Cozinhas comunitárias alimentam milhares durante enchentes no centro do Vietnã

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Cozinhas comunitárias alimentam milhares durante enchentes no centro do Vietnã

Por dentro da corrida para preparar e entregar refeições quentes

Em um posto de gasolina alagado no povoado de Phu Huu, comuna de Hoa Thinh, uma lona azul cede sob a chuva constante enquanto a fumaça sobe de fileiras de fogueiras a céu aberto. Voluntários de capas de chuva plásticas cortam legumes com os dedos gelados e mexem grandes panelas de arroz e ensopado. É fim da manhã, e centenas de moradores de chapéu cônico aguardam em uma fila silenciosa para receber um almoço gratuito. Alguns abrem as marmitas e comem ali mesmo. Muitos estão há quatro dias sem uma refeição quente.

Conteúdo
  1. Por dentro da corrida para preparar e entregar refeições quentes
  2. As cozinhas e as pessoas que as mantêm funcionando
  3. Vizinhos alimentam vizinhos
  4. Ajuda em larga escala e a corrida para chegar às áreas isoladas
  5. Do macarrão instantâneo ao que as famílias precisam agora
  6. Por que as enchentes no centro do Vietnã se tornam mortais tão rapidamente
  7. Prioridades de recuperação e como as comunidades estão se organizando
  8. Principais pontos

Dois caminhões pequenos, vindos da mesma cozinha, entram em uma estrada lamacenta rumo ao povoado de My Lam, onde a água ainda cobre os campos. Moradores atravessam a água para encontrá-los, com as sandálias afundando no lodo. A equipe da cozinha se inclina para fora da carroceria e entrega as marmitas antes de voltar para buscar mais. Só naquela manhã, um grupo beneficente vegetariano conhecido como Nhat Tam Chay distribuiu duas mil refeições e itens essenciais a pessoas que começavam a sair da área alagada.

Cenas como essa se espalharam por Phu Yen e províncias vizinhas após dias de chuvas extremas, transbordamentos de rios e deslizamentos de terra. Linhas de energia caíram. Estradas ficaram interditadas. Os alimentos começaram a faltar. Cozinheiros voluntários entraram em ação com algo simples e capaz de salvar vidas: arroz quente, legumes, peixe e sopa, seguidos de mais uma leva e outra depois dela. O trabalho não para, muitas vezes avançando noite adentro.

O cozinheiro-chefe Nguyen Khac Chung lidera a equipe sob a lona. Ele chama o acampamento de cozinha dos cinco nãos: sem eletricidade, sem água limpa, sem lugar para dormir, sem banheiro e sem tempo para tomar banho. Água limpa e gás chegam de moto, e monges do Mosteiro Zen Truc Lam cozinham arroz a vapor no alto do morro, enviando cerca de quatrocentos quilos por dia até o posto. Ao meio-dia, não sobra um grão.

Chung diz que a urgência ficou evidente no primeiro dia de distribuição (23 de novembro), quando a fome transformou a multidão que aguardava em uma correria no momento em que o caminhão parou. Em poucas horas, sua equipe aumentou a produção e continuou trabalhando sem descanso.

Chung explicou como a visão das longas filas mudou a equipe.

Ver as pessoas finalmente conseguirem comer arroz quando estão passando fome faz nosso cansaço desaparecer.
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As cozinhas e as pessoas que as mantêm funcionando

O que começou como uma pequena equipe de doze voluntários se transformou em um batalhão de cozinheiros, motoristas e pessoas encarregadas de embalar as refeições. Alguns trabalharam três noites seguidas. Uma mulher fica perto das fogueiras, mexendo duas ou três panelas ao mesmo tempo e se recusando a se deitar. Outro voluntário veio de avião de Hanói para participar da mobilização. Assim que terminam as entregas da manhã, a equipe começa a preparar milhares de porções para a tarde, para que as famílias tenham forças para limpar e iniciar os reparos.

A trinta quilômetros dali, na cidade de Tuy Hoa, um grupo conhecido por operar caixas eletrônicos de arroz durante a pandemia instalou fogões em um hotel econômico que agora funciona como centro de comando e cozinha. O organizador Nguyen Dang Hau chegou ao amanhecer de 23 de novembro com uma equipe central e montou imediatamente os postos de preparo. A falta de energia no primeiro dia limitou a produção a pouco mais de mil e seiscentas refeições, mas, no dia seguinte, com o apoio de moradores locais, o grupo chegou a duas mil e quinhentas refeições entre almoços e jantares. Ao mesmo tempo, mobilizou dezenas de toneladas de arroz, água engarrafada e outros suprimentos para entrega em povoados mais afastados.

Essas equipes fazem mais do que cozinhar. Elas planejam, verificam as condições e encontram caminhos por estradas danificadas. Quando não há outra opção, os grupos chegam de barco. Eles confirmam onde estão os moradores idosos, abrigados nos andares superiores, onde famílias vivem nos telhados e onde crianças passam dias sem água limpa. O objetivo é simples: chegar com comida em mãos e não deixar nenhuma comunidade necessitada sem ajuda.

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Vizinhos alimentam vizinhos

Algumas das cozinhas mais eficazes não foram fundadas por grandes grupos, mas pelas próprias vítimas das enchentes. No povoado de Le Loc Binh, comuna de Son Thanh, Ho Thi Bich Tram e seus vizinhos vivem em um terreno um pouco mais elevado. Quando a água subiu, eles juntaram os alimentos que tinham e começaram a cozinhar para quem continuava preso nas áreas mais baixas. Uma família que costuma depender de doações levou cinco quilos de arroz e dez pacotes de macarrão instantâneo para compartilhar. No início, os cozinheiros preparavam mamão e amendoim. Com a chegada das doações, acrescentaram carne e peixe e agora produzem quatrocentas porções quentes por dia.

Voluntários transportam as refeições por estradas transformadas em atoleiros. Eles avançam pela água, que chega aos joelhos, e levam comida a lugares onde poucas pessoas de fora conseguiram chegar. Para os moradores que descem dos telhados ou retiram a lama do chão, essas entregas são o primeiro sinal de que a ajuda os encontrou.

Tram contou um episódio de 23 de novembro que não consegue esquecer, quando sua equipe entrou em um beco estreito em Hoa Thinh.

Um homem na casa dos setenta saiu tremendo. Quando lhe entregamos uma marmita de arroz quente, ele caiu no choro como uma criança. Disse: “Não como há dias. Estou com muita fome.”

A promessa de uma refeição quente passou a significar mais do que alimento. É um sinal de que vizinhos e desconhecidos se recusam a deixar alguém para trás.

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Ajuda em larga escala e a corrida para chegar às áreas isoladas

Por trás da fumaça das cozinhas improvisadas, uma mobilização mais ampla transporta alimentos e equipamentos pela região. Autoridades municipais, militares e grupos cívicos montaram pontos de coleta, separaram doações e organizaram comboios que circulam dia e noite. Nas grandes cidades, milhares de voluntários reuniram roupas, água engarrafada e alimentos prontos para consumo e, em seguida, passaram a arrecadar combustível, medicamentos e ferramentas para a limpeza. Caminhões partem sob refletores rumo às áreas mais atingidas na costa centro-sul e nas Terras Altas Centrais.

Autoridades informam que mais de mil toneladas de itens essenciais foram arrecadadas e transportadas em apenas alguns dias e que o fluxo de suprimentos continua. Em muitas comunas, equipes de serviço, grupos de jovens e monges trabalham juntos em cozinhas comunitárias para alimentar moradores e pessoas que estão na linha de frente da limpeza. Em uma comuna, três cozinhas preparam cerca de vinte e cinco mil refeições por dia e continuarão até que a vida se estabilize. Em outros locais, comunidades fazem bolos tradicionais de arroz, preparam peixe em conserva e cozinham para hospitais, escolas e famílias isoladas.

A dimensão dos danos é grave. Departamentos provinciais de educação afirmam que dezenas de escolas e vários hospitais sofreram danos pesados. Dezenas de milhares de estudantes estão sem aulas enquanto a lama é removida e os prédios, reparados. Em várias províncias, as autoridades registram mais de cem mortos ou desaparecidos, com prejuízos totais na casa dos bilhões de dongs vietnamitas. Os militares evacuaram dezenas de milhares de pessoas, enviaram helicópteros para chegar às áreas isoladas e montaram postos de comando para coordenar as entregas.

Alguns povoados continuam isolados. No vilarejo de Hiep Dong, na província de Dak Lak, as águas cercaram mais de duzentas casas durante uma semana. As estradas permaneceram cobertas por meio metro de água. Os suprimentos precisavam ser reunidos perto de uma ponte e transportados de canoa por correntes traiçoeiras e entre linhas de energia submersas. Uma cozinha de campanha em terreno mais alto fornecia refeições diariamente, enquanto voluntários entravam e saíam com ajuda.

Os desafios das entregas são reais. As equipes precisam avaliar onde a água está rasa o bastante para avançar e onde a correnteza é forte demais para arriscar. Elas esperam a chuva diminuir e acompanham quem já recebeu comida e quem ainda precisa de ajuda. Nesse trabalho, a coordenação com autoridades locais e líderes dos povoados fez toda a diferença, garantindo que as refeições e os suprimentos cheguem a quem mais precisa.

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Do macarrão instantâneo ao que as famílias precisam agora

Quando as águas sobem, as prioridades são simples. As pessoas precisam de alimentos prontos que não exijam preparo, água limpa e proteção básica contra o frio. Macarrão instantâneo, marmitas de arroz e água engarrafada ajudam a manter as pessoas alimentadas até o nível da água baixar e os fogões poderem ser acesos novamente. A demanda muda rapidamente quando as famílias conseguem voltar às cozinhas.

Equipes de ajuda na região afirmam que a próxima fase das necessidades inclui itens que permitam retomar a rotina e proteger a saúde. As famílias precisam de fogões a gás, recipientes grandes para água, desinfetantes, medicamentos comuns e produtos que preservem a dignidade e a higiene. Mulheres e crianças muitas vezes não têm acesso a itens pouco mencionados, mas essenciais em qualquer emergência.

  • roupas quentes, cobertores e mosquiteiros
  • fogões portáteis a gás e combustível
  • recipientes para água, filtros e sabão
  • medicamentos para infecções respiratórias e de pele
  • fórmula infantil, fraldas e absorventes
  • lanternas, pilhas e opções para carregar celulares
  • alimentos básicos, como arroz, óleo de cozinha, molho de peixe e proteínas enlatadas

Esses itens são importantes porque a limpeza traz novos riscos. A lama se acumula. A água parada favorece a proliferação de mosquitos. As pessoas trabalham sob chuva fria e com roupas molhadas. O combustível é escasso, a lenha está encharcada e a energia pode ficar cortada por dias. Equipes de ajuda ressaltam que, assim que as famílias conseguem cozinhar, arroz quente e alimentos básicos simples ajudam a recuperar as forças mais rapidamente do que o macarrão instantâneo. Nessa fase, a assistência em dinheiro também se torna útil, pois permite que cada família compre o que realmente precisa e ajuda os comércios locais a reabrir.

Líderes locais incentivam os grupos de ajuda a coordenar as entregas, compartilhar informações sobre as necessidades de cada comuna e evitar congestionamentos nas estradas danificadas. O objetivo é fazer com que os suprimentos correspondam às necessidades, reduzir a duplicação de esforços e acelerar a passagem da distribuição emergencial de alimentos para a limpeza e a recuperação.

Por que as enchentes no centro do Vietnã se tornam mortais tão rapidamente

O centro do Vietnã fica entre montanhas íngremes e uma estreita planície costeira. A chuva que cai nas montanhas desce rapidamente por rios curtos até áreas baixas, com poucas opções de escoamento. Quando as tempestades ficam paradas ou trazem vários dias de chuva intensa, os rios sobem rapidamente e invadem cidades e campos de arroz. Deslizamentos de terra bloqueiam estradas e isolam povoados. Até áreas que raramente alagam podem ficar submersas se a chuva for forte o bastante.

A expansão urbana aumenta os riscos quando novos bairros avançam sobre áreas sujeitas a enchentes, a drenagem não acompanha as construções ou as encostas perdem a vegetação. As mudanças climáticas acrescentam outro fator de perigo, já que a região enfrenta episódios de chuva mais intensa. Quando várias condições se combinam, o resultado é o que os moradores viveram nesta semana: águas subindo rapidamente, isolamento prolongado e danos generalizados a casas, plantações e serviços públicos.

