Nepal planeja gasoduto de GLP de 131 km e reserva de 50 mil toneladas para reduzir a falta de gás de cozinha

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Nepal Plans 131 km LPG Pipeline and 50,000 Tonne Reserve to Ease Cooking Gas Shortages

Um mês de gás de cozinha em reserva

A Nepal Oil Corporation está avançando com os planos para construir um gasoduto de cerca de 131 quilômetros entre Motihari, na Índia, e Sarlahi, no Nepal, acompanhado de um terminal de armazenamento com capacidade para 50 mil toneladas de gás liquefeito de petróleo. A reserva proposta cobriria cerca de um mês da demanda nacional, oferecendo às famílias uma margem de segurança quando estradas danificadas, congestionamentos ou disputas no transporte interromperem as entregas de gás de cozinha.

Conteúdo
  1. Um mês de gás de cozinha em reserva
  2. Por que atrasos nas estradas chegam às cozinhas
  3. Que proteção 50 mil toneladas ofereceriam?
  4. Por onde passaria o gasoduto
  5. Terreno garantido, engenharia ainda em definição
  6. Três instalações, cada uma com uma função
  7. Quem pagaria pelo projeto?
  8. Gastos com transporte poderiam ser transferidos para o Nepal
  9. O que as famílias podem esperar agora
  10. Principais pontos

A estatal, conhecida como NOC, propôs três instalações principais em Sarlahi: armazenamento de gás a granel, uma unidade capaz de envasar 25 mil botijões por dia e equipamentos para carregar pelo menos 100 caminhões-tanque diariamente. Em conjunto, elas mudariam a forma como o gás importado chega ao Nepal e como os suprimentos são distribuídos às 58 unidades privadas de envase e recarga do país.

Binit Mani Upadhyaya, chefe do Departamento de GLP e Aviação da NOC, afirma que o projeto recebeu aprovação em princípio na quinta reunião do Grupo de Trabalho Conjunto entre Nepal e Índia, em Nova Délhi. Em seguida, a NOC e a Indian Oil Corporation, ou IOC, formaram um comitê empresarial conjunto para dar continuidade aos trabalhos técnicos.

As estimativas preliminares apontam um investimento total de 25 bilhões a 30 bilhões de rúpias nepalesas (NPR), embora funcionários da NOC também tenham citado uma estimativa menor, de cerca de 15 bilhões de NPR, para o gasoduto e o terminal. O relatório detalhado do projeto deverá definir o projeto de engenharia e chegar a um custo mais preciso antes que os dois governos acertem o modelo de financiamento.

Para os consumidores, a principal mudança seria a criação de uma reserva pública capaz de liberar gás durante interrupções. Atualmente, o Nepal depende muito do transporte rodoviário de gás a partir de refinarias indianas e tem pouca participação direta do governo no armazenamento de GLP a granel.

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Por que atrasos nas estradas chegam às cozinhas

O Nepal importa gás de cozinha da Índia em caminhões-tanque especializados para transporte a granel, conhecidos como “bullets”. Eles levam GLP até as unidades de envase, onde o combustível é transferido para os botijões usados em residências e estabelecimentos comerciais. O GLP é armazenado na forma líquida sob pressão, o que permite acomodar uma grande quantidade de combustível em um tanque.

As entregas das refinarias indianas podem levar de três ou quatro dias até uma semana, dependendo do ponto de partida. Congestionamentos, procedimentos alfandegários, acidentes e bloqueios de rodovias podem provocar atrasos adicionais. O ciclo completo de um caminhão-tanque, incluindo a coleta e o trajeto de volta, pode levar até 17 dias.

Upadhyaya citou os danos a projetos hidrelétricos e rodovias durante o desastre de 26 de agosto em Bhotekoshi como exemplo da importância de manter reservas confiáveis de combustível. Quando estradas e infraestrutura elétrica são afetadas ao mesmo tempo, as famílias têm menos opções práticas para cozinhar.

A reserva proposta pela NOC permitiria separar o momento das importações do consumo diário imediato. O gás já armazenado em Sarlahi poderia continuar abastecendo o sistema de distribuição enquanto uma interrupção no fornecimento é resolvida. As entregas de Sarlahi às unidades de envase ainda dependeriam das estradas do Nepal.

Que proteção 50 mil toneladas ofereceriam?

Segundo os dados de abastecimento citados no planejamento do projeto, o Nepal importa cerca de 1.500 toneladas de GLP por dia. Nesse ritmo, uma reserva cheia de 50 mil toneladas representaria aproximadamente 33 dias de consumo, o que sustenta a descrição da NOC de que a instalação ofereceria cobertura para cerca de um mês.

Atualmente, as empresas privadas têm, somadas, capacidade de armazenamento de cerca de 10 mil toneladas. O terminal público proposto teria, portanto, cinco vezes essa capacidade. No mesmo ritmo de consumo diário, 10 mil toneladas representam menos de sete dias de demanda, embora os estoques reais dependam da quantidade de gás armazenada nas instalações em determinado momento.

A NOC decidiu buscar primeiro uma reserva com cobertura para cerca de 30 dias, antes de avançar para a meta de 90 dias. A estatal adquiriu o terreno em Sarlahi durante uma política governamental anterior voltada à manutenção de reservas de combustível para 90 dias.

Mais de 15 milhões de botijões domésticos, cada um projetado para conter 14,2 quilos de GLP, circulam no Nepal. A reserva abasteceria o sistema que enche esses botijões, sem exigir que as famílias trocassem seus equipamentos de cozinha.

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Por onde passaria o gasoduto

O traçado preliminar tem 130,953 quilômetros: 32,654 quilômetros no estado indiano de Bihar e 98,299 quilômetros na província nepalesa de Madhesh. Ele ligaria Motihari ao depósito planejado de Netraganj, em Sarlahi, passando pela área alfandegária de Birgunj e por Pathlaiya.

Segundo a NOC, o trajeto seguiria o corredor do gasoduto de derivados de petróleo já existente entre Motihari e Amlekhgunj até Pathlaiya, no distrito de Bara, e então continuaria para leste, em direção a Sarlahi. O trecho entre Pathlaiya e Sarlahi teria aproximadamente 60 a 62 quilômetros. Upadhyaya afirma que, nesse trecho, o traçado proposto acompanha o lado esquerdo da estrada.

Cerca de 45 quilômetros do trajeto planejado passariam por áreas florestais. Para atravessar rios e outros cursos d’água, a proposta prevê perfuração direcional horizontal. Essa técnica perfura uma passagem por baixo de um obstáculo para que o tubo seja instalado no subsolo, em vez de ser colocado sobre o leito do rio.

As premissas operacionais preliminares incluem vida útil de 25 anos e 8 mil horas de operação por ano, o equivalente a cerca de 22 horas por dia. A construção deverá levar 36 meses após o início das obras. Ainda não foram anunciados uma data para o início da construção nem um acordo final de financiamento.

Terreno garantido, engenharia ainda em definição

A NOC adquiriu 15 bighas e 6 katthas de terra nas áreas de Nawalpur e Netraganj, em Sarlahi, no ano fiscal de 2016/17, por 300,5 milhões de NPR. O terreno fica a cerca de três quilômetros da rodovia nacional, junto a uma área florestal.

A IOC avaliou se um gasoduto de oito ou de 10 polegadas seria mais adequado. A escolha do diâmetro faz parte da definição do volume de gás que a tubulação poderá transportar e de como o gasoduto, as bombas e o terminal deverão funcionar em conjunto.

A NOC forneceu um relatório de análise do solo solicitado pela IOC. Também preparou um levantamento atualizado do terreno, com coordenadas geográficas, para encaminhar à estatal indiana. Informações sobre o solo e medições precisas do local ajudam os engenheiros a decidir onde as estruturas podem ser construídas e como devem ser projetadas suas fundações.

A preparação avançou em várias etapas:

  • Ano fiscal de 2016/17: a NOC comprou o terreno em Sarlahi no âmbito da política governamental de reservas de combustível.
  • Aprovação do Grupo de Trabalho Conjunto: Nepal e Índia concordaram, em princípio, em levar adiante o projeto de GLP.
  • Preparação técnica: a IOC avaliou as dimensões do gasoduto, enquanto a NOC apresentou suas necessidades de capacidade e informações sobre o solo.
  • Próximas etapas: a IOC deverá elaborar o projeto detalhado, seguido de decisões dos governos sobre o financiamento.
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Três instalações, cada uma com uma função

A instalação de armazenamento proposta, com capacidade para 50 mil toneladas, receberia GLP pelo gasoduto e o armazenaria antes da distribuição. A unidade de envase planejada pela NOC encheria 25 mil botijões domésticos por dia. Com 14,2 quilos por botijão, isso corresponde a 355 toneladas de gás por dia.

Essa capacidade de envase equivale a cerca de um quarto das importações diárias citadas, de 1.500 toneladas. Portanto, a maior parte do gás que chegasse ao terminal ainda teria de ser transportada a granel para outras unidades de envase, em vez de sair de Sarlahi apenas em botijões domésticos.

O terceiro componente, a instalação para carregamento de caminhões-tanque, carregaria pelo menos 100 “bullets” por dia. A NOC estima que o abastecimento da rede atual de unidades de envase exige de 100 a 120 cargas de caminhões-tanque diariamente. O projeto final terá de traduzir essa necessidade em capacidade de carregamento, horas de operação e espaço para os veículos.

A NOC espera que a automação reduza o tempo necessário para carregar e despachar caminhões-tanque, inclusive os que atendem unidades que abastecem o Vale de Catmandu. A estatal também planeja comercializar botijões com sua própria marca assim que o gasoduto e o terminal entrarem em operação, ampliando sua atuação para além da importação e do armazenamento a granel.

Quem pagaria pelo projeto?

Espera-se que Nepal e Índia discutam a estrutura financeira depois que o relatório detalhado do projeto apresentar um projeto de engenharia definido e custos mais precisos. A NOC busca apoio financeiro na forma de subvenção do governo indiano, mas outras modalidades de financiamento também continuam possíveis.

A estimativa preliminar de 25 bilhões a 30 bilhões de NPR abrange o gasoduto, o armazenamento e a infraestrutura associada descrita na proposta da NOC. Também foi mencionada a cifra menor, de cerca de 15 bilhões de NPR, para o gasoduto e o terminal. Ambas continuam sendo estimativas de planejamento; o relatório detalhado deverá esclarecer o escopo e o orçamento finais.

Outro cálculo citado por funcionários da estatal atribui cerca de 12 bilhões de NPR apenas ao gasoduto e projeta uma economia anual de 6 bilhões a 7 bilhões de NPR em frete. Com base nisso, funcionários sugeriram que a economia poderia equivaler ao custo de construção do gasoduto em cerca de dois anos.

Para o projeto como um todo, o cálculo financeiro também terá de incluir a operação do gasoduto, a manutenção do terminal, o financiamento da construção e o transporte do gás dentro do Nepal. Esses custos determinarão quanto da economia com o frete de importação evitado se traduzirá em redução duradoura de gastos.

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Gastos com transporte poderiam ser transferidos para o Nepal

A NOC estima que atualmente gasta cerca de 6 bilhões de NPR por ano com o transporte de GLP. Um gasoduto substituiria boa parte do longo trajeto rodoviário entre os pontos de abastecimento na Índia e o Nepal por entregas diretas a Sarlahi.

Cerca de 600 a 700 caminhões-tanque registrados na Índia atendem ao comércio de GLP do Nepal. O porta-voz da NOC, Manoj Thakur, afirma que caminhões-tanque registrados no Nepal fariam a distribuição do terminal de Sarlahi às unidades de envase em todo o país.

Essa mudança poderia direcionar parte dos pagamentos pelo transporte a proprietários de veículos, motoristas, empresas de manutenção e credores nepaleses. A NOC espera gerar empregos diretos e indiretos, embora não tenha divulgado uma estimativa do número de vagas.

A distribuição interna continuaria sendo uma tarefa significativa. Os caminhões-tanque ainda precisariam retirar o gás em Sarlahi e chegar às unidades espalhadas pelo Nepal. A proposta mudaria o ponto de partida dessas viagens e quais empresas poderiam realizá-las, mantendo a rede de unidades de envase do país.

O que as famílias podem esperar agora

Deepak Kumar Sah, ministro da Indústria, Comércio e Abastecimento, instruiu a NOC a tratar o projeto como prioridade urgente e acompanhar seu andamento. O trabalho imediato continua sendo técnico: concluir a troca de informações sobre o terreno, desenvolver o projeto e estabelecer um custo confiável.

Esperava-se que a IOC apresentasse uma avaliação técnica em até duas semanas após receber um envio recente de informações. Como esse envio não tem uma data específica associada, o próximo marco concreto é a entrega do relatório técnico, seguida de conversas entre os governos sobre o financiamento.

As famílias seriam beneficiadas diretamente pela disponibilidade de gás armazenado quando as importações fossem interrompidas. A reserva poderia dar às autoridades e aos distribuidores tempo para reagir antes que um atraso no transporte se transformasse em uma escassez generalizada.

A proposta também atribui uma nova responsabilidade à NOC: manter a reserva abastecida e coordenar sua liberação por meio das unidades de envase e dos caminhões-tanque. O benefício para as famílias dependerá do funcionamento de toda a cadeia, desde a chegada do gasoduto a Sarlahi até o botijão chegar a um revendedor local.

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Principais pontos

  • A NOC propõe um gasoduto de GLP de cerca de 131 quilômetros, de Motihari a Sarlahi, e armazenamento para 50 mil toneladas.
  • Ao ritmo de importação citado, de 1.500 toneladas por dia, a reserva cobriria cerca de um mês de demanda.
  • A proposta para o terminal inclui o envase de 25 mil botijões e o carregamento de pelo menos 100 caminhões-tanque por dia.
  • As estimativas preliminares de custo variam de cerca de 15 bilhões a 30 bilhões de NPR, e dependem da conclusão do projeto e do orçamento detalhados.
  • A NOC busca apoio financeiro do governo indiano na forma de subvenção, mas o financiamento ainda precisa ser acordado entre os governos.
  • A construção deverá levar 36 meses após o início das obras, cuja data ainda não foi anunciada.
  • Espera-se que caminhões-tanque registrados no Nepal distribuam o gás de Sarlahi às unidades de envase em todo o país.
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