A escassez de gás de cozinha em Katmandu expõe falhas entre as importações e o abastecimento doméstico

11 min de leitura
Kathmandu Cooking Gas Shortages Expose Gaps Between Imports and Household Supply

O gás chega ao Nepal, mas famílias ainda têm dificuldade para conseguir recargas

Moradores de Katmandu têm enfrentado dificuldades para conseguir gás de cozinha, apesar das garantias de que os carregamentos estão entrando no Nepal e chegando à capital. Durante a interrupção no feriado de Dashain, Keshav Joshi, de Gothatar, disse que passou uma semana tentando conseguir um botijão, sem receber dos revendedores locais uma data clara para a entrega. Manish Khadayat, de Chandragiri, afirmou que não conseguia comprar gás desde o início do Dashain e estava dependendo de refeições de restaurantes.

Conteúdo
  1. O gás chega ao Nepal, mas famílias ainda têm dificuldade para conseguir recargas
  2. Fechamentos durante o feriado interromperam as etapas finais do abastecimento
  3. O que mostram os dados de fevereiro
  4. Manutenção de refinarias e problemas entre marcas aumentaram a pressão
  5. Seis centros ofereceram um esquema limitado de troca
  6. Distribuição emergencial e controle das compras extras
  7. Uma ampla rede de botijões ainda depende de um fluxo constante
  8. As datas por trás das interrupções recorrentes
  9. Principais pontos

A Nepal Oil Corporation (NOC) afirmou que o transporte de gás a granel para a capital continuava e que o abastecimento atendia à demanda. Os revendedores de gás atribuíram a escassez durante o feriado ao fechamento temporário das unidades de envase, as fábricas que transferem o gás liquefeito de petróleo, ou GLP, de grandes caminhões-tanque para os botijões usados nas cozinhas.

Dados de uma avaliação separada, realizada em fevereiro, mostram a dimensão do desafio de distribuição. A NOC afirmou que mais de 45.000 botijões estavam sendo fornecidos diariamente ao Vale de Katmandu, diante de um consumo habitual de 40.000 a 45.000. Mesmo nesse nível, algumas famílias ainda esperavam por recargas.

A interrupção no feriado e a escassez de fevereiro envolveram vários pontos de pressão: fechamento de fábricas, manutenção de refinarias na Índia, documentação de transporte, dificuldades para trocar botijões entre marcas e compras de botijões extras. Para os moradores, a questão prática era saber se um revendedor próximo tinha um botijão cheio que eles pudessem levar para casa.

Fechamentos durante o feriado interromperam as etapas finais do abastecimento

Gyaneshwar Aryal, presidente da Federação de Revendedores de Gás, disse que a maioria das indústrias de gás parou de operar por volta do Phulpati, um dia importante do Dashain. As unidades começaram a reabrir no domingo, e ele esperava que a distribuição voltasse ao normal em poucos dias.

Antes de chegar a uma residência, o gás passa por várias etapas. O GLP a granel chega em grandes caminhões-tanque, comumente chamados de caminhões-bala de gás. As unidades de envase enchem os botijões, que depois seguem pelos revendedores até os consumidores. Uma pausa na etapa de envase pode deixar as lojas sem estoque mesmo enquanto os caminhões-tanque continuam chegando.

Publicidade

A semana sem recarga de Joshi e a dependência de refeições prontas por Khadayat mostram o custo imediato dessa interrupção. As famílias precisam gastar tempo procurando gás ou encontrar outra maneira de cozinhar. A experiência de Khadayat também mostra como uma escassez pode deslocar os gastos domésticos para refeições compradas fora de casa.

A expectativa de Aryal de que a situação melhorasse dependia da reabertura das fábricas e da chegada de botijões cheios aos revendedores. Durante a interrupção de fevereiro, os envasadores também alertaram que levaria tempo para restabelecer o abastecimento das lojas, mesmo após o aumento das entregas.

O que mostram os dados de fevereiro

Manoj Kumar Thakur, diretor-adjunto da NOC, disse que a distribuição havia voltado ao normal na maior parte do Vale durante a avaliação de fevereiro, embora algumas áreas ainda enfrentassem atrasos. Ele esperava que o abastecimento se normalizasse por completo em uma semana.

A NOC afirmou que cerca de 100 caminhões-tanque de gás a granel estavam recebendo liberação alfandegária e entrando no Nepal por pontos da fronteira sul. Vinte e três envasadores abasteciam o Vale, e a maioria estava nos distritos de Dhading e Chitwan.

A estatal informou que as entregas diárias ultrapassavam 45.000 botijões. Em comparação com o limite inferior do consumo habitual, 40.000 botijões, isso representava mais de 5.000 botijões adicionais por dia. Em relação ao limite superior, 45.000, a margem extra era menor. Essas entregas adicionais também precisavam atender aos clientes cujas compras haviam sido adiadas.

A NOC informou que havia recebido 26.000 toneladas de GLP até 15 de fevereiro, diante de uma cota mensal de 45.000 toneladas. Isso correspondia a cerca de 58% da cota até aquela data. A cota mede a quantidade alocada para o mês, enquanto o volume recebido registra quanto havia chegado até a data informada.

Diwan Bahadur Chand, presidente da Associação Nepalesa de GLP, disse que os clientes ainda poderiam esperar um ou dois dias por uma recarga. Ele descreveu a recuperação esperada em termos de acesso às compras do dia a dia:

Pode levar cerca de uma semana até que os clientes consigam um botijão sempre que forem às lojas próximas", disse Chand. "O abastecimento está melhorando dia após dia.

Manutenção de refinarias e problemas entre marcas aumentaram a pressão

Representantes do setor atribuíram a interrupção do abastecimento em fevereiro à manutenção da refinaria indiana de Barauni durante novembro e dezembro. O fornecimento foi temporariamente transferido para outra refinaria, o que criou dificuldades de transporte, incluindo atrasos na obtenção de autorizações.

Publicidade

A mudança de refinaria pode exigir alterações nas rotas dos caminhões-tanque e na documentação que os autoriza. Representantes do setor disseram que esses atrasos interromperam a cadeia regular de abastecimento, aumentando a pressão antes de os botijões chegarem à rede varejista do Nepal.

A Nepal Gas, descrita como a marca com a maior base de consumidores do país, foi uma das primeiras afetadas. A interrupção relacionada à refinaria e conflitos internos na empresa afetaram sua rede de distribuição. Os clientes que procuravam essa marca aumentaram a demanda por outras.

A questão das marcas é importante porque um botijão vazio é um recipiente que precisa retornar ao sistema de envase e distribuição. Clientes relataram dificuldades para trocar o botijão de uma empresa pelo botijão cheio de outra. Assim, o gás disponível sob outra marca podia continuar fora do alcance de uma família que tivesse um botijão vazio.

Seis centros ofereceram um esquema limitado de troca

A Associação das Indústrias de GLP do Nepal anunciou um programa especial de venda e troca de botijões de 25 a 31 de Ashoj, com atendimento diário das 9h30 às 16h30. O esquema abrangia seis locais no Vale de Katmandu e foi organizado com a coordenação da NOC e a colaboração da Federação de Revendedores de Gás.

O presidente da associação, Diwan Chand, disse que o programa respondeu a reclamações de que os consumidores não conseguiam obter gás com facilidade durante o período festivo nem trocar botijões entre marcas. Os locais e as marcas atendidas eram:

  • Sifalchaur, na Gas and Oxygen Traders: Everest e Sugam Gas.
  • Pepsicola: Sagar Gas.
  • Do lado de fora do portão da Área Industrial de Balaju: Nepal, HP, Geeta, Rajdhani e Triveni Gas.
  • Sukedhara: Baba e Shree Gas.
  • Kalanki: Sai Baba e Shree Krishna Gas.
  • Harisiddhi, em Lalitpur: Shree Ram Gas.

O esquema de troca se aplicava apenas aos botijões pertencentes às indústrias associadas que abasteciam o Vale e somente nos centros designados. Os clientes ainda precisavam verificar se seus botijões eram aceitos.

A associação informou que 4.213.661 botijões haviam sido vendidos e distribuídos durante Bhadra. Também afirmou que as importações das refinarias indianas estavam fluindo normalmente quando anunciou o programa festivo. Os centros especiais facilitaram o acesso ao gás disponível, inclusive para clientes vinculados a uma marca específica.

Publicidade

Distribuição emergencial e controle das compras extras

Durante a escassez de fevereiro, os envasadores montaram um depósito temporário no escritório da NOC em Teku. Nepal Gas, Everest Gas e Sugam Gas estavam entre as principais marcas distribuídas ali para reduzir a pressão sobre os pontos de venda. Thakur disse que menos consumidores estavam se concentrando no escritório à medida que o abastecimento melhorava.

A NOC também publicou um aviso com números de contato das marcas que recebiam reclamações, incluindo Nepal Gas, Everest Gas, Sai Baba Gas e Shree Krishna Gas. Orientou os consumidores que tivessem problemas nas lojas a entrar em contato diretamente com as empresas ou comprar botijões nas fábricas.

Thakur relacionou a recuperação à redução das compras de botijões extras. O diretor-adjunto da NOC pediu aos consumidores que evitassem acumular estoques:

O abastecimento de gás de cozinha está se normalizando, portanto não há necessidade de os consumidores estocarem botijões", disse Thakur. "Quando os consumidores deixarem de estocar, o sistema de distribuição funcionará sem problemas.

A NOC orientou os envasadores a impedir que os revendedores fornecessem dois botijões a um único cliente, evitar a criação de escassez artificial e distribuir de acordo com a necessidade. A estatal afirmou que hotéis e restaurantes pareciam ter acumulado botijões, embora não tivesse recebido relatos de grandes estabelecimentos fechando por falta de gás.

O Departamento de Comércio, Abastecimento e Proteção do Consumidor formou uma equipe de fiscalização do mercado após reclamações de ativistas dos direitos do consumidor. A tarefa era monitorar a distribuição em todo o Vale enquanto famílias continuavam relatando dificuldades para encontrar recargas.

Uma ampla rede de botijões ainda depende de um fluxo constante

A NOC informou que mais de 10 milhões de botijões de GLP estavam em circulação no país. Sua estimativa aproximada apontava cerca de 3 milhões nas mãos dos consumidores, 3 milhões nas unidades de envase aguardando recarga e outros 3 milhões na cadeia de distribuição. As categorias arredondadas totalizavam cerca de 9 milhões de botijões.

A estatal estimou que seriam necessárias aproximadamente 45.000 toneladas de GLP por mês para encher 3 milhões de botijões. Manter essa rede em funcionamento exige que os botijões vazios retornem, as fábricas os encham e os revendedores recebam reposições em ritmo compatível com as compras das famílias.

Katmandu também enfrentou interrupções em etapas anteriores da cadeia de abastecimento. Inundações em Bhote Koshi, em Rasuwa, bloquearam importantes rotas de fornecimento durante uma crise grave anterior. Gauri Kumari Yadav, então ministra da Indústria, do Comércio e do Abastecimento, renunciou após aquela crise. O ministério agora é chefiado por Deepak Kumar Shah.

Publicidade

O ministério está trabalhando em uma proposta para classificar os botijões como destinados ao uso doméstico ou comercial, e um grupo de trabalho foi criado para estudá-la. Essas categorias separariam as necessidades das residências das de empresas como hotéis e restaurantes. Nenhuma data de implementação ou regra detalhada foi anunciada.

As datas por trás das interrupções recorrentes

As datas mencionadas se referem a diferentes episódios de pressão sobre o abastecimento. Os fechamentos durante o feriado afetaram as operações das fábricas, o programa especial de troca buscou facilitar o acesso durante as festividades e a avaliação de fevereiro descreveu a recuperação após problemas em refinarias e na distribuição.

  • Bhadra: A associação do setor registrou a venda e distribuição de 4.213.661 botijões.
  • Por volta do Phulpati, durante o Dashain: A maioria das indústrias de gás interrompeu temporariamente as operações, segundo a Federação de Revendedores de Gás.
  • De 25 a 31 de Ashoj: Seis centros do Vale foram designados para oferecer vendas especiais e trocas de botijões elegíveis.
  • Novembro e dezembro: Representantes do setor disseram que a manutenção da refinaria de Barauni interrompeu os arranjos regulares de abastecimento.
  • 15 de fevereiro: A NOC registrou o recebimento de 26.000 toneladas diante de uma cota mensal de GLP de 45.000 toneladas.

As estimativas de recuperação eram expressas em dias: Aryal esperava uma melhora após a reabertura das fábricas, enquanto Thakur e Chand previam que a escassez de fevereiro seria totalmente superada em cerca de uma semana. Para as famílias, a recuperação significava poder trocar um botijão vazio em uma loja próxima sem precisar fazer várias viagens nem enfrentar uma espera incerta.

Principais pontos

  • Moradores de Gothatar e Chandragiri relataram dificuldade para obter gás de cozinha durante a interrupção no Dashain.
  • Os revendedores relacionaram a escassez no feriado ao fechamento das unidades de envase, enquanto a NOC afirmou que o transporte de gás a granel continuava.
  • Durante uma avaliação separada, em fevereiro, a NOC informou que as entregas diárias ultrapassavam 45.000 botijões, diante de uma demanda habitual de 40.000 a 45.000 no Vale.
  • Representantes do setor relacionaram aquela interrupção à manutenção da refinaria de Barauni e aos atrasos nas autorizações de transporte.
  • Um programa festivo designou seis centros para vendas e trocas limitadas entre marcas de botijão.
  • As autoridades implementaram distribuição emergencial, fiscalização do mercado e restrições às compras de vários botijões.
  • Um grupo de trabalho está estudando classificações separadas para botijões de uso doméstico e comercial.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar