Do microfone do estúdio ao jinrikisha: uma DJ de Tóquio e o crescimento das mulheres condutoras de riquixá

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Do microfone do estúdio ao jinrikisha: uma DJ de Tóquio e o crescimento das mulheres condutoras de riquixá

Um novo capítulo nas ruas de Asakusa

Nas ruas de Asakusa, em Tóquio, uma figura conhecida chama a atenção dos turistas enquanto conduz um carrinho de duas rodas diante da lanterna vermelha de Kaminarimon. É Arisa Sekimori, de 29 anos, condutora de riquixá que começou no trabalho para praticar a conversa com desconhecidos. Oito anos depois, ela se tornou a primeira gerente da empresa e também trabalha como DJ de rádio. O que começou como uma forma de aprimorar a voz se tornou uma vocação que a mantém em movimento entre o microfone do estúdio e o guidão do riquixá.

Conteúdo
  1. Um novo capítulo nas ruas de Asakusa
  2. Quem é Arisa Sekimori?
  3. Da rejeição ao microfone do rádio
  4. Por que mais mulheres conduzem riquixás em Tóquio
  5. O que o trabalho exige
  6. Treinamento e técnica
  7. Remuneração e jornada
  8. Desafios nas ruas
  9. Tradição e modernidade em Asakusa
  10. O que isso significa para a cultura de trabalho no Japão
  11. Em resumo

Quatro dias por semana, Sekimori conduz visitantes por um dos bairros mais antigos de Tóquio, mostrando a história do templo Sensoji e as melhores ruas para encontrar doces. Nos outros dias, apresenta programas de rádio, uma oportunidade que perseguiu após centenas de entrevistas de emprego em emissoras de televisão. Ela não tira folgas: diz que sua paixão pelos dois trabalhos e a conexão com os passageiros, que confiam a ela seu tempo e suas histórias, dão força para manter essa rotina.

No início da busca por uma carreira na radiodifusão, um orientador profissional sugeriu um exercício simples: sair e conversar com as pessoas. O trabalho com riquixá ofereceu exatamente isso. No começo, ela tinha dificuldade para atrair clientes e manter o interesse deles. A orientação do presidente da empresa a ajudou a perceber que comentários, humor e conhecimento local são tão importantes quanto a força nas pernas. Quando parou de recitar fatos e começou a entreter, encontrou seu ritmo nas ruas e diante do microfone.

A trajetória de Sekimori coincide com a escolha de um número cada vez maior de mulheres pelo trabalho com riquixás em Asakusa. As empresas relatam um aumento constante no número de condutoras e guias. Uma grande operadora, a Tokyo Rickshaw, afirma que as mulheres representam cerca de um terço de seus condutores. A empresa tinha apenas quatro mulheres em 2020 e, em 2024, chegou a quase 30, incluindo aprendizes, entre cerca de 130 condutores. As redes sociais tiveram um papel importante: vídeos de treinamentos, registros do cotidiano e transmissões ao vivo mostraram que o trabalho valoriza a comunicação tanto quanto a força física.

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Quem é Arisa Sekimori?

Sekimori tem baixa estatura, cerca de 155 centímetros, mas construiu uma reputação de habilidade e cuidado. Certa vez, transportou sem incidentes um passageiro que pesava cerca de 150 quilos. A técnica é tão importante quanto a força, diz ela. O equilíbrio dos braços e das costas, o cuidado com os passos e a leitura do caminho podem deixar estável um carrinho carregado. Sua família ficou desconfiada no início, mas as dúvidas diminuíram ao ver o quanto ela gostava do trabalho.

Questionada sobre como uma condutora menor lida com cargas pesadas, Sekimori explica a mecânica que aprendeu no trabalho.

Há um ponto em que o riquixá fica mais leve quando você puxa o guidão para cima e mantém o equilíbrio. Depois que pega o jeito, as mulheres não têm problema para conduzir um riquixá.

Sua semana é simples de descrever e difícil de cumprir. Ela conduz riquixás na maior parte da semana e passa o restante na estação de rádio que escolheu porque acolheu seu compromisso com as ruas. Também orienta novos funcionários, com base nos anos que passou descobrindo como transformar um passeio curto em um tour memorável.

Da rejeição ao microfone do rádio

Antes de conseguir entrar no estúdio, Sekimori participou de mais de cem entrevistas em emissoras de todo o setor de radiodifusão do Japão, conta ela. Não foi contratada. O revés a levou a construir sua própria plataforma. Como guia de riquixá, aprendeu a projetar a voz, a contar uma história no momento certo, diante de uma esquina ou de uma paisagem, e a acompanhar a energia do grupo. Essas lições ao vivo nas ruas a ajudaram a brilhar quando finalmente surgiu a oportunidade de apresentar um programa de rádio.

Por que mais mulheres conduzem riquixás em Tóquio

Com a retomada do turismo, jovens mulheres passaram a se destacar em Asakusa, atraídas pela combinação de atividade física, fala em público e construção de uma marca pessoal. O treinamento é estruturado e exigente, com condutores experientes ensinando técnicas, segurança e os princípios básicos do atendimento ao cliente. Os resultados aparecem todas as manhãs, quando as equipes fazem alongamento, lustram os carrinhos e saem para receber visitantes do mundo todo.

Ryuta Nishio, presidente da Tokyo Rickshaw, diz que as primeiras contratações e as redes sociais ajudaram a mudar percepções e incentivaram a candidatura de pessoas que nunca haviam considerado esse trabalho.

A primeira garota que entrou era muito legal. Depois que publicamos vídeos dela nas redes sociais, muitas outras garotas seguiram o exemplo e vieram trabalhar conosco. Daqui para a frente, quero criar um lugar onde as mulheres se sintam à vontade para trabalhar e tenham um papel ativo.

Para algumas contratadas, a decisão de experimentar o trabalho com riquixá começou na internet e se transformou em carreira após meses de treinamento. A universitária Yumeka Sakurai acompanhou a nova onda pelo celular, depois se inscreveu e treinou até conseguir conduzir sozinha.

Assisti a muitos vídeos de mulheres treinando duro e se tornando condutoras de riquixá. Eles me deram confiança de que eu também conseguiria se me esforçasse.

Outra condutora, Yuka Akimoto, diz que as primeiras semanas foram exaustivas e que o carrinho parecia pesado. Ela persistiu e encontrou um ritmo que conseguia manter.

Não vou negar que foi extremamente difícil no começo. Não sou atlética e o carrinho parecia muito pesado.

À medida que mais mulheres publicam seus trajetos, lojas de lanches favoritas e vídeos dos bastidores, elas conquistam seguidores fiéis. Hoje, visitantes pedem condutoras específicas pelo nome, o que ajuda a aumentar os ganhos e oferece às novas contratadas um caminho para conseguir trabalho com regularidade.

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O que o trabalho exige

Os condutores de Asakusa percorrem cerca de 20 quilômetros por dia, muitas vezes sob calor ou chuva. Um carrinho padrão pode pesar quase 90 quilos vazio e, com os passageiros, o peso total pode chegar a 200 ou 250 quilos. O sucesso depende da postura, de passos eficientes e de saber quando descansar. Os condutores usam tabi, calçados com separação para os dedos que oferecem aderência nas ruas molhadas e ajudam no equilíbrio ao trotar ou caminhar em meio ao trânsito.

Treinamento e técnica

As empresas oferecem treinamento em várias etapas, que pode durar de alguns meses a um ano, dependendo do preparo físico e do domínio das técnicas. Os aprendizes praticam arrancadas e paradas, curvas em ruas estreitas e exercícios de emergência. Estudam trajetos, história e etiqueta para responder a perguntas e organizar momentos para fotos em portões e pontes. Muitos falam pelo menos o inglês básico, e os melhores são anfitriões natos, capazes de ajustar o tom para famílias, casais ou viajantes solo.

Remuneração e jornada

Os ganhos variam conforme a habilidade e o número de reservas. Os condutores mais bem remunerados podem ganhar mais de 1 milhão de ienes por mês (cerca de 6.700 dólares) durante a alta temporada. Muitas empresas adotam um modelo de pagamento por comissão. Conseguir uma vaga é difícil: algumas operadoras contratam menos de um em cada dez candidatos. A jornada pode ser longa nos fins de semana e feriados, e os condutores planejam com cuidado a hidratação, os alongamentos e as refeições para evitar lesões.

Misato Otoshi, condutora experiente e responsável pelas relações públicas da empresa, diz que as mulheres trazem qualidades próprias para o trabalho, como o olhar atento para boas opções de comida e uma conversa acolhedora que ajuda os visitantes a relaxar.

Alguns clientes dizem que é mais fácil conversar com condutoras. O conhecimento delas sobre novas lojas de doces e restaurantes locais dá um toque especial à experiência.

Otoshi e outros funcionários experientes orientam os novos contratados tanto na postura quanto na apresentação, desde projetar a voz até construir uma narrativa curta que dê vida a um beco ou templo.

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Desafios nas ruas

As mulheres que trabalham no setor ainda enfrentam ceticismo. Alguns clientes questionam sua força ou põem à prova seu conhecimento local. Há casos ocasionais de assédio, e os gerentes dizem agir rapidamente quando os funcionários relatam problemas. As empresas ressaltam que os critérios são os mesmos para todos, e muitas mulheres lutam para serem avaliadas exclusivamente pelo desempenho.

Questionado sobre as expectativas em relação aos funcionários, Nishio diz que a empresa aplica os mesmos critérios a todos os condutores.

