Cinco novas usinas ancoram uma grande expansão da geração de eletricidade
Singapura planeja investir até S$ 5,3 bilhões em sua rede elétrica e colocar em operação cinco novas usinas a gás natural, enquanto a demanda de pico por eletricidade pode passar de 8,6 gigawatts (GW) em agosto de 2026 para até 13 GW em 2031.
Conteúdo
- Cinco novas usinas ancoram uma grande expansão da geração de eletricidade
- A geração a gás crescerá enquanto fontes mais limpas se desenvolvem
- Um segundo terminal de GNL ampliará a capacidade de processamento de combustível
- Mais cabos e subestações levarão eletricidade aos consumidores
- Metas solares aumentam, mas o espaço continua limitado
- O armazenamento ajudará a administrar mudanças repentinas na oferta
- Importações regionais dependem de cabos, aprovações e compradores
- Interrupções no fornecimento tornam a expansão ainda mais urgente
- Financiamento para pesquisa explora opções além do sistema atual
- As datas que orientam a expansão elétrica de Singapura
- Principais pontos
A Autoridade do Mercado de Energia (EMA, na sigla em inglês) apresentou seu plano de infraestrutura energética para cinco anos em 26 de outubro de 2026. O plano abrange geração de energia, abastecimento de gás, cabos elétricos, painéis solares, armazenamento de energia e conexões para importação de eletricidade. O programa combina obras previstas para esta década com estudos de projetos maiores, incluindo um possível polo energético em Pulau Tekong.
A EMA projeta uma demanda de pico entre 9,9 GW e 13 GW até 2031. Em comparação com os 8,6 GW de agosto, isso representa um aumento de cerca de 15% a 51%. A ampla faixa reflete a incerteza sobre quando fábricas de semicondutores, centros de dados e infraestrutura de transporte elétrico começarão a consumir mais energia.
A demanda de pico é a maior quantidade de eletricidade de que os consumidores precisam ao mesmo tempo. Singapura precisa tanto de capacidade de geração suficiente quanto de uma rede capaz de levar essa eletricidade aos locais onde ela será usada.
Tan See Leng, ministro da Energia, Comércio e Indústria (Energia e Indústria), apresentou o programa durante a Semana Internacional de Energia de Singapura, no Marina Bay Sands. Ele vinculou a rapidez da expansão da oferta de eletricidade à capacidade de Singapura de atrair investimentos:
Nossa capacidade de ampliar a geração e a capacidade da rede para atender a essas necessidades será cada vez mais importante. Em termos simples, o megawatt disponibilizado mais rapidamente será o megawatt vencedor.
Para empresas que planejam construir fábricas ou instalações de computação, a questão prática é se haverá eletricidade disponível quando suas operações estiverem prontas. As residências também dependerão da expansão da rede à medida que mais veículos e outras atividades passarem a usar eletricidade.
A geração a gás crescerá enquanto fontes mais limpas se desenvolvem
Cinco novas usinas a gás natural devem entrar em operação entre 2026 e 2031. Segundo a EMA, elas ampliarão em cerca de 26% a capacidade de geração de eletricidade de Singapura, atualmente em aproximadamente 12 GW. Com base nesses números, os acréscimos somam cerca de 3,1 GW, elevando a capacidade para aproximadamente 15,1 GW.
Os sistemas elétricos precisam ter capacidade de geração superior à demanda de pico para acomodar manutenções, interrupções inesperadas e mudanças nas condições operacionais. A previsão de demanda de Singapura também exige que os planejadores se preparem para ritmos de crescimento muito diferentes.
A EMA está avaliando outro grupo de propostas apresentadas em resposta a uma solicitação que se encerrou em setembro de 2026. A previsão é que essas usinas adicionais entrem em operação até 2032. A agência buscará novas propostas ao longo dos próximos cinco anos se a demanda por eletricidade continuar crescendo rapidamente.
Tan afirmou que o governo estava preparado para apoiar a entrada em operação de usinas adicionais e, quando necessário, intervir para garantir capacidade suficiente para novos investimentos econômicos.
Atualmente, o gás natural fornece cerca de 95% da eletricidade de Singapura. O plano, portanto, amplia a fonte de combustível que abastece a maior parte do consumo atual de eletricidade, ao mesmo tempo que desenvolve a energia solar, as importações regionais e outras opções com menores emissões de carbono.
Um segundo terminal de GNL ampliará a capacidade de processamento de combustível
O segundo terminal de gás natural liquefeito (GNL) de Singapura, no Porto de Jurong, deve entrar em operação até 2030. Ele elevará a capacidade anual de regaseificação de GNL de 10 milhões para 15 milhões de toneladas, um aumento de 50%.
O GNL é o gás natural resfriado até se tornar líquido para ser transportado por navio. A regaseificação o transforma novamente em gás para que possa seguir por gasodutos até os consumidores, como as usinas. A capacidade do terminal e a capacidade de geração têm funções diferentes: uma processa o combustível, enquanto a outra produz eletricidade.
As autoridades também estudam a ampliação do primeiro terminal de GNL, na Ilha de Jurong, e a expansão da rede de transmissão de gás natural. Juntos, esses projetos abasteceriam tanto as usinas existentes quanto as novas.
Pulau Tekong poderia receber outro polo energético, possivelmente com mais um terminal de GNL, usinas projetadas para usar hidrogênio e outras tecnologias com menores emissões de carbono. Instalações para importação de eletricidade também estão sendo avaliadas como parte do possível papel da ilha. O polo ainda está em fase de estudo de viabilidade.
Mais cabos e subestações levarão eletricidade aos consumidores
O investimento projetado de Singapura na rede elétrica, de até S$ 5,3 bilhões entre 2025 e 2029, é 11 vezes maior que o dos cinco anos anteriores. A expansão atende a uma necessidade prática: ampliar a geração só é útil quando cabos e subestações conseguem levar a eletricidade aos consumidores.
Até 2031, estão previstas sete novas subestações de transmissão, em comparação com as quatro construídas nos cinco anos anteriores. As subestações conectam partes da rede e ajustam a tensão para que a eletricidade possa ser transmitida com eficiência e depois fornecida aos consumidores em níveis adequados.
A rede de cabos de transmissão de alta tensão crescerá de cerca de 7.700 quilômetros para aproximadamente 9.100 quilômetros até 2030. Isso representa mais 1.400 quilômetros, ou cerca de 18%. Singapura também reforçará a rede de distribuição de baixa tensão que atende residências, empresas e instalações industriais.
Essas melhorias locais atenderão tanto ao aumento do consumo com o carregamento de veículos elétricos quanto à oferta adicional de painéis solares. Cada vez mais, as redes elétricas precisam administrar a energia que entra por muitos pontos, além da que é distribuída aos consumidores.
As autoridades estudam a possibilidade de mais que triplicar a extensão atual da rede de túneis para cabos, de cerca de 50 quilômetros. Os túneis facilitam a manutenção e a instalação de novos cabos, reduzindo a frequência e a duração das escavações nas vias. A expansão da rede atenderia áreas de forte crescimento da demanda, como o Tampines Wafer Fab Park.
Metas solares aumentam, mas o espaço continua limitado
Singapura instalou 2,3 gigawatts-pico (GWp) de capacidade solar e segue no caminho para atingir 3 GWp até 2030. A nova meta é chegar a 4 GWp até 2035, o que exige mais 1,7 GWp em relação ao nível atual, um aumento de aproximadamente 74%.
A EMA planeja novas instalações em reservatórios, terrenos desocupados e telhados de edifícios. GWp mede a potência máxima nominal dos painéis solares em condições padronizadas de teste. A geração real varia conforme a incidência solar, a cobertura de nuvens e o horário.
Tan afirmou que a energia solar continua sendo a fonte de energia renovável doméstica mais viável para Singapura, mas que poderia atender a, no máximo, 10% da demanda projetada de eletricidade em 2050, mesmo com uma expansão maior. Esse limite ajuda a explicar por que o plano de infraestrutura combina a energia solar produzida no país com importações de eletricidade e outras tecnologias.
Singapura também está desenvolvendo um projeto-piloto proposto com a empresa chinesa GCL Perovskite. Materiais solares de perovskita poderiam aumentar a eficiência dos painéis, permitindo gerar mais eletricidade na mesma área. O teste proposto avaliaria uma tecnologia especialmente relevante para um país com pouco espaço disponível para instalações.
O armazenamento ajudará a administrar mudanças repentinas na oferta
Singapura pretende ampliar sua capacidade de armazenamento de energia, dos atuais cerca de 350 megawatts-hora (MWh) para pouco mais de 1 gigawatt-hora (GWh) até 2030. Como 1 GWh equivale a 1.000 MWh, a meta é quase três vezes a capacidade atual.
