Phnom Penh vincula a paz à proteção de suas fronteiras
O Camboja não trocará território por paz, afirmou o ministro da Informação, Neth Pheaktra, durante uma reunião que avaliou os grupos de trabalho do governo na província de Kratie no terceiro trimestre de 2026. Ele disse que o governo continuará protestando contra violações de sua soberania enquanto busca soluções pacíficas para disputas fronteiriças com países vizinhos.
Conteúdo
- Phnom Penh vincula a paz à proteção de suas fronteiras
- Hun Manet defende um acordo duradouro
- Quatro frentes, com as negociações no centro
- A declaração de outubro de 2025 continua sendo uma referência
- Famílias deixam os pertences prontos para partir
- Os danos vão além das posições militares
- Como a posição do governo se desenvolveu
- Principais pontos
Pheaktra, que chefia o grupo de trabalho do Governo Real para Kratie, descreveu quatro frentes de resposta às ações da Tailândia ao longo da fronteira: medidas militares, diplomáticas, jurídicas e de informação. Sua mensagem central foi que a busca por negociações e pelo direito internacional caminhará junto com a defesa das reivindicações territoriais do Camboja.
O ministro mencionou os compromissos do primeiro-ministro Hun Manet e do presidente do Senado, Hun Sen, de proteger o território nacional e defender os direitos do Camboja nos termos do direito internacional. Soberania é a autoridade de um país sobre seu território. Nesta disputa, a questão prática é onde fica a fronteira e como os dois governos podem resolver suas divergências a respeito dela.
Hun Manet explicou essa abordagem com mais detalhes em 30 de outubro de 2026, durante a distribuição de sementes de arroz e mantimentos a pessoas afetadas por enchentes na província de Battambang. Ele afirmou que o Camboja buscará recuperar território por meio de mecanismos diplomáticos e jurídicos, em vez da guerra, colocando as vidas de civis e soldados no centro dessa decisão.
Hun Manet defende um acordo duradouro
Hun Manet argumentou que interromper uma batalha é apenas parte da resolução da disputa fronteiriça. Ele defendeu negociações, a demarcação formal da fronteira e soluções jurídicas que possam reduzir o risco de novos confrontos.
O primeiro-ministro explicou por que considera as negociações essenciais para acabar com os conflitos recorrentes:
As negociações para encerrar uma guerra têm o objetivo de impedir que ela volte a acontecer. Elas envolvem a busca por soluções pacíficas, a realização de demarcações formais e a adoção de soluções jurídicas que garantam estabilidade. Não se pode usar a guerra para acabar com uma guerra.
A demarcação formal consiste em identificar e marcar no terreno uma fronteira acordada. Para quem vive perto das áreas disputadas, um acordo duradouro ajudaria a definir onde é possível cultivar, viajar e manter suas casas sem enfrentar um novo confronto repentino.
Hun Manet também respondeu às críticas de que a preferência do Camboja pela diplomacia demonstraria fraqueza. Ele disse que soldados, a polícia nacional e a polícia militar demonstraram seu compromisso com a defesa do país, enquanto o governo busca evitar novos combates desnecessários.
Ao explicar essa decisão, o primeiro-ministro afirmou:
Damos prioridade aos caminhos diplomáticos e jurídicos para resolver as questões porque as vidas de nossos cidadãos e soldados são preciosas.
Quatro frentes, com as negociações no centro
As declarações de Pheaktra em Kratie dividiram a resposta do governo em quatro categorias. As medidas militares dizem respeito à defesa do território; a diplomacia envolve negociações e esforços para obter apoio internacional; as medidas jurídicas dizem respeito aos direitos do Camboja nos termos do direito internacional; e as ações de informação comunicam a posição do governo.