Tratamos condutores e condutoras exatamente da mesma forma. As mulheres dizem que querem ser tratadas como os homens e, na verdade, muitas delas são bem mais resistentes.

A veterana Shiori Yano, que voltou ao trabalho depois de ter um filho, descreve tanto o atrativo quanto o desgaste da profissão. Ela trabalha o dia todo e depois corre para buscar a filha e preparar o jantar.

Por fora, esse trabalho parecia glamoroso, mas passei por momentos difíceis, inclusive quando me rejeitaram para escolher um condutor homem.

Para apoiar os funcionários, as equipes costumam colocar iniciantes ao lado de condutores experientes nas primeiras semanas. Algumas mulheres agora atuam como treinadoras, um sinal de que a carreira está se abrindo.

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Tradição e modernidade em Asakusa

A palavra riquixá vem do termo japonês jinrikisha (veículo movido por força humana). Depois que as restrições ao transporte sobre rodas foram suspensas, no fim do século 19, o carrinho de duas rodas se espalhou rapidamente pelas cidades. Na Tóquio do século 21, o veículo tem outro papel. É parte passeio, parte visita guiada e, acima de tudo, um palco para contadores de histórias locais.

Asakusa é o coração desse cenário. Os passageiros passam por lojas que vendem bolinhos ningyo yaki, cruzam o rio Sumida por pontes fotogênicas e fazem uma pausa sob a lanterna de Kaminarimon antes do longo caminho até o templo Sensoji. Os condutores tiram fotos, dão dicas de lanches e, quando o passageiro pede, correm por um trecho curto em meio à multidão.

Para muitos condutores iniciantes, a atração desse lugar é pessoal. Eles querem conversar em inglês com os visitantes, aprender história e testar seus limites nas ruas.

Riho Arai, uma jovem condutora que estreou em Asakusa, diz que os elogios dos passageiros são o melhor combustível para seguir em frente no calor.

Eu queria um trabalho em que pudesse usar meu inglês. A gratidão das pessoas, como quando dizem: 'Ainda bem que você foi nossa guia', é o que me mantém motivada.

A duração do treinamento varia. Alguns estão prontos em dois meses; outros levam quase um ano. De qualquer forma, os novos condutores dizem que o primeiro dia com passageiros de verdade, quando o passeio é tranquilo e os sorrisos são sinceros, faz todo o esforço valer a pena.

O que isso significa para a cultura de trabalho no Japão

O crescimento da presença feminina no trabalho com riquixás reflete mudanças na forma como os jovens do Japão pensam sobre empregos, status e horários. Para alguns, um trabalho nas ruas que combina preparo físico, hospitalidade e promoção pessoal pode ser mais atraente do que um cargo de escritório. As redes sociais reduzem barreiras ao permitir que candidatos vejam o trabalho de perto e conheçam modelos que se parecem com eles.

A retomada do turismo também ampliou as oportunidades para falar outros idiomas e criar uma relação direta com os clientes. Empresas que investem em treinamento, segurança e gestão inclusiva podem atrair profissionais que talvez escolhessem outros caminhos. Nesse contexto, Sekimori se destaca por mostrar como as habilidades desenvolvidas com um carrinho podem se transformar em confiança diante de um microfone.

Seus dois trabalhos têm a mesma essência. Ambos exigem controle da voz, senso de tempo e empatia. Ambos requerem paciência para aprender com os erros e determinação para voltar na manhã seguinte. É por isso que sua história repercute muito além de um único bairro.

Em resumo

  • Arisa Sekimori, de 29 anos, divide a semana entre passeios de riquixá em Asakusa e a apresentação de programas de rádio
  • Ela trabalha nas ruas há oito anos e se tornou a primeira gerente da empresa
  • Começou a trabalhar com riquixá para aprimorar sua comunicação, depois de participar de mais de cem entrevistas de emprego em emissoras
  • As mulheres representam uma parcela crescente dos condutores em Asakusa: em uma grande operadora, passaram de quatro em 2020 para quase 30 entre cerca de 130 em 2024
  • Os condutores percorrem cerca de 20 quilômetros por dia e lidam com cargas que podem chegar a 200 ou 250 quilos
  • Os profissionais mais bem remunerados podem ganhar mais de 1 milhão de ienes por mês (cerca de 6.700 dólares), em um processo seletivo concorrido
  • As redes sociais ajudam a recrutar e permitem que os condutores conquistem seguidores e clientes recorrentes
  • As mulheres ainda enfrentam ceticismo e casos ocasionais de assédio, mas as empresas dizem que os critérios são iguais e muitas já treinam novos funcionários
  • Os passeios por Asakusa incluem pontos turísticos como Kaminarimon e Sensoji, combinando tradição e narrativas contemporâneas
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