Lançador de mísseis chega à posição em menos de dois minutos
O Japão demonstrou seu novo lançador de mísseis antinavio Tipo 25 fora de sua base pela primeira vez em 25 de outubro de 2026, levando uma arma com alcance estimado de cerca de 1.000 quilômetros para o exercício militar Keen Sword, realizado com os Estados Unidos.
Conteúdo
- Lançador de mísseis chega à posição em menos de dois minutos
- O que os soldados treinaram em Onohara
- Qual é o alcance do Tipo 25?
- Exercício em todo o país com foco no sudoeste
- Quando o Japão diz que poderá realizar contra-ataques
- O cronograma de desdobramentos vai além de Kumamoto
- Moradores querem respostas sobre o risco de se tornarem alvos
- O deslocamento do míssil também amplia o debate público
- Localização de alvos e continuidade das operações
- Principais pontos
Na Área de Manobras de Onohara, que abrange as províncias de Nagasaki e Saga, cerca de 10 soldados do Campo Kengun, das Forças Terrestres de Autodefesa, posicionaram um único lançador e verificaram os preparativos para um ataque simulado contra um navio inimigo. O veículo chegou à posição em menos de dois minutos e ficou voltado para o sudoeste. Não transportava mísseis reais, e nenhum foi disparado.
A demonstração reuniu dois elementos centrais da política de defesa em transformação do Japão: armas capazes de atingir alvos muito mais distantes que os sistemas anteriores e a capacidade de deslocá-las para longe de bases permanentes quando necessário. O treinamento de identificação de alvos também usou informações coletadas pelo Japão e pelos Estados Unidos, mostrando que a cooperação vai além do próprio lançador.
Moradores próximos à base em Kumamoto e à área do exercício manifestaram outra preocupação: se abrigar ou receber essas armas poderia transformar suas comunidades em alvos. Alguns pediram explicações diretas sobre os riscos, em vez de apenas demonstrações de equipamentos ou breves comunicados públicos.
O Ministério da Defesa planeja novos desdobramentos enquanto o Japão desenvolve a capacidade de contra-ataque prevista em sua Estratégia de Segurança Nacional de 2022. O exercício de outubro mostrou o trabalho prático envolvido: deslocar soldados e veículos, localizar um alvo, preparar o disparo e coordenar informações entre duas forças armadas.
O que os soldados treinaram em Onohara
Soldados do 5º Regimento de Mísseis Superfície-Marinha trouxeram o Tipo 25 do Campo Kengun, em Kumamoto, onde o sistema está estacionado desde 31 de março. O regimento integra a 2ª Brigada de Artilharia das Forças Terrestres de Autodefesa.
O lançador foi apresentado a jornalistas por volta das 9h20, sob chuva. Três soldados saíram de um veículo de escolta e protegeram a área antes de o lançador avançar até a posição. Em seguida, a equipe virou o conjunto de lançamento na direção do alvo simulado e verificou as etapas necessárias para deixá-lo pronto para disparar.
O porta-voz do Estado-Maior Conjunto do Japão, comandante Atsushi Kubo, disse que a demonstração envolveu um único lançador e foi realizada exclusivamente por forças japonesas. Não estava previsto que militares americanos observassem o sistema durante o exercício. Ainda assim, Japão e Estados Unidos treinaram a identificação da localização de navios usando informações coletadas pelos dois países.
Kubo explicou por que deslocar o equipamento é tão importante quanto possuí-lo:
A simples instalação do equipamento não garante imediatamente que ele possa atingir todo o seu potencial.
O exercício, portanto, testou um aspecto prático da prontidão: se uma unidade conseguiria sair da base, chegar ao local necessário e preparar o equipamento para uma missão.
Qual é o alcance do Tipo 25?
A Mitsubishi Heavy Industries fabrica o Tipo 25, uma versão aprimorada do míssil antinavio Tipo 12 do Japão. Seu veículo transporta quatro tubos de lançamento e mede aproximadamente 11 metros de comprimento e mais de 2,4 metros de largura.
O alcance divulgado do Tipo 25 é de cerca de 1.000 quilômetros, em comparação com aproximadamente 200 quilômetros do Tipo 12 anterior. Essas estimativas indicam que o alcance da nova arma é cerca de cinco vezes maior que o de sua antecessora. Algumas estimativas apontam que o alcance do Tipo 25 supera 1.000 quilômetros.
O tenente-coronel Tomoyuki Obata, porta-voz do Exército Ocidental das Forças Terrestres de Autodefesa, apontou o alcance como a principal mudança:
A maior diferença em relação ao Tipo 12 é o alcance.
Obata não quis divulgar um número exato, pois isso revelaria as capacidades defensivas do Japão. Dependendo do local de lançamento, o míssil poderia alcançar partes da costa leste da China e da Coreia do Norte. As armas de longo alcance permitem que as forças ataquem à distância, reduzindo a necessidade de se aproximar das armas do adversário.
Exercício em todo o país com foco no sudoeste
A Keen Sword 27 começou em 19 de outubro e estava programada para terminar em 29 de outubro. O exercício reuniu cerca de 45 mil militares japoneses e 12 mil americanos, além de forças de outros sete países, incluindo Austrália e Canadá.
As atividades se estenderam por 33 províncias e utilizaram sete aeroportos e 12 portos marítimos, além de instalações das Forças de Autodefesa. A defesa antimíssil e os exercícios de desembarque estiveram entre as atividades do que foi descrito como o maior exercício do tipo.
As ilhas Nansei, que se estendem a sudoeste de Kyushu em direção a Taiwan, receberam atenção especial. Os Estados Unidos enviariam um sistema avançado de mísseis antinavio para Yonaguni, uma ilha de Okinawa situada a cerca de 110 quilômetros de Taiwan.
O Japão também havia considerado levar o Tipo 25 às ilhas Sakishima, em Okinawa, durante o exercício, mas abandonou a proposta. O primeiro deslocamento para fora do Campo Kengun ocorreu, em vez disso, em Onohara, na ilha de Kyushu.
Atividades militares recentes da China deram contexto ao treinamento. Em 14 de outubro, o Japão mobilizou caças depois que aeronaves chinesas decolaram do porta-aviões Liaoning a cerca de 250 quilômetros ao sul da ilha de Ishigaki. Navios japoneses e aeronaves de patrulha monitoraram o grupo do porta-aviões quando ele passou entre Okinawa e a ilha de Miyako em direção ao Pacífico. Pequim classificou as operações como treinamento de rotina.
Quando o Japão diz que poderá realizar contra-ataques
A Estratégia de Segurança Nacional do Japão de 2022 estabeleceu a decisão de adquirir capacidades de contra-ataque. O governo prevê utilizá-las depois do início de um ataque armado, inclusive com ataques a instalações de lançamento de mísseis em território de outro país para impedir novos ataques.
O momento da ação é central para a política. Segundo a explicação do governo, o Japão poderia agir assim que determinasse que um inimigo iniciou um ataque, mesmo antes de o país sofrer danos físicos. Críticos temem que um erro ao avaliar se um ataque começou possa levar a um ataque preventivo ilegal.
O cenário de 25 de outubro envolveu um navio inimigo. A política mais ampla de contra-ataque também abrange ameaças como bases de lançamento de mísseis. Para quem toma decisões, ambas exigem informações confiáveis sobre o que é o alvo, onde está e o que está fazendo.
O chefe do Estado-Maior das Forças Terrestres de Autodefesa, general Masayoshi Arai, disse em 20 de outubro que é urgente desenvolver armas capazes de atingir navios que se aproximam e forças de desembarque à distância. Ele descreveu o ambiente de segurança do Japão como o mais grave e complexo desde a Segunda Guerra Mundial. O governo argumenta que a capacidade de responder poderia dissuadir um adversário de atacar.
