Três medalhas indianas, decididas por distância e pontuação
Sumit Antil manteve seu título no lançamento de dardo dos Jogos Para-ASIÁTICOS em Nagoya nesta sexta-feira, 23 de outubro de 2026. Ele lançou a 72,46 metros em sua segunda tentativa e liderou uma dobradinha indiana na prova combinada masculina F42-44/F61-64. Mahendra Gurjar ficou com a prata, e Sandip Sanjay Sargar levou o bronze. A classificação final foi definida por pontos que levam em conta as diferenças entre as classes esportivas.
Conteúdo
- Três medalhas indianas, decididas por distância e pontuação
- Por que a maior distância não define todas as medalhas
- O que significam F42, F44 e F64
- Defesa do título abaixo do recorde, com os 75 metros ainda como meta
- Gurjar e Sargar também chegam com recordes
- Como Antil chegou ao segundo título continental
- O sucesso da Índia vai além da final combinada
- Principais pontos
Antil, de 28 anos, competiu na classe F64 e somou 1.112 pontos RAZA. Gurjar, atleta da classe F42, fez 1.066 pontos com um lançamento de 59,03 metros. Sargar, que competiu na F44, lançou a 64,48 metros e recebeu 1.006 pontos. Gurjar e Sargar estabeleceram, cada um, um recorde dos Jogos em suas respectivas classes.
O resultado apresenta um aparente enigma: Sargar lançou 5,45 metros a mais que Gurjar, mas terminou atrás dele. Na prova combinada, atletas de diferentes classes disputaram as mesmas medalhas, e suas distâncias foram convertidas em pontuações comparáveis. O desempenho de Gurjar rendeu 60 pontos a mais que o de Sargar.
Para Antil, a vitória acrescentou mais um título continental a uma carreira que já inclui duas medalhas de ouro paralímpicas e três títulos consecutivos do Campeonato Mundial de Atletismo Paralímpico. Sua marca vencedora ficou 2,36 metros abaixo do recorde mundial de 74,82 metros, estabelecido por ele em Bengaluru em maio de 2026.
Por que a maior distância não define todas as medalhas
Os pontos RAZA fornecem uma escala comum para classificar atletas quando competidores de várias classes elegíveis disputam juntos. A classificação agrupa atletas de acordo com o impacto de uma deficiência elegível em sua atividade esportiva. A combinação de classes permite que os organizadores reúnam um grupo maior de competidores e, ao mesmo tempo, comparem os desempenhos.
Assim, os 59,03 metros de Gurjar e os 64,48 metros de Sargar precisaram ser avaliados dentro de suas respectivas classes antes da definição das medalhas. Um metro tem o mesmo comprimento para todos os atletas, mas seu valor na classificação combinada depende do sistema de pontuação aplicado a cada classe.
Antil terminou 46 pontos à frente de Gurjar, que teve uma vantagem de 60 pontos sobre Sargar. Essas diferenças explicam o pódio com mais precisão do que as distâncias, por si só. Antil teve tanto o lançamento mais longo entre os três medalhistas quanto a maior pontuação.
Os resultados divulgados apresentam as três pontuações finais, mas não incluem um cálculo detalhado para cada lançamento. O resultado é direto: 1.112 pontos garantiram o ouro, 1.066 renderam a prata e 1.006, o bronze.
O que significam F42, F44 e F64
Antil, Gurjar e Sargar competem em provas de arremesso e lançamento em pé, mas suas classificações refletem diferentes impactos de deficiências nos membros inferiores. A letra F identifica uma prova de campo, como lançamento de dardo ou arremesso de disco. As provas de pista usam classificações T.
As classes F42 e F44 incluem atletas com deficiências elegíveis nos membros inferiores que competem sem prótese para correr ou lançar. Essas deficiências podem envolver ausência de parte de um membro, diferenças no comprimento das pernas ou redução da força muscular. Gurjar competiu na F42 e Sargar, na F44.
As classes F62 e F64 incluem atletas que competem em pé usando uma ou mais próteses de perna. Antil compete na F64 após a amputação da perna esquerda abaixo do joelho. As classes reunidas nesta prova foram F42, F44, F62 e F64.
Os números das classificações identificam grupos esportivos, não uma escala simples em que um número maior indique uma deficiência mais ou menos grave. Para o público, o ponto prático é que atletas podem dividir a área de lançamento e disputar as mesmas medalhas, com seus desempenhos comparados por meio de pontos.