As cozinhas voluntárias têm um papel próprio nesse cenário. Elas podem ser montadas em qualquer terreno elevado com acesso a água e fogo. Atendem à primeira necessidade da maioria das famílias em uma tragédia e se adaptam conforme as condições mudam. Sua mobilidade e seu conhecimento local complementam os esforços em larga escala dos militares, dos órgãos municipais e dos grupos de ajuda, que fornecem logística pesada e apoio especializado.

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Prioridades de recuperação e como as comunidades estão se organizando

À medida que as águas baixam, o foco se volta para retirar a lama, consertar casas e reabrir escolas. Líderes municipais anunciaram fundos emergenciais para as províncias mais afetadas e coordenaram equipes para reparar salas de aula, restabelecer estações de telecomunicações e estabilizar os preços. Equipes de saúde começaram a vacinar e examinar moradores para prevenir infecções durante a limpeza. O setor educacional está trabalhando para repor materiais perdidos, com um plano para entregar milhões de livros didáticos gratuitos aos estudantes das áreas alagadas.

Grupos comunitários e comitês municipais abriram muitos pontos de coleta, e bancos estão recebendo doações. Organizadores afirmam que toda contribuição, grande ou pequena, pode se transformar em pás, combustível e materiais para consertar telhados. As equipes direcionam as doações para necessidades específicas, como reconstruir uma sala de aula, substituir móveis básicos ou comprar bombas para escoar a água parada.

Grupos de ajuda também destacam um princípio amplamente aceito na resposta a desastres: primeiro, comida; depois, itens de higiene e dignidade e ferramentas; por fim, assistência em dinheiro para que as famílias possam fazer suas próprias escolhas. Nas áreas rurais, o apoio à recuperação incluirá sementes, animais e crédito para que os agricultores retomem a produção. Pequenos comerciantes e donos de lojas precisam de ajuda para limpar seus estabelecimentos e repor os estoques. Quanto mais rápido as economias locais voltarem a funcionar, mais cedo as comunidades recuperarão a estabilidade.

De volta ao posto de gasolina alagado, as panelas continuam fervendo. Nas cozinhas de toda a região, a mensagem é a mesma. O trabalho continuará até que o último povoado afastado tenha comida quente e as famílias mais isoladas tenham o que precisam para se reerguer.

Ao serem perguntados quando parariam, os líderes voluntários que montaram essas cozinhas em poucos dias frenéticos deram a mesma resposta.

Vamos continuar cozinhando até que todos aqui estejam bem.

Principais pontos

  • Cozinhas voluntárias em Phu Yen e províncias próximas servem milhares de refeições quentes por dia enquanto as enchentes interrompem o fornecimento de energia e bloqueiam estradas.
  • Uma equipe liderada por Nguyen Khac Chung trabalha sob uma lona, sem eletricidade nem água limpa, com o apoio de monges que cozinham centenas de quilos de arroz.
  • Outro grupo em Tuy Hoa passou de mil e seiscentas para duas mil e quinhentas refeições em um dia e mobilizou dezenas de toneladas de suprimentos.
  • Moradores como Ho Thi Bich Tram criaram cozinhas comunitárias que agora entregam centenas de porções quentes a povoados de difícil acesso.
  • Autoridades informam que mais de mil toneladas de ajuda foram arrecadadas e transportadas nos últimos dias, com amplo apoio de órgãos municipais e dos militares.
  • Algumas áreas continuam isoladas, como o vilarejo de Hiep Dong, em Dak Lak, onde os suprimentos foram transportados de canoa e uma cozinha de campanha funcionou em terreno mais alto.
  • Com o início da limpeza, as necessidades estão mudando dos alimentos prontos para fogões a gás, recipientes para água, itens de higiene, medicamentos e roupas básicas.
  • Os serviços de educação sofreram danos, e muitos estudantes estão sem aulas enquanto as escolas são reparadas e os materiais, repostos.
  • Autoridades e voluntários ressaltam a importância da coordenação para que a ajuda corresponda às necessidades locais e acelere a transição da distribuição emergencial de alimentos para a recuperação.
  • Líderes voluntários afirmam que continuarão cozinhando até que todas as comunidades afetadas tenham acesso a alimentos e suprimentos essenciais.
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