O ministro deu ênfase especial aos canais diplomáticos e jurídicos. O objetivo declarado do Camboja é defender suas reivindicações territoriais e impedir que a disputa provoque mais mortes e transtornos. O governo não identificou um tribunal específico, uma ação judicial, um cronograma para a demarcação da fronteira nem o território exato abrangido pela iniciativa de recuperação proposta.
Pheaktra havia transmitido uma mensagem semelhante no encerramento da avaliação do trabalho de Kratie em 2025 e no lançamento das diretrizes de trabalho para 2026. Na ocasião, disse que o Camboja agiu com contenção e buscou soluções pacíficas sem ceder ao que descreveu como agressão, ameaças ou pressão da Tailândia.
Essas declarações conectam a posição pública do governo nas duas reuniões provinciais: o Camboja apresenta a contenção como uma escolha sobre como defender suas reivindicações e, ao mesmo tempo, afirma que sua soberania não está aberta a negociações como preço pela paz.
A declaração de outubro de 2025 continua sendo uma referência
Pheaktra citou a Declaração Conjunta assinada pelo Camboja e pela Tailândia em 26 de outubro de 2025 como resultado dos esforços diplomáticos para encerrar as hostilidades. Estados Unidos e Malásia testemunharam a assinatura, e a Malásia ocupava então a presidência da Associação de Nações do Sudeste Asiático, ou ASEAN.
A ASEAN é o bloco regional por meio do qual os governos do Sudeste Asiático cooperam em questões políticas, de segurança e econômicas. Pheaktra disse que o Camboja buscou o apoio da organização, da comunidade internacional em geral e das grandes potências para acabar com os combates e evitar mais mortes.
O ministro, no entanto, acusou a Tailândia de continuar provocando tensões e violando a soberania cambojana após a declaração, apesar do monitoramento da Equipe de Observadores da ASEAN. Ele citou incursões armadas, ocupação de áreas fronteiriças, mobilização de tropas e invasões territoriais.
Pheaktra também rejeitou as acusações de que o Camboja teria instalado novas minas terrestres, classificando-as como falsas. A resposta da Tailândia às declarações dele não constava nos relatos. Portanto, as acusações sobre incursões, ocupação e responsabilidade pelo aumento das tensões continuam atribuídas ao governo cambojano.
A declaração e a presença de observadores são centrais para a versão do Camboja porque mostram que já havia um processo diplomático em andamento. A queixa de Pheaktra é que o acordo não garantiu a segurança que o Camboja esperava ao longo da fronteira.
Famílias deixam os pertences prontos para partir
Hun Manet descreveu de forma particularmente concreta os efeitos da incerteza persistente. Nas províncias de Battambang, Banteay Meanchey e Oddar Meanchey, disse ele, algumas famílias carregaram seus pertences em tratores agrícolas para poder partir rapidamente caso os combates recomeçassem.
O primeiro-ministro afirmou que essas medidas continuavam em vigor mesmo após duas rodadas de conflito:
Em províncias como Battambang, Banteay Meanchey e Oddar Meanchey, as famílias prepararam seus tratores agrícolas, carregando neles seus pertences para poder fugir a qualquer momento. Mesmo após duas rodadas de conflito, essas medidas continuam em vigor enquanto as pessoas esperam, sem saber quando poderá ocorrer um novo confronto.
Um trator normalmente usado no trabalho agrícola passou a servir como meio de transporte emergencial. Hun Manet usou esse exemplo para descrever como as famílias continuavam organizando o dia a dia em torno da possibilidade de uma nova evacuação.
A visita de Hun Manet em 30 de outubro tratava também de outra pressão sobre as famílias rurais: as enchentes. Ele distribuía sementes de arroz e mantimentos em Battambang quando falou sobre a fronteira. Para os moradores que tentam retomar a agricultura e a rotina doméstica, a possibilidade de novos combates representa mais uma fonte de insegurança.
Hun Manet disse que pessoas dos dois lados da fronteira viviam cavando trincheiras e esperando, sem saber ao certo quando poderia começar outro confronto. Seu objetivo declarado era alcançar um acordo que lhes permitisse deixar de se preparar para a próxima emergência.
Os danos vão além das posições militares
Pheaktra disse que o conflito deslocou mais de meio milhão de pessoas. Em suas declarações na reunião anual de avaliação provincial, também mencionou mortes, ferimentos e deficiências entre civis, além de mortes de soldados cambojanos e policiais nacionais que guardavam a fronteira.
O ministro citou casas, pagodes, escolas, centros de saúde e infraestrutura pública entre os locais danificados ou destruídos. Também mencionou o Patrimônio Mundial do Templo de Preah Vihear e outros monumentos antigos do Império Khmer. Ele atribuiu essa destruição à agressão militar tailandesa.
Os danos a esses locais afetam diferentes aspectos da vida cotidiana ao mesmo tempo. Uma casa danificada deixa uma família sem abrigo; uma escola danificada interrompe a educação; e um centro de saúde danificado dificulta o acesso a tratamentos. O relato do ministro descreve um esforço de recuperação civil que vai muito além dos combates imediatos.
Hun Manet também destacou os efeitos econômicos do conflito. Ele disse que os combates fecham fronteiras, interrompem o comércio e consomem munição, ao mesmo tempo que deixam os moradores sem saber se as atividades normais poderão continuar.
Para as comunidades fronteiriças, portanto, o objetivo diplomático do governo tem um sentido prático: manter o funcionamento das passagens e do comércio, proteger os serviços públicos e dar às famílias confiança suficiente para permanecer em casa. Pheaktra disse que o Camboja tentava manter as atividades econômicas, sociais, comerciais e de investimento enquanto defendia seu território.
Como a posição do governo se desenvolveu
As declarações abrangem um acordo firmado em 2025 e várias reuniões e manifestações públicas do governo relacionadas a 2026. Em conjunto, elas mostram a conexão que os líderes cambojanos fazem entre defesa territorial, atuação internacional e proteção de civis.
- 26 de outubro de 2025: Camboja e Tailândia assinaram uma Declaração Conjunta testemunhada pelos Estados Unidos e pela Malásia, segundo Pheaktra.
- Na avaliação do trabalho de Kratie em 2025 e no lançamento das diretrizes para 2026: Pheaktra disse que o Camboja buscou soluções pacíficas e resistiu à pressão, além de acusar a Tailândia de continuar violando o acordo após a declaração.
- Na avaliação dos grupos de trabalho do governo no terceiro trimestre de 2026: Pheaktra disse que o Camboja não trocará sua integridade territorial por paz e apresentou medidas militares, diplomáticas, jurídicas e de informação.
- 30 de outubro de 2026: Hun Manet afirmou em Battambang que o Camboja buscaria recuperar território por meio de mecanismos diplomáticos e jurídicos, em vez da guerra.
A formulação de Pheaktra apresenta a posição do governo sobre o território. As declarações de Hun Manet explicam os meios preferidos para defender essa posição e os custos humanos que o governo diz querer evitar. O desafio imediato é transformar acordos e negociações em uma segurança com a qual os moradores possam contar em suas casas, campos e comunidades fronteiriças.
Principais pontos
- O Camboja afirma que defenderá sua integridade territorial enquanto busca soluções pacíficas para as disputas fronteiriças.
- Pheaktra apresentou medidas militares, diplomáticas, jurídicas e de informação em resposta às ações da Tailândia na fronteira.
- Em 30 de outubro de 2026, Hun Manet defendeu negociações, a demarcação formal da fronteira e soluções jurídicas.
- Pheaktra acusou a Tailândia de continuar violando o acordo após a Declaração Conjunta de 26 de outubro de 2025 e disse que mais de meio milhão de pessoas foram deslocadas.
- Hun Manet disse que famílias de três províncias fronteiriças mantinham seus pertences em tratores para poder fugir caso os combates recomeçassem.






