Alerta de segurança chega a bancos, ministérios e Parlamento
KUALA LUMPUR, 3 de novembro: A Malásia está preparando órgãos do governo, instituições financeiras e serviços essenciais para possíveis ataques cibernéticos, depois que o primeiro-ministro Datuk Seri Anwar Ibrahim disse ao Parlamento que avaliações de inteligência colocaram o país entre os possíveis alvos.
Conteúdo
- Alerta de segurança chega a bancos, ministérios e Parlamento
- O que motivou as medidas?
- O que acontece agora?
- Por que o crescimento digital da Malásia importa
- Os incidentes no exterior por trás do alerta
- Proteção de alimentos, energia, transporte e finanças
- Conflitos no exterior podem afetar o abastecimento da Malásia
- Preocupações de inteligência e política externa da Malásia
- O que se pede aos malaios
- Principais pontos
O governador do Bank Negara Malaysia, Datuk Seri Abdul Rasheed Ghaffour, deverá reunir instituições financeiras, enquanto o secretário-chefe do Governo, Tan Sri Shamsul Azri Abu Bakar, se reunirá com órgãos governamentais. As medidas vêm após uma reunião especial do Conselho de Segurança Nacional em 2 de novembro, que analisou ameaças digitais, além de conflitos no exterior e riscos ao abastecimento de alimentos, água e energia.
Anwar relacionou a exposição da Malásia à expansão de sua infraestrutura digital e às posições do país sobre a Palestina e Gaza. Em resposta a Datuk Seri Dr Ronald Kiandee, deputado da oposição por Beluran, ele disse que algumas informações de inteligência só poderiam ser discutidas em uma sessão reservada proposta para parlamentares.
Anwar, que também é deputado por Tambun, descreveu a posição da Malásia durante a sessão de perguntas ao primeiro-ministro:
"A Malásia certamente está entre os países considerados alvos", disse.
O primeiro-ministro não identificou possíveis responsáveis pelos ataques, alvos específicos na Malásia nem a natureza e a dimensão exatas da ameaça. Sua mensagem imediata ao público foi para manter a calma, permanecer atento e comunicar prontamente invasões ou interrupções digitais.
O que motivou as medidas?
O Conselho de Segurança Nacional, conhecido em malaio como MKN, analisou os mecanismos existentes de resposta a crises, a cooperação entre ministérios e o nível de prontidão das forças de segurança em sua reunião de 2 de novembro. Anwar disse ter recebido mais informações naquela tarde e novamente do ministro do Interior na manhã em que fez sua declaração no Parlamento.
As preocupações do governo vão além de ataques a computadores. O conselho também considerou a desinformação, a sabotagem de infraestrutura essencial e interrupções nas cadeias de abastecimento. Essas ameaças são frequentemente descritas como híbridas porque podem combinar interferência digital, interrupções físicas e tentativas de enganar a população.
Anwar disse que era necessário esclarecer melhor as responsabilidades e o compartilhamento de informações para que os órgãos pudessem responder em conjunto, sem duplicar esforços nem atrasar decisões. O chefe das Forças Armadas e o inspetor-geral da Polícia lhe garantiram que o país estava preparado.
O primeiro-ministro também disse que a discussão do dia anterior não exigiu uma reunião de emergência. Ele descreveu uma situação monitorada diariamente, com os órgãos instruídos a continuar suas atividades enquanto reforçam a coordenação e a prontidão.
O que acontece agora?
A reunião de Shamsul Azri pretende reunir secretários-gerais de ministérios, diretores-gerais e os órgãos pertinentes. Entre as tarefas estão revisar as medidas de segurança e garantir o abastecimento adequado de alimentos e a continuidade dos serviços de água e energia.
Durante a sessão de perguntas, Anwar situou a reunião na tarde de 3 de novembro; em sua declaração mais ampla sobre prontidão, marcou-a para o dia seguinte. A sessão separada do governador do banco central foi anunciada para 3 de novembro.
A sequência de medidas anunciadas é a seguinte:
- 2 de novembro: O Conselho de Segurança Nacional realizou uma avaliação especial das ameaças, da coordenação e da prontidão nacional.
- 3 de novembro: Anwar informou o Parlamento e anunciou reuniões com órgãos governamentais e instituições financeiras.
- 3 de novembro ou no dia seguinte: O secretário-chefe deveria se reunir com altos funcionários do governo.
- Dentro de um ou dois dias após a declaração: Anwar propôs uma sessão reservada do MKN para todos os parlamentares, condicionada à concordância dos dois lados do Parlamento.
Ronald havia perguntado se informações de inteligência apontavam a Malásia como alvo e qual era a gravidade da ameaça. A sessão proposta daria a parlamentares do governo e da oposição acesso a informações que, segundo Anwar, não poderiam ser divulgadas integralmente em uma sessão aberta.
Por que o crescimento digital da Malásia importa
O esforço da Malásia para se tornar um polo digital regional é central no alerta de Anwar. Seu governo busca atrair investimentos em inteligência artificial, centros de dados e infraestrutura relacionada, como parte do objetivo de avançar para uma economia de renda mais alta.
Google e Nvidia estão entre as empresas de tecnologia que investem na Malásia. Os compromissos de investimento associados à expansão somam, segundo estimativas, 20 bilhões de ringgits malaios (RM) em infraestrutura digital e centros de dados, além de bilhões de ringgits em incentivos fiscais do governo destinados a atrair investidores.
Centros de dados abrigam os computadores que armazenam informações e operam serviços digitais. À medida que mais empresas e serviços públicos passam a depender deles, manter essas instalações, suas conexões de comunicação e o fornecimento de energia em funcionamento se torna parte da proteção das atividades econômicas do dia a dia.
Anwar disse que as capacidades digitais e de centros de dados da Malásia poderiam rivalizar com as da Europa, citando os dados mais recentes sem especificar uma medida em suas declarações. Ele argumentou que esse valor estratégico crescente também poderia atrair ameaças externas mais sofisticadas.
Assim, a resposta do governo vincula a política de investimentos ao planejamento de segurança. A mesma infraestrutura concebida para sustentar o crescimento econômico precisa ser protegida contra interrupções de serviços, roubo de informações e interferências nos sistemas dos quais os clientes dependem.
Os incidentes no exterior por trás do alerta
Anwar mencionou ataques e interrupções que afetaram a administração pública na Bélgica, na Dinamarca, nos Estados Unidos e no Japão. Ele citou esses exemplos para explicar por que a Malásia deve levar a sério as ameaças ocorridas no exterior.
Entre os incidentes mencionados estão a paralisação do portal tributário nacional da Bélgica após um ataque cibernético e uma violação do cadastro central da população da Dinamarca, que envolveu registros de identificação de quase 9 milhões de pessoas. Um cadastro populacional armazena informações usadas para identificar pessoas e administrar serviços públicos.
Nos Estados Unidos, foi noticiado que o sistema eletrônico de envio de documentos da Comissão Eleitoral Federal ficou fora do ar por 41 horas antes das eleições. Isso equivale a um dia e 17 horas sem o funcionamento normal de um sistema usado para enviar declarações financeiras relacionadas a campanhas eleitorais.
Uma violação de redes do governo japonês teria exposto registros pessoais de mais de 100 mil integrantes da polícia e afetado as atividades policiais em vários distritos. Esses exemplos abrangem dois problemas concretos: perder acesso a um serviço e perder o controle de informações confidenciais.
Anwar introduziu seu alerta aos parlamentares mencionando o impacto de acontecimentos no exterior:
"Não suponham que essas ameaças estejam muito distantes de nós", disse.
Proteção de alimentos, energia, transporte e finanças
Energia, telecomunicações, transporte, finanças e abastecimento de alimentos estão entre os setores apontados como prioritários para receber maior proteção. Os serviços de água também fazem parte do planejamento do governo para manter a continuidade durante uma crise.
Infraestrutura crítica é o conjunto de instalações e sistemas dos quais as pessoas dependem para atender às necessidades essenciais do dia a dia. Uma interrupção pode se estender para além da organização inicialmente afetada: falhas nas comunicações podem impedir o funcionamento de serviços, enquanto problemas no transporte podem atrasar entregas.
A refrigeração de alimentos é um exemplo concreto de como a interferência digital pode afetar produtos físicos. Foi noticiado que ataques cibernéticos afetaram sistemas de refrigeração de refrigeradores e freezers em redes de supermercados na Suécia, na Bélgica e em Luxemburgo na segunda-feira anterior à declaração. A elevação das temperaturas de armazenamento levou alguns estabelecimentos a retirar alimentos da venda por questões de segurança.
O governo busca realizar exercícios e simulações regulares para que os órgãos possam praticar a resposta antes de uma interrupção real. Outras medidas incluem treinamento especializado, equipamentos melhores e tecnologia adequada para a gestão de crises e os órgãos de segurança, incluindo a polícia e as Forças Armadas.
Anwar destacou o reforço da coordenação, a prontidão diante de ameaças internas e externas à Malásia, a proteção da infraestrutura estratégica, a preparação do público e o aprimoramento das capacidades dos órgãos. Em conjunto, essas prioridades relacionam a proteção técnica a decisões práticas sobre quem deve agir, quem deve compartilhar informações e como manter os serviços essenciais.
Conflitos no exterior podem afetar o abastecimento da Malásia
O Iêmen e o Mar Vermelho também estão sob a atenção do governo, pois a instabilidade na região pode ameaçar marinheiros e cidadãos malaios, rotas comerciais, abastecimento de energia e logística internacional. Navios e cargas que atravessam rotas perigosas podem enfrentar riscos que acabam afetando empresas e famílias a grandes distâncias.
A discussão do Conselho de Segurança Nacional também abordou uma possível escalada nuclear envolvendo o Irã e acontecimentos políticos na Europa que poderiam afetar sistemas administrativos. Essas questões foram examinadas como parte de um planejamento mais amplo para situações de emergência.
Anwar explicou em suas declarações ao Parlamento a relação entre as crises no exterior e os interesses da Malásia:
"Continuamos monitorando outros acontecimentos. Eles envolvem as tensões no Oriente Médio, os acontecimentos no Iêmen e no Mar Vermelho e as ameaças à segurança que ocorrem na Europa. Isso mostra que as crises no exterior também podem afetar a segurança de nossa população, nossa estabilidade econômica e nossos interesses nacionais", disse.
As missões diplomáticas da Malásia acompanham os acontecimentos e trabalham com as autoridades locais para proteger cidadãos no exterior. Anwar aconselhou os malaios que estão fora do país a acompanhar os acontecimentos e seguir as instruções de segurança emitidas pelas autoridades locais.
Preocupações de inteligência e política externa da Malásia
A posição da Malásia sobre a Palestina e Gaza foi outro fator que, segundo Anwar, poderia atrair atenção hostil. Ele descreveu essas posições como controversas em alguns países, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos.
Anwar também manifestou preocupação com a atuação de serviços de inteligência estrangeiros em países vizinhos, incluindo o serviço de inteligência israelense. Ao explicar as possíveis ameaças identificadas pelos órgãos de inteligência malaios, ele mencionou comunidades israelenses em Phuket e no sul da Tailândia, que descreveu como assentamentos.
Essas preocupações fizeram parte de seu argumento mais amplo em favor de uma coordenação de segurança mais estreita. A sessão parlamentar proposta permitiria que parlamentares dos dois lados políticos ouvissem diretamente a avaliação mais recente do diretor-geral do MKN.
O primeiro-ministro pediu a cooperação de parlamentares do governo e da oposição para viabilizar a sessão dentro de um ou dois dias. A concordância dos dois lados era uma condição da proposta.
O que se pede aos malaios
Anwar pediu que as pessoas mantenham a calma e comuniquem prontamente informações sobre invasões ou interrupções digitais ou tecnológicas. Ele disse que o pânico enfraqueceria a capacidade de resposta do país e explicou que o governo decidiu informar o Parlamento para que o público entendesse a preocupação.
A preparação das famílias também faz parte da abordagem do governo. Anwar mencionou recomendações em países da União Europeia, no Canadá e no Japão para que os moradores mantenham alimentos suficientes para três a 10 dias, diante da incerteza internacional. Ele também disse que pessoas em algumas cidades asiáticas começaram a estocar alimentos.
Entre as medidas malaias que ele apresentou estão a educação do público, o treinamento em gestão de crises e orientações básicas para a preparação doméstica para emergências. Ele disse que o governo tirou lições da Estratégia de Preparação da União Europeia, incluindo a necessidade de ministérios, órgãos de segurança, empresas e comunidades trabalharem em conjunto.
Para famílias e empresas, o foco concreto é a continuidade: manter disponíveis alimentos, água, energia, comunicações e serviços financeiros durante uma interrupção. As reuniões anunciadas pretendem transformar esse objetivo em responsabilidades coordenadas entre as organizações que prestam esses serviços.
Principais pontos
- Anwar disse que avaliações de inteligência colocaram a Malásia entre os possíveis alvos de ataques cibernéticos.
- Uma reunião especial do Conselho de Segurança Nacional em 2 de novembro analisou ameaças e a prontidão para crises.
- O secretário-chefe e o governador do Bank Negara realizarão reuniões separadas sobre preparação.
- As prioridades de proteção incluem energia, comunicações, transporte, finanças e serviços de abastecimento de alimentos e água.
- Anwar relacionou a exposição do país à expansão da infraestrutura digital da Malásia e às posições sobre a Palestina e Gaza.
- Foi proposta uma sessão reservada para todos os parlamentares dentro de um ou dois dias, sujeita a um acordo entre governo e oposição.
- Os malaios foram orientados a manter a calma, permanecer atentos e comunicar prontamente invasões ou interrupções digitais.






