Seis meses de treinamento, seguidos por seis meses em unidades militares
O Cazaquistão aprovou, em 21 de outubro de 2026, um Plano de Reforma Militar que dividiria o serviço militar obrigatório em seis meses em centros de treinamento, seguidos por seis meses em unidades militares. O pacote também prevê a criação de forças de sistemas não tripulados, de um ombudsman militar e mudanças na forma como as Forças Armadas são comandadas, estruturadas e preparadas para o combate.
Conteúdo
- Seis meses de treinamento, seguidos por seis meses em unidades militares
- Como funcionaria o serviço obrigatório
- Uma mudança mais ampla no comando militar
- Sistemas não tripulados terão força própria
- Novas instituições para proteger militares
- A educação militar começa antes do serviço na unidade
- Disciplina e confiança pública estão ligadas
- Dois prazos para a reforma, distintos das etapas do serviço
- Governo e Conselho de Segurança coordenarão a implementação
- Principais pontos
O presidente Kassym-Jomart Tokayev presidiu a reunião do Conselho de Segurança que aprovou o plano. As medidas organizacionais devem ser concluídas até o fim de 2026, enquanto as principais medidas conceituais estão previstas para 2027. Uma comissão que realiza uma análise abrangente do Ministério da Defesa também deve concluir seus trabalhos até o fim deste ano.
A vice-presidente do Conselho de Segurança, Aida Balayeva, apresentou os principais pontos do plano. Separadamente, o ministro da Defesa, Aidos Myrzakhmetov, detalhou a modernização planejada das Forças Armadas, incluindo uma nova estratégia de comunicação e ações educativas destinadas a fortalecer a disciplina e a confiança pública.
Para os recrutas e suas famílias, as mudanças propostas mais imediatas dizem respeito ao local onde os soldados serão treinados, à forma como passarão a integrar unidades operacionais e à proteção de seus direitos e segurança. Para os líderes militares, o programa vai além: abrange comando, planejamento de defesa, política de pessoal, educação, tecnologia e uso de recursos públicos.
Como funcionaria o serviço obrigatório
Os recrutas passariam os primeiros seis meses em centros de treinamento específicos. Depois, serviriam por mais seis meses diretamente em unidades militares, com foco no treinamento de combate e na execução de tarefas como parte de suas unidades.
As duas etapas somam 12 meses: metade do período de serviço proposto seria cumprida em centros de treinamento e a outra metade em unidades militares. A sequência prática é direta: primeiro vem a preparação, seguida pelo serviço junto à unidade com a qual o soldado deverá atuar.
A segunda etapa também incluiria treinamento. O foco declarado combina a preparação para o combate com a execução de tarefas da unidade, em vez de considerar concluída a formação do soldado ao sair de um centro de treinamento. Isso vincula a reforma do serviço obrigatório ao esforço mais amplo para melhorar a prontidão das tropas.
Uma mudança mais ampla no comando militar
Balayeva afirmou que o plano foi elaborado levando em conta a experiência internacional em organização militar, os métodos modernos de guerra e as propostas de especialistas cazaques. Ele prevê uma revisão da estrutura e da composição das Forças Armadas, melhorias no comando e no planejamento de defesa, além do fortalecimento de componentes essenciais do Exército.
O comando diz respeito à forma como os líderes militares tomam decisões e orientam o pessoal. O planejamento de defesa relaciona essas decisões às forças, ao treinamento e aos equipamentos de que o país precisa. Mudar ambos em conjunto afetaria tanto a organização das unidades militares quanto a preparação para cumprir ordens.
Tokayev, que também é comandante-chefe, descreveu o programa como uma reforma abrangente. Entre as áreas que precisam de mudanças, ele citou o treinamento das tropas, a política de pessoal, a educação militar e a modernização tecnológica, além do comando e controle.
Tokayev também pediu mudanças na relação entre o Exército e a sociedade e alertou contra medidas incompletas:
A interação do Exército com a sociedade também precisa mudar. Estamos falando de uma reforma abrangente. Soluções pela metade não produzirão os resultados necessários,
As orientações do presidente colocam as práticas de liderança e as condições de serviço ao lado da capacidade militar. Assim, o plano combina mudanças na organização do Exército com medidas que afetam o tratamento cotidiano e a preparação de seu pessoal.
Sistemas não tripulados terão força própria
O Cazaquistão planeja criar forças de sistemas não tripulados como parte da revisão de sua estrutura militar. Sistemas não tripulados são máquinas operadas sem uma pessoa a bordo, como drones controlados remotamente. A criação de uma força específica daria a essa área um lugar formal na organização militar.
A proposta se soma a melhorias no comando, no planejamento de defesa e nos equipamentos tecnológicos. Essas medidas atendem a necessidades relacionadas: adquirir e organizar a tecnologia, decidir como ela será usada e preparar o pessoal para atuar na estrutura militar resultante.
Tokayev pediu que um Exército moderno, móvel e tecnologicamente avançado seja criado o mais rápido possível. Na prática, mobilidade significa que as forças podem se deslocar e responder onde forem necessárias, enquanto a preparação tecnológica diz respeito tanto aos equipamentos quanto à capacidade de soldados e comandantes de usá-los com eficiência.
Novas instituições para proteger militares
A reforma propõe cargos de assessores militares e um ombudsman militar para ajudar a proteger os direitos e a segurança dos militares. Um ombudsman é uma autoridade cujo trabalho geralmente envolve analisar reclamações e ajudar as pessoas a buscar tratamento justo por parte de uma instituição.
