Uma visita de quatro dias com a ambição de alcançar US$ 100 bilhões
O secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã e presidente do país, To Lam, deixou Hanói em 8 de novembro para uma visita oficial ao Japão até 11 de novembro de 2026. Ele busca fortalecer parcerias tecnológicas e avançar rumo a um comércio bilateral de US$ 80 bilhões, com a ambição de chegar a US$ 100 bilhões até 2030.
Conteúdo
- Uma visita de quatro dias com a ambição de alcançar US$ 100 bilhões
- Discurso no Parlamento ocorre após décadas de aproximação
- Metas comerciais exigem uma expansão significativa
- Empresas japonesas veem espaço para crescer
- Cooperação tecnológica deve desenvolver a expertise vietnamita
- Projetos de energia conectam metas climáticas à segurança do abastecimento
- Infraestrutura e exportações precisam de medidas concretas
- Trabalhadores e famílias querem melhorias concretas
- Vietnã associa laços mais estreitos à maior autonomia
- Transformar prioridades em projetos
- Principais pontos
O comércio entre os dois países chegou a quase US$ 50 bilhões nos primeiros 10 meses de 2026, disse Lam antes da visita. O Japão também tem cerca de 5.800 projetos de investimento no Vietnã, com capital ativo de US$ 80,4 bilhões, o que dá às conversas uma sólida base econômica.
Lam, acompanhado da esposa, Ngo Phuong Ly, e de uma delegação de alto escalão, faz sua primeira visita oficial ao Japão nos atuais cargos. Também é a primeira visita ao país de um secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã em 11 anos. Ele deve discursar a parlamentares das duas casas do Parlamento japonês em 9 de novembro.
O Vietnã quer que os investimentos japoneses levem mais pesquisa, conhecimento técnico, capacidade de gestão e treinamento para sua economia. O Japão, por sua vez, busca novas fontes de crescimento por meio da ciência e da tecnologia, além de maior segurança no abastecimento de energia e de insumos industriais essenciais.
Para os quase 700 mil vietnamitas que vivem, estudam e trabalham no Japão, as prioridades são mais imediatas: empregos melhores, maior proteção no trabalho, oportunidades de construir uma carreira e apoio às famílias que se estabelecem no país.
Lam, líder do partido e presidente do Vietnã, descreveu a relação que deseja construir, baseada no fortalecimento das empresas e em produtos desenvolvidos em conjunto pelos dois países:
Espero que essas conquistas sejam ainda mais fortalecidas pelo crescimento das empresas vietnamitas, pelo compromisso de longo prazo das empresas japonesas e pelo desenvolvimento de produtos de maior valor agregado, criados em conjunto pelos dois lados.
Discurso no Parlamento ocorre após décadas de aproximação
O Parlamento japonês planeja uma recepção formal para Lam e sua esposa na tarde de 9 de novembro, com a participação dos presidentes e vice-presidentes das duas casas. O presidente da Câmara dos Representantes deve apresentar o discurso de Lam, seguido de uma resposta do presidente da Câmara dos Conselheiros.
O discurso ocorrerá três anos depois de os países elevarem sua relação à condição de Parceria Estratégica Abrangente para a Paz e a Prosperidade na Ásia e no Mundo. Essa estrutura dá respaldo político à cooperação em comércio, tecnologia, educação, segurança e assuntos internacionais.
Vietnã e Japão estabeleceram relações diplomáticas em 21 de setembro de 1973. Lam afirmou que os intercâmbios entre os povos dos dois países remontam a mais de 400 anos, tornando os laços sociais muito mais antigos que as relações diplomáticas modernas.
- 21 de setembro de 1973: Vietnã e Japão estabeleceram relações diplomáticas.
- 2002: Os países estabeleceram uma parceria confiável e estável de longo prazo.
- 2009: As relações se tornaram uma parceria estratégica pela paz e prosperidade na Ásia.
- 2014: A relação avançou para uma parceria estratégica abrangente.
- Novembro de 2023: Os países adotaram a atual Parceria Estratégica Abrangente.
- De 8 a 11 de novembro de 2026: visita oficial de Lam, incluindo o discurso no Parlamento previsto para 9 de novembro.
Metas comerciais exigem uma expansão significativa
Vietnã e Japão movimentaram aproximadamente US$ 52 bilhões em comércio em 2025. Chegar a US$ 80 bilhões significaria acrescentar US$ 28 bilhões ao total anual, um aumento de cerca de 54%. A ambição de alcançar US$ 100 bilhões exigiria mais US$ 48 bilhões, ou cerca de 92%, em comparação com 2025.
