Indonésia planeja nova mudança nas regras sobre receitas de exportação para ampliar conversão em rupias

11 min de leitura
Indonesia Plans Another Export Earnings Rule Change to Increase Rupiah Conversion

Nova revisão cinco meses após as regras mais recentes

A Indonésia está preparando mais uma mudança nas regras para as receitas de exportação de recursos naturais. O ministro das Finanças, Suahasil Nazara, afirmou que o governo quer que uma parcela maior dos dólares recebidos seja convertida em rupias. O anúncio ocorre apenas cinco meses depois da entrada em vigor do Regulamento Governamental nº 21 de 2026, em 1º de junho.

Conteúdo
  1. Nova revisão cinco meses após as regras mais recentes
  2. Manter dólares e convertê-los são objetivos diferentes
  3. O que exige o marco regulatório de junho
  4. Bancos estatais têm papel central
  5. Por que os exportadores pediram mais rupias
  6. Opções de investimento e incentivos fiscais
  7. Como a política chegou até aqui
  8. O que a próxima revisão mudará para as empresas
  9. Principais pontos

Em 3 de novembro de 2026, após uma reunião regular do Comitê de Estabilidade do Sistema Financeiro, conhecido como KSSK, Suahasil disse no Banco da Indonésia, em Jacarta, que as autoridades estavam elaborando a revisão para fortalecer o setor financeiro e os mercados financeiros do país.

A proposta revisaria uma política que já passou por três alterações desde o Regulamento Governamental nº 36 de 2023. As mudanças foram feitas por meio dos Regulamentos Governamentais nº 8 de 2025, nº 2 de 2026 e nº 21 de 2026. A conclusão de uma nova alteração seria a quarta.

A questão imediata é o limite de 50% para a conversão em rupias de receitas de exportação em moeda estrangeira. Suahasil descreveu esse limite como a restrição vigente. No entanto, em sua explicação detalhada de maio, o ministro coordenador de Assuntos Econômicos, Airlangga Hartarto, vinculou especificamente o limite de 50% aos participantes abrangidos por acordos ou entendimentos comerciais bilaterais com a Indonésia.

Suahasil não anunciou um novo percentual, uma data de implementação nem quais categorias de exportadores teriam mais liberdade para converter os valores. Esses detalhes determinarão o quanto a proposta mudará o acesso das empresas às rupias e suas obrigações de manter receitas de exportação na Indonésia.

Manter dólares e convertê-los são objetivos diferentes

A política abrange as Divisas de Receitas de Exportação de Recursos Naturais, geralmente chamadas de DHE SDA. Em termos simples, são as moedas estrangeiras recebidas com a exportação de recursos naturais. Entre as principais commodities exportadas pela Indonésia estão óleo de palma, carvão térmico, níquel, estanho, borracha e café.

As regras giram em torno de duas decisões distintas: onde os exportadores mantêm suas receitas e em qual moeda as mantêm. Depositar dólares em um banco indonésio aumenta a oferta de moeda estrangeira no país. Converter esses dólares em rupias significa vender a moeda estrangeira e receber a moeda indonésia em troca.

Publicidade

As medidas anteriores se concentravam em manter a moeda estrangeira dentro da Indonésia para apoiar a disponibilidade de dólares e a estabilidade cambial. O anúncio de Suahasil em novembro dá mais ênfase à conversão em rupias. Os dois objetivos direcionam as receitas de exportação ao sistema financeiro doméstico, mas afetam de maneiras diferentes os recursos das empresas.

Um exportador pode receber dólares de um cliente no exterior e, ao mesmo tempo, pagar funcionários, fornecedores e outras despesas operacionais em rupias. Manter dólares no país atende à exigência de depósito, enquanto convertê-los fornece a moeda necessária para esses pagamentos locais. A revisão proposta trata dessa segunda etapa.

O que exige o marco regulatório de junho

Airlangga apresentou o Regulamento Governamental nº 21 de 2026 em uma coletiva de imprensa em Jacarta, em 20 de maio. Segundo ele, os exportadores de recursos naturais devem trazer 100% das receitas de exportação para o sistema financeiro da Indonésia, com cumprimento integral da exigência.

O montante que deve permanecer no sistema, e por quanto tempo, varia conforme o setor. Airlangga afirmou que os exportadores de petróleo e gás devem manter pelo menos 30% das receitas por, no mínimo, três meses. Os exportadores de outros setores devem manter 100% por, no mínimo, 12 meses.

Repatriação e retenção, portanto, designam obrigações diferentes. Repatriar significa trazer o dinheiro para a Indonésia. Reter significa manter uma parcela determinada no país por um período especificado. Segundo a explicação de Airlangga, os dois grupos devem trazer todas as receitas, mas os exportadores de petróleo e gás estão sujeitos a um percentual mínimo de retenção menor e a um prazo mais curto.

