Um quartel-general menor com uma missão militar mais ampla
A Coreia do Sul criou seu Quartel-General de Drones de Defesa em 1º de novembro de 2026, substituindo um comando com cerca de 280 integrantes por uma organização com aproximadamente 100, enquanto as Forças Armadas buscam adquirir mais de 20 mil drones baratos e descartáveis até 2030. A mudança separa a responsabilidade pelo desenvolvimento de capacidades com drones da responsabilidade por executar missões de combate.
Conteúdo
- Um quartel-general menor com uma missão militar mais ampla
- Quem controlará as missões com drones?
- O que muda com os cortes de pessoal
- Como a reorganização chegou a este ponto
- A ameaça norte-coreana vai além das aeronaves
- Um caminho mais rápido dos produtos comerciais às unidades militares
- Por que baterias e motores são importantes
- Mais de 20 mil drones e um programa de ataque de longo alcance
- O que muda para as Forças Armadas sul-coreanas
- Principais pontos
O vice-ministro da Defesa, Lee Doo-hee, participou da cerimônia de inauguração em 2 de novembro, em Pocheon, a cerca de 40 quilômetros ao norte de Seul. O quartel-general, uma unidade diretamente subordinada ao Ministério da Defesa Nacional, coordenará a política para drones, avaliará novas tecnologias e ajudará as Forças Armadas a colocar equipamentos em uso mais rapidamente.
As missões de combate e os recursos operacionais passam para as forças singulares, enquanto o Estado-Maior Conjunto fornecerá comando e controle integrados. O novo quartel-general se concentrará em definir de quais capacidades as Forças Armadas precisam, testar sua utilidade e coordenar padrões entre as forças.
A reorganização ocorre enquanto a Coreia do Norte amplia seu programa de drones e tira lições de seu envolvimento na guerra da Rússia contra a Ucrânia. Na semana anterior à cerimônia, Pyongyang realizou testes de armas que simulavam ataques em massa com drones contra postos militares sul-coreanos e tanques americanos cenográficos.
A resposta de Seul combina três esforços: ampliar o uso de drones entre as unidades militares, melhorar as defesas contra drones hostis e mudar a forma como a tecnologia comercial chega aos soldados. O quartel-general menor deve apoiar essa expansão ao reunir o planejamento e o trabalho técnico, enquanto o pessoal operacional é transferido para outras unidades.
Quem controlará as missões com drones?
O antigo Comando de Operações com Drones conduzia principalmente operações com drones. Na divisão de tarefas anterior, cada força geralmente se concentrava em vigilância e reconhecimento, enquanto o comando se dedicava a ataques. Reconhecimento significa coletar informações sobre uma força adversária, como sua localização ou movimentação.
Agora, as forças conduzirão tanto missões de reconhecimento quanto de ataque. A maioria das descrições da transferência identifica o Exército, a Força Aérea e o Corpo de Fuzileiros Navais como destinatários; uma descrição mais abrangente também inclui os comandos operacionais da Marinha. O Estado-Maior Conjunto coordenará as operações distribuídas.
Um funcionário do Ministério da Defesa explicou por que os ataques com drones devem ser planejados em conjunto com outras armas, em vez de tratados como uma atividade separada:
Os ataques com drones precisam ser integrados a outras capacidades, incluindo artilharia e aeronaves.
Para uma unidade militar, isso significa coordenar drones com disparos de artilharia e aeronaves que atuem contra os mesmos alvos ou na mesma área. O ministério também quer integrar as defesas contra drones aos sistemas de defesa aérea existentes, permitindo que os responsáveis pela proteção de uma área coordenem a resposta.
O quartel-general apoiará essas missões com políticas, avaliação tecnológica e planejamento de capacidades. As forças continuarão responsáveis pelas operações e pelo treinamento, enquanto o Estado-Maior Conjunto integrará suas ações.
O que muda com os cortes de pessoal
A redução de cerca de 280 para aproximadamente 100 integrantes elimina cerca de 180 postos da organização central, uma queda de aproximadamente 64%. As funções operacionais, logísticas e de apoio ao combate estão sendo transferidas ou reduzidas no quartel-general à medida que as forças assumem as missões.
O perfil de experiência da equipe restante será diferente. Oficiais superiores, de major a coronel, representavam antes cerca de 17% do efetivo. Agora, serão mais da metade. Esses oficiais costumam desempenhar funções de planejamento e gestão.
O quartel-general contará com pessoal do antigo comando, especialistas em desenvolvimento de capacidades das forças e especialistas em aquisições da Administração do Programa de Aquisição de Defesa, conhecida como DAPA. Departamentos específicos cuidarão do desenvolvimento de capacidades de combate, demonstrações, apoio a aquisições e cooperação com empresas civis.
Um major-general liderará a organização, mesma patente do chefe do antigo comando. O atual comandante de operações com drones exercerá inicialmente as funções de chefe do quartel-general. A intenção do ministério é concentrar planejadores experientes e pessoal técnico na organização menor, distribuindo o trabalho operacional pelo conjunto das Forças Armadas.
Como a reorganização chegou a este ponto
O Comando de Operações com Drones foi criado em 2023, depois que drones norte-coreanos entraram no espaço aéreo sul-coreano em dezembro de 2022. O comando foi criticado por seu nível de preparação e, mais tarde, envolveu-se em uma controvérsia sobre voos de drones sobre Pyongyang em outubro de 2024.
Investigações e processos judiciais relacionados ao episódio da lei marcial de 3 de dezembro de 2024 examinaram o envolvimento do comando nesses voos. Sob o governo do presidente Lee Jae-myung, um comitê consultivo especial conjunto, com representantes civis, do governo e das Forças Armadas, recomendou substituir o comando por um quartel-general funcional.
- Dezembro de 2022: drones norte-coreanos entraram no espaço aéreo sul-coreano.
- 2023: a Coreia do Sul criou o Comando de Operações com Drones.
- Outubro de 2024: voos de drones sobre Pyongyang se tornaram objeto de investigações e controvérsia posteriores.
- Janeiro de 2026: o comitê consultivo especial recomendou dissolver o comando e criar um quartel-general funcional.
- Junho de 2026: o ministério anunciou sua Política de Desenvolvimento de Drones de Defesa e Sistemas Antidrone.
- 24 de julho de 2026: o ministério publicou um aviso sobre a proposta de revisão do decreto.
- 13 e 20 de outubro de 2026: o Conselho de Estado aprovou a revisão, seguida pela promulgação do decreto que criou o quartel-general.
- 1º e 2 de novembro de 2026: o quartel-general foi criado e, no dia seguinte, realizou sua cerimônia de inauguração.
O comando encerrou as atividades após cerca de três anos. A estrutura que o substitui segue tanto a recomendação do comitê consultivo quanto a política de junho, que prevê ampliar o uso de drones e fortalecer as defesas contra aeronaves não tripuladas.
A ameaça norte-coreana vai além das aeronaves
Os recentes ataques simulados da Coreia do Norte colocaram posições militares e tanques no centro das preocupações imediatas de Seul. A participação de Pyongyang na guerra contra a Ucrânia também lhe dá acesso à experiência de um conflito em que drones são amplamente usados para reconhecimento e ataques.
O Ministério da Defesa sul-coreano afirmou que leva a ameaça a sério e descreveu as capacidades que considera necessárias ao avaliar o poder dos drones:
Levamos muito a sério o avanço das capacidades de drones da Coreia do Norte e as ameaças relacionadas, embora a avaliação do poder dos drones exija ir além do mero desempenho e considerar plenamente os sistemas de detecção, identificação, rastreamento e contramedidas.
Essas etapas descrevem uma sequência prática: localizar uma aeronave, determinar o que ela é, acompanhar seu movimento e escolher uma resposta. Por isso, o plano do ministério abrange tanto os drones que as forças sul-coreanas operarão quanto os equipamentos necessários para se defender de aeronaves hostis.
O quartel-general estudará os combates recentes na Ucrânia e no Oriente Médio e, em seguida, testará como tecnologias e métodos operacionais relevantes funcionam no ambiente da Península Coreana. Também avaliará funções mais amplas para os drones, incluindo ataque, defesa e guerra eletrônica, que envolve o uso do espectro eletromagnético para interferir ou afetar os sistemas de um adversário.
Um caminho mais rápido dos produtos comerciais às unidades militares
Funcionários do Ministério da Defesa apontaram os procedimentos atuais de aquisição militar como uma causa dos atrasos para colocar drones e inteligência artificial em serviço. A preocupação é especialmente grande no caso de equipamentos baratos, concebidos para serem consumidos em combate e substituídos em grandes quantidades.
O ministério está desenvolvendo um sistema de certificação e compras inspirado no programa Blue Unmanned Aircraft Systems dos Estados Unidos, comumente chamado de Blue UAS. A proposta sul-coreana permitiria que drones comerciais produzidos no país e aprovados nos requisitos de certificação fossem disponibilizados em uma plataforma de compras, de onde as Forças Armadas poderiam adquiri-los rapidamente.
O quartel-general ajudará a estabelecer padrões de adequação militar, apoiará testes e conectará a tecnologia civil às necessidades operacionais. A padronização de componentes e o aprimoramento das normas de operação e gestão também fazem parte de suas atribuições. O ministério está preparando uma legislação específica para apoiar a adoção mais rápida.
A DAPA continuará responsável pelas aquisições propriamente ditas depois que os requisitos forem aprovados. Isso inclui decidir como os projetos serão conduzidos, além de compras, contratos e certificação de qualidade. O quartel-general ajudará a definir as necessidades e avaliar a tecnologia; a DAPA continuará administrando as aquisições.
O quartel-general também participará do processo de análise de requisitos já conduzido pelo Estado-Maior Conjunto. Ao comparar as solicitações das diferentes forças antes do avanço dos projetos, a iniciativa busca reduzir investimentos duplicados e favorecer compras conjuntas sem criar uma etapa adicional de análise.
Por que baterias e motores são importantes
A Coreia do Sul quer reduzir sua dependência de componentes chineses, incluindo baterias e motores de drones. Essas peças são essenciais para manter as aeronaves disponíveis: as baterias fornecem energia, enquanto os motores acionam as hélices que permitem o voo de muitos drones pequenos.
Um funcionário do Ministério da Defesa descreveu os acordos de fornecimento do governo:
Estamos trabalhando para garantir cadeias de suprimentos com aliados e parceiros, incluindo os Estados Unidos.
O ministério busca ampliar a produção doméstica e, ao mesmo tempo, cooperar com parceiros em padrões para componentes e redes de abastecimento. Para os fabricantes sul-coreanos, o quartel-general estabelecerá uma ligação entre a tecnologia civil e as necessidades militares, ajudando as empresas a entender o que seus produtos precisam fazer para serem úteis às Forças Armadas.
Os padrões para componentes também ligam a política industrial ao plano operacional. Se os drones se tornarem equipamentos comuns em muitas unidades, as Forças Armadas precisarão de acesso confiável a peças de reposição, além das aeronaves completas. O sistema de certificação e os esforços para garantir o abastecimento devem apoiar essa ampliação do uso.
Mais de 20 mil drones e um programa de ataque de longo alcance
As Forças Armadas pretendem adquirir mais de 20 mil drones baratos e descartáveis até 2030. A frota planejada inclui drones para reconhecimento a curtas distâncias e pequenos drones de ataque, destruídos ao atingir um alvo.
Um funcionário do ministério descreveu a escala pretendida para o uso cotidiano, dizendo que as Forças Armadas precisam de uma estrutura que permita a todas as unidades usar drones:
como uma segunda arma de uso pessoal
A expressão resume o objetivo do ministério de disseminar a capacidade de operar drones para além de um único comando especializado. Unidades de todas as forças operariam drones como parte regular de seus equipamentos, com apoio de iniciativas de desenvolvimento compartilhadas e operações militares coordenadas.
A Coreia do Sul também está desenvolvendo o Sistema Coreano de Ataque de Combate Não Tripulado de Baixo Custo, ou K-LUCAS. O programa busca criar munições vagantes de longo alcance produzidas no país para atacar alvos importantes atrás das linhas inimigas e neutralizar defesas aéreas. Uma munição vagante é uma arma não tripulada que pode permanecer no ar antes de atacar seu alvo.
Os planos mais amplos incluem colocar em serviço, em 2026, uma aeronave de reconhecimento desenvolvida no país e capaz de operar em média altitude. O ministério estabeleceu 2030 como prazo para a frota de mais de 20 mil drones descartáveis, mas não anunciou um cronograma detalhado de entrega nem o orçamento total dessa frota, tampouco uma data firme para a entrada em operação do K-LUCAS.
O que muda para as Forças Armadas sul-coreanas
As unidades do Exército, da Força Aérea e do Corpo de Fuzileiros Navais assumirão uma combinação mais ampla de responsabilidades de reconhecimento e ataque. Suas missões com drones serão coordenadas com outras capacidades militares, enquanto os planejadores do novo quartel-general trabalharão em padrões comuns, tecnologias adequadas e solicitações de equipamentos que se sobreponham.
O plano conecta três decisões que poderiam ser tratadas separadamente: do que os soldados precisam, quais produtos comerciais podem atender a essas necessidades e como comprá-los rapidamente. Seu sucesso dependerá da coordenação entre as forças, o Estado-Maior Conjunto, o quartel-general e a DAPA. O ministério ainda avalia como fortalecer seu papel central na formulação de políticas à medida que essas responsabilidades são redistribuídas.
O contexto de segurança também envolve a diplomacia. A inauguração ocorre após as conversas sobre desnuclearização em Atlanta, nas quais Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão renovaram o compromisso com a desnuclearização completa da Coreia do Norte, ao mesmo tempo que apoiaram o diálogo. Seul busca esses objetivos diplomáticos paralelamente às mudanças destinadas a preparar melhor suas forças para a guerra com drones.
Para as unidades militares, a mudança organizacional imediata é simples: as operações de combate passam para as forças, o trabalho de desenvolvimento fica concentrado no novo quartel-general e as aquisições continuam sob responsabilidade da DAPA. Levar os equipamentos previstos às tropas levará anos.
Principais pontos
- O Quartel-General de Drones de Defesa foi criado em 1º de novembro de 2026, com uma cerimônia em Pocheon no dia seguinte.
- A equipe tem cerca de 100 integrantes, em comparação com aproximadamente 280 no antigo Comando de Operações com Drones.
- As forças assumem as missões de combate, coordenadas pelo Estado-Maior Conjunto.
- O quartel-general cuida do planejamento de capacidades, da avaliação de tecnologias e dos padrões; a DAPA mantém a responsabilidade pelas compras e pelos contratos.
- A Coreia do Sul planeja adquirir mais de 20 mil drones baratos e descartáveis até 2030 e está desenvolvendo o K-LUCAS.
- Reformas na certificação e a cooperação no abastecimento buscam acelerar as aquisições e reduzir a dependência de componentes chineses.