O cronograma de desdobramentos vai além de Kumamoto
O Escritório de Defesa de Kyushu, do Ministério da Defesa, mantém uma página sobre o desdobramento no Campo Kengun com explicações sobre defesa de longo alcance, perguntas e respostas sobre o desdobramento e avisos sobre demonstrações de equipamentos. As publicações datadas mostram a transição da terminologia de desenvolvimento para o nome Tipo 25.
Os registros públicos e os planos de desdobramento estabelecem vários marcos:
- 29 de agosto de 2025: o escritório listou materiais sobre a aceleração do desenvolvimento nacional de mísseis de longo alcance e explicações sobre defesa de longo alcance.
- 1º de setembro de 2025: foram listadas perguntas e respostas sobre o desdobramento planejado no Campo Kengun.
- 31 de março de 2026: foram publicados materiais sobre a conclusão do desenvolvimento e a nomeação do Tipo 12 aprimorado, lançado por terra, e da arma planadora para defesa das ilhas. O título da página foi alterado para mencionar o Tipo 25.
- De 19 a 29 de outubro de 2026: a Keen Sword 27 serviu de contexto para o primeiro desdobramento do Tipo 25 para fora de sua base.
- Ano fiscal de 2026: o ministério planeja novos desdobramentos do Tipo 25 no Campo Kengun e da arma planadora hipersônica Tipo 25 em Kamifurano, em Hokkaido, e Ebino, em Miyazaki.
- Ano fiscal de 2027: os planos incluem o desdobramento do Tipo 25 no Campo Fuji, em Shizuoka, e o início de operações com mísseis relacionados lançados de navios e caças.
O ano fiscal japonês vai de abril a março. Assim, o ano fiscal de 2026 termina em março de 2027, enquanto o de 2027 termina em março de 2028.
A arma planadora segue uma trajetória de voo diferente da do míssil superfície-mar. A intenção é que voe em grande altitude, acima da velocidade do som, e seja difícil de interceptar, com alcance estimado em várias centenas de quilômetros. Também foi informado que o desdobramento dessa arma no Campo Fuji ocorreu no fim de março.
Moradores querem respostas sobre o risco de se tornarem alvos
Kenji Kido, que lidera um conselho formado por associações de bairro e outros grupos próximos ao Campo Kengun, manifestou preocupação de que a base possa se tornar um alvo durante um conflito. A preocupação é especialmente imediata para quem mora perto da instalação.
O ministério realizou demonstrações de equipamentos para moradores, incluindo lançadores e veículos de transporte de munição. A primeira demonstração para moradores foi datada tanto de 3 quanto de 24 de outubro; o registro de participação de 3 de outubro contabiliza 220 pessoas em três sessões, após 270 terem se inscrito. O registro também descreve demonstrações de veículos de controle de tiro e de comando, com explicações de integrantes do 5º Regimento de Mísseis Superfície-Marinha.
Uma exposição planejada para agosto foi adiada após um grande terremoto em Kumamoto, em julho. A página oficial do escritório registra um aviso de adiamento em 10 de agosto e uma publicação de 9 de outubro sobre a realização de uma exposição de equipamentos.
Seishi Taguchi, morador de 77 anos que compareceu com a esposa, pediu que continuem sendo oferecidas oportunidades para ver os equipamentos e conhecer seus riscos:
Há coisas que não se consegue entender sem ver. Espero que os moradores continuem tendo oportunidades para conhecer os equipamentos, além de receber explicações sobre eles, inclusive sobre os possíveis riscos.
Akihiko Nishiguchi, morador de 72 anos, descreveu o sistema como um equipamento impressionante. O governador de Kumamoto, Takashi Kimura, que viu parte do sistema antes de seu desdobramento em março, havia solicitado diferentes explicações para os moradores.
