Taiwan e Filipinas estreitam laços em meio a tensões com a China

17 min de leitura
Taiwan e Filipinas estreitam laços em meio a tensões com a China

Laços se fortalecem apesar do aumento das tensões

O interesse dos filipinos por Taiwan está crescendo rapidamente, e isso se reflete nos aeroportos, nas salas de aula e nos bairros da ilha. Em 2024, os filipinos se tornaram o principal grupo de visitantes do Sudeste Asiático em Taiwan, superando malaios e singapurenses. Campanhas de turismo nas Filipinas, a popularidade da cultura pop taiwanesa e a entrada sem visto em Taiwan para portadores de passaporte filipino ajudaram a impulsionar esse aumento. Manila retribuiu permitindo que turistas taiwaneses entrassem nas Filipinas sem visto para estadias curtas a partir de 2025. As viagens são apenas uma parte de uma história muito maior. Os laços não oficiais entre Taiwan e as Filipinas estão se ampliando, apesar da retórica mais contundente e dos incidentes no Estreito de Taiwan e no Mar da China Meridional.

Conteúdo
  1. Laços se fortalecem apesar do aumento das tensões
  2. Por que Manila e Taipei estão se aproximando agora
  3. O que mudou na abordagem de Manila aos contatos não oficiais
  4. Laços comerciais, de trabalho e de estudo se estreitam
  5. Chips, cadeias de suprimentos e a Nova Política para o Sul
  6. Advertências de Pequim e reação regional
  7. O debate dentro das Filipinas
  8. O que uma crise em Taiwan significaria para as Filipinas
  9. Evacuação e planejamento de contingência
  10. O que observar daqui para a frente
  11. Pontos principais

Embora as Filipinas sigam a política de Uma Só China e não mantenham relações diplomáticas formais com Taipei, os vínculos econômicos, educacionais e sociais continuam se aprofundando. Quase 200.000 filipinos vivem e trabalham em Taiwan, muitos em fábricas e no setor de cuidados. Autoridades filipinas e grupos empresariais contabilizam mais de 600 empresas taiwanesas em operação nas Filipinas nos setores de manufatura, logística e serviços. O comércio também está crescendo. O comércio bilateral chegou a cerca de 6,71 bilhões de dólares em 2024, e Taiwan ficou entre os dez maiores parceiros comerciais das Filipinas. Taiwan também foi o oitavo maior mercado de exportação filipino em 2024. Esses laços estão se expandindo num momento em que os dois lados buscam estabilidade e crescimento sustentado em uma região sob pressão crescente.

Para os formuladores de políticas em Manila e Taipei, a cooperação prática se tornou uma forma de construir confiança sem tomar medidas que possam provocar retaliação diplomática. Bolsas de estudo e programas de formação levaram mais estudantes filipinos a universidades taiwanesas, especialmente nas áreas de ciência, engenharia e relacionadas a semicondutores. Comunidades filipinas em Taiwan, incluindo uma animada Little Manila em Taipei, estão prosperando à medida que empresas promovem a culinária, a música e a cultura do país. Muitos filipinos que vivem e trabalham em Taiwan dizem querer uma colaboração mais forte e uma região tranquila, mesmo com a intensificação da rivalidade entre grandes potências.

Por que Manila e Taipei estão se aproximando agora

As ações marítimas da China nas águas filipinas, incluindo abalroamentos e incidentes com canhões de água perto de baixios disputados, endureceram a posição de Manila no Mar da China Meridional. Ao mesmo tempo, a preocupação com uma possível crise em Taiwan ganhou espaço no centro do planejamento de segurança das Filipinas. A geografia explica essa urgência. O Canal de Bashi e o Estreito de Luzon, que separam Taiwan do norte das Filipinas, são passagens marítimas estreitas por onde circulam o comércio e o tráfego militar entre o Pacífico ocidental e o Mar da China Meridional. Líderes filipinos argumentam que qualquer conflito ou bloqueio nessas águas afetaria seu território e seus cidadãos quase imediatamente.

