China intensifica patrulhas em Scarborough Shoal enquanto Filipinas investiga equipamentos de embarcação

12 min de leitura
China Steps Up Scarborough Shoal Patrols as Philippines Investigates Vessel's Equipment

Patrulhas militares após uma semana tensa de diplomacia

A China enviou forças navais e aéreas para patrulhas de prontidão para combate ao redor de Scarborough Shoal na sexta-feira, 30 de outubro, enquanto as Filipinas investigavam uma embarcação chinesa que transportava equipamentos não identificados dentro da lagoa da área disputada. As operações ocorreram após reuniões regionais de defesa em Cebu, que terminaram com Pequim e Manila divergindo publicamente sobre o tratamento dado à China.

Conteúdo
  1. Patrulhas militares após uma semana tensa de diplomacia
  2. O que a China diz que suas forças estão fazendo
  3. Embarcação na lagoa é alvo de escrutínio filipino
  4. Nove outras embarcações chinesas avistadas nas proximidades
  5. Conversas de defesa terminam com versões divergentes
  6. Por que a localização e a decisão de 2016 são importantes
  7. Conversas e patrulhas seguem em paralelo
  8. Como os acontecimentos recentes se desenrolaram
  9. Principais pontos

O Comando do Teatro Sul do Exército de Libertação Popular da China descreveu as patrulhas como uma resposta às ações das Filipinas e afirmou ter reforçado sua presença ao redor do banco de areia. A Guarda Costeira da China anunciou patrulhas de fiscalização no mesmo dia e disse ter agido contra embarcações que acusou de violar ilegalmente direitos chineses.

Nenhum dos órgãos chineses identificou a ação específica das Filipinas que motivou as operações de sexta-feira. A embaixada filipina em Pequim e as Forças Armadas das Filipinas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Scarborough Shoal, chamada de Huangyan Dao por Pequim e Bajo de Masinloc por Manila, fica a cerca de 124 milhas náuticas a oeste da província filipina de Zambales, dentro da zona econômica exclusiva das Filipinas. Os dois países reivindicam o banco de areia, o que faz da presença e da conduta de embarcações no local uma fonte recorrente de atrito.

Os acontecimentos mais recentes reúnem três pressões sobre a relação: o aumento da presença de patrulhas chinesas, o escrutínio filipino de uma embarcação desconhecida e uma divergência diplomática logo após uma reunião regional de segurança. Para os navios que operam ao redor do banco de areia, essas disputas envolvem questões práticas, como por onde podem navegar, quais atividades podem realizar e quais autoridades tentam controlar seus movimentos.

O que a China diz que suas forças estão fazendo

O Comando do Teatro Sul afirmou que as patrulhas navais e aéreas de sexta-feira cobriram o que Pequim descreve como as águas territoriais, o espaço aéreo e as áreas ao redor do banco de areia. O comando apresentou a operação como uma forma de reforçar o controle, defender a soberania e a segurança chinesas e manter a paz e a estabilidade no Mar do Sul da China.

Publicidade

O comando descreveu as patrulhas de 30 de outubro como:

uma contramedida necessária em resposta à violação de direitos e aos atos provocativos das Filipinas.

A Guarda Costeira da China usou termos semelhantes para descrever sua própria operação. Afirmou que as patrulhas ao redor do banco de areia foram reforçadas ao longo de outubro e que as embarcações acusadas de violação foram abordadas de acordo com as leis e regulamentações chinesas.

As declarações militares apontam diferentes momentos para o início do aumento da atividade. Uma declaração do Comando do Teatro Sul afirmou que as patrulhas navais e aéreas foram reforçadas desde setembro; o relato da operação de 30 de outubro disse que elas haviam aumentado desde o início de outubro. Ambas descrevem uma atividade contínua ao longo de várias semanas, e não um único deslocamento na sexta-feira.

As forças militares e a guarda costeira têm funções distintas. As forças navais e aéreas conduzem operações militares, enquanto uma guarda costeira normalmente realiza policiamento e fiscalização marítimos. Os anúncios paralelos mostram Pequim recorrendo tanto à presença militar quanto à autoridade de fiscalização para defender sua posição ao redor do mesmo banco de areia disputado.

Embarcação na lagoa é alvo de escrutínio filipino

A Guarda Costeira das Filipinas está examinando uma embarcação chinesa monitorada pela primeira vez em 3 de outubro. Durante um voo de vigilância marítima em 29 de outubro, agentes a viram rebocando um barco menor e transportando um objeto laranja em formato de embarcação, equipado com sensores e antenas.

O contra-almirante Jay Tarriela, porta-voz da Guarda Costeira das Filipinas para o Mar das Filipinas Ocidental, descreveu a investigação durante uma entrevista à emissora estatal PTV:

Estamos tentando identificar a capacidade dessa embarcação,

Tarriela disse que a guarda costeira gostaria de acreditar que a embarcação era uma das utilizadas como apoio pelo governo chinês. Sua configuração mudou várias vezes desde que foi observada pela primeira vez, o que levou a um exame mais detalhado de seus equipamentos e possíveis usos.

A guarda costeira está avaliando se os equipamentos poderiam dar suporte a operações subaquáticas. Sua função ainda não foi identificada, e a avaliação continua sem uma data anunciada para a conclusão. Autoridades filipinas também estão verificando a identidade da embarcação, pois as marcações na proa e os números de identificação da Organização Marítima Internacional não correspondem aos de navios de pesquisa chineses conhecidos.

Publicidade

Essa distinção é importante para o monitoramento marítimo: identificar o casco é apenas uma parte da compreensão do que uma embarcação está fazendo. Os equipamentos a bordo, as mudanças em sua configuração e as embarcações menores que operam junto dela podem ajudar as autoridades a avaliar sua função operacional.

Nove outras embarcações chinesas avistadas nas proximidades

O mesmo voo filipino de 29 de outubro monitorou três navios da Guarda Costeira da China, cinco embarcações identificadas pela guarda costeira filipina como milícia marítima chinesa e um navio de guerra da Marinha chinesa ao redor do banco de areia. Essas categorias somam nove embarcações, além da embarcação investigada, descrita separadamente.

O relato filipino oferece um quadro mais detalhado das embarcações presentes do que os anúncios gerais de patrulha da China. Navios da guarda costeira representavam três das nove embarcações, enquanto as cinco classificadas como milícia marítima formavam o maior grupo. Milícia marítima é um termo usado para embarcações civis organizadas ou empregadas para apoiar objetivos estatais no mar.

As observações filipinas dizem respeito à atividade de 29 de outubro, enquanto os anúncios militares e da guarda costeira chineses se referem a patrulhas em 30 de outubro. As duas datas situam os avistamentos e as operações anunciadas em um intervalo curto, durante um período em que a China afirma ter ampliado sua presença.

Manila acusou embarcações chinesas de manobras perigosas e de usar canhões de água para interferir em missões filipinas de reabastecimento em águas disputadas. Também foi noticiado um ataque com canhão de água chinês contra um navio filipino perto de Scarborough Shoal em julho. Esses confrontos tornam os movimentos e os equipamentos das embarcações uma questão tanto de segurança quanto de soberania.

As preocupações filipinas se estendem a outras áreas disputadas. Em março, Manila acusou um navio da Marinha chinesa de rastrear alvos de forma provocativa perto de Sabina Shoal. A acusação envolvia outro local, mas ajuda a explicar por que as autoridades filipinas examinam atentamente tanto o que os navios chineses podem fazer quanto os lugares onde operam.

Conversas de defesa terminam com versões divergentes

As patrulhas ocorreram um dia após o encerramento de dois dias de reuniões de defesa da ASEAN em Cebu. A China acusou um político filipino não identificado de obstruir sua participação, enquanto o secretário de Defesa das Filipinas, Gilberto Teodoro, disse que Pequim havia sido convidada e que seu representante pôde se manifestar.

A divergência nas conversas em Cebu girou em parte em torno da decisão da China de enviar seu adido de defesa na embaixada, Yang Lei, à 13ª Reunião dos Ministros da Defesa da ASEAN-Ampliada (ADMM-Plus), em vez do ministro da Defesa, Dong Jun. Foi o nível mais baixo de representação chinesa desde o início do fórum, em 2010.

Publicidade

O porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Zhang Xiaogang, acusou as Filipinas de violar o princípio da ASEAN de chegar a acordos por meio de consultas. Ele também disse que vários países da ASEAN haviam questionado as ações de Manila. Teodoro afirmou que nenhum membro da ASEAN havia levantado tais preocupações com ele.

Teodoro, que presidiu as reuniões, rejeitou a descrição de Pequim sobre a posição do bloco regional:

Essa é a posição da China; não é a posição da ASEAN.

A ASEAN, Associação das Nações do Sudeste Asiático, reúne governos da região para discussões diplomáticas e de segurança. Seu fórum de defesa oferece à China, às Filipinas e aos demais países participantes um espaço para apresentar suas posições, mesmo enquanto suas embarcações se confrontam no mar.

O encontro em Cebu terminou com as Filipinas transferindo para Singapura a liderança da agenda de defesa da ASEAN para 2027. Manila também reafirmou seu apoio à decisão arbitral de 2016 sobre o Mar do Sul da China, mantendo a disputa jurídica ao lado da divergência imediata sobre a participação chinesa.

Por que a localização e a decisão de 2016 são importantes

Scarborough Shoal fica dentro da zona econômica exclusiva das Filipinas, uma área que em geral se estende por até 200 milhas náuticas a partir da costa de um país. Nessa zona, o Estado costeiro tem direitos de explorar, utilizar e administrar os recursos naturais, incluindo peixes e recursos do subsolo marinho. Outros países mantêm o direito de navegação.

A soberania sobre uma formação terrestre diz respeito a quem detém o território. A zona econômica exclusiva envolve direitos específicos no mar ao redor. Essas duas questões jurídicas ajudam a explicar por que os dois governos podem descrever a mesma patrulha em termos tão diferentes: Pequim fala em defender seu território, enquanto Manila invoca seus direitos marítimos.

A reivindicação mais ampla da China, geralmente representada pela linha de nove traços, abrange a maior parte do Mar do Sul da China e se sobrepõe a zonas marítimas reivindicadas pelas Filipinas, pelo Vietnã, pela Malásia, por Brunei e pela Indonésia. A linha está no centro das disputas sobre pesca, recursos energéticos e atividades governamentais no mar.

Em 2016, um tribunal arbitral internacional decidiu que a ampla reivindicação chinesa de direitos históricos dentro dessa linha não tinha base jurídica quando excedia os direitos previstos pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O tribunal tratou de direitos marítimos e conduta; a soberania sobre Scarborough Shoal continua em disputa. Pequim rejeitou a decisão.

A divergência jurídica, portanto, continua ao lado da disputa concreta pelo acesso. As declarações chinesas sobre as patrulhas afirmam sua autoridade ao redor do banco de areia, enquanto as Filipinas usam voos de vigilância e declarações diplomáticas para monitorar e contestar a atividade chinesa em águas onde Manila reivindica seus próprios direitos.

Publicidade

Conversas e patrulhas seguem em paralelo

A China também anunciou patrulhas navais, aéreas e da guarda costeira ao redor de Scarborough Shoal no domingo, 29 de março. A operação ocorreu após a retomada de conversas entre Pequim e Manila sobre as águas disputadas e uma possível cooperação em petróleo e gás.

O Ministério das Relações Exteriores das Filipinas descreveu essas discussões como a primeira análise mais ampla das relações bilaterais desde março de 2023, com o fortalecimento da confiança entre seus objetivos. A combinação de conversas e patrulhas mostra que o diálogo diplomático e a pressão marítima vêm ocorrendo ao mesmo tempo.

A cooperação em petróleo e gás exigiria que os dois governos encontrassem formas de lidar com divergências sobre os direitos aos recursos. As patrulhas tratam de uma questão mais imediata: quem está presente no mar e como cada governo responde às embarcações do outro. Assim, avanços em uma área podem coexistir com confrontos em outra.

A divergência de outubro também ocorreu após uma reprimenda por declarações sobre o uso da força no início do mês. Em 15 de outubro, o Ministério das Relações Exteriores das Filipinas criticou o embaixador chinês Jing Quan depois que ele disse que a China poderia vencer facilmente se optasse pelo uso da força, embora também tenha afirmado que Pequim não faria isso por valorizar a paz.

Na ocasião, Teodoro disse que os canais diplomáticos e da guarda costeira continuavam abertos, embora Manila tivesse suspendido as comunicações militares diretas por receio de que Pequim as utilizasse indevidamente. Esses contatos que permanecem ativos são especialmente relevantes quando navios militares, embarcações da guarda costeira e outras embarcações operam próximos uns dos outros em águas disputadas.

Como os acontecimentos recentes se desenrolaram

A sequência de outubro conecta uma investigação que já durava várias semanas a um novo anúncio de patrulha e a um confronto diplomático. As principais datas são:

  • 3 de outubro: A Guarda Costeira das Filipinas monitorou pela primeira vez a embarcação chinesa que agora está sendo examinada dentro da lagoa de Scarborough Shoal.
  • 15 de outubro: O Ministério das Relações Exteriores das Filipinas repreendeu o embaixador da China por declarações sobre a possível utilização da força.
  • 29 de outubro: Um voo de vigilância filipino observou os equipamentos da embarcação e monitorou três navios da guarda costeira chinesa, cinco embarcações classificadas como milícia marítima e um navio de guerra da Marinha.
  • 29 de outubro: As reuniões de defesa da ASEAN em Cebu terminaram em meio a divergências entre China e Filipinas sobre a participação de Pequim.
  • 30 de outubro: O Comando do Teatro Sul da China anunciou patrulhas navais e aéreas ao redor de Scarborough Shoal, enquanto a Guarda Costeira da China anunciou patrulhas de fiscalização.

A China descreve o aumento de sua presença como necessário para defender sua soberania e responder às ações das Filipinas. As Filipinas continuam avaliando a embarcação dentro da lagoa enquanto contestam as reivindicações mais amplas de Pequim. A situação imediata combina atividade constante de patrulhamento com uma investigação ainda sem conclusão sobre equipamentos que já operam no banco de areia.

Principais pontos

  • A China anunciou patrulhas navais, aéreas e da guarda costeira ao redor de Scarborough Shoal em 30 de outubro.
  • Pequim acusou Manila de provocação, mas não identificou a ação específica que motivou as patrulhas de sexta-feira.
  • A Guarda Costeira das Filipinas está investigando sensores e antenas transportados por uma embarcação chinesa observada pela primeira vez em 3 de outubro.
  • Um voo filipino em 29 de outubro monitorou outras nove embarcações chinesas, entre navios da Marinha, da guarda costeira e da milícia marítima.
  • As operações ocorreram após uma divergência sobre a participação da China nas reuniões de defesa da ASEAN em Cebu.
  • Scarborough Shoal fica dentro da zona econômica exclusiva das Filipinas, embora a soberania sobre a área continue em disputa.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar