Julgamento de impeachment de Sara Duterte se restringe a acusação sobre patrimônio enquanto defesa questiona imparcialidade

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Sara Duterte Impeachment Trial Narrows to Wealth Charge as Defense Challenges Fairness

Uma acusação restante, com patrimônio estimado em até P1,5 bilhão

Em 13 de outubro de 2026, o tribunal de impeachment do Senado aceitou a retirada de três das quatro acusações contra a vice-presidente das Filipinas, Sara Duterte, deixando uma alegação de patrimônio não explicado que inclui uma estimativa de P817 milhões a P1,5 bilhão, apresentada pelo advogado e contador Alexander Cabrera. A defesa deve começar a apresentar seu caso quando as sessões forem retomadas, em 9 de novembro.

Conteúdo
  1. Uma acusação restante, com patrimônio estimado em até P1,5 bilhão
  2. O que o Senado retirou do caso
  3. Por que a acusação decidiu restringir o julgamento
  4. O que a alegação sobre patrimônio realmente abrange
  5. A defesa questiona a oportunidade de responder
  6. O precedente de Corona e a autoridade do tribunal
  7. Discussão pública é permitida, mas ainda há limites
  8. Duterte rejeita renúncia enquanto outras acusações prosseguem
  9. O cronograma e o que está em jogo no veredicto
  10. Pontos principais

A decisão retira da votação final do tribunal as acusações envolvendo fundos confidenciais, suborno de autoridades do Departamento de Educação e graves ameaças contra o presidente Ferdinand Marcos Jr. Isso não equivale a uma absolvição dessas acusações. O presidente do tribunal, senador Francis Escudero, decidiu que os senadores não proferirão condenação nem absolvição em relação às acusações retiradas.

O Artigo II, que permanece, trata de ativos supostamente não declarados e de interesses comerciais proibidos envolvendo Duterte e seu marido, Manases Carpio. A acusação afirma que as provas são suficientes para pedir seu afastamento por violação culposa da Constituição e traição da confiança pública. Duterte nega qualquer irregularidade, e o tribunal ainda não decidiu se a alegação sobre o patrimônio foi comprovada.

A redução do escopo do caso veio após semanas de depoimentos públicos sobre duas das acusações retiradas. A principal advogada de defesa, Sheila Sison, argumentou que retirá-las antes de Duterte apresentar suas próprias provas deixaria acusações prejudiciais expostas publicamente sem que ela tivesse oportunidade equivalente de respondê-las no tribunal.

A decisão também abriu uma disputa à parte sobre a discussão pública das acusações retiradas. Escudero suspendeu a restrição imposta pelo tribunal de impeachment a declarações sobre esses artigos, mas a defesa se opôs e o senador Francis Pangilinan pediu reconsideração. A questão continuava sem solução quando o tribunal suspendeu as sessões para permitir as deliberações sobre a proposta de orçamento nacional de 2027.

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O que o Senado retirou do caso

As acusações retiradas abrangiam três conjuntos distintos de alegações. O Artigo I tratava do suposto uso indevido ou desvio de fundos confidenciais do Gabinete da Vice-Presidente e do Departamento de Educação. O Artigo III tratava do suposto suborno de autoridades da área da educação. O Artigo IV tratava de graves ameaças, incluindo uma suposta ameaça condicional contra Marcos, a primeira-dama e um ex-presidente da Câmara.

A alegação sobre as ameaças surgiu em uma entrevista coletiva na qual Duterte teria dito que havia providenciado a morte dessas pessoas caso ela fosse morta primeiro. Duterte e seu grupo negam as acusações contra ela.

Escudero tratou das retiradas de forma diferente, conforme o estágio em que a acusação se encontrava. Os artigos sobre fundos confidenciais e graves ameaças foram retirados com prejuízo. Pela decisão, eles não podem ser retomados, reapresentados ou processados contra Duterte durante o mesmo mandato e a 20ª legislatura.

O artigo sobre suborno foi retirado sem prejuízo, pois os promotores ainda não haviam apresentado provas sobre ele. Essa distinção deixa aberta a possibilidade de um processo futuro, mas não significa que outro caso tenha sido aberto ou que necessariamente será aberto.

