O primeiro desligamento do programa de sacolas plásticas de Singapura
O programa de cobrança por sacolas descartáveis de Singapura registrou sua primeira saída desde a implementação, em julho de 2023, com a retirada bem-sucedida das redes de supermercados Hao Mart e Ang Mo Supermarket do programa obrigatório. A Agência Nacional do Meio Ambiente confirmou em 30 de janeiro que esse é o primeiro caso de um varejista deixar de estar registrado no marco regulatório estabelecido pela Lei de Sustentabilidade de Recursos.
Conteúdo
- O primeiro desligamento do programa de sacolas plásticas de Singapura
- Entenda o marco regulatório da Lei de Sustentabilidade de Recursos
- Estratégias diferentes para destinar a receita das cobranças
- Hao Mart: recuperação de custos operacionais
- Ang Mo Supermarket: investimento na comunidade
- Cobrança mantida apesar da liberdade regulatória
- Impacto ambiental e dados do setor
- O que isso significa para o varejo de Singapura
- Principais pontos
As duas redes solicitaram a saída do programa ao fim de 2025 e puderam deixar de estar registradas depois que seu faturamento anual permaneceu abaixo do limite legal por três anos consecutivos. Quando o programa foi lançado, Hao Mart e Ang Mo Supermarket constavam da lista inicial ao lado de grandes empresas do setor, como FairPrice, Cold Storage e Sheng Siong. A saída das duas redes estabelece um precedente sobre como varejistas menores podem lidar com as exigências de conformidade à medida que suas operações crescem ou encolhem.
O processo de saída exigiu uma solicitação formal à Agência Nacional do Meio Ambiente, que avaliou os registros financeiros das duas redes para confirmar que atendiam aos critérios. Como a receita anual não ultrapassou S$ 100 milhões (cerca de US$ 79,3 milhões) durante o período de avaliação, ambas se qualificaram para deixar voluntariamente a participação obrigatória.
Entenda o marco regulatório da Lei de Sustentabilidade de Recursos
O programa de cobrança por sacolas descartáveis funciona sob a Lei de Sustentabilidade de Recursos de Singapura, legislação criada para reduzir o lixo plástico por meio de incentivos econômicos. A regulamentação exige a cobrança mínima de cinco centavos de Singapura por sacola descartável em supermercados operados por empresas com faturamento anual superior a S$ 100 milhões. Esse limite é o principal critério para a participação obrigatória e cria um sistema escalonado, no qual os grandes varejistas assumem maior responsabilidade ambiental, enquanto os menores ficam isentos, a menos que optem voluntariamente por participar.
Além da exigência básica de cobrança, os estabelecimentos registrados devem manter registros detalhados e publicar relatórios anuais de transparência. Essas divulgações incluem o total de sacolas distribuídas, a receita bruta obtida com as cobranças e a destinação específica dos valores. As exigências de prestação de contas buscam garantir transparência e mostrar como os varejistas usam a receita gerada pelas sobretaxas ambientais.
Desde o início do programa, em 3 de julho de 2023, os estabelecimentos participantes precisam apresentar documentação sobre o volume de sacolas distribuídas e a gestão financeira da receita. A legislação tem como alvo explícito as grandes empresas, partindo do princípio de que supermercados com faturamento elevado distribuem muito mais sacolas plásticas por causa de sua ampla clientela e presença geográfica. Ao concentrar a conformidade obrigatória nessas empresas, a lei equilibra os objetivos ambientais com exigências regulatórias proporcionais.
Atualmente, oito grandes redes de supermercados continuam inscritas no programa obrigatório, entre elas nomes conhecidos como Cold Storage, FairPrice e Don Don Donki. Essas empresas continuam cobrando pelas sacolas e prestando contas, além de cumprir as obrigações previstas na lei. Para os estabelecimentos registrados, deixar de cobrar o mínimo de cinco centavos ou não apresentar a documentação exigida constituiria uma infração regulatória.
Estratégias diferentes para destinar a receita das cobranças
Os relatórios financeiros de 2024 apresentados pelas duas redes que deixaram o programa revelam filosofias distintas para administrar a receita das cobranças por sacolas. Embora ambas tenham arrecadado valores consideráveis com a taxa de cinco centavos por unidade, a destinação dos recursos mostra a flexibilidade permitida pelo programa e as diferentes prioridades de cada varejista.
Hao Mart: recuperação de custos operacionais
O relatório da Hao Mart, publicado em 12 de dezembro de 2025, registrou uma arrecadação total de S$ 21.143,50 com a distribuição de 422.870 sacolas descartáveis ao longo de 2024. A rede não destinou nenhum valor a causas beneficentes ou comunitárias e usou os recursos nas operações da empresa. Após recolher S$ 1.745,79 em Imposto sobre Bens e Serviços aos órgãos governamentais, reteve os S$ 19.397,71 restantes para cobrir despesas operacionais gerais. Esses custos incluíam especificamente a compra de sacolas descartáveis e as despesas administrativas relacionadas à gestão do programa de cobrança.
Jupri Suep, vice-presidente sênior de operações da Hao Mart, observou que fornecer sacolas plásticas continua sendo uma despesa real para a empresa. Essa posição indica que, durante o período em que participou do programa, a cobrança serviu principalmente para recuperar custos, e não como fonte de recursos para a comunidade. A decisão de reter toda a receita líquida para atender às necessidades operacionais reflete uma abordagem pragmática à gestão de margens reduzidas no varejo, ao mesmo tempo que a empresa cumpre as normas ambientais.
Ang Mo Supermarket: investimento na comunidade
Já a Ang Mo Supermarket destinou sua receita a iniciativas de apoio à comunidade local. Segundo o relatório de 31 de dezembro de 2025, a rede arrecadou S$ 33.241,40 com 664.828 sacolas em 2024. Depois de pagar S$ 2.745,92 em Imposto sobre Bens e Serviços, dividiu os S$ 30.495,48 restantes igualmente entre os fundos de Desenvolvimento Comunitário e Bem-Estar dos Comitês Consultivos de Cidadãos de Marymount e Punggol Shore, com destinação específica à educação. Um aviso afixado na unidade de Punggol detalhava essas destinações, demonstrando o compromisso da rede de direcionar as cobranças ambientais para benefícios sociais.
Essa abordagem está alinhada ao forte incentivo da Agência Nacional do Meio Ambiente para que as empresas destinem a receita a causas ambientais ou sociais. Embora as doações não sejam obrigatórias, elas mostram como os marcos regulatórios podem gerar benefícios para a comunidade além de seus principais objetivos ambientais. O contraste entre as duas redes evidencia como exigências regulatórias idênticas podem produzir resultados sociais muito diferentes, conforme a decisão de cada empresa.
Cobrança mantida apesar da liberdade regulatória
Apesar de terem deixado oficialmente o programa obrigatório, as duas redes de supermercados continuam cobrando dos clientes pelas sacolas plásticas até o momento da reportagem. Em visitas realizadas em 30 de janeiro, as unidades da Hao Mart na Marina Square e em Whampoa mantinham a cobrança de cinco centavos, assim como a unidade da Ang Mo Supermarket em Potong Pasir. A continuidade da cobrança destaca uma diferença importante entre as exigências regulatórias e as decisões independentes das empresas.
Como não estão mais sujeitas ao registro obrigatório, as duas redes agora têm autonomia total para definir suas políticas de preços para as sacolas. Elas podem eliminar completamente as cobranças, manter os valores atuais ou ajustar os preços conforme as necessidades operacionais, sem precisar de aprovação regulatória nem enviar relatórios de conformidade à Agência Nacional do Meio Ambiente a partir de 2026. A manutenção das cobranças sugere que, mesmo sem obrigação legal, os supermercados consideram as sacolas plásticas um custo que precisa ser compensado ou que o comportamento dos clientes mudou o suficiente para que eliminar a cobrança possa incentivar o desperdício ou gerar complicações operacionais.
A Agência Nacional do Meio Ambiente observou explicitamente que as empresas que deixaram o programa têm total liberdade para decidir se cobram dos clientes pelas sacolas plásticas. A escolha agora depende inteiramente das estratégias de cada negócio, e não de obrigações legais. Para quem compra nessas unidades, a experiência prática continua a mesma, apesar da mudança de status regulatório, já que a cobrança de cinco centavos permanece nos recibos.