O deslocamento do míssil também amplia o debate público
Moradores próximos a Onohara questionaram a falta de uma reunião informativa prévia para a comunidade. Em Tano Urago, povoado a oeste da área de treinamento, em Higashisonogi, a associação de bairro contabilizou pouco mais de uma dúzia de domicílios.
No fim de setembro, a cidade de Higashisonogi enviou um aviso por meio de seu aplicativo de informações sobre desastres dizendo que o exercício não usaria munição real. Alguns moradores queriam explicações mais completas do governo central sobre a presença do novo míssil.
O prefeito de Ishigaki, Yoshitaka Nakayama, se opôs ao desdobramento de mísseis de longo alcance ou à realização de treinamentos com eles na ilha, devido à proximidade com a China. Em 22 de outubro, ele disse que não havia necessidade de realizar o treinamento em Ishigaki.
Ken Jimbo, professor de segurança da Universidade Keio, afirmou que treinar o deslocamento para diferentes locais é essencial para operar os mísseis. Ele também defendeu explicações cuidadosas sobre a necessidade dos equipamentos para a segurança do Japão, para que as comunidades possam compreender os argumentos do governo.
Para os militares, a mobilidade amplia as opções de posicionamento de um lançador. Para as autoridades locais, ela cria a necessidade de discutir exercícios até mesmo em lugares onde a arma não fica permanentemente instalada.
Localização de alvos e continuidade das operações
O maior alcance dos mísseis japoneses torna cada vez mais importante identificar os alvos com precisão. Um navio ou lançador móvel de mísseis pode se deslocar entre o momento em que é detectado e aquele em que uma arma o alcança. As forças precisam de atualizações frequentes para continuar acompanhando o alvo pretendido.
O governo planeja ampliar constelações de satélites, grupos de pequenos satélites operados em conjunto, para melhorar esse rastreamento. Autoridades de defesa também esperam que informações das Forças Armadas americanas apoiem as operações do Tipo 25, tornando a cooperação em inteligência uma parte contínua dessa capacidade.
Os estoques de munição impõem outra limitação prática. O Japão começou a desdobrar armas de maior alcance, mas seus estoques ainda são insuficientes para combates prolongados. O governo está comprando sistemas estrangeiros, incluindo mísseis de cruzeiro Tomahawk americanos, ao mesmo tempo que apoia o aumento da produção nacional.
O contratorpedeiro Aegis Chokai adquiriu a capacidade de lançar Tomahawks em agosto e retornou a Sasebo. O Japão também planeja introduzir drones de baixo custo para ataques a longas distâncias, inspirando-se no uso combinado de mísseis e drones mais baratos pela Rússia em sua invasão da Ucrânia.
O exercício de 25 de outubro destacou essas exigências. Um lançador precisa ser capaz de se deslocar, receber informações úteis sobre alvos e se preparar para disparar. Uma operação prolongada também exigiria munição suficiente e uma rede de produção e abastecimento capaz de repor os estoques.
Principais pontos
- O Japão demonstrou publicamente, em 25 de outubro, o primeiro desdobramento do Tipo 25 para fora do Campo Kengun, na Área de Manobras de Onohara.
- Cerca de 10 soldados japoneses treinaram os preparativos para o lançamento com um lançador. Nenhum míssil real foi transportado ou disparado.
- O alcance estimado do míssil é de cerca de 1.000 quilômetros, aproximadamente cinco vezes o alcance divulgado do Tipo 12 anterior.
- A Keen Sword 27 estava programada para ocorrer de 19 a 29 de outubro, com cerca de 57 mil militares japoneses e americanos e a participação de outros sete países.
- Há planos de novos desdobramentos de mísseis até o ano fiscal de 2027, além de melhorias na identificação de alvos, nos estoques de munição e na produção nacional.
- Moradores próximos a bases e áreas de treinamento pediram explicações mais completas sobre a segurança e o risco de se tornarem alvos.