Os relatos divergem sobre a sequência dos fatos. Alguns descrevem a medida de terça-feira como a retirada dos três artigos; outros dizem que os promotores já haviam pedido a retirada do artigo sobre suborno na semana anterior e depois solicitaram a retirada dos outros dois. Todos concordam quanto ao resultado: os Artigos I, III e IV não serão objeto de veredicto.

Por que a acusação decidiu restringir o julgamento

A deputada Gerville Luistro, representante do 2º distrito de Batangas e líder da equipe de acusação da Câmara, disse que a decisão veio após considerações sobre o público, o tribunal, a acusação e a defesa. Em entrevista coletiva do Senado em Pasay City, ao lado da promotora particular Lorna Kapunan, ela descreveu a medida como a decisão mais importante da equipe.

O argumento central de Luistro era que o Artigo II poderia ser mantido por si só. Ao se dirigir ao tribunal de impeachment, ela afirmou que as provas justificavam buscar o afastamento com base nesse artigo, sem prosseguir com os outros três.

"Acreditamos que as provas são substanciais e contundentes e justificam o afastamento da ré do cargo por violação culposa da Constituição e traição da confiança pública", disse Luistro.

Ela também mencionou a impaciência do público com a longa duração das sessões e as responsabilidades legislativas dos senadores. A retirada de três dos quatro artigos reduz em 75% o número de acusações à espera de um veredicto, embora não determine quanto tempo as audiências restantes levarão.

Os relatos divergem sobre quantas testemunhas não precisarão mais depor. Vários mencionam 32, enquanto outro cita 12. A retirada claramente reduz o número de depoimentos previstos, mas o total exato é controverso. As 14 testemunhas mencionadas pela defesa se referem a depoimentos já ouvidos, e não a testemunhas cujas futuras participações seriam canceladas.

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O que a alegação sobre patrimônio realmente abrange

O Artigo II vai além da afirmação de que Duterte possui um patrimônio considerável. Ele alega que ela deixou de declarar ativos em sua Declaração de Ativos, Passivos e Patrimônio Líquido, conhecida como SALN, e não se desfez de interesses comerciais proibidos pela Constituição. Também trata de interesses comerciais supostamente proibidos envolvendo Carpio.

A SALN é uma declaração dos ativos, das dívidas e do patrimônio líquido de um agente público. Autoridades públicas filipinas são obrigadas a apresentar essas declarações anualmente. Neste caso, os senadores precisam avaliar as alegações da acusação sobre omissões e interesses comerciais, em vez de considerar que o valor dos ativos de uma pessoa, por si só, comprova irregularidades.

Na semana anterior à retirada das acusações, o tribunal ouviu depoimentos do Conselho de Combate à Lavagem de Dinheiro, de autoridades de bancos e seguradoras e de Cabrera. A acusação também apresentou autoridades fiscais em apoio à alegação restante.

Cabrera acusou Duterte e Carpio de possuir patrimônio não explicado estimado entre P817 milhões e P1,5 bilhão. Trata-se de uma alegação apresentada em depoimento, não de uma conclusão do Senado. A diferença entre as estimativas mínima e máxima é de P683 milhões, o que torna a base do cálculo uma parte importante do caso.

As provas descritas publicamente envolvem vários tipos de registros financeiros e testemunhas. A apresentação desse material, por si só, não comprova que ativos foram ocultados ou que interesses comerciais eram ilegais. Essas alegações ainda dependem da resposta da defesa e da avaliação dos senadores.

A defesa questiona a oportunidade de responder

Sison disse que a defesa não se opôs à retirada em si. Sua objeção era sobre quem poderia decidir como a defesa procederia depois de a acusação já ter apresentado alegações e provas em audiências públicas.

Ela argumentou que Duterte corria o risco de perder a oportunidade de contestar as provas da acusação. A defesa também alertou para a possibilidade de anulação do julgamento caso o equilíbrio entre acusação e resposta ficasse seriamente comprometido. Essa foi uma objeção jurídica apresentada pela advogada, não uma decisão de que o julgamento era inválido.

Luistro respondeu que a defesa pôde contestar as testemunhas por meio do contrainterrogatório e poderia responder às acusações retiradas em outras plataformas. Sison rejeitou a sugestão de que declarações públicas feitas fora do tribunal pudessem substituir a apresentação da defesa durante o processo.

