Proposta incluiria palavrões publicados na internet nas regras de ordem pública
O Cazaquistão planeja ampliar a lei sobre pequenos atos de vandalismo para incluir palavrões publicados em plataformas online e nos meios de comunicação de massa, o que poderia submeter transmissões ao vivo, programas de entrevistas e publicações em redes sociais a sanções administrativas. A mudança proposta abrangeria a produção, a publicação ou a distribuição de conteúdo com palavrões, com uma exceção para reportagens sobre esse tipo de infração.
Conteúdo
- Proposta incluiria palavrões publicados na internet nas regras de ordem pública
- O que mudaria e o que já é punível?
- Insulto e perturbação da ordem pública são infrações diferentes
- Não há uma lista oficial de palavras proibidas
- Como as regras evoluíram
- O que mostram os dados dos tribunais
- Apoio a medidas contra abusos e preocupação com a criação artística
- Governo também destaca ética e prevenção
- Principais pontos
O primeiro-ministro Olzhas Bektenov afirmou que as emendas devem ser analisadas pelo Parlamento neste ano. A proposta diz respeito ao Artigo 434 do Código de Infrações Administrativas, que já prevê punições por palavrões em locais públicos e por condutas semelhantes que demonstrem desrespeito e perturbem a ordem pública.
A principal mudança seria incluir explicitamente a publicação online nesse dispositivo. O Cazaquistão já pune algumas condutas envolvendo insultos online e transmissões abusivas, portanto a proposta ampliaria um sistema que a polícia e os tribunais já utilizam.
As punições atualmente previstas no Artigo 434 incluem multa de 20 índices mensais de cálculo, até 60 horas de serviço comunitário ou de cinco a 15 dias de prisão administrativa. O índice mensal de cálculo, frequentemente abreviado como MCI, é um valor de referência definido pelo governo e usado para calcular multas e outros pagamentos. Seu valor muda ao longo do tempo.
Para quem transmite, publica ou compartilha conteúdo, o alcance da lei é especialmente importante: a proposta inclui expressamente a distribuição, além da criação. Ex-parlamentares também levantaram preocupações divergentes sobre como prevenir a agressão verbal e proteger músicas, obras artísticas e o folclore de restrições abrangentes.
O que mudaria e o que já é punível?
Atualmente, o Artigo 434 trata de pequenos atos de vandalismo, uma categoria de infração administrativa relacionada à ordem pública. A redação em vigor abrange palavrões em locais públicos e comportamentos relacionados que atendam aos requisitos legais para caracterizar a infração.
As emendas propostas incluiriam conteúdo com palavrões nos meios de comunicação de massa ou em plataformas online. A exceção prevista permitiria reportagens sobre uma infração que envolva esse tipo de linguagem. Isso é relevante para coberturas nas quais palavras ofensivas fazem parte do acontecimento relatado.
A polícia já monitora conteúdo online. Ações recentes de fiscalização incluíram multas ou prisão administrativa por palavrões, insultos, comportamento perturbador e acrobacias perigosas durante transmissões ao vivo. Outros casos envolveram comentários e mensagens. Como essas situações dizem respeito a condutas distintas, as circunstâncias de cada ocorrência são fundamentais para a avaliação jurídica.
O cronograma legislativo ainda não está claro. A iniciativa foi descrita como encaminhada ao Parlamento, enquanto Bektenov falou em preparação pelo Gabinete e em uma apresentação prevista para aquele mês, além da análise neste ano. Não foi informada uma data exata para a audiência parlamentar ou para a entrada em vigor.
Insulto e perturbação da ordem pública são infrações diferentes
O Artigo 131 do Código Penal do Cazaquistão trata do insulto: humilhar a honra e a dignidade de outra pessoa de forma indecente. A infração básica pode resultar em multa de até 100 MCI, trabalho corretivo ou serviço comunitário.
Um insulto público, inclusive feito online, pode resultar em multa de até 200 MCI, além da possibilidade de trabalho corretivo ou serviço comunitário. Portanto, a multa máxima medida em MCI é duas vezes maior para a modalidade pública ou online do que para a infração básica.
O Artigo 434 adota uma abordagem diferente. Ele trata da ordem pública e de condutas classificadas como pequenos atos de vandalismo. O Artigo 131 se concentra em um insulto dirigido a uma pessoa. Entender qual dispositivo as autoridades aplicam ajuda a explicar por que casos online podem levar a processos e punições diferentes.
Uma avaliação negativa sobre uma empresa ou serviço não constitui, por si só, uma infração. Críticas e insultos expressos de forma indecente são tratados de maneiras diferentes. A redação, o alvo, o público e as circunstâncias envolvidas são relevantes para a avaliação de uma denúncia pelas autoridades.
Não há uma lista oficial de palavras proibidas
O Cazaquistão não tem uma lista oficial de palavras cuja utilização resulte automaticamente em punição. As autoridades e os tribunais analisam onde as palavras foram usadas, se foram dirigidas a alguém e se a conduta atende à definição legal de uma infração.
Em uma publicação online, capturas de tela e gravações de tela podem servir como provas. Os investigadores também precisam identificar quem criou o conteúdo e em que circunstâncias ele foi publicado. Identificar a pessoa responsável é necessário para vincular uma declaração registrada a uma suposta infração.
Uma transmissão ao vivo pode incluir vários tipos de conduta ao mesmo tempo, como palavrões, um insulto pessoal e uma acrobacia perigosa. A avaliação jurídica deve considerar o que aconteceu naquela ocorrência específica. Isso ajuda a explicar por que uma breve descrição de uma punição pode omitir detalhes importantes para o tribunal.
A redação proposta também envolve diretamente quem compartilha material. Ao abranger a produção, a publicação e a distribuição, ela alcança várias etapas pelas quais o conteúdo pode chegar do criador a um público mais amplo.
Como as regras evoluíram
O debate sobre palavrões em público no Cazaquistão começou antes da proposta mais recente para o ambiente online. Em janeiro de 2023, Azamat Kurimbaev, então identificado como vice-chefe do Comitê de Polícia Administrativa do Ministério do Interior, descreveu emendas que elevariam a multa por pequenos atos de vandalismo de cinco para 20 MCI.
Com os valores citados na época, isso significava um aumento de 17.250 tenge para 69.000 tenge, ou seja, uma quadruplicação. Esses valores em dinheiro correspondem ao cálculo de 2023 e devem ser considerados levando em conta que o valor do MCI muda.
- 9 de janeiro de 2023: Kurimbaev descreveu uma nova versão da lei, com multa de 20 MCI e detenção de cinco a 30 dias.
- Início de março de 2023: A entrada em vigor dessas emendas estava prevista para esse período.
- 2025: Os tribunais receberam cerca de 6.200 denúncias de insulto, segundo os dados oficiais citados no debate atual.
- Primeiro semestre de 2026: Os dados citados registram mais de 2.700 denúncias e 440 requerimentos analisados.
- Proposta mais recente: O governo planeja incluir expressamente no Artigo 434 os palavrões em plataformas online e nos meios de comunicação de massa.
O período de detenção descrito por Kurimbaev em 2023, de cinco a 30 dias, difere dos cinco a 15 dias indicados na descrição atual do Artigo 434. Bektenov também mencionou serviço comunitário de 20 a 60 horas, enquanto a descrição atual estabelece o máximo de 60 horas. A versão e o dispositivo aplicáveis são importantes para avaliar uma punição específica.
O que mostram os dados dos tribunais
Os dados oficiais citados no debate indicam que os tribunais receberam cerca de 6.200 denúncias de insulto em 2025, um aumento de 1,5% em relação a 2024. Mais de 2.700 foram registradas no primeiro semestre de 2026.
Os dados também registram separadamente 970 requerimentos analisados em 2025 e 440 no primeiro semestre de 2026. Uma denúncia recebida e um requerimento analisado são etapas diferentes do processo judicial; por isso, os dois números são necessários para entender o volume que chega aos tribunais e o que está sendo examinado.
