Talibãs detêm 52 mulheres e uma menina por regras de vestimenta, diz ONU

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Taliban Detain 52 Women and One Girl Over Dress Rules, UN Says

Prisões verificadas em Cabul e Herat

Autoridades talibãs prenderam ou detiveram pelo menos 52 mulheres e uma menina em Cabul e Herat entre julho e setembro de 2026 por supostas violações que incluíam usar lenços coloridos ou maquiagem, deixar o cabelo à mostra ou aparecer em público sem um guardião masculino, informou a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) em 8 de outubro.

Conteúdo
  1. Prisões verificadas em Cabul e Herat
  2. O que motivou as detenções?
  3. Detenções breves podem ter consequências duradouras
  4. Prisões em junho levaram a um protesto mortal
  5. As regras e os limites do uso da força policial
  6. Obrigações relativas aos direitos humanos e relatos divergentes sobre mandados
  7. Quase 6,5 milhões de pessoas que retornaram enfrentam desafios para reconstruir a vida
  8. Trabalho, moradia e documentos continuam escassos
  9. O que ainda não foi estabelecido
  10. Principais pontos

As mulheres foram libertadas após várias horas, segundo a missão. Outras foram ameaçadas de prisão. A UNAMA alertou que o número de casos verificados pode estar abaixo da dimensão real da aplicação das regras, pois preocupações com a própria segurança e o estigma social impedem que alguns incidentes sejam denunciados.

Em sua declaração de 8 de outubro, a UNAMA disse estar "gravemente preocupada" com prisões, detenções e ameaças contra mulheres e meninas em várias áreas do Afeganistão. A missão também relatou ofensas verbais, espancamentos e ameaças contra mulheres, incluindo comerciantes.

As constatações vêm após prisões em Herat em junho e um protesto no qual autoridades teriam aberto fogo. Também ocorrem enquanto o Afeganistão recebe quase 6,5 milhões de pessoas que voltaram do Irã e do Paquistão desde 2023, muitas delas enfrentando desemprego, moradia inadequada e falta de documentos.

Os talibãs não responderam de imediato à declaração mais recente da UNAMA. A missão pediu às autoridades que interrompam a aplicação discriminatória das regras e respeitem as obrigações do Afeganistão perante o direito internacional dos direitos humanos.

O que motivou as detenções?

A UNAMA identificou vários motivos alegados para as detenções: não usar chador, deixar o cabelo visível, usar lenços coloridos ou maquiagem e sair sem um mahram. Chador é uma peça de roupa que cobre o corpo, enquanto mahram é um guardião ou acompanhante masculino.

A lista mostra que a aplicação das regras vai além das roupas e afeta a possibilidade de as mulheres circularem sozinhas em espaços públicos. A UNAMA não informou quantas mulheres foram detidas por cada suposta violação nem como os 53 casos verificados se dividiram entre Cabul e Herat.

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A missão descreveu os incidentes como prisões ou detenções, sem distinguir as duas categorias em sua contagem. A declaração não detalha acusações formais, processos judiciais nem as circunstâncias exatas de cada libertação. Portanto, o número verificado registra pessoas submetidas à aplicação das regras, e não um total divulgado de processos ou condenações.

A libertação após várias horas limita as conclusões possíveis sobre o tempo de custódia. Isso não elimina as preocupações com os motivos das detenções ou com o tratamento recebido pelas mulheres antes de serem autorizadas a sair.

Detenções breves podem ter consequências duradouras

A UNAMA afirmou que essas práticas violam os direitos de mulheres e meninas à liberdade de circulação, à expressão e à autonomia. Esses direitos dizem respeito à possibilidade de viajar, expressar escolhas pessoais e tomar decisões sobre a própria vida sem interferência injustificada.

A missão também alertou que prisões e detenções expõem mulheres e meninas a grave estigma social e a mais exclusão. Essa preocupação ajuda a explicar por que um número mínimo verificado não necessariamente reflete a dimensão total da aplicação das regras: mulheres que temem as consequências de denunciar um incidente podem nunca entrar na contagem documentada.

Ameaças de prisão são relevantes mesmo quando não há detenção. Uma mulher pode evitar uma loja, o local de trabalho ou uma viagem por medo de ser abordada, ainda que as autoridades nunca a levem sob custódia. A UNAMA registrou ameaças, mas não divulgou quantas mulheres foram afetadas por elas.

A inclusão de comerciantes relaciona os abusos relatados à capacidade das mulheres de ganhar a vida. A missão não quantificou quantas comerciantes foram ameaçadas ou espancadas, nem calculou perdas comerciais. Ainda assim, sua declaração identifica mulheres envolvidas em atividades comerciais cotidianas entre as pessoas intimidadas.

Prisões em junho levaram a um protesto mortal

As constatações mais recentes vêm após um confronto anterior em Herat. Especialistas independentes da ONU em direitos humanos disseram que dezenas de mulheres foram detidas em 6 e 7 de junho de 2026 por supostas violações de uma ordem sobre vestimentas femininas. As exigências relatadas incluíam o uso de burca ou chador com máscara facial, além da proibição de perfume.

Em 9 de junho, homens, mulheres e crianças se reuniram para protestar contra as restrições e detenções. Em sua declaração sobre Herat, os especialistas disseram que autoridades teriam aberto fogo e espancado manifestantes.

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Os relatos divergem quanto às vítimas. O relato anterior da UNAMA mencionou pelo menos um menino morto a tiros na área de Jibreil, em Herat, e várias outras pessoas feridas. Os especialistas independentes informaram pelo menos duas mortes, incluindo a de um menino, e mais de 20 feridos. Os diferentes números mínimos não podem ser tratados como equivalentes, e não foi anunciada nenhuma conciliação entre eles.

Relatos sobre as constatações da UNAMA em junho também apontaram que pelo menos 30 mulheres foram presas em Herat, enquanto dezenas de outras receberam advertências verbais. Esse número se refere a um período diferente dos casos de 52 mulheres e uma menina documentados entre julho e setembro. Ele não deve ser usado para calcular uma tendência sem informações comparáveis sobre denúncias e verificação.

A sequência dos eventos documentados é:

  • 6 e 7 de junho de 2026: Dezenas de mulheres teriam sido detidas em Herat por supostas violações das regras de vestimenta.
  • 9 de junho: Manifestantes protestaram contra as restrições e detenções; autoridades teriam usado armas de fogo e espancamentos.
  • Julho a setembro: A UNAMA verificou a prisão ou detenção de pelo menos 52 mulheres e uma menina em Cabul e Herat.
  • 8 de outubro: A UNAMA publicou suas constatações mais recentes e pediu o fim da aplicação discriminatória das regras.

As regras e os limites do uso da força policial

O Ministério da Propagação da Virtude e Prevenção do Vício aplica as regras dos talibãs sobre vestimentas e conduta em público. O marco legal é a Lei de Propagação da Virtude e Prevenção do Vício, que concede amplos poderes de fiscalização aos agentes da moralidade.

Desde que voltaram ao poder em 2021, enquanto as forças lideradas pelos Estados Unidos se retiravam, os talibãs impuseram amplas restrições à educação, ao emprego e à circulação das mulheres. Meninas e mulheres estão proibidas de estudar além do ensino fundamental. As exigências para se vestir em público incluem lenço na cabeça, uma peça longa que cubra o corpo e cobertura facial.

Os talibãs afirmam que suas regras refletem sua interpretação da lei islâmica e da cultura afegã. A objeção da ONU diz respeito tanto às próprias restrições quanto ao uso de poderes coercitivos para aplicá-las.

Entre os especialistas independentes que se manifestaram sobre a violência de junho estavam Richard Bennett, relator especial sobre a situação dos direitos humanos no Afeganistão, e Reem Alsalem, relatora especial sobre violência contra mulheres e meninas. Eles explicaram os limites legais da atuação policial:

O uso da força na aplicação da lei é estritamente limitado pelo direito internacional", disseram os especialistas. "Só é permitido quando é legal, necessário e proporcional à ameaça contra os agentes ou outras pessoas, e quando respeita os princípios de precaução, não discriminação e responsabilização.

Os especialistas reconheceram relatos de que alguns manifestantes atiraram pedras. Disseram que essas ações, por si só, não atingiriam o rigoroso patamar exigido para o uso de força letal. Pediram uma investigação independente, imparcial e transparente, capaz de determinar se a força letal era necessária para proteger vidas e identificar responsabilidades ao longo da cadeia de comando.

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Obrigações relativas aos direitos humanos e relatos divergentes sobre mandados

Os especialistas que se manifestaram em junho disseram que a detenção por violações das regras de vestimenta pode ser arbitrária e ilegal, pois parece punir o exercício da liberdade de expressão pelas mulheres e seu direito de não sofrer discriminação de gênero. Uma detenção arbitrária é aquela que não tem justificativa legal adequada ou viola direitos fundamentais, mesmo quando as autoridades invocam uma regra nacional.

Eles citaram as obrigações do Afeganistão perante o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, a Convenção contra a Tortura e a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres. Segundo eles, os talibãs, como autoridades que exercem o controle, devem cumprir os tratados dos quais o Afeganistão é parte.

Relatos separados descrevem medidas do Tribunal Penal Internacional contra altos funcionários talibãs, mas divergem quanto à data e ao número de mandados. Um relato afirma que quatro mandados foram emitidos no início da semana de 8 de outubro. Outro diz que dois mandados adicionais foram tornados públicos naquela semana, somando-se aos mandados já existentes contra o líder talibã Hibatullah Akhundzada e o chefe da Suprema Corte, Abdulhakim Haqani.

Essas descrições não devem ser combinadas em uma afirmação de que quatro novos mandados foram emitidos naquela semana. Ambas relacionam a atuação do tribunal a supostos crimes contra a humanidade que envolvem a privação dos direitos de mulheres e meninas. Os nomes dos dois funcionários adicionais não são especificados nesses relatos.

Um mandado de prisão não é uma condenação. Os talibãs rejeitaram a medida do tribunal, classificando-a como motivada politicamente e uma violação da soberania do Afeganistão. Essa resposta ao TPI é distinta da ausência de uma resposta imediata à declaração da UNAMA de 8 de outubro.

Quase 6,5 milhões de pessoas que retornaram enfrentam desafios para reconstruir a vida

Junto com as constatações sobre as prisões, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) publicou dados sobre afegãos que voltaram do Irã e do Paquistão. Quase 6,5 milhões retornaram desde 2023, segundo o informe da ONU de outubro, que apresentou o Panorama de Resiliência das Pessoas Retornadas da agência.

O panorama analisa famílias de pessoas sem documentos que retornaram e indivíduos que estavam no Afeganistão havia pelo menos oito meses após a chegada. Assim, os dados ajudam a avaliar se as pessoas conseguem reconstruir a vida depois do retorno inicial, e não apenas suas necessidades imediatas na fronteira.

Mihyung Park, chefe da missão da OIM no Afeganistão, descreveu a dimensão do desafio:

"O Afeganistão está recebendo pessoas que retornam em uma escala e ritmo que exigem apoio contínuo para além do momento da chegada", disse Mihyung Park.

Na população avaliada, 82% retornaram em família, com uma média de 6,1 pessoas por família. Crianças menores de 18 anos representavam 58%. Esses dados apontam para necessidades consideráveis de moradia para famílias, escolarização e serviços essenciais.

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As estatísticas sobre quem retornou são distintas da contagem de detenções da UNAMA. Elas não mostram quantas pessoas que voltaram foram abordadas por causa das regras de vestimenta, nem se alguma das mulheres detidas havia retornado recentemente do Irã ou do Paquistão.

Trabalho, moradia e documentos continuam escassos

Entre as pessoas que retornaram e tinham 14 anos ou mais, 53% não haviam concluído nenhuma etapa de ensino, metade não tinha experiência especializada e 69% não haviam trabalhado nos 30 dias anteriores à entrevista. O dado sobre emprego mede o trabalho recente, não uma exclusão permanente do mercado de trabalho, mas mostra quantas pessoas estavam reconstruindo a vida sem renda recente.

As condições de moradia também eram difíceis. Abrigos temporários acomodavam 77% das pessoas avaliadas, enquanto 51% não tinham espaço suficiente para viver. São medidas diferentes: o tipo de acomodação, por si só, não determina se uma família tem espaço suficiente.

Apenas 21% das pessoas entrevistadas como representantes de suas famílias disseram que todos os integrantes tinham documentos. Separadamente, 43% não tinham os documentos necessários para acessar os serviços pertinentes. Essas porcentagens não devem ser tratadas como opostas, pois ter documentação completa para todos os integrantes da família e possuir os documentos exigidos para um serviço específico são critérios diferentes.

Park explicou o que a OIM considera necessário para uma recuperação duradoura:

As constatações mostram que muitas pessoas que retornaram pretendem ficar e reconstruir a vida, mas sua capacidade de fazer isso depende do acesso a meios de subsistência, moradia segura, documentação e serviços essenciais, além do apoio às comunidades que as recebem.

A OIM pediu assistência contínua às pessoas que retornaram e às comunidades que as recebem, incluindo oportunidades de trabalho, moradia, apoio para obter documentos e serviços básicos. A abordagem se concentra nos lugares onde as pessoas se estabelecem, em vez de limitar a assistência ao momento da chegada.

O que ainda não foi estabelecido

As duas constatações da ONU revelam uma tensão prática. Quem retorna precisa ter acesso a trabalho e serviços, enquanto as restrições à circulação e à presença das mulheres em público limitam sua capacidade de buscar essas mesmas necessidades. Os dados não medem o efeito direto da aplicação das regras de vestimenta sobre as famílias que retornaram, portanto essa relação não pode ser expressa em perdas financeiras ou na quantidade de serviços não acessados.

A UNAMA não publicou uma contagem completa de ameaças, uma divisão das detenções mais recentes por cidade nem históricos de casos individuais. Os números de vítimas dos confrontos de junho também continuam divergindo entre os relatos. Não foram divulgadas conclusões da investigação independente solicitada pelos especialistas em direitos humanos.

Os especialistas pediram a libertação das pessoas detidas, proteção contra maus-tratos, acesso a atendimento médico para os feridos e o fim das buscas nas casas das pessoas. A declaração de outubro da UNAMA pede que cesse a aplicação discriminatória das regras. Nenhuma das duas declarações estipula prazo para cumprimento ou anuncia uma data para audiência.

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A distinção imediata é entre libertação e mudança na aplicação das regras. A UNAMA afirma que as mulheres foram libertadas após várias horas, mas também documenta ameaças e abusos. Portanto, sua exigência vai além de encerrar períodos individuais de custódia: busca pôr fim às práticas que punem mulheres e meninas por suas escolhas de vestuário e por circularem em público.

Principais pontos

  • A UNAMA verificou que pelo menos 52 mulheres e uma menina foram presas ou detidas em Cabul e Herat entre julho e setembro de 2026.
  • As supostas violações incluíam deixar o cabelo à mostra, usar lenços coloridos ou maquiagem, não usar chador e aparecer sem um guardião masculino.
  • As mulheres foram libertadas após várias horas; a UNAMA alertou que o medo e o estigma podem ocultar outros casos.
  • Protestos em Herat em junho ocorreram após detenções anteriores. Os relatos divergem entre pelo menos uma morte e pelo menos duas.
  • Representantes da ONU e especialistas independentes pediram o fim da aplicação discriminatória das regras e a responsabilização por supostos abusos.
  • Os relatos divergem sobre se quatro mandados do TPI foram emitidos naquele período ou se dois foram tornados públicos junto a dois mandados já existentes.
  • Quase 6,5 milhões de afegãos retornaram do Irã e do Paquistão desde 2023. A OIM documentou grandes lacunas no acesso a trabalho, moradia e documentos necessários para obter serviços.
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