Impacto ambiental e dados do setor
Desde o início, em 2023, o programa de cobrança por sacolas descartáveis produziu resultados ambientais mensuráveis. Segundo dados oficiais divulgados pela Agência Nacional do Meio Ambiente, os supermercados participantes registraram reduções de 70% a 80% no número de sacolas descartáveis distribuídas em suas lojas. Essa queda expressiva sugere que a modesta cobrança de cinco centavos conseguiu mudar o comportamento dos consumidores, incentivando-os a levar sacolas reutilizáveis ou a agrupar as compras em menos sacolas.
O alcance financeiro do programa também foi significativo. Somadas, as cobranças dos estabelecimentos registrados geraram mais de S$ 6 milhões em receita somente em 2024, com cerca de 129 milhões de sacolas descartáveis. Esses números indicam que, embora o uso de sacolas tenha caído significativamente, o volume restante ainda representa uma fonte considerável de receita e um impacto ambiental que exige atenção contínua.
Os percentuais de redução demonstram que desincentivos econômicos podem promover mudanças sustentáveis de comportamento sem impor custos proibitivos aos consumidores. O valor de cinco centavos parece ter sido calibrado para provocar uma mudança de comportamento sem causar dificuldades financeiras significativas aos clientes. Para efeito de comparação, antes do programa obrigatório, os supermercados de Singapura distribuíam centenas de milhões de sacolas plásticas gratuitas por ano, contribuindo para o lixo em aterros e a poluição ambiental.
Os dados sugerem que o principal objetivo do programa, reduzir o consumo de plástico, foi alcançado entre os varejistas participantes. Ainda não se sabe se essa mudança de comportamento persistirá entre os clientes das redes que deixaram o programa, mas mantiveram a cobrança voluntariamente; essa é uma questão que continuará sendo monitorada.
O que isso significa para o varejo de Singapura
A saída da Hao Mart e da Ang Mo Supermarket estabelece um caminho claro para outros varejistas cujo faturamento fique abaixo do limite de S$ 100 milhões. À medida que as empresas crescem ou encolhem, elas podem usar esse caso como referência ao avaliar sua própria situação de conformidade. A disposição da Agência Nacional do Meio Ambiente de processar os pedidos para deixar o programa indica que o marco regulatório permite a evolução natural dos negócios, sem penalizar empresas que reduzam suas operações.
Essa flexibilidade mantém o foco do programa nos grandes varejistas, que distribuem volumes muito maiores de sacolas plásticas devido à ampla clientela. A saída das duas redes levanta a questão de se outros estabelecimentos atualmente registrados poderiam tentar deixar o programa caso seu faturamento caia, ou se empresas que se aproximem do limite começarão a se preparar antecipadamente para cumprir as exigências. Por ora, as oito redes restantes continuam participando obrigatoriamente e mantêm as estruturas de cobrança e prestação de contas que contribuíram para a redução documentada no consumo de sacolas plásticas.
Analistas do varejo observam que a continuidade das cobranças pelas empresas que deixaram o programa sugere que a taxa de cinco centavos foi normalizada na cultura de consumo de Singapura. Em vez de considerá-la uma imposição injusta, os clientes parecem aceitá-la como um custo normal das compras de supermercado, o que pode reduzir a resistência a medidas ambientais semelhantes em outros segmentos do varejo.
Principais pontos
- Hao Mart e Ang Mo Supermarket são as primeiras redes a deixar o programa obrigatório de cobrança por sacolas plásticas de Singapura desde seu lançamento, em 2023
- As duas redes se qualificaram para deixar o programa após registrarem faturamento anual inferior a S$ 100 milhões por três anos consecutivos
- Como não estão mais sujeitas ao registro obrigatório, elas não precisam cobrar pelas sacolas nem enviar relatórios de conformidade à Agência Nacional do Meio Ambiente a partir de 2026
- Apesar de terem deixado o programa, as duas redes continuam cobrando cinco centavos por sacola no fim de janeiro, alegando custos operacionais
- A Hao Mart reteve a receita de 2024 para cobrir despesas da empresa, enquanto a Ang Mo Supermarket doou os recursos a iniciativas de educação comunitária
- Os supermercados registrados informaram reduções de 70% a 80% na distribuição de sacolas desde o início do programa
- Mais de S$ 6 milhões foram arrecadados em todo o setor com 129 milhões de sacolas durante 2024
- Oito grandes redes de supermercados continuam inscritas no programa obrigatório, entre elas FairPrice, Cold Storage e Don Don Donki