O comércio já está crescendo. O intercâmbio bilateral chegou a US$ 43,7 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, cerca de 15% acima do registrado no mesmo período de 2025. O valor de quase US$ 50 bilhões citado por Lam abrange os primeiros 10 meses. A previsão é que o comércio anual em 2026 fique em aproximadamente US$ 58 bilhões.
Lam quer que as empresas japonesas ampliem os investimentos, a pesquisa e o desenvolvimento de produtos no Vietnã e trabalhem mais de perto com empresas vietnamitas. Seu foco é ajudar empresas locais a assumir atividades de maior valor nas cadeias de suprimentos, redes de empresas que projetam, fabricam e entregam um produto.
Para um fornecedor vietnamita, isso poderia significar passar de uma tarefa de produção limitada à fabricação de componentes mais sofisticados ou à participação no desenvolvimento de um produto. O objetivo da política é manter mais competências e valor econômico no Vietnã, ao mesmo tempo que oferece às empresas japonesas parceiros locais mais fortes.
Empresas japonesas veem espaço para crescer
O Japão ocupa o terceiro lugar entre os países e territórios que investem no Vietnã. Lam citou US$ 80,4 bilhões em capital de investimento ativo; dados de 30 de setembro apontam capital registrado superior a US$ 81 bilhões, com outro total de investimentos informado em US$ 81,2 bilhões. Cerca de 2.000 empresas japonesas operam no Vietnã, sobretudo nos setores de manufatura, eletricidade e imóveis.
Uma pesquisa da Organização de Comércio Exterior do Japão constatou que 67,5% das empresas japonesas no Vietnã tiveram lucro em 2025, a maior proporção em 15 anos e a terceira maior do Sudeste Asiático. Outras 56,9% planejavam expandir suas operações nos próximos um a dois anos.
O grupo varejista AEON investiu aproximadamente US$ 1,5 bilhão no Vietnã. Seus planos incluem a inauguração de quatro shopping centers em 2026 e a expansão de seus negócios vietnamitas até 2030, para mais de três vezes o tamanho que tinham em 2025.
O principal representante do Grupo AEON no Vietnã e diretor-geral da AEON Vietnam, Tezuka Daisuke, expressou o compromisso da empresa com o mercado:
Acreditamos no desenvolvimento do Vietnã e desejamos sinceramente contribuir para a felicidade dos consumidores e o progresso da sociedade vietnamita.
A fabricante de alimentos Acecook também inaugurou uma fábrica no Parque Industrial de Hoa Phu, em Vinh Long, em 2026. Após mais de 30 anos no Vietnã, a empresa opera 14 fábricas e seis filiais comerciais, abastece consumidores locais e exporta para mais de 40 países.
Cooperação tecnológica deve desenvolver a expertise vietnamita
Semicondutores, inteligência artificial, indústria avançada e energia limpa estão entre as prioridades centrais da agenda proposta por Lam. Ele quer que a cooperação nessas áreas esteja vinculada à formação de profissionais e ao fortalecimento das capacidades técnicas e de gestão.
Kenichi Ohno, professor do Instituto Nacional de Estudos de Políticas do Japão, defende que o aumento da renda e das capacidades técnicas do Vietnã exige uma relação econômica mais equilibrada. O modelo que propõe envolve os dois países contribuindo para o desenvolvimento e a operação de empresas e projetos.
Ohno afirma que o Vietnã deve dominar tecnologias importadas e desenvolver competências técnicas próprias. Comprar equipamentos é uma etapa; formar pessoas capazes de operá-los, mantê-los, adaptá-los e, por fim, aperfeiçoá-los é outra.
As metas do Vietnã incluem crescer a taxas de dois dígitos e alcançar o status de país de alta renda até 2045. Ohno considera a qualidade da formulação e da implementação de políticas essencial para atingir essas ambições e recomenda que o Vietnã estude as abordagens adotadas pelo Japão, pela Coreia do Sul e por Singapura.
Ele também recomenda desenvolver vários setores ao mesmo tempo. O Vietnã deve manter as exportações da indústria leve enquanto avança na indústria pesada, na química, na tecnologia da informação, na inteligência artificial, nas finanças e nos serviços. Entre os possíveis projetos conjuntos com o Japão estão iniciativas em novas fontes de energia, semicondutores e materiais avançados.
Projetos de energia conectam metas climáticas à segurança do abastecimento
Vietnã e Japão concordaram em dar prioridade a 15 projetos de energia verde, com capital combinado de aproximadamente US$ 20 bilhões. Alguns projetos relacionados a redes de transmissão de energia e à geração de eletricidade a partir de biomassa já estão em andamento.
Toshiro Nishizawa, pesquisador sênior da Escola de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade de Tóquio, considera a segurança energética e os minerais críticos prioridades importantes para o Japão. Nesse contexto, segurança econômica significa manter o abastecimento de insumos essenciais e a infraestrutura confiáveis quando os mercados ou as relações internacionais se tornam instáveis.
Nishizawa aponta o apoio japonês à Refinaria de Nghi Son e a cooperação em minerais críticos como parte dessa abordagem. Ele também vê oportunidades em terras raras, semicondutores, segurança marítima e formas mais avançadas de assistência oficial ao desenvolvimento.
A cooperação para reduzir as emissões inclui a Comunidade Asiática de Emissões Zero e o Mecanismo de Crédito Conjunto, uma estrutura de cooperação para projetos de redução das emissões de gases de efeito estufa. Nishizawa aponta a demanda por equipamentos eficientes e tecnologia para redes elétricas, além de possíveis projetos com amônia, biomassa, hidrogênio e reutilização de materiais.
A fragmentação dos projetos e a escassez de engenheiros altamente qualificados continuam sendo problemas práticos, segundo ele. Nishizawa recomenda roteiros governamentais de longo prazo e grandes projetos conjuntos, com espaço para que as empresas participem da definição e da execução dos investimentos.
Infraestrutura e exportações precisam de medidas concretas
O total acumulado da assistência oficial bilateral do Japão ao Vietnã supera US$ 23 bilhões, segundo o economista e deputado da Assembleia Nacional Tran Hoang Ngan. Ele afirma que esse apoio corresponde a mais de 26% do total dos acordos de empréstimos externos assinados pelo Vietnã.
A Linha 1 do metrô de Ho Chi Minh, que liga Ben Thanh a Suoi Tien, mostra como essa cooperação chega ao cotidiano. A primeira linha de metrô da cidade foi construída com empréstimos japoneses para desenvolvimento, serviços de consultoria japoneses e trens fabricados no Japão. Empreiteiras japonesas também construíram o Túnel de Thu Thiem.
Ohno aconselha o Vietnã a avaliar parceiros de infraestrutura considerando a qualidade da construção, os preços, a eficiência econômica, a manutenção, o suporte aos equipamentos e o treinamento de funcionários. O custo e a confiabilidade da operação de um projeto ao longo de muitos anos importam tanto quanto sua construção inicial.
Exportadores vietnamitas também querem acesso mais fácil aos compradores japoneses. A sociedade anônima de alimentos Sao Ta exporta cerca de US$ 80 milhões em camarão para o Japão por ano e tem como meta chegar a US$ 100 milhões. Seu presidente, Ho Quoc Luc, afirma que os altos custos das matérias-primas e a concorrência tornam a eficiência uma prioridade, em vez do simples aumento das vendas.
O Japão é o maior mercado da Saigon Garment Company No. 3, segundo seu presidente, Pham Xuan Hong. Para o setor de confecção vietnamita como um todo, o Japão ocupa o terceiro lugar, atrás dos Estados Unidos e da União Europeia. Hong destaca as exigências dos clientes japoneses por qualidade constante e segurança no trabalho, além de relações comerciais que podem durar décadas.
Trabalhadores e famílias querem melhorias concretas
A comunidade vietnamita no Japão inclui estagiários, trabalhadores admitidos em programas de habilidades específicas, estudantes, engenheiros, pesquisadores e empreendedores. Nguyen Hong Son, presidente da União das Associações Vietnamitas no Japão, afirma que esses grupos compartilham o desejo de ter oportunidades para desenvolver suas capacidades e receber reconhecimento justo.
Son espera que a visita traga melhores oportunidades de emprego, condições mais favoráveis para os estudantes e apoio mais prático às famílias vietnamitas que constroem uma vida duradoura no Japão. Entre suas prioridades estão a proteção dos trabalhadores, a educação das crianças vietnamitas, a formação avançada, a transferência de tecnologia, o empreendedorismo e as conexões empresariais.
Ohno também aponta responsabilidades dos dois lados. Ele pede que o Japão apoie a integração dos trabalhadores vietnamitas e combata a xenofobia. O Vietnã, afirma, deve melhorar os mecanismos de recrutamento para o exterior e proteger os trabalhadores contra informações falsas e cobranças excessivas.
Lam pediu que os vietnamitas no Japão tenham oportunidades de adquirir conhecimentos, aprimorar competências profissionais e desenvolver suas carreiras, com seus direitos legítimos protegidos. Ele também quer que mais especialistas, cientistas e jovens japoneses trabalhem, pesquisem e abram empresas no Vietnã.
A educação já faz parte dessa relação. O japonês é ensinado em escolas vietnamitas, e o Japão está entre os maiores doadores para o setor de educação e formação do Vietnã. Son quer que as associações comunitárias no Japão atuem mais para conectar conhecimentos, empresas e oportunidades para as gerações mais jovens, ajudando as famílias a preservar a língua e a cultura vietnamitas.
Vietnã associa laços mais estreitos à maior autonomia
Lam descreve a abordagem diplomática do Vietnã como baseada na independência, na diversificação de parcerias e no diálogo pacífico, com fundamento no direito internacional e na Carta das Nações Unidas. Ele também destacou o papel das Nações Unidas e a função central da Associação das Nações do Sudeste Asiático.
O líder vietnamita explicou a autonomia estratégica como a capacidade de escolher o caminho de desenvolvimento do país e contar com os meios para concretizar essas escolhas:
Autonomia estratégica significa ter capacidade para determinar de forma independente nosso caminho de desenvolvimento e condições para implementar essas decisões.
Nishizawa situa a visita ao Japão no contexto do esforço mais amplo do Vietnã para diversificar parcerias e, ao mesmo tempo, manter relações estáveis com a China. O Vietnã também se prepara para sediar a Semana de Líderes Econômicos da APEC em 2027, inserindo cadeias de suprimentos, energia e cooperação econômica regional em uma agenda diplomática mais ampla.
A delegação que acompanha Lam reflete a amplitude da agenda. Entre seus integrantes estão o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa Phan Van Giang, o ministro da Segurança Pública Luong Tam Quang, o ministro das Relações Exteriores Le Hoai Trung, o ministro das Finanças Ngo Van Tuan, o ministro da Indústria e Comércio Le Manh Hung, o ministro da Ciência e Tecnologia Vu Hai Quan e o ministro da Agricultura e Meio Ambiente Trinh Viet Hung. Também participam autoridades do partido e os secretários partidários de Hanói e Ho Chi Minh.
Transformar prioridades em projetos
As prioridades de desenvolvimento do Vietnã após o 14º Congresso Nacional do Partido incluem melhorar as instituições, avançar na ciência e na tecnologia, promover a transformação digital e formar uma força de trabalho mais qualificada. A agenda com o Japão reúne essas prioridades: os investimentos exigem regras confiáveis, fábricas avançadas precisam de engenheiros e parcerias tecnológicas dependem de empresas vietnamitas capazes de aprender e contribuir.
A Agência de Cooperação Internacional do Japão identificou quatro pilares de apoio ao novo modelo de crescimento do Vietnã: formação de profissionais em ciência e tecnologia, fortalecimento das empresas vietnamitas, melhoria do ambiente de investimentos e desenvolvimento de infraestrutura estratégica.
Dr. Nguyen Si Dung defendeu que as prioridades acordadas tenham responsáveis designados pela execução, um roteiro e um mecanismo de acompanhamento dos resultados. Ohno também quer grandes projetos conjuntos com resultados claros e importantes para os dois países.
Lam prometeu atenção a um ambiente de negócios transparente, estável e previsível, além de respostas rápidas a preocupações legítimas das empresas. Na 33ª Conferência Diplomática, no início de agosto de 2026, ele também pediu preparação para receber investimentos, argumentando que oportunidades externas se tornam recursos aproveitáveis quando as condições internas estão prontas.
Até o momento, não foi anunciado nenhum pacote detalhado de novos acordos nem prazos de implementação. O próximo evento público previsto é o discurso de Lam no Parlamento, em 9 de novembro, antes do encerramento da visita em 11 de novembro. Os objetivos práticos já estão definidos: fornecedores mais capacitados, pesquisas conjuntas bem-sucedidas, energia e infraestrutura confiáveis e melhores perspectivas de carreira para os trabalhadores.
Principais pontos
- A visita oficial de To Lam ao Japão ocorre de 8 a 11 de novembro de 2026, com discurso no Parlamento previsto para 9 de novembro.
- O comércio bilateral chegou a quase US$ 50 bilhões nos primeiros 10 meses de 2026. Os países buscam alcançar US$ 80 bilhões, com a ambição de chegar a US$ 100 bilhões, até 2030.
- O Japão é o terceiro maior investidor estrangeiro no Vietnã, com aproximadamente 5.800 projetos ativos.
- Entre as áreas prioritárias estão semicondutores, inteligência artificial, energia limpa, pesquisa e formação profissional.
- Os países deram prioridade a 15 projetos de energia verde avaliados em aproximadamente US$ 20 bilhões.
- A proteção dos trabalhadores, a educação e as oportunidades de carreira são preocupações centrais para os quase 700 mil vietnamitas no Japão.
- As propostas para fortalecer a cooperação se concentram em responsabilidades claras de implementação, formação contínua e projetos com resultados mensuráveis.