O armazenamento pode absorver eletricidade quando ela está disponível e liberá-la quando a demanda aumenta ou a geração cai. Ele pode responder rapidamente a interrupções, reduzir as oscilações na produção de fontes renováveis e ajudar a administrar limitações temporárias da rede durante a realização de melhorias.
A capacidade de armazenamento mede quanta energia um sistema consegue guardar. Já a capacidade de geração, expressa em MW ou GW, mede a rapidez com que a eletricidade pode ser fornecida. O tempo de operação útil de uma instalação de armazenamento depende tanto da energia armazenada quanto da taxa em que ela é liberada.
A EMA lançou o documento de consulta setorial e visão para sistemas de armazenamento de energia, com o objetivo de identificar tecnologias, modelos de negócio e projetos práticos que possam operar comercialmente em larga escala. A agência também está coletando opiniões sobre requisitos técnicos, regras vigentes e limitações de infraestrutura.
A agência planeja estabelecer requisitos operacionais que, dependendo do tamanho e da função dos sistemas, possam permitir seu controle centralizado quando necessário. Ela trabalhará com o setor e outras agências para facilitar o acesso a informações do mercado de energia e está buscando interessados em um grupo de trabalho do setor.
Importações regionais dependem de cabos, aprovações e compradores
A EMA concedeu à Sembcorp Utilities aprovação condicional para importar até 1,3 GW de eletricidade renovável proveniente da Malásia peninsular ou transportada por ela. A oferta proposta inclui energia eólica offshore do Vietnã e energia solar da Malásia, com início das importações previsto até 2035.
A Sembcorp está trabalhando com o MY Energy Consortium e a Petrovietnam Technical Services Corporation. Os parceiros precisam obter aprovações nas jurisdições envolvidas, finalizar contratos de compra de eletricidade com clientes e conseguir financiamento enquanto desenvolvem o projeto.
Singapura tem como meta importar 6 GW de eletricidade com baixas emissões de carbono até 2035, o que deve atender a cerca de 30% da demanda de eletricidade do país naquele ano. Foram concedidas aprovações ou licenças condicionais a projetos envolvendo Austrália, Camboja, Indonésia, Malásia e Vietnã.
As conexões físicas são outra parte desse esforço. Estudos detalhados de viabilidade estão em andamento para uma segunda interconexão elétrica entre Singapura e a Malásia peninsular, com levantamentos marítimos previstos para outubro de 2026. A conexão proposta poderia acrescentar até 2 GW até 2030, além da ligação existente, que permite fluxos de até 1 GW de eletricidade em qualquer direção.
Se construídas com essa capacidade, as duas conexões ofereceriam, juntas, 3 GW de capacidade de transmissão. A EMA definirá o ponto de chegada da nova conexão após os estudos, enquanto Singapura desenvolve gradualmente locais costeiros onde cabos elétricos submarinos possam se conectar à rede.
Interrupções no fornecimento tornam a expansão ainda mais urgente
A Indonésia começou a reduzir o fornecimento de gás a Singapura no fim de semana anterior ao anúncio de 26 de outubro. A EMA estimou que a redução representava menos de 2% da demanda diária total de gás de Singapura. Tan afirmou que os preparativos feitos ao longo de muitos anos ajudaram o país a lidar com interrupções semelhantes sem incidentes.
Segundo Tan, cerca de metade do gás de Singapura chega atualmente na forma de GNL, proveniente de diversos fornecedores globais, incluindo os Estados Unidos e a Austrália. Inicialmente, Singapura dependia inteiramente de gás transportado por gasodutos de países vizinhos. Comprar GNL de vários países amplia as opções de fornecedores.
A EMA também exige que as usinas possam operar com diesel, permitindo que recorram às reservas durante uma interrupção grave no fornecimento de gás. Tan alertou que países que priorizam os recursos domésticos durante períodos de escassez podem gerar riscos maiores para os importadores de energia, especialmente quando contratos vigentes são afetados.
Singapura e Arábia Saudita anunciaram um acordo previsto para armazenar petróleo bruto saudita nas Cavernas de Jurong, com início das operações esperado para o segundo semestre de 2027. As cavernas ficam 150 metros abaixo da Ilha de Jurong e têm capacidade total de armazenamento de 1,47 milhão de metros cúbicos.
