Palácio manda polícia prender Dela Rosa, apesar de seus vínculos com a corporação

11 min de leitura
Palace Tells Police to Arrest Dela Rosa Despite His Ties to the Force

Ex-chefe de polícia se torna alvo de busca nacional

Malacañang desafiou a Polícia Nacional das Filipinas a prender o senador Ronald "Bato" dela Rosa, apesar de seus vínculos com a corporação, enquanto a polícia mobiliza equipes nas 18 regiões do país e investiga pistas respaldadas por uma recompensa de 50 milhões de pesos filipinos. Dela Rosa é procurado por força de um mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI), por seu suposto papel em assassinatos durante a campanha contra as drogas ilegais do ex-presidente Rodrigo Duterte.

Conteúdo
  1. Ex-chefe de polícia se torna alvo de busca nacional
  2. Polícia amplia buscas pelas 18 regiões
  3. Pistas sobre Mindanao geram temor de confronto armado
  4. Como Dela Rosa chegou a este ponto
  5. A disputa sobre a Interpol e os poderes de prisão
  6. Lacson defende comparecimento primeiro a um tribunal filipino
  7. Recurso à Suprema Corte se concentra no direito à vida
  8. Denúncias do público e sigilo operacional
  9. Em resumo

A porta-voz do Palácio, Claire Castro, disse que o governo confiava no chefe da PNP, general Jose Melencio Nartatez Jr., para cumprir suas funções. A resposta veio depois que o secretário do Interior, Jonvic Remulla, reconheceu que o histórico de Dela Rosa como chefe da polícia nacional havia complicado as buscas. Dela Rosa e Nartatez são formados pela Academia Militar das Filipinas.

A mensagem de Castro foi que o dever, e não a amizade ou as alianças, deve orientar a liderança policial. Dela Rosa comandou a PNP de 2016 a 2018 e ajudou a moldar a campanha cujas mortes estão agora no centro dos processos no TPI.

O senador continua foragido após o fim do prazo para se entregar voluntariamente. A polícia diz que informações obtidas em coordenação com a imigração indicam que ele permanece nas Filipinas, enquanto pistas de que estaria com um grupo armado em Mindanao ainda estão sendo verificadas.

A busca envolve agora três disputas interligadas: se os policiais conseguirão superar lealdades pessoais, quais procedimentos legais filipinos devem anteceder qualquer transferência ao TPI e como a prisão poderá ser realizada sem derramamento de sangue. Os advogados de Dela Rosa buscam a intervenção da Suprema Corte, enquanto a polícia afirma que as operações continuarão dentro da lei.

Polícia amplia buscas pelas 18 regiões

O tenente-general da polícia Wilson Joseph Lopez, vice-chefe administrativo da PNP e responsável pelas buscas, disse que uma força-tarefa nacional foi organizada por determinação do Departamento do Interior e do Governo Local. Equipes correspondentes nos escritórios regionais da polícia foram mobilizadas para localizar e prender Dela Rosa.

Publicidade

Lopez disse que o monitoramento de inteligência foi reforçado e que denúncias estão sendo verificadas em todo o país. Embora Remulla tenha mencionado Mindanao, as informações recebidas pela polícia também apontam outros possíveis locais. As equipes regionais ampliam o alcance das buscas para além de uma operação concentrada em uma única ilha.

Lopez descreveu o compromisso da corporação de cumprir o mandado:

"Deixo claro: não vamos recuar diante do nosso dever", disse.

O Departamento de Imigração transmitiu informações indicando que Dela Rosa não deixou as Filipinas. A polícia reforçou a segurança nas fronteiras, particularmente em Mindanao, para impedir que ele saia por possíveis rotas de fuga.

As Forças Armadas das Filipinas estão prontas para ajudar, inclusive com aeronaves e embarcações, segundo Lopez. Nenhum pedido formal por escrito de assistência havia sido feito. O diretor do Departamento Nacional de Investigação, Melvin Matibag, disse que sua agência mantém uma unidade de busca e uma equipe de monitoramento desde que Dela Rosa desapareceu da vista do público em maio, com escritórios regionais e distritais vigiando possíveis pontos de saída.

Pistas sobre Mindanao geram temor de confronto armado

Em 19 de outubro, Remulla disse que Dela Rosa estava em Mindanao sob a proteção de um grupo armado. Ele também alertou que uma tentativa de prisão poderia levar à morte de 10 mil pessoas. A polícia não detalhou publicamente as informações de inteligência por trás desse alerta e diz que os relatos sobre a proteção de Dela Rosa estão sendo verificados.

O chefe de informação pública da PNP, coronel Allen Rae Co, disse que as negociações continuavam com um suposto grupo armado que estaria abrigando o senador. A identidade do grupo e o local exato onde o senador estaria não foram confirmados publicamente.

