Riscos de escassez de água na Coreia do Sul podem se deslocar para a bacia do Geum, aponta estudo do KEI

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South Korea's Water Shortage Risks Could Shift Toward Geum Basin, KEI Study Finds

A bacia do Geum pode responder pela maior parte do déficit projetado

A bacia do rio Geum, na Coreia do Sul, atualmente considerada um dos sistemas hídricos mais seguros do país, pode exigir 782,4 bilhões de won para lidar com um déficit anual de 53,67 milhões de metros cúbicos em um cenário conservador de planejamento climático para 2030. Essa é a maior exposição regional identificada em um estudo do Instituto Coreano do Meio Ambiente (KEI) que questiona para onde o país deve direcionar os gastos com gestão hídrica.

Conteúdo
  1. A bacia do Geum pode responder pela maior parte do déficit projetado
  2. Por que os números oficiais importam
  3. Como as prioridades entre as bacias podem mudar
  4. Yeongsan é o caso de maior divergência
  5. A meta para 2030 por trás do cálculo
  6. O que o modelo climático pode e não pode determinar
  7. Uma conta maior, mas sem compromisso fixo de gastos
  8. Usar melhor a água antes de construir mais
  9. Principais pontos

O relatório sobre gestão hídrica do instituto, elaborado pela pesquisadora sênior Han Hye-jin, estima que seriam necessários compensar déficits anuais de 64,22 milhões de metros cúbicos nas bacias avaliadas, no cenário conservador UA95. Isso custaria aproximadamente 991,9 bilhões de won. No cenário UA65, orientado à eficiência, os números correspondentes são 38,72 milhões de metros cúbicos e 617,2 bilhões de won.

Sozinha, a bacia do Geum representa cerca de 83,6% do déficit hídrico do cenário UA95, calculado a partir de 53,67 milhões de metros cúbicos de um total de 64,22 milhões. A necessidade estimada de investimento corresponde a cerca de 79% do total. Assim, uma bacia sem déficit projetado no cenário de referência, que mantém as condições atuais, torna-se a principal preocupação quando a incerteza climática entra no cálculo.

Os resultados não comprovam que essas carências vão ocorrer. Eles mostram como as prioridades de investimento podem mudar significativamente quando os planejadores deixam de presumir que as condições hídricas do passado continuarão sendo uma referência confiável. Também exigem uma leitura cuidadosa: alguns relatos publicados apresentam totais diferentes e, no caso da bacia do Yeongsan, descrevem uma tendência oposta à do resumo oficial.

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Por que os números oficiais importam

O registro oficial identifica o estudo como Desenvolvimento de métodos de estimativa fiscal para a gestão hídrica em resposta à crise climática, publicado em 2025. O objetivo é desenvolver uma forma de estimar os custos futuros da gestão hídrica diante da incerteza climática, e não apresentar uma única previsão definitiva de gastos.

As estimativas UA65 e UA95 do relatório devem ser mantidas separadas da estimativa mediana descrita em outros relatos. O cenário UA65 é apresentado como uma opção de planejamento orientada à eficiência, enquanto o UA95 é mais conservador. Eles representam diferentes abordagens para o planejamento diante de déficits hídricos incertos, e não resultados distintos já confirmados.

Relatos publicados estimam que a escassez anual mediana em 2030 será de 33,73 milhões ou 33,74 milhões de toneladas, ante uma referência de 4,27 milhões de toneladas. Essa pequena diferença não altera a comparação central: qualquer uma das estimativas medianas é cerca de 7,9 vezes maior que o valor de referência. Ambas ficam abaixo dos números oficiais de compensação de déficits dos cenários UA65 e UA95.

Outro relato estima a escassez mais alta em 68,49 milhões de toneladas e o custo da resposta em 1,16 trilhão de won. Esses números diferem dos totais UA95 do resumo oficial: 64,22 milhões de metros cúbicos e aproximadamente 991,9 bilhões de won. A diferença é grande demais para ser atribuída a arredondamentos, e sua causa não foi esclarecida.

As unidades também variam entre os relatos. O resumo oficial usa metros cúbicos, uma medida de volume, enquanto os relatos publicados usam toneladas, uma medida de massa. Um metro cúbico de água doce pesa aproximadamente uma tonelada, portanto as quantidades são amplamente comparáveis. Essa conversão não explica a divergência entre os totais.

Como as prioridades entre as bacias podem mudar

Historicamente, as maiores carências de água para uso doméstico e industrial se concentravam no sudoeste. Dados atribuídos ao Primeiro Plano Nacional Diretor de Gestão da Água, de 2023, apontam que, durante a pior seca histórica, a escassez foi de 4,7 milhões de toneladas nas bacias do Yeongsan e do Seomjin juntas, 1,2 milhão de toneladas na bacia do Han, 600 mil toneladas na do Nakdong e 100 mil toneladas na do Geum.

A avaliação do KEI altera essa ordem. A bacia do Geum não apresenta déficit no cenário de referência, mas o déficit anual sobe para 28,97 milhões de metros cúbicos no UA65 e 53,67 milhões no UA95. A necessidade estimada de investimento passa de zero para 422,3 bilhões de won ou 782,4 bilhões de won, respectivamente.

A bacia do Han também enfrenta uma necessidade maior de recursos. O resumo oficial estima custos de 146,4 bilhões de won nos cenários climáticos, ante 22 bilhões de won no cenário de referência, um aumento de cerca de 6,7 vezes. Outro relato aponta 168,4 bilhões de won e diz que a escassez anual subiria de 570 mil toneladas para 7,21 milhões de toneladas. Essas estimativas de custo não devem ser tratadas como equivalentes.

Na bacia do Nakdong, relatos apontam aumento da escassez anual de 320 mil para 1,25 milhão de toneladas, com custos subindo de 1,1 bilhão para 25,8 bilhões de won. O resumo oficial não apresenta dados correspondentes para o Nakdong, portanto não é possível comparar esses números com seu balanço regional.

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Yeongsan é o caso de maior divergência

O resumo oficial afirma que a escassez de água e as necessidades de investimento na bacia do Yeongsan diminuem nos cenários climáticos. O investimento estimado cai de 112,2 bilhões de won no cenário de referência para 31 bilhões de won no UA65 ou 37,1 bilhões de won no UA95. Esses números indicam reduções de aproximadamente 72% e 67%, respectivamente.

Isso contrasta diretamente com um relato que descreve o aumento da escassez no Yeongsan, de 2,19 milhões para 4,53 milhões de toneladas, e dos custos de resposta, de 112,2 bilhões para 149,2 bilhões de won. Uma versão aponta melhora; a outra, um déficit maior e uma conta mais alta. O resumo oficial sustenta a redução, mas a razão da divergência entre os relatos continua sem explicação.

A distinção importa porque complexos industriais de semicondutores estão sendo construídos na região de Jeonnam e Gwangju, associada à bacia do Yeongsan. Um déficit regional menor nos modelos não basta, por si só, para comprovar que todos os empreendimentos industriais terão abastecimento adequado. Essas estimativas dizem respeito ao planejamento da bacia e não substituem a avaliação da demanda de um projeto específico.

Para o Seomjin, relatos apontam um aumento menor, de 280 mil para 360 mil toneladas, com os custos passando de 32,8 bilhões para 33,6 bilhões de won. O resumo oficial não traz detalhes suficientes sobre o Seomjin para verificar esses números nem para concluir que sua escassez necessariamente diminuirá. Portanto, a reversão mais bem documentada é a ascensão do Geum como principal risco, junto com a estimativa oficial de redução das necessidades de investimento no Yeongsan.

A meta para 2030 por trás do cálculo

O déficit de referência está ligado a uma meta de política pública: elevar todas as cinco bacias avaliadas ao grau 1 de segurança do abastecimento de água até 2030. O sistema de classificação descreve a resiliência de um sistema de abastecimento diante de secas, sendo o grau 1 uma condição de alta segurança, com escassez quase inexistente.

As classificações iniciais relatadas variam. Han e Geum estão no grau 1, Seomjin no grau 2, Nakdong no grau 3, e Yeongsan é descrita como abaixo do grau. O Plano de Gestão de Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas estabelece a meta de alcançar o grau 1 nas cinco bacias.

Mesmo sem ajuste climático, a diferença anual estimada para atingir essa meta é de 4,27 milhões de toneladas. Com o consumo médio diário informado de 308 litros por pessoa, esse volume equivale aproximadamente ao uso anual de água de 38 mil pessoas. Uma estimativa climática mediana de cerca de 33,7 milhões de toneladas equivale ao consumo anual de aproximadamente 300 mil pessoas. São comparações de volume, não previsões de que esse número de moradores ficará sem abastecimento.

As datas e os marcos de planejamento relevantes são:

  • 2023: O Primeiro Plano Nacional Diretor de Gestão da Água apresenta os dados de escassez durante secas históricas usados na comparação.
  • 2025: O KEI publica o estudo de estimativas fiscais, identificado nos relatos como uma publicação de dezembro.
  • 31 de maio de 2026: Relatos publicados apresentam a escassez mediana projetada para 2030 e a faixa estimada de investimentos.
  • 11 de outubro de 2026: Outro relato apresenta dados detalhados das bacias, alguns diferentes dos que constam no resumo oficial.
  • 2030: Ano da meta de alcançar o grau 1 de segurança do abastecimento de água nas cinco bacias.
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O que o modelo climático pode e não pode determinar

A avaliação-piloto usa um modelo e duas trajetórias climáticas, RCP 2.6 e RCP 8.5. RCP é a sigla em inglês para Trajetória Representativa de Concentração, uma estrutura que descreve diferentes trajetórias de concentração de gases de efeito estufa e seus impactos no aquecimento. RCP 2.6 representa uma trajetória de emissões menores, enquanto RCP 8.5 representa uma muito mais elevada.

Relatos sobre o estudo descrevem um cálculo mediano que combina as duas trajetórias, com concentrações atmosféricas de dióxido de carbono de aproximadamente 420 partes por milhão e 940 partes por milhão até 2100. Essas trajetórias de longo prazo orientam a avaliação; as carências hídricas discutidas aqui são estimativas para 2030, não para o fim do século.

A questão metodológica é a não estacionariedade provocada pelas mudanças climáticas. Em termos simples, os padrões estatísticos do passado podem deixar de permanecer constantes. Um sistema hídrico planejado com base em chuvas, vazões de rios e frequência de secas históricas pode enfrentar condições que não foram consideradas nas premissas originais.

Isso ajuda a explicar como uma bacia considerada segura hoje pode apresentar um grande déficit futuro em um modelo. Uma classificação atual de segurança descreve o desempenho nas condições usadas para avaliá-la. Não é garantia de que as mesmas estruturas de abastecimento manterão o mesmo padrão diante de um clima em transformação.

O KEI ressalta que, no estudo-piloto, o método é mais importante do que a precisão das estimativas de custo. O uso de um modelo e duas trajetórias limita o grau de confiança com que qualquer número isolado pode ser tratado como previsão. O estudo defende testar uma gama mais ampla de condições, em vez de considerar inevitável sua estimativa mais alta.

Uma conta maior, mas sem compromisso fixo de gastos

O valor de referência mais preciso divulgado para investimentos é de 168,08 bilhões de won. Os investimentos ajustados ao clima são estimados entre 617,18 bilhões e 991,93 bilhões de won, em linha com os valores arredondados do resumo oficial: 617,2 bilhões e 991,9 bilhões de won.

Com base nesses números, a necessidade estimada sobe para cerca de 3,7 a 5,9 vezes o valor de referência. Essa comparação é diferente do aumento de quase oito vezes na escassez mediana de água. Os volumes de água e os custos de resposta não aumentam na mesma proporção, pois os custos dependem das medidas adotadas e de onde elas serão aplicadas.

Segundo relatos, a avaliação aplica medidas de resposta em sequência, começando pelas opções menos caras. Portanto, os totais representam os custos estimados para lidar com os déficits seguindo uma sequência presumida de ações. Não são dotações anunciadas, orçamentos de obras aprovados nem evidência de que o governo se comprometeu a gastar o valor integral.

A concentração dos custos do cenário UA95 no Geum também muda o significado do total nacional. Um orçamento distribuído de acordo com as classificações históricas de escassez poderia deixar de contemplar a maior necessidade futura projetada pelo modelo. Por outro lado, uma estimativa menor para o Yeongsan não justifica ignorar sua classificação atual de baixa segurança. O planejamento precisa levar em conta tanto a vulnerabilidade existente quanto as possíveis mudanças.

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Usar melhor a água antes de construir mais

Han Hye-jin, pesquisadora sênior responsável pelo estudo, recomenda reduzir custos irrecuperáveis e ampliar a adaptabilidade diante da alta incerteza climática. Custos irrecuperáveis são valores já gastos que não podem ser recuperados facilmente, uma preocupação quando grandes obras de infraestrutura são planejadas com base em premissas que depois se mostram equivocadas.

As medidas iniciais que ela propõe são a gestão da demanda, o reúso de esgoto e águas residuais e a revisão das outorgas de água em comparação com o uso real. Essas medidas buscam aproveitar melhor a água já assegurada. Ela recomenda avaliar cuidadosamente a construção de novas barragens, diques e reservatórios, em vez de tratá-la como resposta automática.

Os pesquisadores também defendem um sistema nacional de planejamento que possa ser revisado à medida que as condições e as evidências mudarem. A recomendação concilia a necessidade de consistência nacional com a avaliação das diferenças entre as bacias:

"É preciso desenvolver um cenário nacional padronizado de projeção futura da gestão hídrica e elaborar um mapa nacional dos riscos climáticos e hídricos", afirmaram os pesquisadores.

Uma projeção nacional atualizada periodicamente poderia oferecer aos órgãos públicos uma base comum para comparar necessidades futuras. Um mapa de riscos climáticos e hídricos poderia ajudar a identificar onde essas necessidades se concentram. As propostas continuam sendo recomendações do estudo; não há definição aqui de data de adoção, decisão de financiamento ou cronograma para a elaboração do mapa.

A principal conclusão, portanto, é mais específica do que uma previsão de escassez em todo o país. As premissas climáticas podem mudar a distribuição geográfica dos riscos hídricos e os gastos necessários para cumprir uma meta de segurança já estabelecida. Os números oficiais apontam principalmente para o Geum, enquanto as divergências entre relatos regionais e o escopo limitado da modelagem-piloto reduzem a certeza das previsões precisas.

Principais pontos

  • O KEI estima que seria necessário compensar déficits anuais de 38,72 milhões de metros cúbicos no UA65 e 64,22 milhões no UA95.
  • As estimativas oficiais de custo são de aproximadamente 617,2 bilhões a 991,9 bilhões de won, e não 1,16 trilhão de won, como informa outro relato.
  • O Geum responde por cerca de 83,6% do déficit UA95 e exige um investimento estimado de 782,4 bilhões de won.
  • O resumo oficial projeta menor necessidade de investimento no Yeongsan, ao contrário de um relato que descreve um aumento.
  • A escassez mediana divulgada para 2030 é de cerca de 33,7 milhões de toneladas, quase oito vezes o valor de referência de 4,27 milhões de toneladas.
  • O estudo-piloto usa um modelo e duas trajetórias climáticas; o KEI alerta que as estimativas não devem ser tratadas como previsões precisas.
  • Os pesquisadores recomendam aproveitar melhor a água existente, adotar um planejamento flexível das bacias e atualizar regularmente as projeções nacionais.
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