Salto em setembro leva exportações a um novo recorde
A Malásia exportou RM 1,57 trilhão em mercadorias, aproximadamente US$ 384,4 bilhões, nos primeiros nove meses de 2026, alta de 34% em relação ao mesmo período do ano anterior. Setembro registrou o melhor resultado mensal: as exportações chegaram a RM 215,11 bilhões, superando RM 200 bilhões pela primeira vez e crescendo no ritmo anual mais acelerado desde abril de 2021.
Conteúdo
- Salto em setembro leva exportações a um novo recorde
- Como setembro acelerou a expansão
- Eletrônicos respondem por quase metade das exportações
- Outros setores crescem enquanto a agricultura recua
- As importações revelam a produção por trás das exportações
- Principais mercados registram grandes aumentos
- Novos destinos se expandem, mas ainda representam uma parcela menor
- Parceiros de acordos comerciais recebem a maior parte dos embarques
- O que pode sustentar o crescimento até 2027?
- Principais pontos
A Malaysia External Trade Development Corporation (MATRADE) afirmou que os produtos elétricos e eletrônicos impulsionaram boa parte da expansão, com aumento de RM 253,88 bilhões no valor exportado ao longo dos nove meses. A demanda ligada à inteligência artificial, aos semicondutores e à tecnologia digital ajudou a elevar os embarques, enquanto produtos de petróleo, máquinas e equipamentos científicos também contribuíram.
As importações aumentaram 25,7%, para aproximadamente RM 1,34 trilhão entre janeiro e setembro, elevando o comércio total a RM 2,91 trilhões, alta de 30,1%. O superávit comercial da Malásia chegou a RM 232,38 bilhões, aumento de 115,7%. Um superávit comercial significa que o país vendeu mais mercadorias para o exterior do que comprou de outros países.
Os números mostram uma expansão industrial impulsionada por diversos fatores. As fábricas embarcaram mais produtos eletrônicos, as empresas importaram mais componentes e equipamentos, e os exportadores ampliaram as vendas tanto em mercados consolidados quanto em novos destinos. As exportações agrícolas, no entanto, caíram no mesmo período.
Dois economistas apresentaram avaliações distintas sobre quanto tempo esse ritmo pode durar. O professor da Putra Business School, Dr. Ahmed Razman Abdul Latiff, espera que o crescimento desacelere em 2027, enquanto o economista Dr. Geoffrey Williams prevê que a demanda forte continue. As avaliações dependem de quanto do aumento se deve ao volume de embarques, aos preços e à continuidade dos gastos com tecnologia.
Como setembro acelerou a expansão
O Ministério do Investimento, Comércio e Indústria (MITI), citando dados do Departamento de Estatística da Malásia divulgados em 19 de outubro, informou que o comércio total em setembro somou RM 396,5 bilhões, alta de 53,7% em relação ao ano anterior. As importações aumentaram 52,7%, para RM 181,39 bilhões, deixando um superávit mensal de RM 33,72 bilhões.
O crescimento das exportações em setembro, de 54,5%, acelerou em relação aos 45,5% de agosto. O superávit aumentou aproximadamente 65% em comparação com setembro de 2025 e 20,1% em relação a agosto de 2026. A Malásia registrava superávit havia 77 meses consecutivos.
Os principais marcos mostram como o resultado mais recente se insere nessa sequência mais longa:
- Maio de 2020: a Malásia iniciou sua sequência ininterrupta de superávits comerciais mensais.
- Agosto de 2026: as exportações cresceram 45,5% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.
- Setembro de 2026: as exportações chegaram a RM 215,11 bilhões, e a sequência de superávits atingiu 77 meses.
- 19 de outubro de 2026: o MITI divulgou os dados comerciais de setembro.
As exportações domésticas chegaram a RM 162 bilhões em setembro, com crescimento de 54,7% e participação de 75,3% no total exportado. A parcela restante correspondeu a reexportações, ou seja, mercadorias trazidas para a Malásia e posteriormente enviadas ao exterior. Ambas as atividades contribuem para o papel do país nas cadeias internacionais de suprimentos.
Eletrônicos respondem por quase metade das exportações
As exportações de produtos elétricos e eletrônicos chegaram a RM 766,38 bilhões entre janeiro e setembro, alta de 49,5%. Em relação ao total exportado de aproximadamente RM 1,57 trilhão, os eletrônicos representaram cerca de 49% das mercadorias vendidas pelo país ao exterior.
As exportações de eletrônicos em setembro somaram RM 110,23 bilhões, ou 51,2% do total mensal. Os dados setoriais detalhados apontam crescimento anual de 69,2%; outro número divulgado foi de 68%. Segundo dados do Departamento de Estatística da Malásia, o setor respondeu por RM 45,1 bilhões do aumento das exportações em setembro.
Sistemas de inteligência artificial precisam de chips, equipamentos de computação e centros de dados para processar grandes volumes de informação. O investimento nesses equipamentos cria demanda em toda a cadeia de suprimentos de eletrônicos, incluindo os componentes e as atividades industriais das quais a Malásia participa.
Ahmed Razman, professor da Putra Business School, descreveu a relação entre o investimento em tecnologia e a produção malaia:
"O investimento contínuo em infraestrutura de IA, centros de dados e computação avançada sustenta a demanda por produtos eletrônicos malaios", disse ele.
Ele também alertou que uma demanda mais fraca por semicondutores ou uma desaceleração dos gastos com tecnologia poderia afetar as exportações. Sua recomendação foi desenvolver atividades ligadas a semicondutores que gerem mais valor e, ao mesmo tempo, ampliar a base industrial da Malásia.
Outros setores crescem enquanto a agricultura recua
Os produtos manufaturados geraram RM 191,57 bilhões em exportações em setembro, alta de 58,6%, e responderam por 89,1% do total mensal. Além dos eletrônicos, as exportações de produtos de petróleo cresceram 33,2%, para RM 12,17 bilhões; as de máquinas, equipamentos e peças aumentaram 38,4%, para RM 8,73 bilhões; e as de equipamentos ópticos e científicos avançaram 43,2%, para RM 8,11 bilhões.
As exportações de equipamentos ópticos e científicos, incluindo equipamentos médicos especializados e instrumentos usados para testar semicondutores, atingiram um recorde mensal. As exportações de mineração também chegaram a um recorde de RM 11,43 bilhões, alta de 56,3%, impulsionadas por gás natural liquefeito, petróleo bruto, minérios e sucata metálica.
A agricultura seguiu na direção oposta. As exportações agrícolas caíram 5,7%, para RM 9,03 bilhões em setembro, principalmente devido à redução das quantidades exportadas de óleo de palma e produtos agrícolas relacionados. Nos primeiros nove meses, as exportações agrícolas recuaram 8,5%, para RM 74,44 bilhões.
Os produtos manufaturados derivados do óleo de palma tiveram desempenho diferente. Esses produtos de maior processamento, especialmente as oleoquímicas, mantiveram crescimento de pelo menos 10%. Oleoquímicos são substâncias químicas produzidas a partir de óleos e gorduras e usadas em produtos como sabonetes, detergentes e cosméticos. Processar uma cultura agrícola e transformá-la em produtos industriais pode abrir um mercado diferente daquele da matéria-prima agrícola.
Peças automotivas, produtos farmacêuticos, móveis metálicos e produtos aeroespaciais também registraram crescimento. A MATRADE identificou esses setores como áreas com participação expressiva de pequenas e médias empresas malaias. A diretora-geral da entidade, Indera Abu Bakar Yusof, disse que exportadores e empresas menores demonstraram resiliência em meio à incerteza econômica global.
As importações revelam a produção por trás das exportações
As importações da Malásia em setembro incluíram RM 92,10 bilhões em bens intermediários, alta de 69,6% e equivalente a 50,8% de todas as importações. Bens intermediários são materiais ou componentes usados para fabricar outro produto, como peças montadas em computadores ou veículos.
As importações de bens de capital, que incluem máquinas e equipamentos usados pelas empresas, cresceram 20,9%, para RM 22,32 bilhões. Os bens de consumo, comprados para uso direto em vez de para a produção, aumentaram 18,2%, para RM 10,91 bilhões. De janeiro a setembro, as importações de bens intermediários cresceram 21,1%, para RM 645,77 bilhões, enquanto as de bens de capital avançaram 9,3%, para RM 174,76 bilhões.
As importações de eletrônicos contribuíram com RM 42,2 bilhões para o aumento das importações em setembro. A China respondeu por RM 21,1 bilhões do crescimento das importações por parceiro comercial. Esses números mostram a dimensão dos insumos que chegam ao país junto com a expansão das exportações malaias.
Ahmed Razman disse que as importações deveriam ser analisadas por categoria para diferenciar investimentos produtivos de compras de consumo e acumulação de estoques. Williams também apontou o fortalecimento da atividade doméstica, a entrada de mercadorias para reexportação e as compras dos consumidores. Para as empresas, a questão prática é saber se os materiais e as máquinas importados se traduzem em produção e vendas sustentadas.
Principais mercados registram grandes aumentos
As exportações para a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) cresceram 46,2%, chegando ao recorde de RM 59,55 bilhões em setembro. Singapura recebeu RM 35,45 bilhões, alta de 50,4%; a Tailândia, RM 8,68 bilhões, alta de 57,3%; e o Vietnã, RM 7,68 bilhões, alta de 55%. Os eletrônicos ajudaram a impulsionar o crescimento nos três mercados.
As exportações para a ASEAN aumentaram 25,5%, para RM 427,61 bilhões, nos primeiros nove meses. Setembro foi o sexto mês consecutivo em que as exportações para o bloco regional cresceram pelo menos 10%, e todos os mercados da ASEAN registraram alta no mês.
O MITI informou que as exportações para os Estados Unidos atingiram o recorde de RM 38,03 bilhões em setembro, alta de 89,9%; outro número divulgado apontou crescimento de 72%. As exportações para Taiwan chegaram ao recorde de RM 21,45 bilhões, alta de 175,2%, impulsionadas por eletrônicos, gás natural liquefeito e equipamentos ópticos e científicos.
Os dados detalhados dos mercados em setembro apontam exportações para a China de RM 20,39 bilhões, alta de 22,1%; outro número divulgado indicou crescimento de 52%. As exportações para a União Europeia aumentaram 24,7%, para RM 14,79 bilhões. Nos nove meses, as exportações para os Estados Unidos cresceram 69,1%, para RM 282,07 bilhões.
Dados do Departamento de Estatística da Malásia mostram que os Estados Unidos responderam pelo maior aumento da demanda por exportações em setembro, com RM 18 bilhões, seguidos por Taiwan, com RM 13,7 bilhões, e Singapura, com RM 11,9 bilhões. Esses mercados consolidados, portanto, continuaram sendo centrais para o resultado recorde.
Novos destinos se expandem, mas ainda representam uma parcela menor
As exportações para mercados descritos pela MATRADE como não tradicionais, na África, Ásia Central, Sul da Ásia e América Latina, cresceram 21,5%, para RM 136,36 bilhões, nos primeiros nove meses. A Namíbia registrou crescimento de 426,1%; a África do Sul, de 101%; a Líbia, de 79,3%; Angola, de 55,6%; e o Brasil, de 41%.
RM 136,36 bilhões representam cerca de 8,7% do total de exportações da Malásia, de aproximadamente RM 1,57 trilhão. As vendas para esses destinos cresceram mais lentamente do que o total nacional exportado, que aumentou 34%. A expansão ampliou as oportunidades de venda, enquanto os destinos consolidados continuaram respondendo pela maior parte das exportações.
A diretora-geral da MATRADE disse que os esforços para ajudar empresas locais a entrar em mercados emergentes com forte potencial de crescimento contribuíram para transformar barreiras e riscos em oportunidades de negócios. Williams espera que a expansão nesses destinos reduza gradualmente a dependência de parceiros consolidados.
Ahmed Razman disse que uma base exportadora mais ampla também exige maior variedade de produtos e setores. Ele explicou sua recomendação da seguinte forma:
"O mais importante é que a diversificação envolva uma gama mais ampla de produtos e setores, e não apenas mais destinos para as mesmas exportações", disse ele.
Parceiros de acordos comerciais recebem a maior parte dos embarques
A Malásia exportou RM 986,38 bilhões para seus parceiros de acordos de livre comércio entre janeiro e setembro, um aumento de 25,8%. Esses destinos responderam por 62,8% de todas as exportações, ou quase RM 63 de cada RM 100 em vendas de mercadorias ao exterior.
Os acordos de livre comércio estabelecem regras que podem reduzir tarifas de importação e melhorar o acesso aos mercados entre as economias participantes. Os exportadores ainda precisam de clientes e de produtos competitivos, mas a redução das barreiras comerciais pode facilitar as vendas entre países.
As exportações cresceram para 21 dos 24 parceiros da Malásia nesses acordos. O México liderou os aumentos percentuais, com 52,1%, seguido pelo Vietnã, com 44,9%; pelo Reino Unido, com 41,1%; e pela Tailândia, com 32,3%.
O comércio de setembro com esses parceiros chegou a RM 261,73 bilhões, alta de 53,1%, enquanto as exportações aumentaram 42%, para RM 130,78 bilhões. Os resultados mensais incluíram valores recordes de exportação para Hong Kong, Reino Unido e Canadá. A demanda variou conforme o produto: eletrônicos impulsionaram as vendas para o México, equipamentos de transporte sustentaram as exportações para o Reino Unido, e produtos de ferro e aço contribuíram para as vendas ao Canadá.
O que pode sustentar o crescimento até 2027?
A Perspectiva Econômica 2027 do Ministério das Finanças projetou, para o conjunto de 2026, crescimento de 27,2% no comércio total, 31% nas exportações e 23,1% nas importações. Os resultados dos primeiros nove meses superaram cada uma dessas taxas. O ministério também projetou crescimento econômico de 4,8% a 5,3% para 2026.
Ahmed Razman espera que o crescimento das exportações desacelere em 2027, à medida que a demanda global se normalize e as empresas comparem seus resultados com as vendas muito mais altas registradas em 2026. Manter o mesmo percentual de crescimento fica mais difícil quando o valor de partida é maior.
Ele disse que é preciso analisar mais detalhadamente os volumes embarcados e os preços para entender o aumento. Uma receita maior com exportações pode resultar da venda de mais mercadorias, do recebimento de um valor maior por unidade ou da mudança para produtos mais caros. Os números totais divulgados não esclarecem essa composição.
Williams espera que o ritmo forte continue em 2027, citando a demanda externa, os preços mais altos e os maiores volumes. Sua perspectiva dá mais peso à demanda que já sustenta os eletrônicos e setores tradicionais, como petróleo, gás e óleo de palma.
O MITI identificou mudanças nas políticas comerciais, tensões geopolíticas e conflitos na Ásia Ocidental como riscos aos fluxos comerciais e aos custos. O ministério afirmou que, junto com a MATRADE, acompanhará os acontecimentos, ampliará o acesso aos mercados e ajudará os exportadores a se adaptarem. Para as empresas malaias, a continuidade dos pedidos dependerá tanto da demanda por seus produtos quanto do custo e da confiabilidade do transporte de mercadorias entre países.
Principais pontos
- As exportações da Malásia cresceram 34%, chegando ao recorde de RM 1,57 trilhão nos primeiros nove meses de 2026.
- As exportações de setembro alcançaram RM 215,11 bilhões, o primeiro total mensal acima de RM 200 bilhões.
- O superávit comercial dos nove meses aumentou 115,7%, para RM 232,38 bilhões.
- As exportações de eletrônicos chegaram a RM 766,38 bilhões entre janeiro e setembro, enquanto as exportações agrícolas caíram 8,5%.
- Os parceiros de acordos comerciais receberam 62,8% das exportações; os novos mercados de quatro regiões receberam cerca de 8,7%.
- Os economistas divergem sobre as perspectivas para 2027, com a demanda por tecnologia, os preços das exportações e as condições comerciais no centro de suas avaliações.