Michael Henry Yusingco, pesquisador sênior do Centro de Políticas da Universidade Ateneo de Manila, apoiou a preocupação da defesa. Ele argumentou que retirar os artigos sobre fundos confidenciais e ameaças depois de apresentar provas publicamente violou o direito de Duterte ao devido processo legal. Essa avaliação é distinta da decisão do tribunal de permitir a retirada.

A disputa separa duas questões que, de outra forma, podem parecer idênticas: se os senadores ainda devem decidir sobre uma acusação e se a ré deve poder refutar provas já ouvidas. Escudero decidiu que os artigos retirados não exigiriam provas da defesa. Ele também afirmou que alternar as apresentações da acusação e da defesa poderia ajudar a evitar uma situação em que acusações sejam retiradas antes que a defesa possa responder.

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O precedente de Corona e a autoridade do tribunal

Luistro citou o processo de impeachment do ex-presidente da Suprema Corte Renato Corona como respaldo para a possibilidade de a acusação escolher quais artigos levar adiante. O relato original situa esse precedente em 2011, ao descrevê-lo como o julgamento de impeachment de Corona. A controvérsia no processo contra Duterte diz respeito ao momento da retirada, e não ao ano associado ao precedente.

Sison disse que cinco dos oito artigos contra Corona foram retirados antes que fossem apresentadas provas sobre eles. No caso de Duterte, a acusação já havia apresentado provas sobre fundos confidenciais e graves ameaças. Segundo ela, a retirada anterior não resolveu a questão de imparcialidade que agora está diante do Senado.

Escudero também rejeitou a ideia de que qualquer um dos lados pudesse decidir a questão sozinho. Ele afirmou que os artigos passam a ser da competência do tribunal de impeachment assim que são apresentados e que um pedido da acusação para retirá-los continua sujeito à decisão e ao arbítrio do tribunal.

Essa distinção explica por que o anúncio de Luistro exigiu uma decisão. A acusação escolheu quais artigos desejava continuar levando adiante, mas o tribunal decidiu se permitiria a retirada e quais seriam suas consequências jurídicas.

Discussão pública é permitida, mas ainda há limites

Escudero suspendeu a Regra 18, a restrição do tribunal de impeachment a comentários sobre processos em andamento, para os Artigos I, III e IV. Essas restrições limitam declarações públicas sobre o mérito de um caso pendente para proteger o andamento do processo. A justificativa dele foi que os artigos retirados já não aguardavam julgamento.

Pela decisão, os promotores, Duterte, seus respectivos advogados e as testemunhas podem falar publicamente sobre as acusações retiradas. Escudero disse que a intenção era dar espaço para Duterte responder, agora que esses artigos já não fariam parte do veredicto final do tribunal.

A autorização não permite a divulgação irrestrita de provas. Escudero afirmou que as proteções de confidencialidade e privacidade continuam valendo para documentos protegidos e outros materiais. Provas abrangidas por essas proteções não podem simplesmente ser copiadas, divulgadas ou publicadas porque um artigo foi retirado.

Sison se opôs, argumentando que suspender a restrição poderia permitir acusações sem controle contra Duterte enquanto o julgamento de impeachment ainda estivesse em andamento. Pangilinan apresentou um pedido de reconsideração dessa parte da decisão, e Escudero deixou a solicitação pendente enquanto a defesa consultava Duterte.

A flexibilização continua em vigor para os artigos retirados até que a defesa se manifeste e o tribunal trate da questão. O porta-voz da defesa, Michael Poa, também alertou que uma ordem de silêncio separada de um tribunal regional ainda poderia impedir a discussão pública do caso de graves ameaças. Portanto, a autorização do tribunal do Senado talvez não resolva todas as restrições impostas às partes.

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Duterte rejeita renúncia enquanto outras acusações prosseguem

Ao discursar na 52ª Conferência e Exposição Empresarial das Filipinas, na terça-feira, Duterte rejeitou qualquer sugestão de que deixaria o cargo voluntariamente. Ela disse que sua equipe jurídica planejava negar as acusações e que não esperava imparcialidade do governo.

Não vou renunciar. Nunca renunciarei ao cargo de vice-presidente.