Ao explicar a abordagem de Singapura diante de choques imprevisíveis no fornecimento, Tan afirmou:
Não podemos prever todas as interrupções, mas sempre garantiremos que Singapura esteja preparada para enfrentá-las.
Financiamento para pesquisa explora opções além do sistema atual
A EMA e o Escritório de Energia Avançada e Descarbonização, parte da Agência de Ciência, Tecnologia e Pesquisa, reservaram S$ 75 milhões para tecnologias que possam reduzir as emissões da geração de eletricidade. A iniciativa se concentra em hidrogênio, energia solar e biomassa.
O financiamento integra um programa de S$ 800 milhões para apoiar pesquisas e inovação em tecnologias com menores emissões de carbono. Um programa separado de S$ 143 milhões, liderado pelo escritório e pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico, apoia a indústria pesada com iniciativas como a captura de dióxido de carbono e seu uso em outros processos.
Singapura também está desenvolvendo sua capacitação em energia nuclear por meio de três programas: estágios para servidores públicos em organizações nucleares internacionais, apoio a funcionários de empresas selecionadas para participar de treinamentos e estágios no setor e uma bolsa que traz líderes internacionais de energia para contribuir com a estratégia de longo prazo.
A energia geotérmica, que aproveita o calor subterrâneo, é outra opção em estudo. Consultores estimaram que o potencial técnico para geração de eletricidade supera em mais de 60 vezes o consumo anual atual de eletricidade de Singapura. A Surbana Jurong e a GLJ foram contratadas para realizar um estudo de viabilidade que avaliará se esse recurso pode ser aproveitado na prática.
Singapura ainda não decidiu se adotará energia nuclear ou geotérmica. Tan afirmou que uma decisão sobre energia geotérmica pode levar muitos anos. Por enquanto, o cronograma de obras se concentra em usinas a gás, expansão da rede, energia solar, armazenamento e conexões para o comércio regional de eletricidade.
As datas que orientam a expansão elétrica de Singapura
O programa de Singapura abrange vários cronogramas sobrepostos. O investimento na rede começa antes do plano de cinco anos, enquanto os projetos de importação e pesquisa se estendem para além dele.
- 2025 a 2029: Estão previstos até S$ 5,3 bilhões para expandir a rede elétrica.
- 2026 a 2031: Cinco novas usinas a gás natural devem entrar em operação.
- Segundo semestre de 2027: A previsão é que comecem as operações do acordo previsto para armazenar petróleo bruto saudita.
- Até 2030: A meta é colocar em operação o segundo terminal de GNL, alcançar 9.100 quilômetros de cabos de transmissão, 3 GWp de energia solar e pouco mais de 1 GWh de armazenamento. Uma segunda conexão com a Malásia poderia acrescentar até 2 GW.
- Até 2031: Estão previstas sete novas subestações de transmissão, enquanto a demanda de pico pode chegar a 9,9 GW a 13 GW.
- Até 2032: As usinas a gás adicionais incluídas no processo de propostas de setembro de 2026 devem entrar em operação.
- Até 2035: A meta é chegar a 4 GWp de energia solar e 6 GW de importações de eletricidade. A previsão também é que as importações propostas pela Sembcorp comecem até lá.
A EMA continuará monitorando a demanda e ajustando seus planos de infraestrutura. O principal desafio de execução é coordenar combustível, geração, cabos e armazenamento para que a nova oferta de eletricidade chegue aos consumidores quando necessário.
Principais pontos
- A demanda de pico por eletricidade pode aumentar cerca de 15% a 51% em relação aos níveis de agosto de 2026 até 2031.
- Cinco novas usinas a gás acrescentarão cerca de 26% à capacidade atual de geração.
- Investimentos de até S$ 5,3 bilhões na rede apoiarão a construção de mais subestações e cabos.
- Singapura tem como metas chegar a 4 GWp de energia solar até 2035 e a pouco mais de 1 GWh de armazenamento até 2030.
- Uma segunda conexão proposta com a Malásia poderia acrescentar até 2 GW até 2030.
- Importações regionais de eletricidade, pesquisas e maior diversidade de fontes de combustível fazem parte dos esforços para atender à demanda e administrar as emissões e os riscos de fornecimento.






