Aumento de javalis no Parque Nacional do Monte Bukhan, em Seul

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Aumento de javalis no Parque Nacional do Monte Bukhan, em Seul

Encontros cada vez mais frequentes com a fauna urbana

Quem visita o Parque Nacional do Monte Bukhan, na Coreia do Sul, tem encontrado uma cena cada vez mais comum nas trilhas: javalis. O que antes era um raro vislumbre da vida selvagem se transformou em encontros frequentes entre humanos e esses animais poderosos. Agora, os javalis ficam perto de trilhas bastante movimentadas, e alguns chegam a aceitar comida diretamente dos visitantes sem demonstrar medo. Essa mudança no comportamento dos animais despertou preocupações importantes com a segurança pública e com os desafios de administrar a coexistência entre humanos e a vida selvagem em uma das áreas metropolitanas mais densamente povoadas do mundo.

Conteúdo
  1. Encontros cada vez mais frequentes com a fauna urbana
  2. O histórico dos encontros com javalis
  3. O que a ciência revela sobre as preferências de habitat
  4. Conflitos entre humanos e animais silvestres e incidentes de segurança
  5. O que os especialistas dizem sobre as causas
  6. Novas medidas de segurança e estratégias de manejo
  7. Orientações de segurança para visitantes e moradores
  8. Os desafios da coexistência em uma megacidade
  9. Em resumo

A situação ficou particularmente evidente por volta do meio-dia de 3 de janeiro, perto do Templo Doseon, no Parque Nacional do Monte Bukhan, localizado em Ui-dong, no distrito de Gangbuk, ao norte de Seul. Mais de 10 pessoas se reuniram em uma trilha a cerca de 100 metros depois do Portão Cheonwang, junto a uma grade, para observar e filmar a cena abaixo. A cerca de 4 a 5 metros da grade, um javali grande estava em uma encosta ao lado de um muro de contenção, olhando para o grupo. O animal adulto esfregava o corpo em uma árvore de vez em quando, enquanto um filhote próximo remexia nas folhas caídas sob o olhar atento de seu guardião.

O que aconteceu em seguida ilustra a mudança na dinâmica entre humanos e animais silvestres no parque. Quando o javali adulto começou a procurar comida, algumas pessoas jogaram alimentos encosta abaixo, oferecendo castanhas, tangerinas e pedaços de bolinho de arroz. O animal circulava recolhendo as ofertas enquanto corvos voavam por perto; alguns pousavam em suas costas ou pegavam as sobras. Apesar de uma faixa vermelha de alerta nas proximidades, com os dizeres "Cuidado: javalis na área!", e de orientações claras para não deixar comida perto das trilhas, as pessoas continuaram alimentando os animais. Uma delas reconheceu discretamente o problema e disse que alimentar javalis era contra as regras, mas a prática persistiu.

O histórico dos encontros com javalis

A presença de javalis no Monte Bukhan representa uma mudança significativa na dinâmica ecológica da região. Segundo pesquisas acadêmicas, o primeiro avistamento conhecido de javalis na área ocorreu em 2004. Antes disso, os javalis eram considerados mamíferos raros na Coreia do Sul e mereciam proteção. Em apenas duas décadas, passaram de uma raridade protegida a uma presença comum: agora aparecem com frequência em Seul e provocam mais conflitos entre humanos e animais silvestres.

A tendência foi documentada ao longo de vários anos. Em 2014, a administração do Monte Bukhan, vinculada ao Serviço Nacional de Parques da Coreia, registrou quatro avistamentos de javalis entre fevereiro e junho, incluindo ocorrências em Gugi-dong e Jeongneung-dong. A administração tentou enfrentar o problema instalando armadilhas em três áreas ao redor do Monte Bukhan, mas não capturou nenhum animal naquele ano. Os javalis continuaram ampliando sua área de circulação, e houve relatos de avistamentos em áreas urbanas além dos limites do parque, incluindo bairros residenciais de Seul e da vizinha Seongnam.

Em 2016, o Governo Metropolitano de Seul informou uma média de 152 avistamentos de javalis por ano nos três anos anteriores, a maioria perto do Parque Nacional do Monte Bukhan. Isso equivale a aproximadamente 11,8 aparições de javalis por mês somente em Seul. A expectativa era de que o número aumentasse durante o inverno, com o crescimento da população de javalis e a busca dos animais por alimento. A expansão do território deles para áreas urbanas densamente povoadas transformou uma questão que antes dizia respeito sobretudo à gestão da vida selvagem em zonas rurais em um problema urbano urgente.

