Pagamento de RM50 milhões deixa Najib à espera da transferência
O procurador-geral da Malásia, Tan Sri Mohd Dusuki Mokhtar, pediu uma audiência com o rei Sultan Ibrahim após uma disputa sobre decisões judiciais atrasar a transferência do ex-primeiro-ministro Datuk Seri Najib Razak para prisão domiciliar, apesar do pagamento da multa de RM50 milhões exigida por seu perdão condicional.
Conteúdo
- Pagamento de RM50 milhões deixa Najib à espera da transferência
- O que o rei determinou
- Por que a decisão judicial importa
- A segunda pena aumenta o peso da disputa
- Anwar envia o procurador-geral ao palácio
- Advogados de Najib exigem transferência imediata para casa
- Como o caso chegou a este ponto
- Disputa anterior sobre prisão domiciliar teve outra origem
- Pressão política cresce dentro da coalizão de Anwar
- Principais pontos
O Gabinete do Primeiro-Ministro informou em 7 de novembro de 2026 que Mohd Dusuki pediria perdão e reafirmaria seu compromisso de implementar o decreto real. O primeiro-ministro Datuk Seri Anwar Ibrahim o instruiu a solicitar uma audiência imediata para explicar questões jurídicas que afetam o restante da pena de Najib no caso da SRC International e o início de uma pena separada relacionada à 1Malaysia Development Berhad, ou 1MDB.
O advogado de Najib, Muhammad Farhan Muhammad Shafee, disse que o Umno pagou a multa no cartório do Tribunal Superior de Kuala Lumpur em 6 de novembro. Em seguida, o tribunal emitiu uma decisão determinando que Najib cumpra o restante da pena no caso da SRC em prisão domiciliar até 23 de agosto de 2028.
A Procuradoria-Geral da Malásia, ou AGC, adiou temporariamente a transferência enquanto solicitava esclarecimentos sobre os efeitos jurídicos dessa decisão judicial. Najib continua na Prisão de Kajang, onde está preso desde 23 de agosto de 2022.
A questão imediata é se a pena no caso da SRC continua em vigor, com Najib cumprindo o restante em casa, ou se a ordem de liberação do tribunal significa que essa pena já terminou. A resposta importa porque sua pena separada de 15 anos de prisão no caso da 1MDB deve começar depois do fim da pena no caso da SRC.
O que o rei determinou
O Istana Negara informou que o Conselho de Perdões dos Territórios Federais analisou a petição de Najib em 18 de setembro. O ministro dos Territórios Federais e o procurador-geral participaram da reunião e aconselharam o rei.
Sultan Ibrahim concedeu então um perdão condicional que permite a Najib cumprir o restante da pena de prisão no caso da SRC em prisão domiciliar, sujeito ao pagamento da multa de RM50 milhões. O palácio afirmou que todas as condições já foram cumpridas.
Em comunicado de 7 de novembro que explicou a posição do rei, o Istana Negara descreveu tanto a redação quanto o alcance da ordem:
Esta ordem de perdão condicional é clara, explícita e livre de qualquer ambiguidade, e não está vinculada a nenhum outro processo contra ele.
O palácio afirmou que o poder de conceder perdões do rei decorre do Artigo 42 da Constituição Federal. Pediu que esse poder seja respeitado de acordo com a monarquia constitucional e o Estado de Direito, e alertou contra a prolongada incerteza sobre a implementação da ordem.
O Istana Negara também afirmou que contestar uma ordem cujas condições foram cumpridas equivaleria a desconsiderar o decreto real. A referência à participação do procurador-geral na reunião de setembro colocou seu envolvimento no processo de perdão no centro da disputa pública.
Por que a decisão judicial importa
A AGC afirma que sua preocupação jurídica se concentra na Ordem de Liberação emitida pelo Tribunal Superior de Kuala Lumpur após o pagamento da multa em 6 de novembro. Em sua explicação de 7 de novembro, a Procuradoria disse que a ordem também prevê que Najib cumpra o restante da pena em casa até 23 de agosto de 2028.
Uma ordem de liberação determina que uma pessoa seja solta de uma base legal específica para sua detenção. Neste caso, a AGC quer que o tribunal determine exatamente o que essa liberação significa para a pena no caso da SRC e para a sentença que viria em seguida.
Na primeira interpretação apresentada pela AGC, o pagamento satisfaz apenas a condição financeira. A pena de prisão de Najib no caso da SRC continua até agosto de 2028, com o período restante cumprido em prisão domiciliar.
Na segunda interpretação, o pagamento satisfaz a condição para que a pena no caso da SRC seja considerada cumprida. Isso anteciparia a questão de quando começa a pena no caso da 1MDB.
A AGC explicou sua posição em um comunicado sobre a relação entre as duas penas:
Se a pena no caso da SRC International continuar em vigor, não há problema em cumprir o restante da sentença em prisão domiciliar.
