Um substituto temporário no centro da Presidência
O presidente Prabowo Subianto nomeou o tenente-general Ariyo Windutomo chefe interino do Escritório de Apoio Presidencial da Indonésia em 4 de novembro de 2026, após demitir Listyo Sigit Prabowo em meio a uma investigação sobre suposta vigilância ilegal do presidente e de outras figuras públicas.
Conteúdo
- Um substituto temporário no centro da Presidência
- O que a polícia acusa os três agentes de fazer
- Como o caso se desenrolou
- Por que autoridades discutem traição
- Quem foi alvo e quem exige respostas
- Movimentações de tropas acrescentam mais incerteza
- Líderes empresariais pedem comunicações seguras
- Escândalo surge em meio à turbulência dos mercados
- Pressão política e demanda por transparência
- Principais pontos
O ministro de Estado e secretário de gabinete, Prasetyo Hadi, afirmou que Prabowo assinou naquela manhã um decreto presidencial que destituiu Listyo, ex-chefe da Polícia Nacional que havia assumido o posto no escritório presidencial apenas no mês anterior. Ariyo, que também dirige o Secretariado Presidencial, exercerá temporariamente as funções do cargo vago.
A nomeação mantém em funcionamento o Escritório de Apoio Presidencial, conhecido como KSP, enquanto seu ex-chefe enfrenta acusações envolvendo interceptação telefônica, acesso ilegal a sistemas eletrônicos e apagamento de provas digitais. Prasetyo afirmou que Prabowo estava profundamente preocupado porque um dos suspeitos ocupava um cargo em sua própria administração presidencial.
A investigação vai além das comunicações do presidente. A polícia descreveu supostos alvos em diferentes áreas do governo, da política, do jornalismo, da sociedade civil e dos negócios. Ao mesmo tempo, militares eram mobilizados em Jacarta, grupos empresariais exigiam proteção para comunicações confidenciais e autoridades discutiam se o caso poderia envolver traição.
O que a polícia acusa os três agentes de fazer
O chefe do Departamento de Investigação Criminal da Polícia Nacional, Asep Safrudin, afirmou que os investigadores identificaram três policiais como suspeitos após ouvir testemunhas e apreender provas. Inicialmente identificados como LSP, ASN e EH, eles foram posteriormente nomeados como Listyo Sigit Prabowo, Ahrie Sonta Nasution e Eko Hadi Santoso.
A polícia afirma que a vigilância teria começado no início de 2025 e continuado até 2026, abrangendo um período em que Listyo chefiava a Polícia Nacional. Ele ocupava o cargo desde 2021, quando foi nomeado pelo ex-presidente Joko Widodo, e permaneceu no posto depois que Prabowo assumiu a Presidência, em 2024.
Asep afirmou que a suposta vigilância ocorreu fora dos procedimentos legais que regem as investigações policiais. Segundo ele, ela foi realizada:
"sem qualquer base legal ou sem qualquer processo de investigação ou apuração de acordo com as leis aplicáveis".
Os investigadores também afirmam que, no fim de outubro, os suspeitos ordenaram que arquivos com comunicações interceptadas fossem apagados para ocultar provas. Interceptação significa obter comunicações durante a transmissão; acesso ilegal diz respeito à entrada em um sistema eletrônico sem autorização adequada. O apagamento dos arquivos resultantes é outro elemento da conduta alegada.
Os suspeitos foram mantidos no centro de detenção da sede da Polícia Nacional, em Jacarta. A data de 3 de novembro foi amplamente citada para a detenção, embora também tenham sido atribuídas à polícia declarações de que eles foram detidos no domingo, 1º de novembro. Os três suspeitos não responderam publicamente às acusações.
Como o caso se desenrolou
A demissão de Listyo ocorreu poucas semanas depois de sua nomeação para o KSP. A sequência situa em datas distintas a suposta vigilância, a tentativa de apagar arquivos e a mobilização militar, enquanto a investigação veio a público no início de novembro.
- 2021: Listyo se tornou chefe da Polícia Nacional sob o presidente Joko Widodo.
- Início de 2025: Segundo os investigadores, começou a suposta vigilância telefônica não autorizada.
- Outubro de 2026: Listyo deixou a chefia da polícia e passou para o Escritório de Apoio Presidencial.
- Fim de outubro: A polícia afirma que os suspeitos ordenaram que arquivos de comunicações interceptadas fossem apagados.
- 2 de novembro: Um telegrama militar atribuído ao comandante das Forças Armadas, general Agus Subiyanto, determinou uma ampla mobilização.
- 3 de novembro: A polícia anunciou publicamente três suspeitos na investigação sobre vigilância.
- 4 de novembro: Prabowo demitiu Listyo por decreto presidencial e nomeou Ariyo chefe interino do KSP.
A nomeação de Ariyo é temporária, e não foi anunciada uma data para a escolha de um substituto permanente. Prasetyo afirmou que os serviços policiais continuariam e pediu que a população mantivesse a calma enquanto os investigadores trabalhavam.
Por que autoridades discutem traição
Prasetyo argumentou que o acesso às comunicações de um presidente poderia expor informações sigilosas capazes de afetar os interesses nacionais e a segurança da liderança do país. Ele disse que os atos alegados poderiam configurar traição.
Ao falar no palácio presidencial, Prasetyo explicou a preocupação do governo:
Quando se trata de um chefe de Estado, há muitas informações altamente sigilosas que poderiam ser usadas para fins que colocam em risco os interesses da nação.
O ministro coordenador de Direito, Direitos Humanos, Imigração e Correções, Yusril Ihza Mahendra, apresentou avaliações distintas à medida que a investigação avançava. Em 3 de novembro, afirmou que os investigadores não haviam encontrado indícios de traição. Declarações atribuídas a ele em 4 de novembro incluíram tanto a avaliação de que nenhum indício desse tipo havia surgido até então quanto uma avaliação preliminar de que a operação poderia ter tido como objetivo paralisar o governo. Também foi citado descrevendo o caso como uma ocorrência criminal de interceptação telefônica sem relação com uma tentativa de golpe.
As autoridades analisavam se o Artigo 191 do Código Penal da Indonésia poderia ser aplicado, com penas que podem chegar à morte. Yusril descreveu a avaliação como preliminar. Os investigadores ainda examinavam o motivo, quem poderia ter coordenado a operação e como as informações seriam usadas.
O marco legal discutido em torno do caso também inclui o Regulamento nº 5 de 2010 da Polícia Nacional, o novo Código Penal e a Lei de Informação e Transações Eletrônicas. Essas normas tratam das regras para interceptações e atividades eletrônicas. Os poderes de interceptação da polícia devem ser exercidos por meio de procedimentos legais, que, segundo os investigadores, foram contornados.
Quem foi alvo e quem exige respostas
Asep descreveu uma ampla variedade de supostos alvos: o presidente, autoridades do Estado, figuras políticas, representantes da mídia, organizações da sociedade civil, organizações não governamentais e empresários. Yusril afirmou ter ouvido que vários ministros e políticos foram afetados, mas não soube identificar os ministros.
Yusril também disse não saber se o vice-presidente Gibran Rakabuming Raka havia sido alvo. A polícia não divulgou uma lista completa das pessoas cujas comunicações teriam sido interceptadas. Uma pessoa identificada como SU ainda estava sendo ouvida como testemunha, segundo Asep.
A Anistia Internacional Indonésia pediu que as autoridades divulguem os alvos da vigilância, argumentando que a população tem o direito de saber. A organização alertou para o risco de a vigilância ser usada para reprimir a oposição política:
Se esse escândalo continuar sem controle, poderá abrir caminho para um aparato policial secreto usado para domesticar a oposição.