Nartatez instruiu os policiais a evitar danos desnecessários. Ele estabeleceu as diretrizes para os agentes envolvidos nas buscas:

"Instruí todos os agentes a manter o profissionalismo, respeitar os direitos humanos e exercer a máxima contenção ao cumprir suas funções legais", disse em comunicado.

Lopez também pediu que Dela Rosa se entregue pacificamente, para proteger tanto os policiais quanto as pessoas que o acompanham. A possibilidade de entrega voluntária continua aberta, apesar do prazo vencido.

Publicidade

Como Dela Rosa chegou a este ponto

Dela Rosa chefiou a PNP nos dois primeiros anos da presidência de Duterte e criou a Oplan Double Barrel, campanha policial contra as drogas ilegais. Milhares de pessoas morreram durante a guerra mais ampla contra as drogas. O TPI o identifica como um dos oito supostos coautores no caso envolvendo Duterte.

As movimentações de Dela Rosa desde que soube do mandado vincularam os processos criminais à política nacional, incluindo um breve retorno ao Senado para participar de uma votação sobre a liderança da Casa.

  • Março de 2025: Autoridades filipinas prenderam Duterte em Manila e o transferiram para Haia para responder perante o TPI.
  • Novembro de 2025: Dela Rosa se escondeu depois de saber que o TPI havia emitido um mandado contra ele.
  • 11 de maio do ano seguinte: Dela Rosa compareceu ao Senado e deu o 13º voto que empossou Alan Peter Cayetano como presidente do Senado.
  • 14 de maio: Dela Rosa deixou as dependências do Senado após receber proteção ali por um breve período e depois de um tiroteio na Casa.
  • 19 de outubro: Remulla afirmou publicamente que Dela Rosa estava em Mindanao sob suposta proteção armada.
  • 27 de outubro: Os advogados de Dela Rosa renovaram o pedido de uma medida urgente da Suprema Corte para impedir sua prisão e eventual entrega.
  • 28 de outubro: A PNP lançou linhas telefônicas públicas, disponíveis 24 horas por dia, para receber informações sobre o paradeiro dele.

Segundo a versão do Palácio, o ultimato de Nartatez para que Dela Rosa se entregasse foi dado em 21 de outubro, enquanto a cronologia da PNP indica 23 de outubro. O prazo terminou, e a liderança policial afirma que as buscas continuam.

A disputa sobre a Interpol e os poderes de prisão

O advogado de Dela Rosa, Israelito Torreon, argumenta que as autoridades filipinas não têm fundamento para a caçada porque a Interpol não emitiu um alerta vermelho para seu cliente. Ele também aponta a ausência de um mandado de prisão de um tribunal filipino.

Um alerta vermelho é um pedido divulgado pela Interpol para que as autoridades localizem e prendam provisoriamente uma pessoa procurada, de acordo com a legislação nacional. O pedido internacional e os poderes legais usados pela polícia dentro de um país são partes interligadas do processo de prisão.

Torreon disse que um colega verificou se o nome de Dela Rosa constava nos registros, mas reconheceu que a equipe jurídica não obteve uma certidão ou confirmação por escrito da Interpol. O Departamento de Justiça adotou uma posição diferente e afirmou que o mandado do TPI podia ser cumprido após o pedido de um alerta vermelho.

Publicidade

A prisão de Duterte é central para a justificativa do governo. Anthony Alcantara, diretor do Centro Filipino contra o Crime Transnacional, disse em uma audiência no Senado realizada após a prisão que as autoridades haviam usado uma notificação de difusão da Interpol, em vez de um alerta vermelho.

A difusão é outro meio de transmitir um pedido pelos canais da Interpol. Alcantara descreveu o pedido usado no caso de Duterte como tendo o mesmo objetivo de um alerta vermelho: pedir às autoridades que prendam, detenham ou restrinjam a circulação da pessoa procurada.

O governo Marcos justificou a transferência de Duterte com base na cooperação das Filipinas com a Interpol, apesar de o país ter se retirado do TPI durante a presidência de Duterte. Os advogados de Dela Rosa continuam contestando o fundamento jurídico interno para usar esse caminho contra ele.

Lacson defende comparecimento primeiro a um tribunal filipino

O senador Panfilo "Ping" Lacson diz que, se for preso, Dela Rosa deve ser levado perante um tribunal filipino antes de qualquer entrega ao TPI. Ele argumenta que isso permitiria ao senador recorrer a medidas legais, inclusive pedir amparo à Suprema Corte.

Lacson citou a Lei da República nº 9851, a Lei Filipina sobre Crimes contra o Direito Internacional Humanitário, Genocídio e Outros Crimes contra a Humanidade. A lei prevê jurisdição filipina sobre determinados crimes graves e permite a entrega ou extradição a um tribunal internacional, de acordo com as leis e os acordos aplicáveis.

Na abordagem proposta por Lacson, o tribunal filipino cumpriria uma função processual, em vez de decidir se Dela Rosa cometeu os crimes alegados perante o TPI. Em termos simples, os processos locais tratariam da condução da prisão e da transferência, enquanto o caso criminal permaneceria sob responsabilidade do tribunal internacional.

Torreon contesta a aplicação da Lei da República nº 9851 contra seu cliente. Ele também argumenta que a legislação filipina não indica a qual tribunal Dela Rosa poderia recorrer com base no Artigo 59 do Estatuto de Roma, tratado que criou o TPI. Esse artigo trata dos procedimentos de prisão em um país que detenha uma pessoa procurada pelo tribunal.

Lacson disse que assinou uma resolução do Senado contra transferências extraordinárias e que pede tempo suficiente para buscar medidas judiciais nos tribunais filipinos. Transferência extraordinária é o transporte de uma pessoa entre países fora dos procedimentos legais comuns de transferência. A resolução expressa a posição dos senadores sobre as garantias necessárias antes de uma entrega ou extradição.

Publicidade

Recurso à Suprema Corte se concentra no direito à vida

Em maio, a Suprema Corte negou o pedido de Dela Rosa por uma ordem de restrição temporária. Uma ordem desse tipo suspenderia temporariamente uma medida específica do governo enquanto o tribunal analisa a disputa.

Seus advogados pediram reconsideração em junho. Na petição protocolada em 27 de outubro, solicitaram que o tribunal agisse com urgência e impedisse qualquer tentativa de prendê-lo para posterior entrega ao TPI. Não foi anunciada uma data para nova decisão.

A equipe jurídica argumenta que a recompensa de 50 milhões de pesos e a descrição de Dela Rosa como "armado e perigoso" feita por Remulla colocam em sério risco seu direito constitucional à vida. A preocupação é que os policiais que se aproximarem dele possam esperar resistência armada e se sintam mais inclinados a usar força letal.

Os advogados de Dela Rosa apresentaram sua objeção na petição ao tribunal:

"Nenhum tribunal considerou que o requerente Dela Rosa esteja armado e seja perigoso", disseram os advogados.

As instruções de Nartatez sobre contenção dizem respeito à condução imediata das operações policiais. O pedido à Justiça busca uma ordem judicial que suspenda o processo de prisão e transferência enquanto o questionamento legal é analisado.

Denúncias do público e sigilo operacional

A PNP divulgou cinco números de celular para receber informações sobre Dela Rosa, com ligações e mensagens aceitas 24 horas por dia. A polícia afirma que todas as pistas precisam ser verificadas antes de orientar uma operação.

Co alertou que pessoas que fornecerem informações falsas de propósito ou fizerem trotes poderão responder criminalmente. Denúncias falsas podem levar os agentes ao lugar errado, consumir tempo e envolver pessoas sem relação com o caso nas buscas.

Lacson, ex-chefe da PNP que ocupou o cargo de 1999 a 2001, pediu às autoridades que mantenham em sigilo informações operacionais sensíveis. Ele também foi superior de Dela Rosa na Força-Tarefa Presidencial contra o Crime Organizado.

Seu argumento é prático: divulgar publicamente um local suspeito pode dar tempo para que uma pessoa procurada se desloque. Lacson disse que, às vezes, a polícia pode optar por divulgar informações para atrair o alvo ou evitar derramamento de sangue, mas essa decisão deve caber aos agentes que têm acesso às informações de inteligência.

O apelo público por denúncias, portanto, vem acompanhado da necessidade de proteger detalhes sobre mobilizações, negociações e possíveis locais de prisão. A polícia se recusou a divulgar outros planos operacionais.

Publicidade

Em resumo

  • Malacañang diz que a antiga liderança de Dela Rosa na PNP e seus vínculos pessoais não devem impedir sua prisão.
  • A polícia mobilizou equipes de busca nas 18 regiões, com uma recompensa de 50 milhões de pesos filipinos ligada à sua captura.
  • As autoridades afirmam que ele continua nas Filipinas. As alegações de que um grupo armado o protege em Mindanao estão sendo verificadas.
  • Os advogados de Dela Rosa contestam o fundamento jurídico das buscas e renovaram o pedido de intervenção da Suprema Corte.
  • Lacson quer que Dela Rosa compareça perante um tribunal filipino antes de qualquer transferência ao TPI, para que possa buscar medidas legais locais.
  • A polícia diz que a entrega voluntária continua sendo possível e que os agentes devem respeitar os direitos humanos e agir com contenção.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar