
- Uso da rede de distribuição por geradores: P 0,0128 por kWh.
As categorias Serviço Geral B e Energia Geral incluem contas comerciais e industriais com demanda de pelo menos 5 quilowatts. Os clientes que usam a rede de distribuição para geração são produtores de energia conectados à rede por meio do sistema de distribuição da Meralco. Os reembolsos de iluminação pública serão creditados na conta do titular.
Para consumidores residenciais, a tarifa anunciada resultaria em um crédito de P 17,33 para 100 kWh, P 34,66 para 200 kWh e P 51,99 para 300 kWh. São exemplos calculados multiplicando o consumo por P 0,1733, e não uma garantia de crédito idêntico a cada mês.
O reembolso aparecerá em uma linha separada na conta, identificada como "AWAT (Refund)/Collect". A discriminação permite que os clientes diferenciem a devolução de cobranças anteriores dos valores referentes à eletricidade consumida no período de cobrança atual.
Novembro é a previsão, mas o recebimento da ordem é determinante
A aprovação do reembolso e o início dos créditos nas contas são etapas distintas. O vice-presidente sênior e chefe de Gestão Regulatória da Meralco, Jose Ronald Valles, disse que a ordem formal ainda não havia sido emitida quando a empresa foi questionada sobre a decisão. Ele afirmou que o reembolso ajudaria a reduzir as tarifas dos clientes, como ocorreu com reembolsos anteriores da AWAT.
Juan disse que a comissão esperava emitir a ordem formal ainda em outubro e pretendia implementar a medida em novembro, junto com a revisão separada das tarifas de distribuição. O marco previsto é o próximo ciclo de cobrança após o recebimento da ordem pela Meralco, e não uma data fixa aplicável a todas as contas.
A sequência das decisões anunciadas e das etapas pendentes é a seguinte:
- Janeiro a junho de 2026: período de cobrança analisado para o reembolso.
- 9 de outubro: a ERC aprovou autorização provisória no âmbito do Processo nº 2026-129 RC.
- 13 de outubro: a Meralco anunciou o aumento da tarifa residencial de eletricidade em outubro.
- 16 a 23 de outubro: audiências marcadas para a avaliação final do pedido de reembolso.
- Até o fim de outubro: a ERC esperava emitir as ordens formais de reembolso e revisão tarifária.
- Novembro: autoridades e a Meralco indicaram esse período de cobrança como previsão para a implementação, condicionada ao recebimento das ordens.
As declarações sobre o cronograma descrevem uma previsão, não confirmam que os créditos já tenham sido lançados nas contas. O valor final do reembolso também poderá mudar após a análise e a verificação da ERC.
O reembolso e o aumento da tarifa de distribuição são decisões distintas
O reembolso se refere a cobranças anteriores. A revisão tarifária define a receita que a Meralco poderá recuperar por meio das tarifas de distribuição durante um novo período regulatório, de julho de 2026 a junho de 2030. O fato de as duas medidas aparecerem na mesma conta não significa que sejam a mesma ação regulatória.
A ERC aprovou uma tarifa média de distribuição de P 1,48 por kWh, ante a tarifa atual arredondada de P 1,35 e os P 2,34 solicitados pela Meralco. O aumento aprovado é de P 0,13 por kWh, cerca de 9,6% acima de P 1,35. Também fica P 0,86 abaixo do valor pedido pela empresa.
A comissão autorizou uma receita requerida de cerca de P 342 bilhões, P 190 bilhões a menos que os P 532 bilhões solicitados pela Meralco. Isso representa aproximadamente 35,7% abaixo do valor pedido. A revisão é a primeira desde 2011, após cerca de 15 anos sem uma nova atualização.
As tarifas de distribuição custeiam a rede e as operações da concessionária, incluindo postes, fios e subestações, e permitem um retorno regulado. As tarifas de geração e transmissão são componentes separados repassados aos clientes. Portanto, um aumento na tarifa de distribuição não descreve a variação da conta total de eletricidade.
Juan disse que a ERC queria alinhar o reembolso e a revisão tarifária para que houvesse quase nenhuma alteração nas tarifas atuais. O porta-voz da Meralco, Joe Zaldarriaga, também afirmou que os dois ajustes poderiam resultar em uma pequena redução líquida. No entanto, a explicação pública da empresa ainda não havia determinado o aumento exato da tarifa residencial de distribuição.
As contas de outubro já ficaram mais caras
A tarifa residencial de eletricidade da Meralco em outubro subiu P 0,3191 por kWh, chegando a P 15,0615, ante P 14,7424 em setembro. Para uma família que consome 200 kWh, o aumento é de P 63,82, ou cerca de P 64, elevando a conta calculada com essa tarifa para aproximadamente P 3.012.
As tarifas de geração subiram P 0,4973 por kWh, mais do que o aumento total da conta. A Meralco atribuiu a alta aos preços elevados dos combustíveis, à desvalorização do peso e à oferta mais restrita. A eletricidade comprada da First Gas e da Prime CoreGen ficou mais cara porque as usinas passaram a usar gás natural liquefeito, cujos preços foram afetados pelo conflito no Oriente Médio.
As compras no Mercado Atacadista de Energia Elétrica também ficaram mais caras em meio à oferta mais restrita em Luzon. A energia mais barata de outros fornecedores contratados, tarifas de transmissão menores e redução de impostos compensaram parcialmente esses aumentos. A retirada do imposto sobre valor agregado de 12% das tarifas permitidas por perdas no sistema também limitou a alta total.
A tarifa de outubro ainda não incluía o aumento de distribuição recém-aprovado. Para um consumo de 200 kWh, o reembolso residencial previsto de P 34,66 é menor que o aumento de P 63,82 em outubro. Essa comparação mostra a dimensão do alívio, mas não é uma previsão da conta de novembro: os componentes de geração, transmissão e outros podem voltar a mudar.
A Meralco também continua aplicando dois reembolsos residenciais anteriores, que somam P 1,0139 por kWh. Com a inclusão do novo crédito de P 0,1733, as taxas de reembolso combinadas chegam a P 1,1872 por kWh enquanto os três estiverem em vigor. O efeito real dependerá do cronograma de implementação e da continuidade dos créditos anteriores.
Consumidores cobram os cálculos por trás da revisão tarifária
A Associação Nacional de Consumidores de Eletricidade pelas Reformas (Nasecore, na sigla em inglês), que intervém no processo de revisão tarifária, pediu mais transparência sobre o Método de Tendência da ERC, a avaliação final da base de ativos regulatória e os cálculos que fundamentam os limites aprovados de receita e de ativos.
A base de ativos regulatória é o valor dos ativos reconhecidos para definir o retorno regulado da concessionária. Sua avaliação é importante porque ajuda a determinar quanto os clientes pagam nas tarifas de distribuição. A Nasecore afirmou que as tarifas devem se basear em ativos verificados, gastos prudentes e retornos de capital razoáveis, conforme a Lei de Reforma do Setor de Energia Elétrica.
O grupo citou uma decisão da Suprema Corte de outubro de 2019 que anulou o método do custo de reposição para avaliar a base de ativos regulatória da Meralco. Segundo a Nasecore, a decisão exigiu uma avaliação justa dos ativos e excluiu despesas sem relação com a distribuição. A entidade pediu a decisão completa, os anexos de apoio, os cálculos e as conclusões para que as partes pudessem avaliar o cumprimento das regras e exercer seus direitos processuais.
Outra incerteza diz respeito aos investimentos destinados a reduzir as perdas do sistema, ou seja, a eletricidade perdida durante a entrega ou que não é contabilizada corretamente. O chefe de Economia de Serviços Públicos da Meralco, Larry Fernandez, disse que a empresa incluiu propostas para reduzir essas perdas em seu pedido, mas ainda não conseguia identificar quais projetos os reguladores aprovaram, reduziram ou rejeitaram. Por isso, metas específicas de redução e datas de implementação não foram divulgadas.
Outras pressões sobre os preços podem limitar o alívio
O reembolso ao longo de seis meses oferece um crédito definido, mas não corrige os demais componentes dos preços da eletricidade. O aumento de outubro ilustra essa diferença: custos mais altos de geração elevaram a tarifa residencial total mesmo com a queda de outras cobranças.
A secretária de Energia, Sharon Garin, alertou para possíveis aumentos nos preços da eletricidade e apagões, já que a previsão de um El Niño forte pode pressionar a oferta e elevar o consumo. A Administração de Serviços Atmosféricos, Geofísicos e Astronômicos das Filipinas previa que o El Niño atingisse seu pico perto do fim de 2026 e se prolongasse até o início de 2027.
El Niño é o aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico tropical, associado a mudanças nos regimes de chuva e temperatura. O alerta de Garin dizia respeito a possíveis pressões sobre o sistema elétrico, não a um cronograma confirmado de apagões nem a um aumento futuro quantificado das tarifas. Ela afirmou que o departamento de energia coordenaria com a ERC para evitar abusos por parte de produtores e distribuidoras.
Para os clientes, as questões imediatas são se as ordens formais chegarão a tempo para a cobrança de novembro, qual tarifa residencial de distribuição será aplicada e se a análise final do reembolso alterará o valor aprovado. Relatórios mensais acompanharão a devolução dos P 2,64 bilhões, enquanto a decisão completa sobre a revisão tarifária será necessária para explicar os gastos aprovados e os cálculos dos ativos.
Principais pontos
- A ERC aprovou provisoriamente um reembolso de P 2,64 bilhões pela Meralco ao longo de aproximadamente seis meses.
- Os consumidores residenciais têm direito a P 0,1733 por kWh, o equivalente a P 34,66 para um consumo de 200 kWh.
- O reembolso decorre da análise das cobranças de distribuição entre janeiro e junho de 2026.
- A implementação está prevista para novembro, mas a cobrança depende do recebimento da ordem formal pela Meralco.
- A revisão tarifária separada eleva a tarifa média de distribuição de P 1,35 para P 1,48 por kWh.
- A tarifa residencial total de eletricidade em outubro subiu para P 15,0615 por kWh, antes do novo aumento da distribuição.
- O reembolso ainda depende de verificação final, com audiências marcadas para 16 a 23 de outubro.
- Representantes dos consumidores pedem acesso a todos os cálculos que fundamentaram a revisão tarifária aprovada.