O plano também inclui medidas para prevenir trotes e fortalecer a disciplina militar. Trotes são comportamentos abusivos ou humilhantes dentro de um grupo. No serviço militar, prevenir esse tipo de conduta está diretamente relacionado à segurança do pessoal e às responsabilidades dos comandantes.
Tokayev apontou a cultura de comando como um dos temas que exigem atenção especial. Isso inclui a conduta dos líderes militares na reforma, além do comportamento esperado dos soldados. As regras que regem o serviço e a forma como os comandantes as aplicam fazem parte das mudanças propostas.
A agenda de segurança vem após uma cobrança anterior de Tokayev por um plano de reforma militar, depois que 14 militares morreram durante exercícios na região de Mangystau. Foi criada uma comissão especial para realizar uma análise abrangente da situação no Ministério da Defesa, e agora seus trabalhos têm prazo até o fim de 2026.
A educação militar começa antes do serviço na unidade
O plano prevê o desenvolvimento do sistema unificado de treinamento militar e patriótico Zhas Aibyn, baseado no conceito Adal Azamat. Também propõe ampliar a rede de escolas militares especializadas e aprimorar o treinamento militar básico.
Essas medidas ampliam a agenda educacional para além dos seis meses que os recrutas passariam nos centros de treinamento. O pacote contempla a preparação em escolas militares e no treinamento básico, assim como a educação dentro das Forças Armadas.
A educação militar e a política de pessoal também estão entre as áreas que Tokayev apontou como alvos da reforma. Em conjunto, essas medidas relacionam a preparação das pessoas para o serviço à forma como o Exército administra seu pessoal depois que ele ingressa nas Forças Armadas.
A expansão proposta das escolas e a nova sequência do serviço exigiriam coordenação entre diferentes partes dos sistemas de educação e defesa. Isso ajuda a explicar por que a responsabilidade pela execução do programa não cabe apenas ao Ministério da Defesa.
Disciplina e confiança pública estão ligadas
Myrzakhmetov apontou uma nova estratégia de informação e comunicação para as Forças Armadas como parte importante da reforma. Ele também detalhou planos para aprimorar o trabalho educativo com base no princípio constitucional da "Lei e Ordem".
Os objetivos declarados são fortalecer a disciplina militar e ampliar a confiança pública no Exército. A estratégia de comunicação trata da relação entre as Forças Armadas e a sociedade, enquanto as instituições propostas para proteger os militares e as medidas contra trotes tratam das condições dentro do serviço militar.
A exigência de Tokayev por uma mudança na interação do Exército com a sociedade conecta essas partes do programa. As famílias têm interesse direto na forma como os recrutas são treinados, protegidos e tratados, o que torna as condições de serviço uma parte concreta da agenda mais ampla de confiança.
Dois prazos para a reforma, distintos das etapas do serviço
O cronograma de implementação tem dois períodos principais: medidas organizacionais até o fim de 2026 e as principais medidas conceituais ao longo de 2027. Esses prazos dizem respeito ao programa nacional de reforma. Os seis meses de treinamento seguidos por seis meses em unidades descrevem a experiência proposta para cada recruta.
A sequência de decisões e prazos é a seguinte:
- Antes de 21 de outubro de 2026: Tokayev instruiu autoridades a preparar um plano concreto de reforma militar para ser analisado pelo Conselho de Segurança na segunda metade de outubro.
- 21 de outubro de 2026: O Conselho de Segurança analisou e aprovou o Plano de Reforma Militar.
- Até o fim de 2026: As medidas organizacionais devem ser implementadas, e a comissão que analisa o Ministério da Defesa deve concluir seus trabalhos.
- Ao longo de 2027: Está prevista a implementação das principais medidas conceituais.
O anúncio não informou uma data exata para o início do novo modelo de serviço militar obrigatório, detalhes do orçamento, o cronograma de criação das forças de sistemas não tripulados nem as atribuições do ombudsman militar.
Governo e Conselho de Segurança coordenarão a implementação
O Governo e o Conselho de Segurança foram encarregados de coordenar a implementação. Tokayev descreveu a segurança militar como uma tarefa nacional que exige o trabalho coordenado de todos os órgãos estatais competentes e ressaltou que as mudanças planejadas devem ser executadas integralmente e dentro do prazo.
Antes da reunião sobre a reforma, Tokayev também recebeu relatórios do primeiro vice-ministro da Defesa e chefe do Estado-Maior General, Aitkurman Omarbekov, e da vice-ministra da Defesa, Tatyana Savelyeva. Os informes abordaram as atividades e a prontidão para o combate das Forças Armadas, o financiamento do treinamento militar e a execução do orçamento do ministério.
Esses temas relacionam o programa aprovado às suas exigências práticas. Mudanças no treinamento, na organização militar e na tecnologia exigem decisões sobre pessoal, financiamento e gestão. O prazo da comissão e o prazo para as medidas organizacionais, ambos até o fim de 2026, são os primeiros marcos com datas definidas, antes das principais medidas previstas para 2027.
Principais pontos
- O Cazaquistão aprovou seu Plano de Reforma Militar em uma reunião do Conselho de Segurança em 21 de outubro de 2026.
- O serviço obrigatório teria seis meses em centros de treinamento, seguidos por seis meses em unidades militares.
- O plano propõe a criação de forças de sistemas não tripulados, assessores militares e um ombudsman militar.
- As medidas abrangem comando, planejamento de defesa, educação militar, segurança no serviço, disciplina e confiança pública.
- As medidas organizacionais e a análise do Ministério da Defesa devem ser concluídas até o fim de 2026; as principais medidas conceituais estão previstas para 2027.
- O Governo e o Conselho de Segurança coordenarão a implementação.