O impacto econômico da atividade dos javalis vai além dos arredores do Monte Bukhan. Em toda a Coreia do Sul, os prejuízos causados pelos javalis à agricultura chegam a bilhões de won. Só em 2012, os animais provocaram danos estimados em 5,7 bilhões de won (cerca de US$ 5,4 milhões) aos agricultores, consumindo plantações como arroz, uvas, maçãs e hortaliças. Em 2011, os prejuízos foram ainda maiores, chegando a 8 bilhões de won. Esse ônus econômico levou o governo a adotar diferentes medidas, entre elas o aumento das cotas de caça e ações de controle populacional.

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O que a ciência revela sobre as preferências de habitat

Pesquisadores realizaram estudos extensos para entender por que os javalis se tornaram tão comuns na região do Monte Bukhan. Um modelo de habitat para javalis no Parque Nacional de Bukhansan foi desenvolvido com base em 213 pontos de presença registrados por câmeras automáticas e levantamentos de campo. A análise incorporou 25 conjuntos de dados raster e utilizou algoritmos de modelagem de máxima entropia para determinar as preferências de habitat. Os resultados mostraram que a inclinação do terreno (23,4%) foi o fator de maior contribuição para o modelo, seguida pela sazonalidade da temperatura (20,4%) e pelo tipo de floresta (16,9%).

A verificação em campo confirmou que a densidade de vestígios de javalis e de sinais de escavação do solo era duas vezes maior em áreas com altos índices de adequação. Embora o pico mais alto do parque nacional ultrapasse 800 metros, a maioria dos vestígios de javalis se concentrava abaixo dos 200 metros e raramente passava dos 350 metros de altitude. Os vestígios eram encontrados sobretudo em encostas com inclinação de 10 a 20 graus, com preferência por encostas voltadas para o norte (37%), seguidas pelas voltadas para o sul (30%), leste (21%) e oeste (10%).

O estudo constatou que 90% dos vestígios de javalis foram registrados em áreas florestais: 49% em florestas de árvores de folhas largas e 40% em florestas mistas. Apenas 4% apareceram em áreas sem cobertura florestal. Essa preferência por florestas é compatível com a necessidade de abrigo e proteção dos animais. Apesar de serem considerados uma praga agrícola, apenas 4% dos registros de javalis ocorreram em lavouras e 1% em arrozais. A maioria dos vestígios encontrados em áreas agrícolas durante os levantamentos de campo foi, na verdade, atribuída a cervos-d'água, e não a javalis.

A alimentação dos javalis no Parque Nacional de Bukhansan também foi estudada por meio de metabarcoding de DNA fecal, que revelou uma dieta onívora variada e sujeita a mudanças sazonais. A análise identificou 54 gêneros de plantas, 22 gêneros de macrofungos e 9 gêneros de animais na dieta. Os vegetais predominavam (70,0%), seguidos pelos macrofungos (29,4%) e pelos animais (0,6%). O consumo de plantas e animais variava conforme a estação, e os gêneros vegetais mais comuns incluíam Quercus (carvalho), Ipomoea (corda-de-viola) e Pueraria (kudzu). Entender esses padrões alimentares ajuda a explicar a atração dos animais por certas áreas e suas possíveis interações com fontes de alimento humanas.

Conflitos entre humanos e animais silvestres e incidentes de segurança

O aumento da presença de javalis em áreas povoadas provocou numerosos incidentes com feridos e, em alguns casos, mortes. Dados do Ministério do Meio Ambiente indicam que, somente entre 2011 e agosto de 2013, houve 381 relatos de avistamentos de javalis selvagens no centro de Seul. Nesse período, pelo menos duas pessoas morreram e 20 ficaram feridas em incidentes envolvendo javalis. Esses números provavelmente representam apenas uma parte dos encontros reais, já que muitos casos podem não ser denunciados nem registrados.

Um incidente particularmente grave ocorreu em 30 de junho de 2014, no condado de Yeoncheon, na província de Gyeonggi, quando um homem e uma mulher na casa dos 50 anos foram derrubados por um javali em plantações de batata-doce. O homem, de 52 anos, identificado pelo sobrenome Lee, teve três costelas quebradas, enquanto a mulher, Seo, de 50 anos, sofreu uma concussão. Seo disse que era a primeira vez que um javali aparecia nos campos perto da cidade e atacava pessoas, ressaltando a necessidade urgente de medidas para erradicar os animais.

Os riscos vão além dos encontros diretos com javalis. As próprias tentativas de controlar a população desses animais já provocaram acidentes trágicos. Em novembro de 2025, um homem na casa dos 70 anos foi morto a tiros por outro caçador enquanto participava do abate de javalis em uma montanha de Dundeok-dong, em Yeosu, na província de Jeolla do Sul. O autor do disparo, um caçador na casa dos 50 anos, disse à polícia que "o confundiu [a vítima] com um javali no escuro". Um caso semelhante havia ocorrido em setembro daquele ano no condado de Jangheung, onde um homem na casa dos 60 anos foi morto a tiros por outro caçador, que também o confundiu com um javali. Esses casos evidenciam os desafios de administrar a população de javalis e, ao mesmo tempo, garantir a segurança das pessoas.

Em ambientes urbanos, os encontros entre javalis e humanos têm se tornado cada vez mais dramáticos. Em novembro de 2013, quatro javalis selvagens passaram em disparada por prédios residenciais, pelo pátio de uma escola e até por uma loja de departamentos durante a manhã. Embora incidentes tão extremos não sejam cotidianos, eles mostram o potencial de caos quando esses animais grandes e fortes entram em áreas densamente povoadas. O Corpo Metropolitano de Bombeiros e Desastres de Seul observou que a falta de predadores naturais contribui para o aumento da população de javalis, enquanto a construção de trilhas de caminhada por toda Seul reduziu os abrigos disponíveis para eles.

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O que os especialistas dizem sobre as causas

Especialistas apresentam diferentes explicações para o aumento da população de javalis e o avanço desses animais em áreas urbanas. Uma das teorias mais difundidas atribui o fenômeno ao crescimento populacional. Park Yung-chul, professor de proteção ambiental florestal da Universidade Nacional de Kangwon, observou que os javalis são uma espécie altamente invasora, capaz de dar à luz de 7 a 13 filhotes de uma vez. Segundo ele, tornou-se difícil controlar a população de javalis na Coreia sem intervenção humana, porque os animais agora ocupam o topo da cadeia alimentar e não têm predadores naturais que contenham seu número.

Os javalis são uma espécie altamente invasora. Eles têm de 7 a 13 filhotes de uma vez. Na Coreia, tornou-se difícil controlar a população de javalis sem intervenção humana, pois eles agora estão no topo da cadeia alimentar, ou seja, não há predadores naturais.

No entanto, a teoria da densidade populacional talvez não explique por completo a situação em Seul, onde a densidade média de javalis se manteve estável em 3,8 animais por quilômetro quadrado na última década. O Instituto Nacional de Recursos Biológicos considera segura uma densidade de 3 a 5 javalis por quilômetro quadrado. Isso indica que fatores além do simples crescimento populacional podem estar levando os animais a avançar sobre áreas urbanas.

Shin Nam-shik, professor da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Nacional de Seul, sugeriu que as condições do habitat têm papel fundamental. Segundo ele, os javalis descem das montanhas quando falta alimento e não entram nas cidades se encontram comida suficiente em seu habitat natural. Os tipos de plantações e hortaliças de cada região, assim como suas épocas de maturação, influenciam os deslocamentos dos javalis. Esse fator sazonal ajuda a explicar por que os avistamentos costumam aumentar no inverno, quando as fontes naturais de alimento se tornam escassas.

Fatores geográficos também contribuem para a presença dos javalis em áreas urbanas. Park observou que a província de Gangwon tem amplas zonas de amortecimento, onde os animais silvestres podem voltar para as florestas antes de encontrar pessoas. Em Seul, por outro lado, as áreas de habitat se concentram em grande medida nos montes Bukhansan, Dobongsan e Kwanaksan, entre os quais e dentro dos quais foram construídas rodovias e trilhas de caminhada. Essas obras invadiram o território dos animais e obrigaram os javalis cujos habitats foram ocupados a buscar novos espaços em áreas urbanizadas.

As estações do ano têm papel importante no comportamento dos javalis. Todos os especialistas entrevistados concordaram que, durante o período de acasalamento no inverno, costuma haver muitos javalis fugindo de seus habitats. Kim Eui-kyeong, pesquisador do Serviço Nacional de Parques da Coreia, explicou que os machos tendem a deixar seu habitat quando perdem disputas territoriais para outros javalis. Além disso, os animais mais jovens precisam se afastar dos pais antes da temporada de acasalamento, ampliando sua área de atividade nesse período. Esses deslocamentos sazonais aumentam a probabilidade de encontros com pessoas nos meses de inverno.

Novas medidas de segurança e estratégias de manejo

Em resposta à crescente preocupação com os encontros com javalis, o Serviço Nacional de Parques da Coreia, vinculado ao Ministério do Clima, da Energia e do Meio Ambiente, adotou novas estratégias de manejo. No mês passado, a agência lançou um "mapa de segurança contra javalis" para parques nacionais urbanos, incluindo o Monte Bukhan. O mapa se baseia em estudos anteriores e em análises científicas de avistamentos de javalis e foi criado para ajudar os visitantes a percorrer com segurança as áreas onde a probabilidade de encontrar esses animais é maior.

O mapa de segurança identifica quatro trilhas com maior probabilidade de avistamento de javalis: Bukhansanseong, Uiam, Obong e Bogukmun. Quem percorre essas trilhas deve respeitar os horários de entrada estabelecidos e permanecer nos caminhos autorizados para reduzir os riscos. As orientações também pedem que os visitantes relatem qualquer animal morto ou doente que encontrarem, medida destinada a evitar a propagação da peste suína africana, detectada pela primeira vez em uma granja de suínos a 15 quilômetros a noroeste de Seul, em setembro de 2019. Desde então, casos da doença em javalis foram observados na parte norte da região metropolitana.

Joo Dae-young, diretor do Serviço Nacional de Parques da Coreia, ressaltou a importância de os visitantes seguirem os protocolos de segurança. Segundo ele, para prevenir riscos relacionados aos javalis, os visitantes devem primeiro respeitar regras básicas de segurança, como permanecer nas trilhas oficiais. A agência continua utilizando ciência e tecnologia para preservar os ecossistemas naturais e garantir a segurança dos visitantes dos parques. O mapa de segurança pode ser consultado pelo aplicativo móvel National Park Explorer ou por meio da leitura dos códigos QR instalados ao longo das trilhas, deixando as informações disponíveis para quem caminha antes de iniciar o percurso.

Essas medidas fazem parte de uma estratégia de manejo mais ampla, que inclui ações de controle populacional. O Ministério do Meio Ambiente e os governos locais uniram esforços para enfrentar o problema de diferentes formas: reduzir a população de javalis por meio da caça, bloquear as rotas usadas pelos animais para entrar nas cidades e oferecer cursos de segurança em localidades onde eles são vistos com frequência. Em março, o Ministério do Meio Ambiente e o Governo Metropolitano de Seul capturaram 50 javalis especificamente para impedir que entrassem na cidade.

O ministério também aumentou de três para seis o número de javalis que caçadores autorizados podem abater em 19 cidades, com o objetivo de controlar a população e reduzir a competição excessiva por território. Caçadores registrados abateram cerca de 14.500 javalis em 2011 e 12.000 em 2012. Essas ações de controle populacional buscam manter o número de animais em níveis administráveis, sem ignorar seu papel ecológico no ecossistema florestal.

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Orientações de segurança para visitantes e moradores

Para quem vai a áreas onde pode haver javalis, especialistas recomendam protocolos específicos de segurança para reduzir os riscos. Shin Nam-shik aconselha que, ao encontrar um javali, a pessoa fique imóvel como uma rocha e mantenha contato visual direto com o animal. Os animais silvestres percebem instintivamente o medo quando as pessoas desviam o olhar ou fazem movimentos bruscos para fugir. A recomendação é recuar com calma, sem tirar os olhos do animal, até se afastar e, se possível, se esconder atrás de uma árvore ou de um objeto grande.

As faixas vermelhas de alerta instaladas ao longo das trilhas do Monte Bukhan orientam expressamente os visitantes a não deixar comida nas proximidades. Alimentar javalis é fortemente desaconselhado, pois acostuma os animais à presença humana e os incentiva a permanecer em áreas frequentadas por quem faz trilhas. Isso cria um ciclo de dependência que aumenta a probabilidade de encontros perigosos. O episódio de 3 de janeiro perto do Templo Doseon, quando visitantes ofereceram castanhas, tangerinas e pedaços de bolinho de arroz aos javalis, exemplifica justamente o comportamento que as autoridades de segurança tentam evitar.

Também se recomenda que os visitantes relatem às autoridades do parque qualquer avistamento ou encontro com javalis. Esses relatos ajudam os responsáveis a acompanhar os deslocamentos dos animais e a ajustar as estratégias de manejo. Se for encontrada a carcaça de um javali, o caso deve ser comunicado ao Serviço Nacional de Parques da Coreia, ao Instituto Nacional de Controle e Prevenção de Doenças da Fauna Silvestre ou às autoridades locais, a fim de evitar a possível propagação da peste suína africana e de outras doenças.

