Desdobramentos em ilhas podem aproximar da China o alcance dos mísseis de Taiwan
Taiwan planeja ampliar sua frota de sistemas M142 de foguetes de artilharia de alta mobilidade (HIMARS) para 111 lançadores. Planejadores militares avaliam posicioná-los em Penghu e Dongyin, o que colocaria mais instalações militares costeiras chinesas ao alcance dos mísseis. O inventário previsto inclui 504 mísseis do Sistema de Mísseis Táticos do Exército, conhecidos como ATACMS, com alcance de 300 quilômetros.
Conteúdo
- Desdobramentos em ilhas podem aproximar da China o alcance dos mísseis de Taiwan
- O que incluem os 111 lançadores e os 504 mísseis
- Por que as datas de entrega exigem atenção
- Penghu ampliaria o alcance através do estreito
- Dongyin oferece outra vantagem geográfica
- O objetivo é atrasar um ataque antes que chegue a Taiwan
- O Thunderbolt-2000 manteria a função de defesa mais próxima
- Contratos vão além das primeiras entregas previstas
- Um míssil de maior alcance também está em análise
- Principais pontos
O cronograma de entregas é mais longo do que sugere a simples meta de ter tudo pronto em 2030. Os primeiros 11 lançadores já teriam chegado, outros 18 devem ser entregues até o fim de 2027, e a maior compra, de 82 lançadores, deve começar a ser entregue em 2030. Essa última aquisição se estende de 2026 a 2032.
Penghu, no Estreito de Taiwan, e Dongyin, no arquipélago de Matsu, perto da costa chinesa de Fujian, dariam aos lançadores posições mais próximas de possíveis alvos militares do que as instalações na principal ilha de Taiwan. Relatos militares apontam portos, aeródromos, centros de abastecimento e locais onde tropas poderiam se reunir para um assalto anfíbio entre as instalações potencialmente ao alcance.
O posicionamento nas ilhas ainda está em análise, sem definição sobre a distribuição dos lançadores ou a data de implantação. Segundo fontes militares, o objetivo é fazer as forças chinesas operarem mais longe da costa e dar a Taiwan mais tempo para se preparar para um ataque.
A aquisição também envolve uma questão prática: onde posicionar uma frota de artilharia muito maior. Os lançadores devem ficar sob o comando da artilharia dos corpos do Exército, enquanto os comandos de defesa das ilhas são considerados para receber sistemas em quantidade superior à que essas formações no continente poderiam comportar.
O que incluem os 111 lançadores e os 504 mísseis
A frota planejada por Taiwan consiste em três compras: 11 lançadores no primeiro lote, 18 no segundo e 82 no terceiro. O lote mais recente representa cerca de 74% dos 111 lançadores previstos, sendo o principal responsável pela expansão.
As quantidades de ATACMS correspondentes são de 64 mísseis no primeiro lote, 20 no segundo e 420 no terceiro. Ao todo, são 504, número exato por trás das descrições de um inventário com mais de 500 mísseis táticos. O segundo lote também inclui 864 foguetes guiados de precisão, enquanto o terceiro inclui uma quantidade adicional de foguetes de precisão que não foi especificada.
HIMARS é o nome do lançador, não de um único míssil. Ele transporta e dispara diferentes tipos de munição, portanto seu alcance depende do que estiver carregado. A distância de 300 quilômetros se aplica aos mísseis ATACMS mencionados na aquisição, enquanto o plano proposto para a defesa das ilhas prevê missões do HIMARS a distâncias de aproximadamente 70 a 300 quilômetros.
O primeiro lote já teria sido entregue por completo, e sua unidade receptora entrou em serviço. Autoridades militares também afirmam que a unidade realizou o primeiro exercício de tiro real com mísseis táticos de Taiwan em seu próprio território. Esses avanços dão a Taiwan uma força operacional inicial enquanto as aquisições muito maiores passam pelas etapas de produção e entrega.
Por que as datas de entrega exigem atenção
O Ministério da Defesa Nacional de Taiwan apresentou um marco oficial anterior em sua declaração de maio de 2023. O ministério informou que outros 18 sistemas HIMARS e equipamentos associados faziam parte de um programa de investimento militar em andamento, com uma Carta de Oferta e Aceitação revisada assinada em 20 de abril de 2023.
Segundo o ministério, os principais equipamentos dessa compra poderiam ser entregues em 2026, antes do cronograma originalmente previsto para 2027. Relatos militares mais recentes situam a conclusão das entregas do segundo lote até o fim de 2027. São cronogramas publicados diferentes para os mesmos 18 lançadores adicionais, e o relato posterior adota a data mais tardia.
Os principais marcos da aquisição são:
- 20 de abril de 2023: Taiwan assinou o documento revisado de compra de outros 18 sistemas HIMARS e equipamentos associados.
- 10 de maio de 2023: O Ministério da Defesa anunciou que os principais equipamentos poderiam chegar em 2026, em vez de 2027.