Analistas da RAND e de outras instituições de pesquisa dizem que as Filipinas começaram a deixar de priorizar conflitos internos para se concentrar na defesa externa. O governo ampliou para nove localidades o acesso dos Estados Unidos previsto no Acordo de Cooperação de Defesa Reforçada (EDCA), várias delas no norte de Luzon, mais próximas de Taiwan. O presidente Ferdinand Marcos Jr. visitou unidades no norte e enfatizou a necessidade de se preparar para ameaças externas. O novo Conceito Abrangente de Defesa do Arquipélago das Filipinas busca aprimorar a vigilância marítima e impedir incursões em estreitos estratégicos. Forças americanas e filipinas apoiaram a criação de uma nova instalação em Itbayat, em Batanes, a ilha habitada mais ao norte do país, para armazenar suprimentos de emergência e melhorar a logística. Exercícios conjuntos em Batanes e arredores, incluindo os integrados à manobra anual Balikatan, vêm praticando cada vez mais cenários relevantes para uma emergência no Estreito de Taiwan. As Filipinas também construíram uma nova estação da guarda costeira em Itbayat depois de detectar atividade naval chinesa após visitas de alto perfil a Taipei em 2022. O emprego, durante exercícios, de sistemas como o Typhon do Exército dos EUA, capaz de disparar mísseis antinavio e de ataque terrestre, sinaliza um foco crescente na dissuasão nas rotas marítimas do norte.

Essas medidas refletem o cálculo de Manila de que o custo da inação pode superar os riscos de uma cooperação limitada com aliados. O governo ainda precisa fazer escolhas difíceis, já que os recursos destinados à frente norte reduzem o que está disponível para os impasses cotidianos no Mar da China Meridional. Mudanças políticas em Washington ou Manila podem alterar o ritmo da cooperação. Ainda assim, a pressão crescente sobre Taiwan mantém a segurança do Estreito de Taiwan na agenda filipina e leva os planejadores a considerar contingências que antes pareciam abstratas.

Publicidade

O que mudou na abordagem de Manila aos contatos não oficiais

Durante décadas, autoridades filipinas foram impedidas de visitar Taiwan em qualquer condição que parecesse oficial. Isso mudou em abril de 2025, quando Manila flexibilizou as regras. Segundo a nova política, a maioria dos funcionários do governo, com exceção do presidente, do vice-presidente, do secretário de Relações Exteriores e do secretário de Defesa, pode viajar a Taiwan para eventos relacionados a economia, comércio ou investimentos, desde que use passaporte comum e não seus títulos oficiais. A medida, publicada no Diário Oficial, busca atrair investimentos e criar oportunidades de emprego sem abandonar a política de Uma Só China. Os dois lados continuam trabalhando por meio de escritórios representativos em Taipei e Manila, que funcionam como embaixadas de fato.

Sinais de uma relação mais próxima surgiram antes dessa mudança. Em janeiro de 2024, o presidente Marcos parabenizou Lai Ching-te pela vitória na eleição presidencial de Taiwan, uma rara mensagem pública de um líder filipino que provocou críticas de Pequim. Taipei tem incentivado uma atuação mais forte de seu poder brando no Sudeste Asiático por meio da Nova Política para o Sul, e as Filipinas responderam com mais intercâmbios estudantis, cooperação no turismo e encontros entre empresas.

Pequim reagiu contra atividades que considera elevar o status de Taiwan. O ministro das Relações Exteriores de Taiwan, Lin Chia-lung, visitou Manila no fim de agosto de 2025 à frente de uma delegação comercial que discutiu planos para um Corredor Econômico Taiwan-Filipinas. A China apresentou protestos e acusou as Filipinas de oferecer uma plataforma a separatistas. Em resposta, o Departamento de Relações Exteriores das Filipinas disse que não reconhecia formalmente nenhum integrante do grupo como representante oficial de Taiwan e evitou reuniões públicas com autoridades filipinas de alto escalão.

Questionado sobre as advertências de Pequim, o secretário de Defesa Gilberto Teodoro disse que a chamada linha vermelha da China não se aplica em território filipino. Ele ressaltou que as Filipinas continuam sendo um país livre e independente, que segue suas próprias leis e políticas. Segundo ele, Pequim não deve usar suas preferências para limitar investimentos, esforços humanitários, respostas a desastres ou atividades culturais nas Filipinas.

O secretário de Defesa Gilberto Teodoro disse que a linha vermelha da China só se aplica dentro do território chinês e não deve ser imposta às Filipinas. Segundo ele, a política de Uma Só China não pode ser interpretada por outro Estado para ditar o que acontece em território filipino.
Publicidade

Laços comerciais, de trabalho e de estudo se estreitam

As viagens são o sinal mais visível da aproximação. Os filipinos foram os principais visitantes do Sudeste Asiático em Taiwan em 2024, impulsionados por voos diretos, repercussão nas redes sociais e entrada sem visto. Manila respondeu com uma isenção de visto de 14 dias para visitantes taiwaneses. Essas regras impulsionaram empresas de turismo em Taipei, Taichung e Kaohsiung e ofereceram aos viajantes filipinos novas opções para viagens curtas. Nos fins de semana em Taipei, a comida, a música e os cultos religiosos filipinos ocupam áreas da cidade frequentemente chamadas de Little Manila. Donos de restaurantes e lojistas descrevem um fluxo constante de clientes interessados na culinária e na cultura filipinas.

O trabalho e a educação formam um vínculo mais profundo. Quase 200.000 filipinos em Taiwan sustentam suas famílias em casa com remessas, principalmente de empregos nos setores de eletrônicos, estaleiros, cuidados e construção. Mais estudantes filipinos estão escolhendo universidades taiwanesas. O número deles mais que dobrou em cinco anos, e muitos ingressam em cursos de ciência, engenharia e áreas relacionadas a chips com bolsas de estudo. Formados dizem que o contato com a manufatura avançada de Taiwan os ajuda a competir nas cadeias globais de suprimentos e permite levar essas habilidades para empresas filipinas.

Os laços empresariais estão se expandindo à medida que os fabricantes adaptam suas cadeias de suprimentos para torná-las mais resilientes. Mais de 600 empresas taiwanesas operam nas Filipinas, da montagem de eletrônicos a peças automotivas e logística de comércio eletrônico. O comércio total chegou a cerca de 6,71 bilhões de dólares em 2024. Taiwan está entre os principais parceiros comerciais de Manila e se tornou o oitavo maior mercado de exportação filipino. A Nova Política para o Sul de Taiwan, lançada para reduzir a dependência da China continental por meio do fortalecimento de laços com o Sul e o Sudeste Asiático, ofereceu aos dois lados uma plataforma para coordenar ações em comércio, tecnologia, agricultura e saúde.

Chips, cadeias de suprimentos e a Nova Política para o Sul

Os semicondutores estão no centro das discussões. Taiwan é o polo mundial da fabricação de chips avançados, e líderes filipinos querem levar parte desse ecossistema a Luzon e Visayas por meio de treinamento, desenvolvimento de fornecedores e vínculos de pesquisa. Analistas levantaram a possibilidade de que uma empresa como a TSMC venha a instalar centros de treinamento ou operações especializadas nas Filipinas. Especialistas do Global Taiwan Institute dizem que iniciativas desse tipo provavelmente atrairiam a atenção de Pequim. Mesmo sem fábricas âncora, as duas economias podem se beneficiar de uma oferta maior de profissionais especializados em projeto de chips, de fornecimento confiável de eletricidade e acesso a portos, e de parques de fornecedores que conectem as atividades filipinas de montagem e teste à capacidade de fabricação de Taiwan.

Publicidade

Advertências de Pequim e reação regional

À medida que a retórica de Manila se tornou mais contundente, Pequim respondeu em público e em conversas reservadas. Depois que o presidente Marcos disse a uma emissora indiana que as Filipinas seriam arrastadas para uma guerra por Taiwan devido à geografia e à necessidade de proteger cidadãos filipinos, o Ministério das Relações Exteriores da China advertiu as Filipinas para não “brincarem com fogo”. O presidente disse estar perplexo com a declaração, argumentando que havia afirmado um fato básico. Sua visita à Índia incluiu conversas sobre segurança com o primeiro-ministro Narendra Modi e um acordo para elevar o nível das relações. As Filipinas compraram mísseis de cruzeiro BrahMos da Índia e buscam ampliar a cooperação em defesa. Navios de guerra indianos começaram a realizar patrulhas conjuntas com a Marinha filipina no Mar das Filipinas Ocidental, uma medida que provavelmente irritará a China. Autoridades filipinas também reclamaram de destroços suspeitos de um foguete chinês que caíram perto de uma província ocidental e assustaram pescadores locais.

Em declarações divulgadas pela publicação indiana Firstpost e posteriormente debatidas pela mídia regional, o presidente destacou a dimensão humanitária e a realidade geográfica. Ele falou da grande comunidade filipina em Taiwan e do dever de trazer as pessoas de volta para casa se um conflito eclodir.

O presidente Ferdinand Marcos Jr. disse: “Se houver uma guerra total, seremos arrastados para ela.” Depois de uma advertência separada de Pequim, acrescentou: “Eu estava apenas afirmando fatos.”

Os Estados Unidos reafirmaram repetidamente que seu tratado de defesa mútua com as Filipinas abrange ataques às forças armadas, embarcações públicas e aeronaves filipinas em qualquer ponto do Mar da China Meridional. Os exercícios conjuntos cresceram em escala e complexidade, com participação cada vez mais frequente do Japão e da Austrália. Manila diz que essas atividades são defensivas e se concentram na segurança marítima, na resposta humanitária e na dissuasão.

A China também protestou depois que a delegação comercial do ministro das Relações Exteriores de Taiwan visitou Manila em agosto de 2025. Pequim divulgou declarações chamando as Filipinas de instáveis e alertou seus cidadãos sobre viagens ao país. Autoridades filipinas responderam que não haviam reconhecido nenhum integrante do grupo como representante oficial de Taiwan e que não ocorreram reuniões formais com secretários do gabinete. Taiwan destacou a cooperação econômica e evitou comentários públicos sobre as objeções de Pequim.

Publicidade

O debate dentro das Filipinas

Em Manila, a questão de Taiwan estimulou um debate sobre políticas que atravessa linhas partidárias. Algumas vozes, incluindo a do ex-presidente Rodrigo Duterte e a de vários grupos progressistas, alertam que uma coordenação mais estreita com os Estados Unidos poderia arrastar as Filipinas para um conflito e transformar as províncias do norte em alvos. Outros argumentam que uma cooperação visível agora, aliada a uma comunicação sólida com a China, pode impedir uma escalada e melhorar a posição de negociação de Manila no Mar da China Meridional. A Política Nacional de Segurança do governo observa que uma emergência no Estreito de Taiwan afetaria diretamente as Filipinas devido à proximidade e ao número de filipinos em Taiwan.

Análises publicadas pelo The Diplomat e pelo China US Focus apontam limitações reais de capacidade. As forças armadas têm dificuldade para lidar tanto com a pressão cotidiana no mar quanto com novas missões no norte. Qualquer novo posicionamento de forças perto do Canal de Bashi poderia elevar as tensões. Ao mesmo tempo, muitas autoridades acreditam que sensores modernos, baterias de defesa costeira e infraestrutura reparável reduziriam o risco de erros de cálculo. Elas apoiam uma cooperação ponderada com os Estados Unidos e parceiros, enquanto buscam espaço para reduzir as tensões com Pequim.

Analistas do National Bureau of Asian Research descrevem um teste mais amplo de habilidade diplomática. As Filipinas querem defender seus direitos marítimos, proteger trabalhadores no exterior e manter o crescimento sem se tornarem excessivamente dependentes de um único parceiro. Manila busca diversificar suas parcerias de defesa e econômicas com Japão, Austrália, Canadá, Nova Zelândia, vários países europeus e Índia, mantendo ativa a diplomacia da ASEAN. A política interna complica o cenário. Divisões entre as elites, orçamentos apertados e lacunas na capacidade institucional podem atrasar reformas e prejudicar o planejamento de longo prazo. As eleições de meio de mandato de 2025 e a preparação para a eleição presidencial de 2028 aumentam a incerteza na política externa.

O que uma crise em Taiwan significaria para as Filipinas

O Estreito de Luzon é uma das vias marítimas mais estratégicas da Ásia. Navios passam entre o Oceano Pacífico e o Mar da China Meridional pelo Canal de Bashi, onde as correntes são fortes e o mar pode ficar agitado. Um conflito ou bloqueio no Estreito de Taiwan provavelmente interromperia esse tráfego. Remessas de petróleo e gás para o Leste Asiático poderiam sofrer atrasos. Os custos de seguro para navios que atracam em portos filipinos poderiam disparar. Exportadores e importadores filipinos enfrentariam congestionamentos, mudanças de rota e fretes mais caros. Haveria efeitos em cadeia sobre alimentos, combustíveis e manufatura, além de impactos na cadeia global de suprimentos de semicondutores, que conecta as fundições de Taiwan a instalações de montagem e teste nas Filipinas e em todo o Sudeste Asiático.

As preocupações humanitárias surgiriam primeiro. Manila precisa estar preparada para retirar de Taiwan até 160.000 a 200.000 trabalhadores filipinos e seus familiares, uma tarefa logística enorme que exigiria navios, aeronaves e suprimentos armazenados previamente. A instalação conjunta em Itbayat e os depósitos ampliados no norte de Luzon devem ajudar na entrega rápida de alimentos, combustível e assistência médica. As autoridades filipinas também precisariam de planos para receber pessoas que chegassem por mar de Taiwan, organizar abrigos temporários e reunir famílias, tudo isso enquanto combatem traficantes de pessoas e desinformação, que podem se espalhar durante crises.

Os planejadores de segurança temem ataques que não cheguem a configurar uma guerra aberta. Invasões cibernéticas, falsificação de sinais de GPS e sabotagem de redes elétricas ou de telecomunicações poderiam atingir a infraestrutura filipina. Grupos de embarcações de milícias poderiam assediar navios da guarda costeira e bloquear operações de reabastecimento no Mar das Filipinas Ocidental. Treinamentos regulares e exercícios conjuntos ajudam as agências a praticar tarefas complexas, como evacuações de vários dias, proteção de comboios e coordenação com governos locais em Cagayan, Ilocos Norte e Batanes.

Evacuação e planejamento de contingência

Exercícios recentes da Balikatan incluíram o planejamento de cenários para operações de evacuação, interdição marítima e resposta a desastres no norte. As autoridades começaram a armazenar mais combustível, alimentos e equipamentos de comunicação em Batanes e em aeródromos no norte de Luzon. A guarda costeira está incorporando embarcações e aprimorando as comunicações por satélite para manter um panorama comum de quem opera no estreito. Governos locais mapearam abrigos, aeródromos e portos que poderiam receber acampamentos temporários e servir de pontos de partida para voos de resgate e balsas.

Os riscos são concretos para as famílias que dependem de remessas. Cada decisão sobre exercícios, posicionamento de forças e diplomacia tem consequências para trabalhadores em Hsinchu, Taoyuan e Kaohsiung e para aqueles que dependem de sua renda em Manila, Cebu e Davao. A coordenação entre os escritórios representativos das Filipinas e de Taiwan sobre voos fretados, vistos e linhas telefônicas de emergência será tão importante quanto as manchetes sobre mísseis ou navios.

O que observar daqui para a frente

Fique atento a mais exercícios conjuntos no norte de Luzon, a detalhes sobre o armazenamento prévio de equipamentos e a quaisquer novos posicionamentos de forças ligados a manobras regionais. Sinais iniciais de uma coordenação trilateral mais estreita com parceiros como Japão e Austrália também seriam significativos. No campo diplomático, o impacto das novas regras de Manila para viagens oficiais a Taiwan ficará mais claro com a retomada de missões comerciais e fóruns de investimento. A resposta de Pequim e dos líderes locais nas províncias de Luzon que abrigam instalações do EDCA influenciará o ritmo das ações.

Na área econômica, acompanhe os vistos estudantis, as bolsas de estudo em ciência e engenharia e os parques industriais voltados a fornecedores de eletrônicos. Qualquer medida concreta para ampliar o treinamento ou as instalações relacionadas a chips nas Filipinas demonstraria tanto ambição quanto cautela no equilíbrio entre oportunidades e riscos. O sucesso será medido por mares tranquilos, canais de comunicação abertos e uma vida cotidiana estável para as comunidades nos dois lados do Estreito de Luzon.

Pontos principais

  • Os filipinos se tornaram o principal grupo de visitantes do Sudeste Asiático em Taiwan em 2024, impulsionados pela viagem sem visto, e Manila concedeu uma isenção de visto para estadias curtas a visitantes taiwaneses em 2025.
  • Cerca de 200.000 filipinos trabalham em Taiwan, enquanto mais de 600 empresas taiwanesas operam nas Filipinas; o comércio bilateral chegou a aproximadamente 6,71 bilhões de dólares em 2024.
  • Manila segue a política de Uma Só China, mas ampliou os laços não oficiais com Taiwan em educação, trabalho e comércio para construir uma cooperação prática.
  • Em abril de 2025, as Filipinas flexibilizaram uma restrição que vigorava havia décadas, permitindo que a maioria dos funcionários do governo visitasse Taiwan para atividades econômicas e comerciais com passaportes comuns.
  • O planejamento de segurança passou a priorizar ameaças externas, com nove localidades do EDCA agora disponíveis para as forças americanas e mais exercícios em Batanes e no norte de Luzon voltados a cenários relevantes para o Estreito de Taiwan.
  • A China advertiu as Filipinas depois que o presidente Marcos disse que uma guerra por Taiwan afetaria inevitavelmente Manila; o presidente afirmou que estava expondo fatos sobre a geografia e os cidadãos filipinos em Taiwan.
  • Pequim protestou contra a visita a Manila da delegação comercial do ministro das Relações Exteriores de Taiwan; o Ministério das Relações Exteriores filipino disse que não havia reconhecido nenhum delegado como representante oficial.
  • O debate interno nas Filipinas continua sobre o ritmo e o alcance da cooperação com os Estados Unidos e sobre como evitar se tornar um alvo enquanto se busca dissuadir agressões.
  • Um conflito em Taiwan interromperia o transporte marítimo no Estreito de Luzon, pressionaria as cadeias de suprimentos e exigiria a evacuação em grande escala de trabalhadores filipinos de Taiwan.
  • Manila tenta diversificar suas parcerias de defesa e econômicas com países como Japão, Austrália, Índia e parceiros europeus, mantendo ativa a diplomacia da ASEAN.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar