Por que cada vez mais jovens sul-coreanos estão deixando o mercado de trabalho: uma análise aprofundada de uma crise crescente

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Introdução: uma década de queda na participação dos jovens sul-coreanos na força de trabalho

A Coreia do Sul, há muito celebrada por seu rápido crescimento econômico e por sua população altamente escolarizada, agora enfrenta uma crise crescente: cada vez mais jovens estão optando por não participar da força de trabalho. De acordo com um relatório recente do Instituto de Trabalho da Coreia, órgão estatal, a disposição de jovens sul-coreanos solteiros que vivem com os pais para procurar emprego vem diminuindo continuamente na última década. Essa tendência, com implicações significativas para a economia e a sociedade do país, é impulsionada por uma combinação complexa de fatores econômicos, sociais e psicológicos.

Conteúdo
  1. Introdução: uma década de queda na participação dos jovens sul-coreanos na força de trabalho
  2. Entenda a inatividade econômica: quem são os jovens inativos?
  3. Por que os jovens coreanos estão deixando o mercado de trabalho?
  4. O papel da educação e o descompasso com o mercado de trabalho
  5. Dimensões demográficas e de gênero
  6. Consequências econômicas e sociais
  7. Respostas do governo e da comunidade
  8. Perspectiva internacional e recomendações de políticas públicas
  9. Em resumo

Divulgado em junho de 2024, o relatório analisa dados de 2015 a 2024 e se concentra em pessoas de 19 a 39 anos que não estão procurando emprego ativamente. Os resultados são contundentes: em 2015, 56,1% dos jovens economicamente inativos que viviam com os pais disseram que estavam dispostos a trabalhar. Em 2024, esse número havia caído para 50%. Mais preocupante ainda: quase 2,73 milhões de jovens coreanos — cerca de 77% da população jovem economicamente inativa — afirmaram não ter intenção alguma de procurar emprego.

Entenda a inatividade econômica: quem são os jovens inativos?

Na Coreia do Sul, o termo "jovens economicamente inativos" se refere a pessoas que não estão trabalhando nem procurando emprego ativamente. Esse grupo inclui quem está em período de descanso, estudando, cuidando de familiares ou simplesmente afastado do mercado de trabalho por outros motivos. O relatório do Instituto de Trabalho da Coreia destaca que o número de jovens dispostos a trabalhar, mas que acreditam não ter chance de conseguir um emprego, saltou de pouco mais de 5 mil em 2015 para 175 mil em 2024. Ao mesmo tempo, o número dos que acreditavam ter oportunidades de emprego despencou de quase 80 mil para menos de 15 mil.

Cerca de 20% dos jovens economicamente inativos dizem que estão dispostos a trabalhar, mas não fizeram nenhuma busca por emprego nas últimas quatro semanas. A proporção dos que afirmaram que poderiam trabalhar caso recebessem uma oferta de emprego caiu drasticamente, de 54% em 2015 para 31% em 2024. A pandemia de COVID-19 é apontada como um dos principais fatores dessa queda, mas as raízes do problema são bem mais profundas.

Por que os jovens coreanos estão deixando o mercado de trabalho?

As razões por trás dessa tendência são diversas. O Instituto de Trabalho da Coreia identifica três fatores principais: descanso, educação e cuidados com os filhos. Na última década, a parcela de jovens envolvidos em cuidados com os filhos caiu de 26,8% para 13,8%, enquanto a dos classificados como "em descanso" — um eufemismo para quem faz uma pausa no trabalho ou nos estudos — dobrou, passando de 10,5% para 20%. A proporção dos que frequentam a escola permaneceu relativamente estável.

Histórias pessoais, como a de Yoon, uma ex-estudante de música de 22 anos que passou cinco anos isolada em casa, ajudam a revelar as pressões psicológicas e sociais enfrentadas pelos jovens coreanos. A experiência de Yoon com esgotamento, expectativas dos pais e problemas de saúde mental é cada vez mais comum entre seus pares. Muitos jovens, depois de enfrentarem repetidas rejeições em processos seletivos e uma concorrência intensa, acabam se afastando por completo do mercado de trabalho.

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Lee Yeon-jin, professor de sociologia da Universidade Kookmin, explica:

Os jovens de hoje pensam de maneira fundamentalmente diferente das gerações anteriores. Nossa sociedade não conseguiu compreender de verdade os jovens, que estão cada vez menos dispostos a seguir os caminhos tradicionais do emprego e do casamento.

Heo Su-jin, especialista em políticas para a juventude do Ministério da Economia e das Finanças, alerta que essa tendência pode ter consequências graves para a economia nacional:

Em uma época de taxas de natalidade extremamente baixas, essa tendência pode reduzir a oferta de mão de obra e, potencialmente, prejudicar o crescimento econômico nacional.

O papel da educação e o descompasso com o mercado de trabalho

A Coreia do Sul tem uma das maiores proporções de pessoas com ensino superior entre os países da OCDE: 77% das mulheres e 63% dos homens de 25 a 34 anos têm diploma universitário. Ainda assim, paradoxalmente, a taxa de emprego entre os jovens permanece bem abaixo da média da OCDE. Isso se deve, em parte, a um fenômeno conhecido como "inflação educacional" ou "credencialismo", em que se exige um nível de qualificação cada vez maior para empregos que antes demandavam menos escolaridade.

O descompasso entre a formação e as necessidades do mercado de trabalho é acentuado. Muitos jovens coreanos passam anos na universidade e se preparando para conseguir emprego, apenas para descobrir que suas habilidades não correspondem às vagas disponíveis — especialmente nas pequenas e médias empresas (PMEs), que respondem por 83% das vagas, mas oferecem salários mais baixos e menos benefícios do que as grandes corporações. Como resultado, muitos jovens preferem continuar desempregados ou economicamente inativos a aceitar empregos que consideram abaixo de suas qualificações.

O Instituto Econômico da Coreia da América descreve esse fenômeno como "síndrome do bilhete dourado":

Os jovens priorizam o ensino universitário apesar do baixo retorno financeiro. A disputa por vagas nas melhores universidades, que geralmente envolve cursos em instituições privadas de ensino, impõe um pesado encargo financeiro às famílias e pressiona os estudantes.
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Essa ênfase intensa no desempenho acadêmico e em empregos de prestígio levou a uma situação em que quase metade dos graduados universitários tem qualificação superior à exigida pelo trabalho, e muitos passam meses ou até anos procurando um emprego adequado. O resultado é um grupo crescente de jovens altamente escolarizados, mas economicamente inativos.

Dimensões demográficas e de gênero

Embora, no total, mais homens do que mulheres estejam economicamente inativos, a proporção de mulheres nessa situação vem aumentando continuamente na última década. Entre os jovens de 15 a 24 anos, a parcela de mulheres inativas subiu de 40% em 2015 para 42,3% em 2024. Na faixa de 25 a 34 anos, o número passou de 35% para 40,9%. A OCDE observa que, apesar de terem maior nível de escolaridade, as jovens coreanas têm taxas de emprego menores do que as de seus pares homens: 76% contra 83% entre as pessoas com diploma universitário.

Em relação à escolaridade, entre os mais jovens, a proporção de graduados universitários que não procuram emprego aumentou de 19,4% em 2015 para 23,7% em 2024. Entre os mais velhos, passou de 54,3% para 58,8%. Isso indica que o problema da inatividade econômica não se limita às pessoas com menos escolaridade; na verdade, é particularmente acentuado entre as mais escolarizadas.

Consequências econômicas e sociais

O aumento da inatividade econômica entre os jovens tem consequências de longo alcance. Para os indivíduos, períodos prolongados de inatividade podem levar à perda de habilidades, a rendimentos menores ao longo da vida e a um risco maior de isolamento social e problemas de saúde mental. Para a sociedade, essa tendência ameaça agravar a escassez de mão de obra, reduzir o crescimento econômico e sobrecarregar a rede de proteção social — especialmente em um momento em que a Coreia do Sul enfrenta um rápido envelhecimento populacional e taxas de natalidade extremamente baixas.

Dados recentes do Serviço de Estatística da Coreia mostram que o número de jovens desempregados ou economicamente inativos chegou a 1,21 milhão no início de 2025, um aumento de 70 mil em relação ao ano anterior. Entre eles, 504 mil disseram estar "apenas descansando", o maior número desde o início da coleta de dados, em 2003. Mesmo entre os que estão empregados, muitos ocupam vagas temporárias ou de meio período, e um em cada quatro jovens trabalhadores é considerado subocupado.

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Especialistas atribuem essas tendências ao crescimento econômico lento, à fraca demanda interna e a um mercado de trabalho que privilegia profissionais experientes em detrimento de recém-formados. A estrutura dual do mercado de trabalho — dividida entre empregos estáveis e bem remunerados em grandes empresas e vagas precárias e mal remuneradas em PMEs — também desestimula os jovens a ingressar na força de trabalho.

Respostas do governo e da comunidade

O governo sul-coreano lançou várias iniciativas para enfrentar a inatividade econômica entre os jovens. Entre elas estão a Plataforma de Atendimento Integral ao Emprego para Jovens, que oferece serviços de encaminhamento profissional e aconselhamento, e o Sistema Nacional de Apoio ao Emprego, que fornece auxílio financeiro e bônus a quem consegue um emprego. O Programa de Apoio ao Desafio dos Jovens trabalha com centros locais para oferecer orientação profissional, atendimento em saúde mental e oficinas de desenvolvimento pessoal.

No entanto, esses programas enfrentam dificuldades para alcançar os jovens mais isolados e vulneráveis. Organizações não governamentais, como a empresa social Seed:s, têm ajudado a preencher as lacunas, oferecendo programas gratuitos e apoio financeiro básico para ajudar os jovens a se reintegrarem à sociedade.

O professor Kim Dae-jong, da Universidade Sejong, ressalta a importância da intervenção precoce:

Estudantes do ensino fundamental II até a universidade precisam ter acesso a oportunidades de voluntariado e a programas de desenvolvimento emocional para se tornarem adultos bem ajustados.

Ele também defende reformas estruturais para criar mais empregos de qualidade, como a redução dos impostos corporativos para atrair empresas internacionais e a ampliação da educação e da formação profissional.

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Perspectiva internacional e recomendações de políticas públicas

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destacou os desafios enfrentados pela Coreia do Sul na geração de emprego para jovens em vários relatórios. A OCDE recomenda melhorar a orientação profissional e o aconselhamento, ampliar o ensino profissionalizante e os programas de aprendizagem e incentivar as instituições de ensino superior a oferecer cursos mais alinhados às necessidades do mercado de trabalho. A organização também defende reformas para desmontar a estrutura dual do mercado de trabalho e ampliar a rede de proteção social para os jovens.

Uma iniciativa bem-sucedida foi a criação dos colégios Meister, que combinam educação com experiência profissional e alcançaram taxas de emprego superiores a 90% entre os formados. No entanto, apenas uma pequena parcela dos estudantes frequenta essas escolas ou participa de programas de aprendizagem, o que sugere que é preciso fazer mais para tornar os caminhos da formação profissional atraentes e acessíveis.

Em última análise, enfrentar a inatividade econômica dos jovens na Coreia do Sul exigirá uma abordagem abrangente, capaz de lidar com as barreiras educacionais, econômicas e sociais. Isso inclui não apenas criar mais empregos e empregos melhores, mas também apoiar a saúde mental dos jovens, reduzir o estigma associado a trajetórias profissionais não tradicionais e promover um mercado de trabalho mais inclusivo e flexível.

Em resumo

  • A Coreia do Sul registra um aumento significativo da inatividade econômica entre os jovens, com menos pessoas dessa faixa etária demonstrando vontade de trabalhar.
  • A tendência é impulsionada por uma combinação de descompasso com o mercado de trabalho, inflação educacional, pressões psicológicas e falta de oportunidades de emprego de qualidade.
  • Mulheres e pessoas com alto nível de escolaridade representam uma parcela cada vez maior dos economicamente inativos.
  • A inatividade prolongada tem consequências negativas para os indivíduos e para a economia em geral, especialmente diante do rápido envelhecimento populacional e das baixas taxas de natalidade do país.
  • Programas do governo e da comunidade oferecem apoio, mas são necessárias reformas mais abrangentes para enfrentar as causas do afastamento dos jovens da força de trabalho.
  • As melhores práticas internacionais apontam para a ampliação do ensino profissionalizante, a melhoria da orientação profissional e a reforma das estruturas do mercado de trabalho, de modo a alinhar melhor as habilidades dos jovens às vagas disponíveis.
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