O Serviço Nacional de Parques da Coreia continua ressaltando que permanecer nas trilhas oficiais é uma das medidas mais eficazes para a segurança dos visitantes. Sair dos caminhos demarcados aumenta a probabilidade de surpreender animais silvestres ou de entrar em seus habitats preferidos. O novo mapa de segurança oferece as informações necessárias para que os visitantes decidam por quais trilhas seguir e quando redobrar a atenção.

Os desafios da coexistência em uma megacidade

A situação no Monte Bukhan é um retrato em pequena escala do desafio mais amplo da coexistência entre humanos e animais silvestres em ambientes que se urbanizam rapidamente no mundo todo. Com cerca de 25 milhões de habitantes na região metropolitana de Seul, a presença de javalis representa um desafio importante para as autoridades responsáveis pelo manejo. O Parque Nacional de Bukhansan, com 78,5 quilômetros quadrados e pico mais alto a 836 metros, é a principal área verde para os moradores da cidade e recebe cerca de 5 milhões de visitantes por ano (6,08 milhões em 2016). A intensa atividade humana dentro e nos arredores do parque cria inúmeras oportunidades de encontros com animais silvestres.

O parque é cercado por áreas urbanas e isolado de outros habitats naturais por rodovias e zonas urbanizadas, o que o transforma, em certa medida, em uma ilha ecológica. A vegetação do Parque Nacional de Bukhansan é dominada por formações de Quercus mongolica e Pinus densiflora, além de carvalhais e florestas mistas. Esses tipos de floresta oferecem alimento e abrigo aos javalis, e as castanhas coreanas são um alimento particularmente importante, conforme sua disponibilidade. A combinação de um habitat rico em vida silvestre com o intenso uso recreativo por humanos cria uma tensão inerente que exige manejo cuidadoso.

Especialistas ressaltam que ainda faltam pesquisas abrangentes sobre o comportamento dos javalis, apesar dos prejuízos substanciais que eles causam todos os anos. Na Coreia, os projetos de pesquisa costumam durar apenas de três a cinco anos, mas são necessários pelo menos 10 anos de estudos contínuos para reunir dados relevantes sobre os padrões de comportamento e as características dos javalis. A dificuldade de instalar dispositivos GPS em animais silvestres grandes e agressivos complica ainda mais os trabalhos de pesquisa.

Para preencher essa lacuna, o Serviço Nacional de Parques da Coreia iniciou um projeto de longo prazo para analisar os deslocamentos sazonais e o comportamento dos javalis, instalando rastreadores GPS em animais do Monte Jirisan. Atualmente, três javalis estão com rastreadores GPS, mas a agência pretende aumentar gradualmente esse número para 30. Depois que os dados das estações de outono e inverno forem coletados, os pesquisadores esperam obter uma compreensão mais completa dos padrões de deslocamento dos animais, que possa orientar as estratégias de manejo.

A questão fundamental da coexistência continua sem resposta. Como observou Shin Nam-shik, os humanos reduziram as áreas de habitat da vida selvagem por meio de obras imprudentes nas montanhas e florestas, dando aos animais motivos para avançar sobre os espaços urbanos. Encontrar um equilíbrio entre preservar os ecossistemas naturais e garantir a segurança das pessoas em uma das regiões metropolitanas mais populosas do mundo continua sendo um desafio para gestores de parques, urbanistas e especialistas em vida silvestre.

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Em resumo

  • Os javalis se tornaram presença frequente no Monte Bukhan, e visitantes encontram os animais regularmente perto das trilhas
  • O primeiro avistamento de javalis na área ocorreu em 2004, e a população e os encontros aumentaram significativamente ao longo de duas décadas
  • O novo "mapa de segurança contra javalis" identifica quatro trilhas de maior risco: Bukhansanseong, Uiam, Obong e Bogukmun
  • É proibido alimentar os javalis, pois isso os acostuma à presença humana e aumenta o perigo
  • Quem encontrar um javali deve manter a calma, sustentar o contato visual e recuar devagar, sem virar as costas
  • A presença da peste suína africana exige que javalis mortos ou doentes sejam comunicados às autoridades
  • As ações de controle populacional incluem a caça; mais de 12 mil javalis foram abatidos por caçadores registrados em 2012
  • Os encontros com javalis costumam aumentar durante a temporada de acasalamento no inverno, quando há menos alimento e a competição territorial se intensifica
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