Erdogan e Aliyev reafirmam unidade após disputa sobre véus testar relações entre Turquia e Azerbaijão

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Erdogan and Aliyev Pledge Unity After Headscarf Dispute Tests Turkey-Azerbaijan Ties

Uma demonstração de solidariedade em Shusha

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, reafirmaram a unidade duradoura durante uma visita em 8 de novembro centrada em Shusha, cidade cuja conquista em 2020 se tornou símbolo da parceria militar entre os dois países. A aparição conjunta ocorreu após uma disputa pública incomum sobre o uso de véus nas escolas, críticas de políticos turcos e a decisão do Azerbaijão de barrar 31 cidadãos turcos.

Conteúdo
  1. Uma demonstração de solidariedade em Shusha
  2. Como o vestuário escolar virou uma disputa diplomática
  3. Da proibição de entrada à ausência em uma cúpula
  4. O que os presidentes disseram sobre a aliança
  5. Por que Shusha e 8 de novembro foram importantes
  6. Baku quer uma parceria entre iguais
  7. Israel e Armênia complicam a relação
  8. Energia e reconstrução mantêm os aliados próximos
  9. Banquete e encontros com militares condecorados
  10. Principais pontos

Em uma coletiva de imprensa conjunta, Erdogan apresentou a aliança como um vínculo que resistiria à divergência. Aliyev afirmou que a parceria permanecia inabalada e descreveu a visita como uma demonstração de solidariedade para o mundo.

Erdogan, presidente da Turquia, expressou essa mensagem em termos religiosos e pessoais:

Com a permissão de Deus Todo-Poderoso, nossa união será eterna.

A visita reuniu conversas em Shusha, uma recepção oficial, um banquete em Khankendi e encontros com militares azerbaijanos condecorados. Esses eventos colocaram os líderes ao lado das pessoas e dos lugares associados à vitória do Azerbaijão sobre as forças armênias.

Como o vestuário escolar virou uma disputa diplomática

A disputa imediata começou em setembro, quando o Azerbaijão revisou as regras do uniforme escolar para proibir complementos considerados incompatíveis com o ensino laico. Na prática, as mudanças barraram o uso do véu islâmico nas salas de aula e provocaram protestos no país.

As regras, aprovadas em 21 de setembro, proíbem nas escolas públicas roupas que contrariem "o princípio do laicismo na educação". Elas não mencionam explicitamente o hijab. Diretrizes semelhantes foram estendidas aos professores em 6 de outubro.

O Azerbaijão é um país de maioria muçulmana xiita, cujas instituições públicas refletem décadas de domínio soviético e uma forte tradição de governo laico. Nesse contexto, educação laica significa um ensino organizado separadamente das práticas religiosas. As restrições ao uniforme colocaram essa abordagem em conflito com famílias que buscam expressar sua fé por meio das roupas.

O governo de Erdogan seguiu na direção oposta na Turquia, eliminando restrições ao uso do hijab. As críticas às regras do Azerbaijão vieram de integrantes do Partido da Justiça e Desenvolvimento, conhecido como AKP, incluindo o assessor presidencial Oktay Saral, que exigiu que fossem revogadas.

O partido governista do Azerbaijão, Yeni Azerbaijan, classificou esses comentários como "interferência nos assuntos internos do Azerbaijão". Uma divergência sobre o vestuário escolar se transformou em uma discussão sobre quem poderia falar pelo Azerbaijão e quanto poder de influência seu aliado mais próximo deveria exercer.

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Da proibição de entrada à ausência em uma cúpula

Baku declarou 31 cidadãos turcos persona non grata por publicações críticas nas redes sociais. A classificação significa que eles foram considerados indesejados no Azerbaijão. Entre os afetados estavam um parlamentar da oposição e líderes partidários, ampliando a disputa para além do círculo político de Erdogan.

Em seguida, Erdogan demitiu Saral. Ainda assim, Aliyev não compareceu à cúpula de líderes túrquicos em Ancara, em 30 de outubro, apesar de ter recebido um convite pessoal do presidente turco. O ministro das Relações Exteriores, Jeyhun Bayramov, foi em seu lugar.

A sequência mostra como uma regra interna de educação chegou rapidamente aos mais altos níveis da diplomacia:

  • Setembro: o Azerbaijão revisou as regras do uniforme escolar, barrando na prática o uso do véu islâmico nas salas de aula.
  • Após as críticas da Turquia: Baku declarou 31 cidadãos turcos indesejados, enquanto Erdogan demitiu o assessor Oktay Saral.
  • 30 de outubro: Aliyev não compareceu à cúpula em Ancara e enviou o ministro das Relações Exteriores, Jeyhun Bayramov, em seu lugar.
  • 8 de novembro: Erdogan visitou o Azerbaijão, conversou com Aliyev em Shusha e participou de eventos comemorativos antes de partir.

A visita de novembro restabeleceu o contato direto entre os presidentes em um cenário de grande visibilidade. As declarações públicas não especificaram se o Azerbaijão mudaria as regras escolares ou suspenderia as restrições impostas aos cidadãos turcos.

O que os presidentes disseram sobre a aliança

Erdogan e Aliyev recorreram à linguagem de uma fraternidade duradoura para responder à recente tensão. A expressão conhecida que usam para descrever a relação, "uma nação, dois Estados", refere-se aos estreitos laços linguísticos e culturais entre os dois países, que permanecem soberanos e separados.

Na coletiva de imprensa conjunta, Erdogan usou o lema para descrever uma parceria enraizada em um passado compartilhado:

Esta união de corações, que descrevemos com o lema 'Uma Nação, Dois Estados', é uma chama eterna que tira sua força do nosso passado compartilhado e ilumina nosso futuro.

Aliyev, presidente do Azerbaijão, destacou a força prática de atuar em conjunto e disse que a presença de Erdogan demonstrava a união entre os países:

Juntos, Azerbaijão e Turquia são ainda mais fortes.

Aliyev também afirmou estar confiante de que a parceria duraria para sempre. As repetidas garantias dos líderes responderam à tensão diplomática imediata e mantiveram a cooperação militar, a paz regional e a reconstrução no centro da visita.

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Por que Shusha e 8 de novembro foram importantes

O dia 8 de novembro marca a conquista de Shusha pelo Azerbaijão durante a guerra contra a Armênia em 2020, uma vitória alcançada com o apoio da Turquia. A escolha da cidade para a cerimônia de recepção e as conversas presidenciais vinculou a renovada demonstração de amizade a um momento em que o apoio turco teve grande peso militar e político.

Uma guarda de honra se posicionou em uma praça decorada com as bandeiras dos dois países. Os hinos nacionais foram executados, a guarda desfilou diante dos presidentes e integrantes de cada delegação foram apresentados ao líder do outro país antes das fotos oficiais.

O Azerbaijão retomou partes de Karabakh e distritos vizinhos durante os 44 dias de combates em 2020. Em 2023, tomou o restante de Karabakh. O território estava sob controle de forças separatistas armênias.

Durante a declaração conjunta à imprensa com Aliyev, Erdogan destacou a importância dos combates de 2020:

A vitória histórica do Azerbaijão na Guerra Patriótica de 44 dias abriu uma nova página na história do Sul do Cáucaso.

O presidente turco também afirmou que Ancara apoiou tanto a luta do Azerbaijão quanto os esforços de Baku para alcançar uma paz duradoura. Suas declarações vincularam a parceria de guerra aos acordos diplomáticos que agora estão sendo negociados na região.

Baku quer uma parceria entre iguais

A resposta do Azerbaijão às críticas sobre o véu aponta para uma preocupação mais ampla com sua independência dentro da aliança. Baku valoriza o apoio turco, mas resiste à pressão pública de figuras políticas turcas sobre decisões tomadas no Azerbaijão.

Elkhan Shahinoglu, diretor do Centro de Pesquisa Atlas, em Baku, identificou essa preocupação como central para a disputa:

As tensões entre Azerbaijão e Turquia decorreram do fato de Baku não se considerar o irmão mais novo nessa aliança e insistir em relações entre parceiros iguais.

Gonul Tol, analista do Instituto do Oriente Médio, em Washington, descreveu a discussão sobre o véu como parte de uma lista mais longa de divergências. Em uma publicação no X, ela apresentou as questões que, em sua avaliação, alimentavam a tensão:

As tensões vêm se acumulando há muito tempo em torno de diversas questões, incluindo a soberania do Azerbaijão, a influência de Ancara em Baku, as diferentes políticas em relação a Israel e a aproximação da Turquia com a Armênia.

As duas avaliações ajudam a explicar por que a demissão de um assessor turco não encerrou imediatamente a disputa. A divergência envolvia tanto uma política escolar específica quanto os termos em que os governos esperam se relacionar.

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Israel e Armênia complicam a relação

O Azerbaijão mantém estreitos laços militares e econômicos com Israel, que forneceu armas usadas durante a guerra contra a Armênia em 2020. Para Baku, essa relação faz parte da rede de parcerias que sustentam sua segurança e economia.

A Turquia se tornou cada vez mais hostil a Israel por causa da guerra em Gaza. Erdogan acusou Israel de genocídio. Assim, a cooperação contínua do Azerbaijão com Israel convive com uma forte divergência entre as políticas regionais dos dois aliados.

A Armênia representa outro desafio diplomático. A Turquia fechou a fronteira com a Armênia na década de 1990, em solidariedade ao Azerbaijão. Agora, Ancara busca normalizar as relações com Yerevan, vinculando os avanços aos esforços de paz entre a Armênia e o Azerbaijão.

Normalização significa restabelecer relações comuns entre países, incluindo contatos diplomáticos e acordos que afetam suas fronteiras. A abordagem turca vincula sua própria relação com a Armênia às negociações que envolvem Baku, o que torna especialmente importante a coordenação com Aliyev.

A unidade demonstrada publicamente pelos presidentes deixa espaço para prioridades diferentes nas duas frentes. O Azerbaijão segue cultivando sua relação com Israel, enquanto a Turquia busca um acordo regional que envolva a Armênia e mantém o confronto com Israel por causa de Gaza.

Energia e reconstrução mantêm os aliados próximos

Turquia e Azerbaijão seguem estreitamente ligados pela cooperação militar e pelas exportações de energia. A Turquia é uma rota fundamental para o petróleo e o gás azerbaijanos que seguem para os mercados ocidentais, o que confere à relação importância prática para além da linguagem de fraternidade.

Para o Azerbaijão, essas rotas conectam sua produção de energia a clientes no exterior. Para a Turquia, transportar os recursos azerbaijanos fortalece seu papel de ligação entre os produtores da região e os mercados mais a oeste. A disputa ocorreu no contexto de uma parceria que os dois governos continuam usando para alcançar importantes objetivos econômicos e de segurança.

Erdogan também afirmou que a Turquia continuaria contribuindo, dentro de suas possibilidades, para a recuperação das terras azerbaijanas. Ele disse que a reconstrução e a restauração do patrimônio de Karabakh são acompanhadas de perto na Turquia.

Ele afirmou que a Turquia compartilharia sua experiência em reconstrução e citou o Centro Internacional de Treinamento Florestal Azerbaijão-Turquia e a empresa Smart Seedlings, em Jabrayil. Também disse que começou a construção de uma escola com 40 salas de aula e 14.500 metros quadrados em Aghdam.

A reconstrução acrescenta uma área de cooperação contínua à relação militar e energética. Em Shusha, os presidentes combinaram garantias sobre a aliança com discussões sobre os lugares que o Azerbaijão retomou por meio da guerra.

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Banquete e encontros com militares condecorados

Em 8 de novembro, Khankendi sediou um banquete oficial em homenagem a Erdogan e sua esposa, Emine Erdogan, oferecido por Aliyev e pela primeira-dama Mehriban Aliyeva. Um concerto fez parte da recepção.

Depois, os presidentes e as primeiras-damas se encontraram com representantes do meio artístico, heróis da guerra e militares condecorados com as ordens de Garabagh e Zafar. Leyla Aliyeva, filha de Aliyev, também participou do encontro com os militares condecorados.

A programação reuniu a visita diplomática às comemorações do Dia da Vitória do Azerbaijão. Os encontros colocaram o presidente turco ao lado de militares azerbaijanos homenageados por seus serviços, lembrando a cooperação durante a guerra que os dois líderes destacaram em suas declarações.

Erdogan encerrou a visita em 8 de novembro. Uma guarda de honra se alinhou no Aeroporto Internacional de Fuzuli, onde Aliyev e Mehriban Aliyeva se despediram do presidente turco e de sua esposa. A despedida pessoal encerrou um dia dedicado a tornar visível a continuidade da aliança após semanas de tensão pública.

Principais pontos

  • Erdogan e Aliyev reafirmaram uma unidade duradoura durante a visita de 8 de novembro, que incluiu conversas em Shusha.
  • A disputa começou com regras do uniforme escolar do Azerbaijão que, na prática, barraram o uso do véu islâmico nas salas de aula.
  • Baku declarou 31 cidadãos turcos indesejados, e Aliyev não compareceu à cúpula de 30 de outubro em Ancara.
  • A visita incluiu um banquete em Khankendi e encontros com militares azerbaijanos condecorados.
  • As divergências sobre soberania, Israel e relações com a Armênia coexistem com a contínua cooperação militar e energética.
  • Erdogan prometeu que a Turquia continuaria contribuindo para a reconstrução de territórios azerbaijanos.
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