Os dados sobre casos de insulto público no primeiro semestre de 2026 apresentam uma inconsistência interna. Eles afirmam que 193 casos foram analisados, mas listam 50 condenações, 45 absolvições e 118 processos encerrados. Esses resultados somam 213, número 20 acima do total de casos informado. Não há explicação para a divergência.
Ainda assim, os resultados ilustram a variedade de decisões tomadas pelos tribunais após uma denúncia: condenação, absolvição ou encerramento do processo. A inconsistência numérica impede calcular de forma confiável a proporção de casos que resultaram em condenação.
Apoio a medidas contra abusos e preocupação com a criação artística
Abzal Kuspan, advogado e ex-integrante do Mazhilis, a câmara baixa do Parlamento do Cazaquistão, apoia uma resposta legal à agressão verbal. Ele argumenta que ela pode evoluir para ameaças e incitação à violência.
O ex-deputado Rinat Zaiyt também apoia medidas contra os palavrões, mas alertou para o risco de restrições amplas a músicas, obras artísticas e ao folclore. Ele questionou quem faria as avaliações necessárias para decidir se determinado material está sujeito às regras.
As posições apontam duas questões práticas para os legisladores. Uma é como responder a comportamentos abusivos dirigidos a pessoas ou ao público. A outra é como avaliar a linguagem utilizada em obras criativas ou culturais, nas quais as palavras aparecem dentro de uma apresentação ou narrativa mais ampla.
A exceção para reportagens é um dos limites previstos na proposta. As preocupações de Zaiyt chamam a atenção para a aplicação da lei além dessa exceção, especialmente quando uma palavra contestada faz parte de uma música ou de outra obra artística. Para criadores e editoras, essas avaliações podem influenciar decisões sobre o que publicar ou compartilhar.
Governo também destaca ética e prevenção
Bektenov afirmou que as sanções legais devem vir acompanhadas de medidas preventivas e de iniciativas para promover uma comunicação respeitosa. O governo cita projetos sociais, subsídios, artigos na imprensa e programas voltados aos jovens como parte desse trabalho.
A formação oferecida ao público também é uma preocupação. Bektenov afirmou que os treinadores estão sujeitos a um padrão profissional em vigor desde dezembro do ano anterior, com requisitos relativos à formação superior, a certificados internacionais pertinentes e à validação periódica.
O primeiro-ministro descreveu a responsabilidade dos treinadores segundo esse conjunto de regras:
Os treinadores são pessoalmente responsáveis por cumprir o Código de Ética e prestar serviços de acordo com os princípios de honestidade, igualdade e não discriminação,
O padrão profissional e a emenda administrativa proposta tratam de responsabilidades diferentes. Um estabelece expectativas para quem presta serviços de treinamento. A outra daria às autoridades fundamentos explícitos, nos termos do Artigo 434, para agir contra palavrões distribuídos por plataformas online e pelos meios de comunicação de massa.
Para o público e os criadores de conteúdo, a questão imediata é a ampliação proposta de um sistema de fiscalização já existente. A forma como o Parlamento tratará a redação, a exceção para reportagens e as preocupações sobre obras artísticas determinará a abrangência dessa ampliação.
Principais pontos
- O Cazaquistão planeja ampliar o Artigo 434, sobre pequenos atos de vandalismo, para incluir conteúdo com palavrões em plataformas online e nos meios de comunicação de massa.
- A proposta abrange a produção, a publicação e a distribuição, com uma exceção para reportagens sobre uma infração.
- As leis em vigor já permitem punições por perturbação da ordem pública e insultos pessoais, inclusive por algumas condutas online.
- O Cazaquistão não tem uma lista oficial de palavras cuja utilização resulte automaticamente em punição. O contexto e a definição legal da infração são importantes.
- Ex-parlamentares apoiam medidas contra abusos, mas levantaram preocupações sobre a avaliação de músicas, obras artísticas e folclore.
- As estatísticas citadas sobre casos de insulto público apresentam uma divergência: os resultados listados somam 213, embora o total informado seja de 193 casos.
- Não foi informada uma data exata para a audiência parlamentar ou para a entrada em vigor.