A Procuradoria afirmou que uma decisão judicial evitaria ordens conflitantes e ajudaria a garantir que Najib fique detido com base na autoridade legal correta e pelo período adequado.
A segunda pena aumenta o peso da disputa
Em dezembro de 2025, Najib recebeu uma pena de prisão separada de 15 anos por corrupção e lavagem de dinheiro no caso da 1MDB. O Tribunal Superior determinou que essa pena comece imediatamente após o cumprimento da pena no caso da SRC.
Najib está recorrendo da condenação no caso da 1MDB. Em 14 de outubro de 2026, o Tribunal Superior rejeitou seu pedido para suspender a execução dessa pena. Um recurso pede que um tribunal superior reexamine uma decisão; a suspensão, também chamada de efeito suspensivo, interrompe sua execução enquanto outros procedimentos são realizados.
O perdão condicional diz respeito ao caso da SRC. O palácio afirmou que ele não está relacionado aos outros processos de Najib, enquanto a AGC diz que o tribunal deve decidir como a ordem de liberação afeta o início da pena separada no caso da 1MDB.
Se a pena no caso da SRC continuar até 23 de agosto de 2028, a pena da 1MDB será cumprida em seguida. Se o tribunal decidir que a pena da SRC já terminou, a próxima poderá começar imediatamente. Para Najib, isso torna o significado da ordem de liberação central para determinar se ele pode ir para casa agora.
Anwar envia o procurador-geral ao palácio
Anwar anunciou sua instrução a Mohd Dusuki após lançar a celebração do Mês Nacional da Família em Shah Alam, no estado de Selangor, em 7 de novembro. Ele disse que o procurador-geral deveria explicar as limitações legais relacionadas ao restante da pena no caso da SRC e os efeitos sobre o caso da 1MDB.
Anwar afirmou que a autoridade e a decisão do rei nunca foram questionadas. Sua explicação se concentrou em como o decreto real deve ser implementado junto com o processo separado.
Mais tarde, o Gabinete do Primeiro-Ministro informou que Mohd Dusuki havia pedido autorização para uma audiência, a fim de pedir perdão e expressar sua intenção de cumprir o decreto. Também disse que as questões jurídicas decorrentes da ordem de liberação do Tribunal Superior exigiam uma decisão judicial, pois afetavam o início da pena no caso da 1MDB.
Não foram anunciadas datas para a audiência com o rei nem para uma sessão judicial sobre essas questões. Assim, o caminho anunciado pelo governo envolve tanto uma explicação ao rei quanto um esclarecimento judicial sobre as decisões relativas às penas.
Advogados de Najib exigem transferência imediata para casa
A equipe jurídica de Najib, Shafee & Co., acusou o procurador-geral de exceder sua autoridade, desobedecer ao decreto real e manter Najib detido ilegalmente. O escritório exigiu que o Departamento Penitenciário agilize sua transferência.
Os advogados destacaram que Mohd Dusuki é membro do Conselho de Perdões e participou da reunião de 18 de setembro. Eles argumentaram que as condições foram cumpridas e que Najib deveria ser transferido para sua residência em Kuala Lumpur.
Farhan Shafee, um dos advogados de Najib, indicou o destino previsto em um comunicado após a intervenção do rei:
Eles devem transferi-lo imediatamente para sua residência em Jalan Langgak Duta para cumprir a prisão domiciliar, conforme ordenado por Sua Majestade. Daulat Tuanku,
A AGC rejeitou as acusações. A Procuradoria afirmou que não contestou nem revogou o perdão e que não tinha intenção de suspender a decisão do rei. Sua explicação descreveu o adiamento temporário como uma medida para garantir que o decreto real e as decisões judiciais sejam executados de forma legal.
A Procuradoria também pediu às partes que deixem o Judiciário determinar como as ordens devem ser executadas, em vez de continuar debatendo as questões jurídicas pela imprensa. Durante o adiamento, Najib permaneceria no local de detenção atual, sujeito aos poderes e às determinações das autoridades competentes.
Como o caso chegou a este ponto
A atual pena de Najib no caso da SRC decorre de uma condenação relacionada a RM42 milhões pertencentes à SRC International, antiga subsidiária da 1MDB. Em 2020, ele foi condenado a 12 anos de prisão e multado em RM210 milhões por abuso de poder, violação criminosa de confiança e lavagem de dinheiro.
Os acontecimentos que levaram à disputa atual se estendem por vários anos:
- 2020: Najib recebe a pena original de 12 anos no caso da SRC e uma multa de RM210 milhões.
- 23 de agosto de 2022: Ele começa a cumprir a pena na Prisão de Kajang.
- 29 de janeiro de 2024: O Conselho de Perdões se reúne; em 2 de fevereiro, é anunciada a redução da pena para seis anos e da multa para RM50 milhões.
- Dezembro de 2025: Najib recebe uma pena de prisão separada de 15 anos no caso da 1MDB, a ser cumprida após a pena no caso da SRC.
- 18 de setembro de 2026: Sultan Ibrahim concede o perdão condicional que permite que o restante da pena no caso da SRC seja cumprido em casa após o pagamento da multa.
- 14 de outubro de 2026: O Tribunal Superior rejeita o pedido de Najib para suspender a pena no caso da 1MDB.
- 6 de novembro de 2026: A multa de RM50 milhões é paga e o Tribunal Superior emite a ordem de liberação. A AGC adia temporariamente a transferência.
- 7 de novembro de 2026: O rei pede a implementação da ordem, a AGC explica suas preocupações jurídicas e o procurador-geral solicita uma audiência com o rei.
A redução de 2024 cortou pela metade a pena de prisão, de 12 para seis anos. Também reduziu a multa em RM160 milhões, de RM210 milhões para RM50 milhões. O perdão mais recente altera o local onde Najib pode cumprir o restante dessa pena reduzida no caso da SRC.
Disputa anterior sobre prisão domiciliar teve outra origem
Najib já havia buscado prisão domiciliar por meio de uma ação judicial sobre uma ordem adicional, conhecida como adendo, que, segundo ele, teria sido emitida após a reunião de 29 de janeiro de 2024 do Conselho de Perdões, sob o reinado do monarca anterior, Sultan Abdullah.
O anúncio do Conselho de Perdões, em 2 de fevereiro de 2024, sobre a redução da pena de prisão e da multa não mencionava prisão domiciliar. Consultas feitas pela divisão de assuntos jurídicos do Departamento do Primeiro-Ministro, que atua como secretaria do conselho, não encontraram nenhum adendo adicional nos registros oficiais.
O processo incluiu uma decisão do Tribunal de Apelação que autorizou Najib a buscar uma revisão judicial, por maioria de dois juízes a um. Uma decisão do Tribunal Superior considerou que o suposto adendo não podia ser executado porque não havia sido feito em consulta com o Conselho de Perdões.
A ordem de setembro de 2026 vem acompanhada de um relato específico do Istana Negara sobre a análise da petição de Najib pelo conselho e a participação do ministro e do procurador-geral. O palácio vinculou seu pedido de implementação a esse processo e ao pagamento posterior da multa.
Prisão domiciliar significa cumprir a detenção em casa, e não dentro de uma prisão. Podem ser impostas restrições à circulação, às visitas e à vigilância. As explicações oficiais atuais se concentram na elegibilidade de Najib para a transferência e na pena que ele estaria cumprindo, sem detalhar esses aspectos práticos.
Pressão política cresce dentro da coalizão de Anwar
O Umno, partido que Najib já liderou e integrante do governo de coalizão de Anwar, exigiu a implementação imediata do perdão. Farhan afirmou que o partido pagou a multa de RM50 milhões, assumindo um papel direto no cumprimento da condição para a transferência proposta.
O secretário-geral do Umno, Asyraf Wajdi Dusuki, pediu medidas contra os que deixaram de cumprir a ordem real. O líder da ala jovem do partido, Akmal Saleh, disse que os núcleos jovens do Umno em todo o país registrariam queixas policiais por causa do atraso.
Akmal argumentou que as questões deveriam ter sido levantadas na reunião de 18 de setembro do Conselho de Perdões, e não depois do cumprimento das condições. Os advogados de Najib fizeram um argumento semelhante sobre a participação do procurador-geral naquela reunião.
A pressão também veio de outra parte da coalizão governista. O secretário-geral do Partido de Ação Democrática, Anthony Loke, prometeu renunciar ao cargo de ministro dos Transportes assim que Najib voltasse para casa, levando a disputa diretamente para as relações políticas dentro do governo.
A tarefa imediata de Anwar é obter uma explicação sobre como o decreto e as decisões judiciais serão implementados. Para Najib, o resultado prático continua sendo o local de sua detenção e a pena que servirá de base legal para mantê-lo ali.
Principais pontos
- O procurador-geral Mohd Dusuki Mokhtar solicitou uma audiência com Sultan Ibrahim após ser instruído por Anwar.
- O Umno pagou a multa de RM50 milhões de Najib em 6 de novembro, cumprindo a condição financeira do perdão condicional no caso da SRC.
- O rei afirma que o perdão é claro, que todas as condições foram cumpridas e que a implementação deve avançar sem prolongar a incerteza.
- A AGC quer que um tribunal determine se a ordem de liberação do Tribunal Superior mantém a pena no caso da SRC em vigor ou a considera cumprida.
- A pena separada de 15 anos de Najib no caso da 1MDB deve começar após o fim da pena no caso da SRC.
- Najib continua na Prisão de Kajang enquanto seus advogados exigem sua transferência imediata para prisão domiciliar.