Duterte classificou as acusações como motivadas politicamente e destinadas a prejudicar sua planejada candidatura à Presidência em 2028. Ela também disse esperar novas acusações e uma campanha hostil à medida que a eleição se aproximasse. Essas declarações expressam sua posição; não resolvem as alegações em análise no tribunal.

Outras acusações continuaram fora das audiências de impeachment. Na segunda-feira anterior, o Departamento Nacional de Investigação informou que estava investigando os imóveis de Duterte, incluindo terrenos supostamente declarados de forma incorreta como agrícolas em suas SALNs.

O ex-senador Antonio Trillanes IV acusou Duterte e Carpio, separadamente, de receber remessas do governo chinês. O policial demitido Rodulfo Gracioso Jr. e Ramil Madriaga, que se autodefiniu como intermediário financeiro, fizeram alegações envolvendo entregas de dinheiro. Duterte negou as acusações.

Essas investigações e acusações não devem ser confundidas com conclusões sobre o Artigo II. A retirada de três artigos de impeachment não decide se essas alegações separadas são verdadeiras, e a existência de uma investigação não comprova irregularidades.

O cronograma e o que está em jogo no veredicto

A medida de terça-feira ocorreu, segundo relatos, no 39º dia do julgamento, iniciado em 6 de julho. A próxima etapa prevista é a apresentação da defesa, em 9 de novembro. O líder da minoria no Senado, Alan Peter Cayetano, disse que a Constituição não estabelece prazo para o julgamento de impeachment e que os senadores poderiam dedicar o tempo necessário para garantir a imparcialidade, enquanto participavam das deliberações sobre o orçamento.

  • Maio de 2026: A Câmara dos Representantes apresentou acusações de impeachment contra Duterte com base em quatro artigos.
  • 6 de julho de 2026: Começou o julgamento de impeachment no Senado.
  • Setembro de 2026: Segundo relatos, o Senado adotou uma interpretação do quórum de condenação baseada nos senadores aptos a participar.
  • 13 de outubro de 2026: O tribunal aceitou a retirada dos Artigos I, III e IV, deixando apenas o Artigo II.
  • 9 de novembro de 2026: Está prevista a retomada das sessões, com a expectativa de que a defesa apresente provas e testemunhas.

O quórum de votação pode ser decisivo. Segundo relatos, o Senado, composto por 24 cadeiras, interpretou a exigência constitucional de dois terços de todos os membros como dois terços dos senadores aptos a participar, o que resulta em um mínimo de 14 votos. Dois terços do plenário completo, com 24 membros, seriam 16 votos. A interpretação relatada, portanto, reduz em dois o número necessário.

Nenhum veredicto foi proferido. Uma condenação poderia resultar no afastamento de Duterte e em sua desqualificação para ocupar cargos públicos, colocando em risco sua planejada candidatura presidencial de 2028. A redução do escopo do caso muda o que os senadores decidirão, mas não elimina essas possíveis consequências.

A retirada também recebeu críticas da Nova Aliança Patriótica. Seu presidente, Renato Reyes Jr., disse que a controvérsia sobre os fundos confidenciais ajudou a impulsionar o processo de impeachment e que o público merecia uma conclusão. A decisão do tribunal deixa esse artigo sem veredicto, embora ele já tenha sido objeto de depoimentos.

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Pontos principais

  • Apenas o Artigo II, que trata de patrimônio supostamente não explicado, declaração de ativos e interesses comerciais proibidos, continua pendente de veredicto no Senado.
  • Cabrera alegou a existência de patrimônio não explicado entre P817 milhões e P1,5 bilhão. O Senado não adotou essa estimativa como conclusão.
  • Os artigos sobre fundos confidenciais e graves ameaças foram retirados com prejuízo; o artigo sobre suborno foi retirado sem prejuízo.
  • A defesa questiona a imparcialidade de retirar acusações depois que as provas da acusação foram ouvidas publicamente.
  • A decisão atual do Senado permite a discussão pública dos artigos retirados, mas as proteções de confidencialidade e possíveis restrições impostas por outros tribunais continuam em vigor.
  • A defesa deve começar a apresentar seu caso em 9 de novembro. Duterte nega irregularidades e afirma que não renunciará.
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