Para ilustrar, aplicando esses percentuais a US$ 100 em receitas de exportação, o valor mínimo retido seria de US$ 30 para um exportador de petróleo e gás, em comparação com US$ 100 para um exportador de outro setor. Os prazos mínimos correspondentes são de três meses e 12 meses. Essa diferença importa para as empresas ao calcular quanto dinheiro estará disponível para pagamentos e investimentos.

Bancos estatais têm papel central

Airlangga afirmou que, em geral, as receitas de DHE SDA retidas devem ser depositadas por meio da Himbara, associação dos bancos estatais da Indonésia. A política direciona esses recursos de exportação a um grupo mais restrito de instituições do que os arranjos que permitiam aos exportadores usar qualquer banco indonésio.

O marco regulatório elaborado antes de 2026 descrevia as instituições habilitadas como bancos estatais autorizados a operar com câmbio. Bancos privados e o Indonesia Eximbank, conhecido como LPEI, não estavam incluídos na modalidade padrão de depósito. As empresas que utilizam essas instituições precisariam reorganizar os arranjos bancários usados para as receitas abrangidas.

Publicidade

A explicação de Airlangga em maio também estabeleceu uma exceção envolvendo parceiros comerciais com acordos ou entendimentos bilaterais com a Indonésia. Os exportadores habilitados poderiam manter 30% por três meses em bancos fora da Himbara. Ele tratou da exceção em relação a empresas de mineração, incluindo os setores de petróleo e gás e de outros minerais.

Essa explicação também situou o limite de conversão de 50% nas disposições sobre acordos bilaterais, enquanto as declarações de Suahasil em novembro apresentaram o limite de forma mais ampla. A redação final do próximo regulamento será especialmente importante para as empresas que precisam determinar qual limite de conversão se aplica às suas receitas.

Por que os exportadores pediram mais rupias

Empresas de óleo de palma e do setor de mineração manifestaram preocupação antes da entrada em vigor do marco regulatório mais recente. A objeção central era prática: as receitas de exportação costumam ser recebidas em moeda estrangeira, enquanto boa parte dos recursos necessários para manter as operações precisa ser paga em rupias.

Hadi Sugeng, secretário-geral da associação de produtores de óleo de palma GAPKI, explicou a preocupação do setor em dezembro de 2025:

"Precisamos de recursos para nossas operações, principalmente em rupias ... Esperamos que reconsiderem",

Hendra Sinadia, diretor-executivo da Associação de Mineração da Indonésia, também afirmou na época que os mineradores esperavam que o governo mantivesse as regras vigentes. Os dois setores reagiam a planos que limitariam a conversão a 50%, ao mesmo tempo que exigiriam que as receitas em moeda estrangeira permanecessem em bancos estatais.

Febrio Kacaribu, alto funcionário do Ministério das Finanças, afirmou em 18 de dezembro de 2025 que exportadores que precisassem de mais rupias do que o limite de conversão permitia deveriam obter empréstimos bancários. Essa abordagem daria moeda local às empresas e manteria mais dólares das exportações no sistema bancário.

Para uma empresa, porém, tomar empréstimos e converter receitas de exportação são maneiras diferentes de financiar despesas. Um empréstimo cria uma obrigação de pagamento e pode gerar custos de juros. Uma autorização maior para converter receitas permitiria aos exportadores cobrir mais despesas em rupias com valores que já receberam. A proposta de Suahasil responde à mesma questão da conversão levantada pelas associações, embora ele não tenha especificado quanto o governo pretende flexibilizar o limite.

Opções de investimento e incentivos fiscais

O governo também buscou tornar mais atraente a manutenção dos recursos no país. Em dezembro de 2025, Febrio afirmou que a Indonésia criaria instrumentos de investimento para receitas de exportação de recursos naturais, incluindo séries competitivas de títulos em moeda estrangeira emitidos no mercado doméstico.

O marco regulatório descrevia os títulos públicos em moeda estrangeira, conhecidos como SBN Valas, como instrumentos habilitados. Um título público é um instrumento de dívida: o comprador fornece recursos ao governo em troca de pagamentos nos termos estabelecidos pelo título. Um título em moeda estrangeira permite que o investimento permaneça denominado em uma moeda como o dólar americano.

Publicidade

Os exportadores que utilizarem esses instrumentos ainda estarão sujeitos a restrições para sacar livremente os recursos durante o período de retenção. Portanto, os rendimentos do investimento e o acesso ao dinheiro precisam ser considerados em conjunto, sobretudo no caso de empresas com pagamentos operacionais frequentes.

