Plano de reservatório na Tailândia contrapõe demanda industrial por água a vilarejos e habitat de elefantes

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Thailand's Reservoir Plan Pits Industrial Water Demand Against Villages and Elephant Habitat

Um reservatório para uma economia sedenta, em terras que outros chamam de lar

Um reservatório proposto na província de Chanthaburi, no leste da Tailândia, armazenaria 99,5 milhões de metros cúbicos de água, mas a futura área alagada inclui moradias ocupadas por 654 pessoas em 334 famílias e uma floresta protegida usada por elefantes selvagens. O projeto de Khlong Wang Tanot recebeu aprovação do Conselho de Ministros, mas ainda precisa de autorização para usar terras protegidas em Khao Sip Ha Chan, incluindo a aprovação do Comitê de Parques Nacionais.

Conteúdo
  1. Um reservatório para uma economia sedenta, em terras que outros chamam de lar
  2. A aprovação do Conselho de Ministros deixa outra decisão pela frente
  3. Moradores querem um futuro após o reassentamento
  4. Produtores precisam de água, mas também de acesso a ela
  5. A demanda da indústria cresce mais rápido
  6. Centros de dados acrescentam outra pressão sobre o abastecimento
  7. Elefantes já vivem perto de plantações e aldeias
  8. Um reservatório menor também está em discussão
  9. Manifestantes propõem melhorar as barragens existentes
  10. Pontos principais

A disputa se intensificou em 24 de outubro de 2026, quando moradores e ativistas ambientais se reuniram na Organização Administrativa Provincial de Chanthaburi para se opor à construção. A reivindicação era concreta: proteger a floresta e considerar o uso do orçamento anunciado de 7,2 bilhões de baht do projeto para melhorar os três reservatórios já existentes na bacia hidrográfica.

Os responsáveis pelo planejamento hídrico da Tailândia enfrentam pressões de várias frentes. As plantações de durião precisam de abastecimento confiável, as famílias enfrentam escassez sazonal e as indústrias ao longo da costa leste estão se expandindo. Os centros de dados, que podem consumir grandes volumes de água para resfriar seus computadores, acrescentam outro grande consumidor a essa disputa.

O Departamento Real de Irrigação afirma que as necessidades locais terão prioridade. Também prevê transferir até 70 milhões de metros cúbicos anuais do excedente do escoamento na estação chuvosa para a província vizinha de Rayong, parte do Corredor Econômico Oriental. Para os moradores que podem ser reassentados, a questão é se a infraestrutura garantirá seus meios de subsistência, além de fornecer água para as ambições industriais do país.

A aprovação do Conselho de Ministros deixa outra decisão pela frente

O reservatório levaria sete anos para ser construído e seria o quarto e maior da bacia hidrográfica de Wang Tanot, a área em que a chuva escoa para cursos d'água e rios interligados. Entre seus objetivos estão abastecer plantações e residências e reduzir as enchentes rio abaixo.

O Conselho de Ministros aprovou o projeto em agosto. A autorização para usar a floresta protegida ainda está pendente, e o governo afirmou que novas evidências ambientais ainda poderão ser consideradas antes da conclusão desse processo. Não foi definida uma data para a aprovação restante nem para o início das obras.

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O projeto vem sendo elaborado há décadas, enquanto as demandas sobre os recursos hídricos do leste da Tailândia mudaram:

  • Na década de 1990, o Departamento Real de Irrigação começou a estudar a bacia hidrográfica de Wang Tanot após uma grave escassez durante a estação seca.
  • Em agosto, o Conselho de Ministros aprovou o reservatório proposto, cuja construção está prevista para durar sete anos.
  • Em 24 de outubro de 2026, a rede Khon Rak Chan organizou um protesto em Chanthaburi contra o projeto.
  • Até 2037, a previsão é que o consumo de água industrial no Corredor Econômico Oriental seja 58% maior do que em 2024.

A longa trajetória de planejamento ajuda a explicar o desacordo. Um projeto concebido para enfrentar a escassez sazonal agora está no centro de um debate muito mais amplo sobre quem terá acesso à água à medida que crescem as atividades agrícolas, industriais e digitais.

Moradores querem um futuro após o reassentamento

Seeda Saengkla, chefe da aldeia de Ban Klong Yang, mora na área prevista para o reservatório. Ela afirma que muitos moradores estão dispostos a se mudar, mas temem que a indenização e o apoio ao reassentamento não sejam suficientes para reconstruir suas vidas.

Seeda descreveu a preocupação da comunidade como uma questão de sobrevivência depois de perder as casas conhecidas e as fontes de renda:

O que eles querem é que o governo e os órgãos competentes os ajudem a sobreviver depois da mudança. Não querem ir para outro lugar apenas para acabar endividados. Não querem se sentir abandonados.

Para as 334 famílias da aldeia, o reassentamento envolveria mais do que encontrar outro teto. Os moradores também precisariam de uma forma de ganhar a vida depois de deixar as terras das quais dependem no dia a dia. A disposição para aceitar o reservatório está ligada à possibilidade de custear essa transição.

O relato de Seeda também mostra que a opinião local é mais diversa do que uma simples divisão entre apoiadores e opositores. Algumas pessoas aceitam o sacrifício proposto, mas querem mais proteção contra seus custos. Outros moradores e ativistas ambientais se opõem à inundação da área como um todo.

Produtores precisam de água, mas também de acesso a ela

A produtora de durião Pornpimol Thongbo, no distrito de Kaeng Hang Maeo, já conhece o custo da falta de água confiável. As árvores da família precisam de mais água à medida que amadurecem. Nos períodos de seca, a propriedade depende de lagoas e águas subterrâneas, e às vezes é preciso comprar água adicional quando chove pouco.

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As plantações de durião vêm substituindo cada vez mais os seringais da região, aumentando a demanda por água. A falta de água pode custar a um produtor uma colheita inteira. Chuvas mais intensas e períodos de seca também dificultam o planejamento do armazenamento e da distribuição da água da chuva.

Pornpimol questiona a utilidade de outro reservatório quando muitos produtores locais ainda não têm acesso à água dos três que já foram construídos. Ela afirmou:

Até agora, ainda não vimos nada que convença os moradores locais de que a construção do reservatório realmente vai beneficiá-los.

Thammanoon Innooch, diretor do Escritório Provincial de Construção de Grandes Sistemas de Irrigação do Departamento Real de Irrigação, afirma que o reservatório ajudaria os produtores e as famílias que mais precisam de água. Por esse motivo, alguns produtores apoiam o projeto.

Armazenar água e ter acesso a ela são duas necessidades práticas distintas. Um reservatório pode guardar a chuva para uso meses depois, mas as propriedades também precisam conseguir receber essa água quando as plantações necessitam. A preocupação de Pornpimol diz respeito à distribuição e à prioridade, além do volume armazenado.

A demanda da indústria cresce mais rápido

O Corredor Econômico Oriental abrange as províncias de Chachoengsao, Chonburi e Rayong. O Escritório de Recursos Hídricos Nacionais da Tailândia projeta que o consumo de água industrial na região aumentará 58% entre 2024 e 2037.

O Banco Mundial estima que a demanda anual total nas três províncias chegará a 3,6 bilhões de metros cúbicos até 2037. Mesmo com os investimentos planejados em infraestrutura hídrica, a previsão é de um déficit potencial de abastecimento de quase 40% em condições médias e de até 72% em anos secos.

Esses percentuais representam a parcela da demanda que o abastecimento talvez não consiga atender. Aplicados a 3,6 bilhões de metros cúbicos, indicam uma lacuna de cerca de 1,4 bilhão de metros cúbicos em condições médias e de aproximadamente 2,6 bilhões em anos secos. Os números mostram a dimensão do problema regional que novos reservatórios e outras medidas pretendem enfrentar.

Thammanoon afirma que até 70 milhões de metros cúbicos do excedente do escoamento poderiam ser transferidos todos os anos da bacia hidrográfica de Wang Tanot para Rayong, depois de atendidas as necessidades locais. As transferências efetivas dependeriam das chuvas e de outras condições.

Essa transferência anual máxima equivaleria a cerca de 1,9% da demanda anual projetada de 3,6 bilhões de metros cúbicos do corredor. A comparação ajuda a dimensionar o projeto: ele poderia acrescentar um volume útil ao abastecimento, mas a região ainda precisaria de outras formas de cobrir o déficit previsto.

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Centros de dados acrescentam outra pressão sobre o abastecimento

Três grandes instalações de centros de dados estão em operação ou em expansão no corredor, enquanto outras nove estão em construção. Dados do governo mostram que 29 projetos na região solicitaram incentivos ao investimento, mais da metade do total de pedidos desse tipo em todo o país.

Centros de dados abrigam computadores que processam e armazenam informações digitais. Essas máquinas geram calor, que precisa ser removido por sistemas de resfriamento para que continuem funcionando. O consumo de água depende da tecnologia de refrigeração, mas algumas instalações impõem grande pressão sobre o abastecimento local.

A WHA Utilities and Power afirma que centros de dados podem exigir de 12 a 16 vezes mais água do que clientes comerciais convencionais. Em maio, a East Water começou a fornecer água à Bridge Data Centres, em Chonburi, apresentando o serviço confiável de abastecimento como uma vantagem para a economia digital da Tailândia.

Kwankamol Chittrakul, engenheira civil especializada em gestão de recursos hídricos, afirma que a Tailândia vê uma oportunidade de atrair investimentos e empregos qualificados à medida que os projetos deixam mercados mais limitados, como Singapura e Malásia. Ela também diz que os empreendedores estão agindo antes da entrada em vigor de normas ambientais mais rigorosas.

O governo está elaborando regras para reforçar a fiscalização do consumo de água e eletricidade dos centros de dados, de seus impactos ambientais e de sua localização. Essas decisões vão influenciar a demanda enquanto os órgãos públicos debatem quanto abastecimento adicional a região leste poderá oferecer.

Elefantes já vivem perto de plantações e aldeias

Mais de 100 elefantes usam o Parque Nacional de Khao Sip Ha Chan e as florestas adjacentes, deslocando-se conforme as estações em busca de alimento e água. Autoridades ambientais alertam que a inundação de áreas de alimentação e rotas conhecidas pode levar mais animais a terras agrícolas.

Um corredor de vida silvestre é uma rota que conecta locais onde os animais se alimentam, bebem água e se abrigam. A perda de parte dessa conexão muda os caminhos que os elefantes podem percorrer. Na região de Wang Tanot, a preocupação é que os animais deslocados invadam áreas onde as pessoas já tentam proteger plantações e moradias.

A exposição A Fragile Coexistence, da SEA Junction, documenta as pressões mais amplas no leste da Tailândia. Ela apresenta números conservadores para o período de 2012 a 2023: 105 pessoas mortas por elefantes e 133 feridas, além de 92 elefantes mortos e 46 feridos. Quinze das mortes de pessoas ocorreram em 2023.

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A instituição estima que haja 600 elefantes selvagens na região ao redor do Santuário de Vida Silvestre de Khao Ang Rue Nai, mais da metade vivendo permanentemente fora de seus limites. Também cita uma estimativa de pesquisadores tailandeses de que a taxa anual de natalidade dos elefantes na região é de 8%.

Os números mais amplos da SEA Junction abrangem uma área maior do que o corredor de vida silvestre imediatamente afetado pelo reservatório. Eles mostram o peso que as comunidades próximas já enfrentam, com grupos de voluntários e agentes florestais trabalhando à noite para afastar os elefantes das plantações. Inundar mais habitat aumentaria a pressão em uma região onde encontros perigosos já fazem parte do cotidiano.

Um reservatório menor também está em discussão

O Departamento de Parques Nacionais propôs uma versão menor do projeto, que inundaria cerca de 112 hectares do parque nacional. A proposta combinaria esse reservatório com reservatórios menores em outros locais, armazenamento adicional em barragens existentes e uma gestão mais eficiente da água.

O Departamento Real de Irrigação considera insuficientes essas medidas para atender à demanda esperada. Thammanoon afirma que o projeto maior foi concebido para limitar o uso de terras protegidas:

"a usar apenas a quantidade necessária de terras dentro do parque nacional".

O desacordo também diz respeito a como montar um sistema de abastecimento confiável. O departamento de parques propõe distribuir a tarefa entre várias medidas, reduzindo a área do parque nacional a ser inundada. O departamento de irrigação dá mais importância à capacidade de armazenamento do projeto maior.

Os 112 hectares se referem especificamente às terras do parque nacional na proposta menor. O projeto mais amplo também afeta terras comunitárias e outros habitats, por isso os limites finais serão importantes tanto para o reassentamento quanto para a proteção da vida silvestre.

Manifestantes propõem melhorar as barragens existentes

No protesto de 24 de outubro, a rede Khon Rak Chan e grupos de conservação florestal pediram a proteção de Khao Sip Ha Chan, de sua vida silvestre e de seus recursos naturais. Os participantes registraram sua oposição ao reservatório e manifestaram preocupação com a perda de habitat, os danos ao ecossistema e as dificuldades para os moradores.

O líder comunitário Pacharadnai Chai-thiang propôs destinar o orçamento anunciado de 7,2 bilhões de baht ao desenvolvimento e à gestão das três barragens existentes. A reivindicação retoma a questão da infraestrutura já instalada e de como ela poderia atender melhor às comunidades.

A Tailândia enfrenta várias decisões interligadas: quanto da floresta inundar, como apoiar as famílias que terão de se mudar, como proteger as rotas de deslocamento dos elefantes e como distribuir a água durante a escassez. A autorização pendente para uso de terras protegidas determinará se o reservatório maior poderá avançar, enquanto a expansão industrial continua a aumentar a pressão sobre o abastecimento.

Pontos principais

  • O reservatório proposto de Khlong Wang Tanot teria capacidade para 99,5 milhões de metros cúbicos e levaria sete anos para ser construído.
  • O Conselho de Ministros aprovou o projeto, mas a autorização para usar a floresta protegida ainda está pendente.
  • Ban Klong Yang tem 654 moradores em 334 famílias dentro da área prevista para o reservatório.
  • Mais de 100 elefantes usam o parque nacional e as florestas adjacentes ameaçadas pela perda de habitat.
  • A previsão é que a demanda industrial por água no Corredor Econômico Oriental aumente 58% entre 2024 e 2037.
  • O departamento de parques propõe um reservatório menor e outras medidas hídricas; os manifestantes querem investimentos nas barragens existentes.
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