- 2024 a 2025: Período original de entrega dos primeiros 11 lançadores e 64 mísseis ATACMS, que agora teriam sido entregues por completo.
- Fim de 2027: Meta de conclusão das entregas do segundo lote, com 18 lançadores, segundo relatos mais recentes.
- A partir de 2030: Início previsto das entregas do terceiro lote, com 82 lançadores, dentro de um programa que se estende até 2032.
Penghu ampliaria o alcance através do estreito
O interesse dos planejadores militares em Penghu se deve à sua posição entre a principal ilha de Taiwan e Fujian. Levar um lançador para mais perto da costa oposta permite que um míssil com o mesmo alcance atinja áreas mais distantes no interior, potencialmente colocando outras instalações militares ao alcance.
Estimativas militares situam Penghu a cerca de 120 a 140 quilômetros da costa de Fujian no relato inicial, enquanto outra fonte militar aponta uma distância de aproximadamente 150 a 160 quilômetros. O ponto de partida e o destino exatos são importantes para calcular até onde determinado míssil poderia chegar além da costa.
Fontes militares apontam áreas de concentração para desembarque nos arredores de Quanzhou, Xiamen e Zhangzhou entre os possíveis alvos. Também mencionam a possibilidade de atingir centros de abastecimento atrás das forças costeiras. Para quem não está familiarizado com os preparativos para uma invasão, uma área de concentração é um local onde tropas, veículos e equipamentos se reúnem antes de seguir para os pontos de partida.
O Taiwan Security Monitor, da Universidade George Mason, apresenta uma visualização do possível posicionamento nas ilhas, com posições possíveis para os lançadores e os alcances operacionais das munições do inventário de Taiwan. A explicação que acompanha o material afirma que os planos relatados para Penghu e Dongyin poderiam colocar instalações navais costeiras e aeródromos em Fujian e Zhejiang ao alcance.
A visualização da universidade mostra possíveis posicionamentos. A cobertura efetiva dependeria do local de lançamento, da munição e da localização do alvo pretendido.
Dongyin oferece outra vantagem geográfica
Dongyin, o território mais ao norte de Taiwan, fica muito mais perto de algumas partes da costa chinesa. Fontes militares situam a ilha a cerca de 34 quilômetros das ilhas Sishuang, 48 quilômetros da península de Dongchong, 87 quilômetros do porto naval de Sanduao e 113 quilômetros da foz do rio Min.
Essas distâncias ajudam a explicar por que uma pequena ilha aparece em um plano que envolve armas com alcance de centenas de quilômetros. Um lançador instalado ali começaria muito mais perto de várias instalações militares costeiras do que um operando a partir da principal ilha de Taiwan.
Relatos militares apontam a base da Força Aérea de Fuzhou, instalações nos arredores de Xiapu e Sanduao e a base naval de Wenzhou entre os locais que poderiam ficar ao alcance de lançadores posicionados em Dongyin. O relato inicial também inclui Taizhou, em Zhejiang, na área estimada de alcance. A cobertura exata variaria conforme o local de lançamento e o míssil utilizado.
Estações de radar e posições de defesa aérea do Comando do Teatro Oriental do Exército de Libertação Popular também são mencionadas como possíveis alvos. Isso amplia a função prevista para além do ataque a portos: os planejadores avaliam instalações que ajudam as forças chinesas a detectar aeronaves, coordenar operações e proteger outros ativos militares.
O objetivo é atrasar um ataque antes que chegue a Taiwan
Fontes militares descrevem os posicionamentos propostos como uma forma de empurrar as forças chinesas para mais longe no interior. Um dos objetivos declarados é fazer com que operem a pelo menos 100 quilômetros da costa, aumentando a distância entre suas bases e Taiwan.
Uma avaliação mais abrangente no mesmo relato sugere que alguns aviões, lançadores de foguetes e depósitos de suprimentos talvez precisassem ficar a pelo menos 300 quilômetros do litoral para evitar ataques. Essas distâncias descrevem expectativas militares sobre como a China poderia reagir, e não um deslocamento anunciado de forças chinesas.
O argumento prático é o tempo. Aeronaves baseadas mais longe teriam de voar distâncias maiores. Tropas e suprimentos reunidos no interior teriam um trajeto mais longo até os pontos de embarque. Os planejadores de Taiwan esperam que essa distância adicional atrase os preparativos para um ataque rápido e dê mais tempo para mobilização.
Huang Chung-yen, membro consultivo do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, argumentou que a mobilidade do HIMARS e os ataques de precisão a longas distâncias poderiam atrapalhar os planos de invasão chineses. Ele descreveu a capacidade de disparar e se deslocar rapidamente, combinada a decisões de comando mais ágeis, como um desafio a um plano de ataque baseado em um bombardeio inicial e intenso contra Taiwan.
O valor militar, portanto, envolve tanto o alcance quanto a mobilidade. Um lançador precisa receber um alvo, deslocar-se para uma posição, disparar e mudar de lugar. Ampliar o número de lançadores dá aos comandantes mais equipamentos para distribuir, enquanto os sistemas de comando ajudam a coordenar onde e quando serão usados.
O Thunderbolt-2000 manteria a função de defesa mais próxima
O sistema de foguetes Thunderbolt-2000, produzido em Taiwan, já está instalado em Penghu, segundo fontes militares. Ele também é usado em operações táticas em Kinmen e Lienchiang, condado que inclui as ilhas Matsu, dependendo da missão.
A divisão de tarefas proposta atribui ao Thunderbolt-2000 a defesa das águas próximas e dos acessos às praias, a distâncias de até cerca de 45 quilômetros. O HIMARS ficaria encarregado de ataques mais distantes, dentro da faixa de aproximadamente 70 a 300 quilômetros mencionada nos planos.
Essa configuração atende a duas necessidades diferentes. Os defensores das ilhas precisam ser capazes de atacar forças que se aproximem de suas próprias costas, enquanto os comandantes também querem ameaçar instalações militares do outro lado do estreito. O uso de sistemas diferentes para essas funções permite distribuir munições e lançadores conforme a distância até o alvo.
Fontes militares afirmam que os sistemas dão mais flexibilidade operacional aos comandantes. A combinação final de armas em cada ilha também definiria as necessidades de treinamento, armazenamento de munição, manutenção e comando.
Contratos vão além das primeiras entregas previstas
Avisos de aquisição publicados em 22 de abril de 2026 listaram um contrato de sistema de fogo de precisão de longo alcance no valor de NT$ 123.503.717.741, ou cerca de NT$ 123,5 bilhões. O período de execução informado começou em 24 de março de 2026 e termina em 15 de dezembro de 2032.
Os avisos abrangiam seis contratos de aquisição militar com os Estados Unidos, incluindo artilharia autopropulsada, reposição de estoques de mísseis, serviços integrados de defesa aérea, mísseis antiblindagem e cooperação na produção de munição de grande calibre. A missão militar de Taiwan nos Estados Unidos concluiu os acordos com o Instituto Americano em Taiwan.
Em 13 de março, o Legislativo autorizou o Executivo a assinar documentos específicos de compra de armas antes dos respectivos prazos caso as análises orçamentárias relacionadas ainda não tivessem sido concluídas. Quando os avisos foram publicados, em abril, parlamentares ainda negociavam termos fundamentais de um projeto de lei especial de aquisição para a defesa, incluindo o limite de gastos e as categorias de compras.
Um relato posterior informa que a legislação especial foi aprovada em meados de maio e que o Yuan Executivo aprovou a proposta orçamentária especial em 20 de maio. Segundo esse relato, um pagamento inicial superior a NT$ 800 milhões pela nova compra de HIMARS venceria antes de 31 de maio.
O término do contrato em 2032 e o início previsto das entregas do terceiro lote em 2030 dão aos leitores duas datas úteis: quando se espera que o maior lote comece a chegar e por quanto tempo o acordo de aquisição vai vigorar.
Um míssil de maior alcance também está em análise
Uma fonte militar afirma que Taiwan reservou espaço em uma futura aquisição para o Precision Strike Missile, da Lockheed Martin, com alcance declarado de até 500 quilômetros. Isso acrescentaria 200 quilômetros ao alcance de 300 quilômetros dos mísseis ATACMS descritos no plano atual.
O míssil proposto daria aos comandantes mais flexibilidade geográfica, incluindo a capacidade de atingir alvos mais distantes através do estreito a partir da principal ilha de Taiwan. A compra é apresentada como uma opção futura, enquanto as quantidades detalhadas da expansão atual dizem respeito a lançadores HIMARS, mísseis ATACMS e foguetes guiados de precisão.
A tarefa imediata de Taiwan é receber e organizar a frota já planejada. A escolha estratégica é decidir quanto dessa força manter com os corpos do Exército na principal ilha e quanto destinar aos comandos de defesa das ilhas, mais próximos da China. Penghu e Dongyin são importantes porque sua localização poderia alterar o alcance da mesma munição.
Principais pontos
- Taiwan planeja adquirir um total de 111 lançadores HIMARS e 504 mísseis ATACMS em três compras.
- Os primeiros 11 lançadores já teriam sido entregues; a conclusão das entregas do segundo lote, com 18, está prevista para o fim de 2027.
- As entregas do maior lote, com 82 lançadores, devem começar em 2030, dentro de um programa que vai até 2032.
- Penghu e Dongyin estão em análise para posicionamentos que poderiam colocar mais instalações militares costeiras chinesas ao alcance.
- O Thunderbolt-2000 cobriria os acessos marítimos mais próximos, enquanto o HIMARS seria usado em ataques a alvos mais distantes.
- Uma futura compra do Precision Strike Missile poderia ampliar o alcance para 500 quilômetros, segundo uma fonte militar.