Para jornalistas, a suposta interceptação levanta preocupações sobre conversas confidenciais com fontes. Para organizações da sociedade civil e empresas, surgem preocupações semelhantes sobre discussões privadas e planos sigilosos. A abrangência da suposta lista de alvos torna a investigação relevante muito além do palácio presidencial.
Movimentações de tropas acrescentam mais incerteza
As Forças Armadas da Indonésia confirmaram movimentações de militares em Jacarta e arredores enquanto a investigação sobre vigilância avançava. O porta-voz da Marinha, contra-almirante Tunggul M. Han, afirmou que o deslocamento apoiava a segurança e a estabilidade nacionais, além dos preparativos para exercícios militares perto da capital. O porta-voz das Forças Armadas, major-general Muhammad Nas, descreveu as movimentações como um procedimento padrão.
Os números divulgados publicamente apresentam uma diferença considerável. O vice-almirante Yayan Sofiyan, assistente de operações da Marinha, informou que 20.980 militares participavam do deslocamento, com outros 13.140 em prontidão. Já um plano militar interno que circulou descrevia 20.980 como o total da mobilização em quatro fases: 2.100 militares já estavam em Jacarta, 5.740 deveriam chegar e 13.140 permaneceriam em suas bases, em prontidão.
Segundo a divisão prevista no plano interno, 7.840 militares estariam em Jacarta ou a caminho, enquanto o grupo maior permaneceria pronto em outras localidades. Os militares vieram de unidades navais e de fuzileiros navais, instituições de formação e bases em Java e Lampung. O transporte incluiria os navios KRI Makassar e KRI Dr Soeharso, com as operações sob o comando militar de Jacarta.
As autoridades não confirmaram uma ligação entre o deslocamento e a investigação sobre interceptações telefônicas. A ordem de mobilização tinha data de 2 de novembro, antes do anúncio público dos suspeitos, em 3 de novembro.
Sana Jaffrey, pesquisadora da Universidade Nacional da Austrália, afirmou que o deslocamento poderia refletir preocupações com tensões entre os militares e a polícia associadas a Listyo. Ela alertou para o risco de uma escalada não intencional e disse que um presidente cada vez mais preocupado com a própria segurança poderia depender mais dos militares. O analista militar Aris Santoso considerou que a presença dos fuzileiros navais poderia ser uma preparação para um aumento das tensões políticas e das manifestações.
Líderes empresariais pedem comunicações seguras
Organizações empresariais se concentraram na segurança das informações comerciais e na necessidade de uma investigação transparente. Mensagens confidenciais podem conter planos de investimento, detalhes de transações e estratégias de negócios, informações que as empresas precisam proteger.
Erwin Aksa, vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Indonésia, conhecida como Kadin, e deputado do Partido Golkar, pediu uma investigação baseada em provas. Ele explicou a preocupação do setor empresarial:
As empresas precisam de informações seguras, comunicações confidenciais e segurança jurídica para manter a confiança dos investidores.
Donna Priadi, diretora-geral da Câmara de Comércio Americana na Indonésia, afirmou que estabilidade política, regras previsíveis e respeito ao Estado de Direito são fundamentais para a confiança dos investidores. Ela disse que era cedo demais para concluir que as operações empresariais haviam sido significativamente afetadas, mas ressaltou que a forma como as autoridades lidariam com as acusações seria importante para a confiança pública.
Prasetyo afirmou que Prabowo havia instruído o chefe da Polícia Nacional, general Suyudi Ario Seto, a conduzir uma investigação objetiva, conforme a lei e sem omitir nada. Suyudi havia informado o presidente sobre o caso. A Comissão III do Parlamento, responsável por temas jurídicos e de segurança, também apoiou a investigação.
Escândalo surge em meio à turbulência dos mercados
Os mercados financeiros da Indonésia já estavam sob pressão quando a notícia da investigação se espalhou. Em 3 de novembro, investidores estrangeiros registraram vendas líquidas de ações no valor de 575 bilhões de rupias, ante 112,5 bilhões de rupias no dia anterior. Vendas líquidas medem quanto as vendas superam as compras; os números mostram que a saída líquida cresceu para cerca de 5,1 vezes o nível do dia anterior.
O índice composto da Bolsa de Valores da Indonésia caiu 3,78% naquele dia, para 4.904,3 pontos. Em 4 de novembro, abriu com queda adicional de 0,97%, antes de se recuperar e fechar em 4.919,8 pontos, cerca de 0,32% acima do fechamento anterior.
Harry Su, diretor de pesquisa da Samuel Sekuritas Indonesia, afirmou que o aumento dos riscos políticos internos, incluindo as acusações de vigilância, ampliava a inquietação do mercado, junto com as expectativas de crescimento econômico mais fraco no terceiro trimestre. Rully Arya Wisnubroto, economista-chefe da Mirae Sekuritas, também apontou a incerteza em torno da revisão da provedora de índices MSCI, as vendas de investidores estrangeiros e as preocupações com as ações indonésias.
Os investidores avaliavam várias pressões ao mesmo tempo: a desvalorização da rupia, preocupações com as políticas do governo, os rendimentos elevados dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e o fortalecimento do dólar. Os mercados regionais também caíram: o índice Nikkei 225, do Japão, recuou 4,5%, e o índice amplo da MSCI para ações da Ásia-Pacífico, excluído o Japão, caiu 1,9% durante o pregão de 4 de novembro.
Pressão política e demanda por transparência
Prabowo enfrenta a investigação em meio à insatisfação popular com os preços dos alimentos, seus programas de refeições gratuitas e cooperativas de vilarejo, além da resposta do governo a incêndios florestais devastadores. Manifestações estudantis e a queda nos índices de aprovação aumentaram a pressão em seu segundo ano no cargo.
Listyo era associado ao ex-presidente Widodo, cuja relação com Prabowo ficou tensa. O filho de Widodo, o vice-presidente Gibran, também voltou a ser alvo de pedidos de destituição após uma decisão judicial invalidar seu certificado escolar. Essas disputas formam o contexto político em que a polícia investiga as acusações de vigilância.
O secretário-geral do Gerindra, Sugiono, descreveu o escândalo como insubordinação dentro do governo e disse que o partido de Prabowo discutiria o caso com outras legendas. O ex-presidente Susilo Bambang Yudhoyono pediu mais moderação na política.
Em uma mensagem pública em 4 de novembro, Yudhoyono pediu a Prabowo que:
"restabeleça a civilidade na nossa política".
Bambang Rukminto, analista policial do Instituto de Estudos de Segurança e Estratégicos, pediu que os investigadores rastreiem o uso pretendido das informações interceptadas e identifiquem quem teria interesse em obtê-las. Essa exigência reúne as principais preocupações do caso: a segurança do presidente, a privacidade dos outros supostos alvos e a responsabilização pelo uso dos poderes de vigilância policial.
Principais pontos
- Prabowo demitiu Listyo Sigit Prabowo em 4 de novembro de 2026 e nomeou o tenente-general Ariyo Windutomo chefe interino do KSP.
- A polícia identificou três oficiais de alto escalão como suspeitos de interceptação ilegal, acesso não autorizado a sistemas eletrônicos e apagamento de provas digitais.
- A suposta vigilância ocorreu do início de 2025 até 2026 e teve como alvo o presidente e figuras do governo, da política, da mídia, da sociedade civil e dos negócios.
- Autoridades discutiram possíveis acusações de traição, enquanto o motivo e o uso pretendido das informações interceptadas continuavam sob investigação.
- As Forças Armadas confirmaram movimentações de tropas em torno de Jacarta, alegando necessidades de segurança e treinamento; os números divulgados para o deslocamento apresentaram totais diferentes.
- Grupos empresariais pediram comunicações seguras e uma investigação transparente enquanto os mercados indonésios continuavam sob pressão.