Airlangga também mencionou incentivos de imposto de renda sobre os rendimentos dos instrumentos de depósito de DHE SDA. Dependendo do prazo do depósito, a alíquota poderia cair a 0%, em comparação com taxas que chegam a 20% para instrumentos convencionais. Esses percentuais se referem ao imposto sobre a renda gerada pelo depósito, e não a um imposto sobre o valor total das receitas de exportação.

O marco regulatório elaborado antes de 2026 também ampliou os usos permitidos para as receitas retidas, incluindo o pagamento de empréstimos e de linhas de capital de giro. Capital de giro é o dinheiro que uma empresa usa em suas operações cotidianas. A mudança descrita eliminou uma condição anterior relacionada à disponibilidade dos bens ou serviços em questão no mercado doméstico.

Como a política chegou até aqui

As regras mudaram repetidamente à medida que o governo tentava manter as receitas de exportação na Indonésia e, ao mesmo tempo, atender às demandas das empresas por acesso a recursos. A sequência é importante porque os planos de janeiro de 2026 e o regulamento apresentado em junho correspondem a etapas diferentes desse processo.

  • 2023: o Regulamento Governamental nº 36 estabeleceu o marco regulatório para as receitas de exportação de recursos naturais.
  • 2025: o Regulamento Governamental nº 8 revisou esse marco.
  • 18 de dezembro de 2025: Febrio apresentou planos para depósitos em bancos estatais, retenção por pelo menos um ano e um limite de conversão de 50%, com implementação prevista a partir de 1º de janeiro de 2026.
  • 2026: o Regulamento Governamental nº 2 se tornou mais uma alteração do marco regulatório.
  • 20 de maio de 2026: Airlangga explicou o Regulamento Governamental nº 21, incluindo exigências de retenção específicas por setor e exceções relacionadas a acordos comerciais bilaterais.
  • 1º de junho de 2026: o Regulamento Governamental nº 21 entrou em vigor.
  • 3 de novembro de 2026: Suahasil anunciou que outra revisão estava sendo elaborada para estimular uma conversão maior em rupias.

O marco regulatório previsto para janeiro foi descrito como aplicável integralmente às declarações de exportação emitidas a partir de 1º de janeiro, com regras de transição para declarações anteriores. Declarações de exportação são documentos aduaneiros que registram as mercadorias enviadas ao exterior. A data de emissão pode determinar qual conjunto de exigências se aplica às receitas correspondentes.

Airlangga vinculou as medidas de junho ao financiamento do desenvolvimento, dos investimentos e do processamento de recursos naturais dentro da Indonésia. Também apresentou o apoio às exportações, a estabilidade econômica e os mercados financeiros domésticos como objetivos da política.

O que a próxima revisão mudará para as empresas

O objetivo declarado por Suahasil daria aos exportadores mais margem para converter em rupias os dólares recebidos. O efeito prático dependerá do percentual permitido, das empresas abrangidas e de como as disposições sobre conversão se combinarão com as exigências de retenção.

Publicidade

As empresas precisam administrar em conjunto várias partes do marco regulatório: trazer as receitas para a Indonésia, escolher um banco habilitado, manter o montante exigido pelo período determinado e obter dinheiro suficiente para as operações. Uma mudança na conversão poderia facilitar uma parte desse processo, mantendo as obrigações de depósito e retenção.

Os bancos privados também têm interesse no resultado, pois as regras que direcionam recursos a bancos estatais afetam onde ficam os depósitos das exportações. Febrio afirmou em dezembro que esperava um efeito limitado sobre a liquidez dos bancos privados, já que eles poderiam continuar atendendo exportadores de outros setores que não os de recursos naturais.

O anúncio mais recente do governo volta a atenção para como as receitas retidas podem circular em rupias. Para os exportadores, a questão concreta é se o próximo regulamento permitirá usar mais das próprias receitas para despesas domésticas, em vez de contratar empréstimos adicionais.

Principais pontos

  • O ministro das Finanças, Suahasil Nazara, afirmou em 3 de novembro de 2026 que estava sendo elaborada outra revisão das regras para receitas de exportação de recursos naturais.
  • O governo quer que mais dólares recebidos com as exportações sejam convertidos em rupias para apoiar os mercados financeiros domésticos.
  • O Regulamento Governamental nº 21 de 2026 entrou em vigor em 1º de junho, após duas alterações anteriores do marco regulatório de 2023.
  • Na explicação de maio, Airlangga exigiu a repatriação integral, com retenção mínima de 30% por três meses para petróleo e gás e de 100% por 12 meses para os demais setores.
  • Em geral, as receitas retidas são depositadas em bancos estatais, com exceções específicas relacionadas a acordos comerciais bilaterais.
  • Representantes dos setores de óleo de palma e mineração pediram mais flexibilidade, citando as necessidades de financiamento das operações.
  • Não foi anunciado nenhum novo percentual de conversão nem uma data de início para a revisão proposta.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar