Aprovação presidencial transfere poder provincial ao governador
O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, teria aprovado medidas de emergência e o governo do governador em Khyber Pakhtunkhwa, com base nos artigos 232 e 234 da Constituição, após recomendação do primeiro-ministro Shehbaz Sharif. O anúncio presidencial, segundo relatos, torna as medidas imediatamente efetivas e transfere a autoridade executiva do governo provincial eleito.
Conteúdo
- Aprovação presidencial transfere poder provincial ao governador
- O que muda com o anúncio presidencial
- Duas medidas constitucionais e o envio de militares
- Como a decisão se desenvolveu
- Quem vai administrar a província e os 12 distritos?
- O que os números sobre terrorismo demonstram
- Drones, explosivos e lacunas na capacidade policial
- Autoridades prometem segurança sem deslocamentos em massa
- Resistência da oposição reúne vários partidos
- Fracasso das negociações e acusações contestadas agravam o confronto
- Aprovação parlamentar é a próxima etapa anunciada
- Pontos principais
O novo arranjo coloca o governador Faisal Karim Kundi no centro da administração provincial, com o apoio de um conselho consultivo de 11 membros. Ministros federais também anunciaram uma secretaria separada para 12 distritos e o envio de militares, com base no artigo 245, para ajudar a manter a lei e a ordem.
O governo fundamenta a decisão no agravamento do terrorismo e no que descreve como incapacidade da administração provincial de responder com eficácia. Dois relatórios de segurança apresentados ao gabinete federal teriam registrado um aumento de 195% nos incidentes terroristas entre 1º de março de 2024 e 23 de setembro de 2026. Separadamente, o ministro da Justiça, senador Azam Nazeer Tarar, citou um aumento de 196% no terrorismo e no extremismo ao longo de aproximadamente dois anos e meio.
Figuras da oposição rejeitam a intervenção como solução tanto para a crise de segurança quanto para o confronto político em torno de uma marcha longa do Pakistan Tehreek Insaf (PTI). Várias defenderam negociações em seu lugar. Os relatos não estabelecem uma data exata para a proclamação presidencial, não apresentam seu texto integral nem definem uma data confirmada para o fim do novo arranjo.
O que muda com o anúncio presidencial
De acordo com o comunicado atribuído à Presidência, aumentaram os ataques a instalações do governo, à infraestrutura e às forças de segurança, colocando vidas e propriedades em sério risco. O comunicado afirma que, nas circunstâncias atuais, não é possível governar a província de acordo com a Constituição.
O anúncio, segundo relatos, permite que o governo federal determine que o governador assuma todas ou parte das responsabilidades provinciais. Também permite que ele exerça poderes pertencentes às instituições e autoridades provinciais, com a assembleia provincial expressamente excluída dessa transferência de poderes.
O ministro-chefe, os ministros provinciais, os assessores, os assistentes especiais e o procurador-geral teriam de deixar seus cargos imediatamente. Tarar disse que o governo chefiado pelo ministro-chefe havia chegado ao fim e que os poderes do ministro-chefe, do gabinete e dos assessores haviam passado ao governador.
A ressalva sobre a assembleia é importante. O anúncio, segundo relatos, não diz que os poderes da assembleia foram transferidos a Kundi, e não deve ser interpretado como confirmação de que o Legislativo foi dissolvido. Seu papel prático no novo arranjo não foi explicado em detalhes.
Duas medidas constitucionais e o envio de militares
O estado de emergência e o governo do governador são mecanismos constitucionais relacionados, mas distintos. O artigo 232 trata da proclamação de estado de emergência, enquanto o artigo 234 trata da falha do governo constitucional em uma província e permite a intervenção federal na administração provincial. Invocar ambos combina uma declaração de emergência com uma mudança em quem exerce a autoridade executiva provincial.
O gabinete, presidido por Sharif em Islamabad, analisou informes de segurança antes de recomendar que o primeiro-ministro aconselhasse o presidente a agir com base nos dois artigos. A recomendação foi então enviada do Gabinete do Primeiro-Ministro à Presidência. Relatos posteriores dizem que Zardari a assinou após fracassarem as negociações envolvendo delegações do governo.
Tarar também anunciou que tropas foram enviadas com base no artigo 245 para ajudar o governador a manter a lei e a ordem. Essa disposição trata da atuação das Forças Armadas em apoio ao poder civil. O anúncio não especifica o número de militares, os locais de envio nem um cronograma operacional detalhado.
O ministro da Justiça descreveu a intervenção como constitucional. Shaukat Yousafzai, secretário de informação do PTI na província, contestou a autoridade do governo federal para impor um estado de emergência e argumentou que isso não resolveria a crise. São posições políticas e jurídicas divergentes; não foi mencionada nenhuma decisão judicial que resolva a disputa.
Como a decisão se desenvolveu
Declarações anteriores mostram que o alcance da intervenção ainda estava em discussão antes de o gabinete agir. Kundi disse inicialmente que nenhuma decisão oficial havia sido tomada e que o gabinete decidiria no dia seguinte se imporia o estado de emergência, o governo do governador ou ambos. Ele afirmou que o governo do governador abrangeria toda a província, enquanto o estado de emergência poderia se limitar a algumas áreas.
Os relatos posteriores descrevem um resultado mais amplo: medidas de emergência e governo do governador em toda Khyber Pakhtunkhwa, além de uma estrutura administrativa separada para distritos selecionados. A sequência relatada é a seguinte:
- Antes da aprovação pelo gabinete, Kundi disse que a forma e o alcance geográfico da intervenção ainda não haviam sido decididos.
- O gabinete federal analisou relatórios de segurança em Islamabad e recomendou medidas com base nos artigos 232 e 234.
- Sharif enviou sua recomendação a Zardari, que, segundo relatos, a assinou após o fracasso das negociações.
- A Presidência teria anunciado a implementação imediata.
- Ministros federais anunciaram o conselho consultivo, a secretaria distrital e o apoio militar.
- Tarar disse que reuniões parlamentares seriam convocadas nos próximos dias para aprovar as medidas.
Como as declarações usam referências relativas, como hoje e amanhã, sem uma data de publicação consistente, essa sequência é mais confiável do que atribuir uma data precisa a cada etapa.
Quem vai administrar a província e os 12 distritos?
O conselho consultivo de 11 membros deve conduzir os assuntos do governo sob a supervisão de Kundi. O ministro da Informação, Attaullah Tarar, nomeou seus integrantes e os descreveu como especialistas técnicos, embora o relato publicado não informe a pasta de cada membro.
As responsabilidades informadas são:
- Tariq Mahmood Pasha: finanças.
- Aamir Javed: Justiça.
- Dr Syed Aamir Abdullah: educação.
- Tenente-general da reserva Nigar Johar: saúde.
- Dr Sarfaraz Ali Shah: minas e minerais.
- Dr Muhammad Irshad: indústria e comércio.
- Asif Rafiq Afridi: comunicação e obras públicas.
- Tayyab Qureshi: assuntos religiosos.
- Usman Saifullah Khan: energia.
- Samar Haroon Bilour: informação e radiodifusão.
- Kifayatullah Khan: integrante anunciado, sem pasta especificada no relato.
A secretaria separada funcionará sob a autoridade do governador e do secretário-chefe, segundo o ministro da Justiça. Ele disse que os 12 distritos em questão ficariam diretamente sob autoridade federal. O relato inicial os identifica como oito distritos associados às antigas Áreas Tribais Administradas Federalmente, além de Dera Ismail Khan, Lakki Marwat, Karak e Kohat.
Os oito distritos não são nomeados individualmente. Portanto, não é possível determinar completamente os limites administrativos da nova secretaria apenas com base nessa descrição. Também não foi explicado como suas responsabilidades serão divididas entre as autoridades federais, o governador, o secretário-chefe e o conselho consultivo.
O que os números sobre terrorismo demonstram
O gabinete teria recebido dois relatórios especiais de segurança da polícia de Khyber Pakhtunkhwa e de agências de inteligência. Eles apontaram o aumento do terrorismo nos dois anos anteriores e criticaram a abordagem do governo provincial em relação a militantes e seus apoiadores no Afeganistão.
Os relatórios atribuíram a deterioração à preparação insuficiente, à falta de atenção e à ausência de medidas antiterroristas eficazes. Essas avaliações são conclusões das agências de segurança, não constatações independentes sobre as intenções do governo provincial. O gabinete foi além e acusou a administração provincial de se distanciar deliberadamente do combate ao terrorismo.
A principal divergência numérica é pequena, mas deve ser mantida. O relatório de segurança aponta um aumento de 195% entre 1º de março de 2024 e 23 de setembro de 2026. Tarar fala em 196% ao longo de aproximadamente dois anos e meio e menciona terrorismo e extremismo em conjunto. A diferença pode decorrer de arredondamento, abrangência ou período de comparação, mas não foi explicada.
Um aumento de 195% significaria que o número de incidentes chegou a 2,95 vezes o nível inicial, se a comparação usar a mesma base. Um aumento de 196% significaria 2,96 vezes esse nível. Nenhum dos relatos informa os totais inicial e final, o que impede conferir o cálculo ou comparar as duas afirmações com precisão.
O relatório de segurança também afirma que a polícia e as instituições de segurança foram alvo de 73% dos ataques terroristas registrados em 2026. Isso indica que quase três quartos dos ataques foram dirigidos às forças responsáveis por enfrentar a ameaça. Os relatos não apresentam um total comparável de vítimas civis, agentes de segurança mortos ou ataques em cada distrito.
Drones, explosivos e lacunas na capacidade policial
Os números divulgados apontam não apenas para o aumento dos incidentes, mas também para mudanças nos métodos de ataque. Segundo o informe de segurança, nenhum ataque com drones contra a polícia ou instituições de segurança foi registrado em 2024. O número chegou a 170 em 2026, e o relatório também menciona um aumento de aproximadamente 107% em um ano.
O número anterior usado para calcular esse percentual anual não foi informado. Os dados sustentam o alerta do relatório de que os drones se tornaram uma preocupação crescente para a segurança, mas não estabelecem uma série anual completa nem mostram quantos ataques causaram vítimas.
Os artefatos explosivos improvisados, conhecidos pela sigla IED, continuam sendo outra grande ameaça. São bombas montadas fora da indústria militar convencional e que podem ser escondidas ao longo de estradas ou perto de alvos. O relatório registra 181 ataques com IEDs em 2025 e 159 até setembro de 2026.
O total parcial de 2026 equivale a cerca de 88% do total de todo o ano de 2025, segundo o cálculo de 159 dividido por 181. Seria enganoso descrever o número menor como uma queda anual, porque os períodos de apuração são diferentes. Os dados mostram que um número substancial de ataques com explosivos já havia ocorrido antes do fim do ano.
Os relatórios de segurança pediram o reforço da capacidade policial e das forças de segurança para responder a esses métodos. Também observaram que o projeto Safe City, previsto para Khyber Pakhtunkhwa, continuava restrito a Peshawar. Os novos anúncios administrativos não especificam financiamento, compra de equipamentos, metas de treinamento nem cronograma para ampliar o projeto a outras áreas da província.
Autoridades prometem segurança sem deslocamentos em massa
O senador Rana Sanaullah, assessor especial do primeiro-ministro para assuntos políticos, disse que as medidas de emergência e o governo do governador poderiam continuar por tempo indeterminado. Seu comentário sinaliza a disposição do governo de manter o arranjo, mas não substitui a publicação de um prazo nem a explicação dos requisitos constitucionais para aprovação e prorrogação.
Ele também disse que não haverá uma grande operação militar nem deslocamento de moradores. As operações baseadas em informações de inteligência continuarão, afirmou, enquanto o novo arranjo provincial corrigirá deficiências na administração civil. Essas garantias diferenciam a abordagem anunciada de uma campanha que obrigue moradores a deixar suas casas, embora os relatos não apresentem um plano operacional detalhado.
Kundi pediu aos moradores que evitem infringir a lei, provocar conflitos e entrar em confronto, e advertiu que haverá medidas rigorosas contra quem tentar fazer justiça com as próprias mãos. Ele disse que a população da província quer paz, estabilidade, desenvolvimento e prosperidade. A afirmação de que os moradores deixariam de apoiar os militantes que ele chamou de Fitna al Khawarij é uma declaração política, não uma medida de opinião pública divulgada.
O ministro de Assuntos da Caxemira e de Gilgit-Baltistão, engenheiro Amir Muqam, apoiou a intervenção. Ele disse que ela traz esperança de restaurar a paz, proteger a população e melhorar a administração, e pediu responsabilização pelo desempenho provincial e pelas condições de segurança. Esses são os objetivos declarados pelo governo; os anúncios ainda não demonstram que tenham sido alcançados.
Resistência da oposição reúne vários partidos
A oposição à tomada de poder vai além do PTI. Hafiz Naeem ur Rehman, líder do Jamaat e Islami, rejeitou as medidas de emergência e o governo do governador como respostas aos problemas da província. Ele também questionou a legitimidade do arranjo governista ao mencionar o Formulário 47, documento de consolidação dos resultados eleitorais que está no centro das disputas políticas sobre a votação.
Suas acusações contra o Partido Popular do Paquistão, a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz e partidos associados ao Movimento Democrático do Paquistão foram alegações políticas. As declarações não são acompanhadas de nenhuma decisão eleitoral ou judicial que as sustente.
Munem Zafar Khan, líder do Jamaat e Islami em Karachi, também se opôs às medidas e argumentou que o protesto pacífico é um direito de todos os partidos políticos. Sua posição enfatizou a manutenção do processo político aberto, em vez da substituição do diálogo por medidas executivas excepcionais.
