Tesla enfrenta denúncia na Coreia do Sul por vender FSD a compradores que não podem usá-lo

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Tesla Faces South Korean Complaint Over FSD Sales to Buyers Unable to Use It

Uma opção cara indisponível para a maioria dos proprietários de Tesla

A Tesla cobrou 9,043 milhões de won de compradores sul-coreanos pelo Full Self-Driving (Supervised), mas apenas cerca de 20% dos veículos registrados no país podem usar o software legalmente, segundo depoimento ao Parlamento do diretor-geral da Tesla Korea, Seo Young-deuk. Um grupo de defesa do consumidor planeja apresentar uma denúncia por publicidade enganosa em 5 de novembro de 2026, pedindo restrições à publicidade, multas administrativas e o encaminhamento do caso a investigadores do Estado.

Conteúdo
  1. Uma opção cara indisponível para a maioria dos proprietários de Tesla
  2. Por que o local de fabricação importa
  3. Como o salto nas vendas da Tesla ampliou a diferença
  4. Quanto os compradores pagaram e o que a publicidade prometia
  5. As datas por trás da disputa sobre a homologação
  6. O que o grupo de defesa do consumidor quer que os órgãos reguladores façam
  7. Ação por reembolso já foi rejeitada
  8. O que o Full Self-Driving exige do motorista
  9. Por que a disputa importa para além da Coreia do Sul
  10. Principais pontos

A Citizens United for Consumer Sovereignty alega que a Tesla continuou vendendo e promovendo o pacote de assistência ao motorista mesmo sabendo que a maioria dos veículos vendidos no país não era elegível. A Comissão de Comércio Justo da Coreia (KFTC) já abriu uma investigação sobre a publicidade e recebeu respostas por escrito da Tesla.

A disputa depende do local de fabricação dos carros e do processo de homologação de segurança aplicável. Veículos fabricados nos Estados Unidos podem usar o FSD graças ao reconhecimento das normas de segurança americanas previsto em um acordo comercial, segundo a denúncia. A maioria dos Teslas vendidos na Coreia do Sul vem de Xangai e precisa passar por outro processo de homologação.

Dados da Tesla apresentados à Assembleia Nacional mostram a dimensão dessa diferença: 99% dos novos Teslas vendidos na Coreia do Sul em 2025 não podiam usar o FSD legalmente. A Tesla não respondeu aos pedidos de comentário sobre as alegações.

Por que o local de fabricação importa

Seo disse a parlamentares em outubro que os cerca de 20% dos Teslas registrados elegíveis para usar o FSD eram veículos fabricados nos Estados Unidos. A denúncia afirma que esses carros atendem às normas americanas de segurança veicular reconhecidas pela Coreia do Sul no âmbito do acordo de livre-comércio entre os dois países.

Veículos fabricados na China não se beneficiam do mesmo acordo. Para seus proprietários, o acesso depende da obtenção de aprovação segundo as regras sul-coreanas aplicáveis. Portanto, o problema vai além da instalação do software: o veículo e suas funções de condução precisam ter autorização legal para operar.

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O Ministério dos Transportes da Coreia do Sul informou a um parlamentar que o FSD não cumpre os requisitos locais de segurança, incluindo uma regra que exige que os motoristas mantenham as mãos no volante. A Tesla começou a buscar a homologação de veículos fabricados na China apenas recentemente, depois de cobrar pelo software por mais de três anos.

A posição do ministério coloca um requisito concreto de segurança no centro do atraso. Clientes que compraram a opção para um veículo não elegível terão de esperar pela aprovação regulatória, e não simplesmente pela chegada de uma atualização de software.

Como o salto nas vendas da Tesla ampliou a diferença

A Tesla vendeu mais de 170 mil veículos produzidos em Xangai na Coreia do Sul desde 2023, segundo dados da empresa apresentados à Assembleia Nacional. As vendas de veículos fabricados na China que não podiam usar o FSD legalmente cresceram mais de cinco vezes entre 2023 e 2025.

Os dados de vendas de 2025 mostram que apenas um em cada 100 novos Teslas vendidos no país era legalmente elegível para usar o FSD; os outros 99 não eram. A estimativa de Seo de que cerca de 20% dos Teslas registrados poderiam usá-lo abrange toda a frota, inclusive carros comprados em anos anteriores. Os dois percentuais se referem a grupos diferentes de veículos.

A Tesla superou a BMW em 2026 e se tornou a principal marca de carros importados da Coreia do Sul, segundo dados de importação. Esse crescimento tornou a questão da elegibilidade relevante para um número muito maior de proprietários, embora a proporção de carros recém-vendidos capazes de usar o FSD continuasse muito pequena.

Não se sabe quantos clientes efetivamente pagaram pelo FSD em veículos não elegíveis, nem quanto a Tesla arrecadou com eles. O grupo de defesa do consumidor alega que dezenas de milhares de pessoas foram induzidas ao erro.

Quanto os compradores pagaram e o que a publicidade prometia

A Tesla comercializou o FSD na Coreia do Sul por anos, muitas vezes cobrando um pagamento único de 9,043 milhões de won. Em agosto de 2026, passou a oferecer uma assinatura de 150 mil won por mês.

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Por essa mensalidade, 60 meses de assinatura custariam 9 milhões de won, valor próximo ao antigo preço de compra. A comparação mostra o tamanho do gasto inicial: quem pagou à vista desembolsou o equivalente a cerca de cinco anos da mensalidade atual.

A denúncia alega que a Tesla promoveu o FSD em 2025 como algo que estaria "disponível em breve" e divulgou um vídeo de demonstração filmado na Coreia do Sul sem explicar claramente que apenas uma pequena parcela dos carros que vendia podia usar o sistema legalmente. Segundo o grupo, a empresa sabia das restrições, mas continuou oferecendo a opção a todos os clientes.

Choi Young-suk, que coordena as questões automotivas na Citizens United for Consumer Sovereignty, resumiu a objeção do grupo em termos do que os compradores receberam pelo dinheiro:

A Tesla obteve uma receita substancial vendendo um caro sistema de assistência ao motorista a compradores do mercado de massa que não conseguem usá-lo nem por um único dia.

A principal alegação do grupo diz respeito às informações fornecidas aos clientes antes do pagamento. Uma demonstração em vias sul-coreanas poderia mostrar a tecnologia em funcionamento no país, mas os compradores ainda precisavam de uma resposta clara sobre a elegibilidade de seu veículo específico.

As datas por trás da disputa sobre a homologação

O depoimento de Seo ao Parlamento colocou sob escrutínio os esforços da Tesla para obter aprovação. Em uma audiência em 8 de outubro, ele afirmou que a empresa não havia solicitado formalmente ao Ministério dos Transportes testes do FSD. Duas semanas depois, no fim de outubro, a Tesla pediu a homologação.

A sequência reúne anos de vendas, a campanha publicitária, a investigação regulatória em andamento e o pedido recente da empresa:

  • Desde 2023: A Tesla vendeu mais de 170 mil veículos fabricados em Xangai na Coreia do Sul.
  • Durante 2025: A Tesla promoveu o FSD como algo que estaria "disponível em breve", segundo a denúncia do grupo de defesa do consumidor. O FSD passou a estar disponível na Coreia do Sul no fim daquele ano para veículos elegíveis.
  • No início de 2026: A KFTC abriu uma investigação sobre a publicidade do FSD da Tesla.
  • Agosto de 2026: A Tesla passou a oferecer uma assinatura por 150 mil won mensais.
  • 8 de outubro de 2026: Seo disse a parlamentares que a Tesla não havia solicitado formalmente ao Ministério dos Transportes testes do FSD.
  • Fim de outubro de 2026: A Tesla pediu a homologação de veículos fabricados na China.
  • 5 de novembro de 2026: O grupo de defesa do consumidor planeja apresentar sua denúncia à KFTC.

Não foi anunciada uma data para a decisão sobre a homologação nem para a conclusão da investigação sobre publicidade.

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O que o grupo de defesa do consumidor quer que os órgãos reguladores façam

A Citizens United for Consumer Sovereignty pede à KFTC uma ordem temporária de suspensão da publicidade do FSD dirigida a proprietários e compradores de veículos não elegíveis. Na prática, a ordem solicitada interromperia essa promoção enquanto a disputa fosse analisada.

O grupo também quer multas administrativas e o encaminhamento do caso a investigadores do Estado. Esses pedidos envolvem diferentes medidas de fiscalização: restrições à publicidade, sanções financeiras e a possibilidade de uma investigação adicional.

Um representante da KFTC confirmou que a comissão começou a examinar a publicidade do FSD da Tesla no início de 2026 e recebeu as respostas por escrito da empresa. O representante não quis fornecer mais detalhes. A denúncia planejada acrescentaria as alegações do grupo de defesa do consumidor e as medidas que ele pede a um caso já em análise pelas autoridades.

O pedido de homologação da Tesla diz respeito à autorização para usar o FSD nos veículos afetados. A investigação sobre publicidade trata da forma como a empresa descreveu e vendeu essa capacidade aos clientes. Para os proprietários, os dois processos importam: um trata do acesso ao recurso, enquanto o outro examina as práticas de venda relacionadas a ele.

Ação por reembolso já foi rejeitada

O Tribunal Distrital Central de Seul rejeitou, em 29 de outubro, uma ação movida por 88 proprietários de Tesla que pediam reembolso pela opção FSD. Os proprietários argumentaram que a Tesla não havia entregado o sistema de assistência ao motorista, que só foi ativado na Coreia do Sul no fim de 2025.

A ação foi apresentada em 2024. Os proprietários disseram que a Tesla Korea não conseguiu implementar o FSD na Coreia do Sul por mais de oito anos, desde que começou a vender a opção, por volta de março de 2017.

O tribunal rejeitou o pedido, afirmando que restrições regulatórias e legais limitaram a capacidade da Tesla de introduzir novas funções. A decisão mostra que as restrições à implementação já foram consideradas em uma disputa sobre pagamentos de clientes.

O tribunal concluiu que a Tesla não descumpriu suas obrigações contratuais: a opção FSD não prometia condução totalmente autônoma sem intervenção humana, conhecida como automação de nível 5, e a Tesla já havia fornecido algumas funções do pacote. Os recursos adicionais dependiam de avanços tecnológicos e aprovações regulatórias, e os compradores sabiam que alguns poderiam levar bastante tempo para ficar disponíveis.

O tribunal também concluiu que a Tesla havia fornecido as funções básicas do Autopilot e do Enhanced Autopilot, enquanto uma atualização recente de software havia acrescentado reconhecimento de semáforos e placas e recursos de condução urbana a veículos mais antigos equipados com computadores Hardware 3. O tribunal entendeu que a Tesla não poderia ser responsabilizada por atrasos causados pelo cumprimento de regulamentações nacionais e estrangeiras.

A denúncia planejada pelo grupo de defesa do consumidor se concentra em publicidade enganosa, incluindo a suposta falta de clareza sobre quais veículos eram elegíveis. A pressão por reembolsos representa um risco financeiro para a Tesla, enquanto as medidas pedidas nesta denúncia são a suspensão da publicidade, multas administrativas e o encaminhamento do caso a investigadores.

O que o Full Self-Driving exige do motorista

O Full Self-Driving (Supervised) é um sistema de assistência ao motorista que exige supervisão humana ativa. A pessoa ao volante precisa permanecer atenta e responsável por monitorar o veículo. O nome do produto contrasta com anos de promessas do presidente-executivo da Tesla, Elon Musk, de que os carros da marca se tornariam totalmente autônomos.

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A exigência da Coreia do Sul de que os motoristas mantenham as mãos no volante é uma das regras específicas citadas pelo Ministério dos Transportes. A supervisão descreve a responsabilidade do motorista; a homologação determina se o sistema pode ser usado legalmente em um veículo específico no país.

Para um cliente que considera comprar a opção, a questão prática imediata é a elegibilidade. Pagar pelo software e ter um Tesla são apenas parte da transação. A origem de fabricação do veículo e o processo de aprovação aplicável também determinam o acesso.

Por que a disputa importa para além da Coreia do Sul

A Tesla tem buscado expandir o FSD para além da América do Norte, inclusive na Europa, onde pressiona os órgãos reguladores para autorizar a introdução da tecnologia. A Coreia do Sul mostra como as vendas internacionais de software dependem tanto das regras locais de aprovação quanto da capacidade da empresa de desenvolver e distribuir um produto.

O FSD permite que a Tesla continue gerando receita depois da venda de um veículo, por meio de atualizações e assinaturas recorrentes. Restrições à publicidade poderiam limitar a capacidade da empresa de vender essa opção na Coreia do Sul. Pedidos de reembolso criariam outro custo potencial, especialmente se clientes de outros mercados com veículos fabricados na China apresentassem reivindicações semelhantes.

Para os proprietários sul-coreanos, o que está em jogo é mais imediato: saber se poderão usar um recurso pelo qual pagaram e se os órgãos reguladores decidirão que a publicidade explicou adequadamente as restrições. O recente pedido de homologação da Tesla e a investigação já em andamento na KFTC colocam essas questões diante de dois processos regulatórios distintos.

Principais pontos

  • Um grupo de defesa do consumidor planeja apresentar uma denúncia contra a Tesla por publicidade enganosa em 5 de novembro de 2026.
  • O diretor-geral da Tesla Korea afirmou que cerca de 20% dos Teslas registrados poderiam usar o FSD legalmente, incluindo veículos fabricados nos Estados Unidos.
  • Dados da empresa mostram que 99% dos novos Teslas vendidos na Coreia do Sul em 2025 não eram elegíveis.
  • O FSD custava anteriormente 9,043 milhões de won à vista. Em agosto de 2026, a Tesla passou a oferecer uma assinatura mensal de 150 mil won.
  • A KFTC já conduz uma investigação sobre a publicidade, e a Tesla pediu a homologação de veículos fabricados na China no fim de outubro.
  • O grupo pede a suspensão temporária da publicidade, multas e o encaminhamento do caso a investigadores do Estado.
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