Paquistão revida após ataque do Talibã afegão a postos na fronteira de Kurram

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Pakistan bombs Kabul after deadly border clashes with Taliban | Middle ...

Paquistão relata resposta contundente em Kurram

O Paquistão afirma que suas forças de segurança lançaram uma ampla resposta militar depois que unidades do Talibã afegão abriram fogo contra postos na fronteira do distrito de Kurram, um dos vários setores tensos ao longo da fronteira. Autoridades disseram que as forças afegãs usaram morteiros, artilharia e outras armas pesadas, levando tropas paquistanesas a atacar postos do Talibã, posições de tiro e postos de controle defensivos do outro lado da fronteira.

Conteúdo
  1. Paquistão relata resposta contundente em Kurram
  2. Como começou a mais recente escalada
  3. Operação Ghazab lil Haq se expande pela fronteira
  4. O que Cabul diz sobre os combates
  5. Kurram continua sendo um foco de tensão perigoso
  6. Uma disputa enraizada na militância e na desconfiança
  7. Civis pagam o preço mais alto
  8. Por que a diplomacia não conseguiu conter a crise
  9. Em resumo

Fontes de segurança disseram que as forças paquistanesas mantiveram o controle de suas posições e destruíram vários pontos ocupados pelo Talibã afegão. Também afirmaram que combatentes abandonaram vários postos e recuaram da área. Essas alegações sobre o campo de batalha não foram verificadas de forma independente, enquanto Cabul apresentou a escalada mais ampla como uma resposta a ataques paquistaneses dentro do Afeganistão.

A mais recente troca de tiros se soma a um ciclo de disparos de artilharia, ataques aéreos e atentados de grupos armados que prejudica as relações entre os dois países desde que o Talibã voltou ao poder em Cabul, em 2021. Kurram, localizada na província paquistanesa de Khyber Pakhtunkhwa, é particularmente sensível porque seus vales acidentados e passagens montanhosas se conectam às regiões afegãs de Khost e Paktia.

Autoridades paquistanesas disseram que a fronteira permanecia sob seu controle e que tropas monitoravam a área para prevenir novos ataques. A resposta ocorreu enquanto também havia relatos de combates em Chitral, Khyber, Mohmand e Bajaur.

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Como começou a mais recente escalada

A crise atual foi precedida por uma série de atentados mortais no Paquistão. Em 6 de fevereiro, um homem-bomba matou pelo menos 31 fiéis e feriu cerca de 170 pessoas em uma mesquita Khadija Tul Kubra, em Islamabad. O braço local do Estado Islâmico na Província de Khorasan reivindicou a autoria do ataque. Em 16 de fevereiro, um veículo carregado de explosivos atingiu um posto conjunto de segurança em Bajaur, matando 11 soldados e uma criança. Investigadores paquistaneses vincularam o autor do atentado à estrutura de segurança do Talibã afegão, enquanto o Tehreek e Taliban Pakistan reivindicou a autoria.

Outro atentado suicida em Bannu, em 21 de fevereiro, matou dois soldados, incluindo um tenente-coronel. Islamabad disse que esses ataques foram ordenados por líderes de grupos armados baseados no Afeganistão. Cabul negou repetidamente permitir que seu território fosse usado para ataques contra o Paquistão.

Em seguida, o Paquistão anunciou ataques aéreos em 22 de fevereiro contra sete acampamentos e esconderijos em Nangarhar, Paktika e Khost. Autoridades paquistanesas disseram que os alvos pertenciam ao Talibã paquistanês, a grupos aliados e ao Estado Islâmico na Província de Khorasan. As primeiras declarações do governo estimaram que mais de 70 combatentes haviam sido mortos; números posteriores ultrapassaram 80 e, em uma declaração no Parlamento, 100.

Autoridades afegãs contestaram o relato paquistanês e disseram que os ataques atingiram casas, um seminário religioso e outros locais civis. A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão relatou mortes e feridos entre civis em Nangarhar, incluindo mulheres e crianças. Autoridades afegãs prometeram retaliar, preparando o terreno para os ataques na fronteira que se seguiram.

Operação Ghazab lil Haq se expande pela fronteira

Na noite de 26 de fevereiro, o Paquistão anunciou oficialmente a Operação Ghazab lil Haq, nome que significa Ira pela Verdade. Inicialmente, a operação abrangia cinco setores de Khyber Pakhtunkhwa: Chitral, Khyber, Mohmand, Kurram e Bajaur.

O ministro da Informação, Attaullah Tarar, disse que a operação foi lançada depois que forças do Talibã dispararam contra vários pontos ao longo da fronteira. Segundo ele, as forças paquistanesas agiam para proteger o território e os cidadãos do país. O Paquistão descreveu a operação como uma combinação de ataques aéreos e terrestres contra posições do Talibã e esconderijos de grupos armados.

Em 6 de março, Tarar afirmou que 527 integrantes do Talibã afegão haviam sido mortos e mais de 755, feridos. Também disse que 237 postos de controle haviam sido destruídos, que 38 posições tinham sido tomadas e destruídas e que 205 tanques, veículos blindados e peças de artilharia haviam sido atingidos. Autoridades paquistanesas disseram que 62 locais no Afeganistão foram atacados.

Esses números foram divulgados por autoridades paquistanesas e não puderam ser confirmados de forma independente. O Afeganistão apresentou balanços diferentes de vítimas e acusou o Paquistão de atingir áreas civis. A falta de acesso independente a muitos locais da fronteira dificulta estabelecer a dimensão exata das perdas militares dos dois lados.

O Paquistão adotará todas as medidas necessárias para garantir sua integridade territorial e a segurança de seus cidadãos.

A declaração foi divulgada pelo Ministério da Informação do Paquistão enquanto os combates se espalhavam por vários setores. Autoridades paquistanesas também disseram que suas forças estão prontas para responder imediatamente a novos disparos.

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O que Cabul diz sobre os combates

O governo talibã afirma que o Paquistão deu início à atual fase da crise ao violar o território e o espaço aéreo afegãos. O porta-voz afegão Zabihullah Mujahid descreveu a ação militar de Cabul como uma retaliação aos ataques aéreos paquistaneses e disse que forças afegãs lançaram grandes operações contra posições militares paquistanesas ao longo da Linha Durand.

A Linha Durand é a fronteira de facto estabelecida em 1893, durante o domínio colonial britânico. O Paquistão a considera uma fronteira internacional, enquanto o Afeganistão historicamente rejeita seu reconhecimento formal. A disputa continua especialmente sensível porque comunidades pashtuns vivem dos dois lados da fronteira e mantêm vínculos familiares, tribais e comerciais através dela.

Autoridades afegãs disseram que aeronaves paquistanesas atingiram locais em Nangarhar e Paktika, incluindo áreas povoadas. As Nações Unidas informaram que pelo menos 56 civis afegãos, entre eles 24 crianças e seis mulheres, haviam sido mortos após a intensificação das hostilidades no fim de fevereiro. Também registraram 129 feridos, incluindo 41 crianças e 31 mulheres. Relatos posteriores de autoridades da ONU e de organizações de direitos humanos mencionaram outras mortes de civis atribuídas a ataques paquistaneses.

O Paquistão rejeita as acusações de ter atacado civis deliberadamente e diz que suas ofensivas foram baseadas em informações de inteligência sobre acampamentos de grupos armados. Autoridades afegãs, porém, afirmam que os ataques provocaram danos generalizados à população civil. Essas alegações divergentes ainda não foram esclarecidas por investigações independentes.

Kurram continua sendo um foco de tensão perigoso

Kurram aparece repetidamente em relatos de combates entre forças paquistanesas, unidades do Talibã afegão e grupos armados que atuam perto da fronteira. A região tem terreno difícil, rotas estreitas e comunidades separadas pela fronteira. Disparos de morteiro podem atravessá-la rapidamente, colocando em risco postos militares e povoados próximos.

Durante os confrontos mais recentes, fontes paquistanesas disseram que forças afegãs usaram armas pesadas contra posições na fronteira. O Paquistão respondeu com artilharia e outras armas contra postos afegãos e posições de morteiros. Moradores de áreas próximas já relataram ter se abrigado durante trocas de tiros à noite, enquanto passagens e rotas de circulação foram fechadas em períodos de combates intensos.

Relatos anteriores da região disseram que projéteis de artilharia caíram perto de conjuntos residenciais sem causar vítimas. No Waziristão do Sul, disparos de morteiro vindos do outro lado da fronteira feriram cinco pessoas na aldeia de Angoor Adda, entre elas quatro crianças e uma mulher. Mais tarde, forças paquistanesas disseram ter destruído posições de armas envolvidas nos disparos.

A violência também interrompeu os planos de retorno de cidadãos afegãos que estão no Paquistão. Famílias que aguardavam perto de pontos de fronteira foram transferidas para áreas de acolhimento quando as condições de segurança pioraram. As duas principais passagens comerciais, Torkham e Chaman, enfrentaram fechamentos repetidos, deixando caminhões parados e restringindo viagens, comércio e acesso a atendimento médico.

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Uma disputa enraizada na militância e na desconfiança

A principal acusação do Paquistão é dirigida ao Tehreek e Taliban Pakistan, conhecido pela sigla TTP. O grupo é distinto do governo do Talibã afegão, embora ambos compartilhem vínculos ideológicos e históricos. Islamabad afirma que líderes e combatentes do TTP operam a partir de locais seguros no Afeganistão e planejam de lá ataques contra alvos paquistaneses.

O governo talibã nega ter autorizado o TTP a atacar o Paquistão. Cabul, por sua vez, acusa Islamabad de divulgar alegações falsas e realizar ataques aéreos que violam a soberania afegã. A disputa persiste apesar de repetidas reuniões diplomáticas.

As relações pioraram depois da tomada do poder pelo Talibã, em agosto de 2021. Em 2022, soldados paquistaneses foram mortos em ataques lançados do território afegão, seguidos por confrontos perto da passagem de Wesh Chaman. Combates em Torkham, em 2023, levaram a fechamentos temporários da fronteira. A campanha paquistanesa para deportar cidadãos afegãos sem documentos, iniciada mais tarde naquele ano, acrescentou outra fonte de atrito.

O Paquistão realizou ataques aéreos dentro do Afeganistão em março e dezembro de 2024, após ataques contra suas forças de segurança. Cabul condenou as operações. Em outubro de 2025, alguns dos combates mais mortais desde a tomada do poder pelo Talibã mataram dezenas de pessoas dos dois lados. Catar e Turquia ajudaram a negociar um cessar-fogo, enquanto conversas posteriores em Istambul, Doha e Riad não resultaram em um acordo duradouro.

Civis pagam o preço mais alto

As alegações militares de Islamabad e Cabul vêm acompanhadas de uma crise humanitária crescente. As Nações Unidas disseram que cerca de 115 mil afegãos e 3 mil pessoas no Paquistão foram deslocadas durante uma semana de combates no início de março. Famílias fugiram de disparos de artilharia, ataques com morteiros e ataques aéreos, enquanto a entrega de ajuda foi restringida em áreas onde estradas e unidades de saúde não ofereciam segurança.

Volker Türk, alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, pediu que os dois lados interrompam os combates e protejam os civis. Ele afirmou que a violência mais recente agrava o sofrimento de pessoas que já enfrentaram décadas de conflito. Organizações de direitos humanos pediram investigações imparciais sobre relatos de ataques a casas de civis, instalações médicas e outros locais protegidos.

Mais tarde, a Human Rights Watch citou dados das Nações Unidas segundo os quais centenas de civis afegãos foram mortos ou feridos em ataques transfronteiriços nos primeiros meses de 2026. A organização afirmou que as vítimas civis, por si só, não comprovam uma violação das leis da guerra, mas exigem investigações para determinar se as forças atacantes distinguiram alvos militares de bens civis.

A pressão humanitária também está ligada à campanha de repatriação do Paquistão. Mais de dois milhões de afegãos voltaram ao Afeganistão desde o início da campanha, em setembro de 2023, enquanto muitos outros permanecem no Paquistão com situação legal incerta e temem ser presos ou deportados. A continuidade dos combates agrava a situação e limita a capacidade das agências de ajuda de chegar a famílias vulneráveis.

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Por que a diplomacia não conseguiu conter a crise

Vários governos da região pediram moderação e diálogo. Catar, Turquia e Arábia Saudita apoiaram conversas entre Islamabad e Cabul, inclusive negociações após os confrontos de outubro de 2025. Esses esforços produziram pausas temporárias, mas não resolveram a disputa central sobre a atividade de grupos armados, o reconhecimento da fronteira ou a circulação de pessoas e mercadorias.

Cada novo ataque dificulta ainda mais um acordo. O Paquistão enfrenta pressão da opinião pública para agir após atentados mortais contra soldados e civis. O governo talibã sofre pressão para demonstrar que o Afeganistão não é controlado por exigências estrangeiras e que defenderá o que chama de sua soberania. As declarações militares dos dois lados também apresentam o adversário como agressor, deixando pouco espaço para um relato comum dos acontecimentos.

O risco vai além da fronteira imediata. O Paquistão é uma potência nuclear, enquanto o Afeganistão já enfrenta uma grave crise econômica e humanitária. Confrontos prolongados podem fechar rotas comerciais, provocar novos deslocamentos e dar mais espaço de atuação a grupos armados. Uma redução duradoura da violência exigiria garantias diretas de segurança, medidas contra redes militantes e um mecanismo prático para investigar incidentes futuros.

Em resumo

  • O Paquistão afirma que forças do Talibã afegão dispararam morteiros e armas pesadas contra postos em Kurram e outros setores.
  • Forças paquistanesas responderam com artilharia e ataques a postos afegãos, posições de morteiros e locais de defesa.
  • Islamabad afirma que a Operação Ghazab lil Haq tem como alvo redes militantes e posições do Talibã ligadas a ataques no Paquistão.
  • Cabul diz que os ataques aéreos paquistaneses violaram a soberania afegã e causaram mortes de civis.
  • É difícil verificar de forma independente os balanços de vítimas apresentados pelos dois lados.
  • Os combates deslocaram civis, interromperam a ajuda humanitária e provocaram fechamentos repetidos das principais passagens de fronteira.
  • As principais disputas envolvem o TTP, a Linha Durand e a ausência de um acordo duradouro de segurança.
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