Aimal Wali, presidente nacional do Partido Nacional Awami, se opôs ao governo do governador e às medidas de emergência, mas também culpou o governo do PTI e aqueles que o levaram ao poder pela crise. Ele acusou o governo provincial de fracassar nos dois anos e meio anteriores e pediu que ambos os lados fossem responsabilizados.
Mian Iftikhar Hussain, líder do ANP, disse separadamente que a situação em curso prejudicava o Paquistão e sugeriu que novas conversas com o PTI eram improváveis. Seu pessimismo sobre as negociações contrasta com as propostas de retomada da mediação feitas por outras figuras da oposição, mesmo quando suas preocupações com a crise coincidem.
Fracasso das negociações e acusações contestadas agravam o confronto
Maulana Fazlur Rehman, líder do Jamiat Ulema e Islam, condenou a intervenção e prometeu uma resposta dentro e fora do Parlamento. Ao descrevê-la em uma entrevista coletiva em Islamabad, ele disse, em tradução para o inglês de suas declarações:
Isso é um ataque à democracia. Vamos procurar a população e cumprir nosso papel dentro e fora do Parlamento.
Fazlur Rehman disse que Sharif o havia convidado para um jantar enquanto as negociações se concentravam em duas exigências conflitantes: o governo queria que a marcha longa terminasse primeiro, enquanto o PTI queria ter acesso primeiro a seu fundador. Ele afirmou ter conversado com Sohail Afridi, o advogado Gohar, Shahram Tarakai e Asad Qaiser, que indicaram que o PTI estava disposto a encerrar a marcha se suas exigências fossem aceitas.
Yousafzai também propôs uma reunião com o fundador do PTI e pediu que o governo recorresse à mediação de Fazlur Rehman. Ele disse que a marcha continuaria até que as exigências fossem atendidas e apresentou a discussão sobre um estado de emergência como uma tentativa de pressionar o partido.
Outras acusações aumentam o confronto. Babar Saleem Swati, presidente da assembleia provincial, disse que 11 integrantes das assembleias nacional e provincial teriam sido sequestrados ou presos. O relato não identifica todos os 11, não distingue prisões de supostos sequestros nem esclarece a situação legal deles.
Sanaullah acusou figuras do PTI de envolvimento com o Tehreek e Taliban Pakistan (TTP) em extorsão, contrabando e corrupção, alegando que havia provas. Nenhuma evidência de apoio, nomes de acusados ou constatações judiciais acompanha a acusação. Ela não deve ser tratada como fato comprovado.
Aprovação parlamentar é a próxima etapa anunciada
Azam Nazeer Tarar disse que sessões separadas da Assembleia Nacional e do Senado, seguidas por uma sessão conjunta do Parlamento, seriam convocadas nos próximos dias para aprovar as medidas. Não foram informadas datas exatas, cronograma de votação nem a redação da resolução proposta.
Essas sessões serão a próxima oportunidade anunciada para esclarecer o alcance e a duração da intervenção. Detalhes importantes continuam sem especificação, incluindo a proclamação integral, as atribuições da secretaria distrital separada, o funcionamento da assembleia provincial e as condições para restaurar um governo chefiado por um ministro-chefe.
O governo combinou a transferência imediata da autoridade executiva com promessas de uma administração de segurança mais eficaz. Seus adversários argumentam que a destituição do Executivo provincial eleito agrava uma crise política que ainda exige negociação. O teste imediato será saber se os trabalhos parlamentares e as ordens publicadas esclarecerão os poderes em exercício, enquanto a nova administração enfrenta as fragilidades de segurança identificadas nos relatórios da polícia e das agências de inteligência.
Pontos principais
- Zardari teria aprovado medidas de emergência e o governo do governador com base nos artigos 232 e 234, com efeito imediato.
- Kundi exercerá a autoridade executiva provincial com o apoio de um conselho consultivo de 11 membros.
- Uma secretaria separada administrará 12 distritos sob a autoridade do governador e do secretário-chefe, com anúncio de subordinação direta ao governo federal.
- O relatório de segurança aponta um aumento de 195% no terrorismo; o ministro da Justiça cita separadamente 196% para terrorismo e extremismo.
- O relatório registra 170 ataques com drones em 2026 e 159 ataques com IEDs até setembro, ante 181 ataques com IEDs durante todo o ano de 2025.
- O envio de militares foi anunciado com base no artigo 245, enquanto Sanaullah descartou uma grande operação e o deslocamento de moradores.
- Vários partidos da oposição rejeitam a intervenção, e reuniões para aprovação parlamentar estão previstas para os próximos dias.