Defesa do título abaixo do recorde, com os 75 metros ainda como meta
Antil chegou ao Japão depois de estabelecer seu mais recente recorde mundial no oitavo Campeonato Internacional Aberto de Atletismo Paralímpico da Índia, em Bengaluru, em maio. Com 74,82 metros, ficou a apenas 18 centímetros dos 75 metros que busca alcançar.
Seu lançamento vencedor de 72,46 metros em Nagoya foi 3,2% menor que o recorde. Ainda assim, garantiu a maior pontuação na prova combinada e mais um ouro nos Jogos Para-ASIÁTICOS. Sua melhor marca veio logo no início, em sua segunda tentativa.
Antil também venceu o Grand Prix de Dubai no início de 2026 e o Grand Prix de Nova Délhi, em março, quando lançou a 69,25 metros. Sua marca em Nagoya foi 3,21 metros superior àquele resultado de março, embora o recorde de Bengaluru continue sendo a melhor das três marcas.
Sua vitória anterior nos Jogos Para-ASIÁTICOS foi na edição de Hangzhou, divulgada como os Jogos de 2022, mas realizada em 2023. A marca vencedora é amplamente registrada como 73,29 metros, embora outra cifra publicada seja 72,29 metros. Considerando 73,29 metros, o lançamento vencedor de Antil em Nagoya foi 83 centímetros menor.
Não foi anunciada uma data para a próxima tentativa de Antil de atingir os 75 metros. Sua conquista imediata em Nagoya foi defender o título com sucesso, ao lado de dois compatriotas que também estabeleceram recordes dos Jogos em suas próprias classes.
Gurjar e Sargar também chegam com recordes
A prata de Mahendra Gurjar se somou a um histórico de sucesso no lançamento de dardo F42. Em maio de 2025, ele lançou a 61,17 metros no Grand Prix de Atletismo Paralímpico de Nottwil, na Suíça, e estabeleceu o recorde mundial da classe.
Seu lançamento de 59,03 metros em Nagoya ficou 2,14 metros abaixo dessa marca, mas estabeleceu um recorde dos Jogos e rendeu a segunda maior pontuação da prova combinada. O resultado de Gurjar mostra por que a classificação importa: seu desempenho foi avaliado de acordo com as exigências da F42 antes de ser comparado aos de atletas de outras classes.
O bronze de Sandip Sanjay Sargar acrescentou mais uma medalha importante à carreira do atleta do distrito de Sangli, em Maharashtra. Ele começou a praticar lançamento de dardo em 2016, depois de se formar em química, e mais tarde se mudou para Pune em busca de melhores estruturas de treinamento. Trabalhou como entregador enquanto se dedicava ao esporte.
Sargar sofreu uma lesão grave na perna durante a infância e, em 2023, precisou passar por uma cirurgia após machucar o tornozelo. Ele voltou a competir e conquistou o ouro no Campeonato Mundial de Atletismo Paralímpico de 2025. Em Nagoya, seus 64,48 metros estabeleceram um recorde dos Jogos na F44 e completaram a dobradinha indiana.
As três medalhas da Índia vieram, portanto, de atletas com conquistas em três classes diferentes. Antil fez a maior pontuação, Gurjar transformou um desempenho recorde nos Jogos em prata, e Sargar conquistou o bronze após se recuperar de uma lesão que exigiu cirurgia.
Como Antil chegou ao segundo título continental
Antil nasceu em 7 de junho de 1998, em Sonipat, no estado de Haryana, e inicialmente queria ser lutador. Ele admirava Yogeshwar Dutt, medalhista de bronze da Índia nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Um acidente de moto em 5 de janeiro de 2015 levou à amputação da perna esquerda de Antil abaixo do joelho.
O atleta paralímpico Rajkumar o apresentou ao esporte paralímpico em 2017. Depois, o técnico Naval Singh o orientou para o lançamento de dardo. Em poucos anos, Antil começou a estabelecer recordes nas maiores competições da modalidade.
Seu caminho até Nagoya inclui uma sequência de grandes vitórias:
- 2017: Antil entrou para o esporte paralímpico e começou a se dedicar ao lançamento de dardo sob a orientação de Naval Singh.
- Paralimpíadas de Tóquio 2020, realizadas em 2021: conquistou o ouro na F64, quebrou o recorde mundial três vezes durante a final e terminou com a melhor marca de 68,55 metros.
- Jogos Para-ASIÁTICOS de Hangzhou, realizados em 2023: conquistou seu primeiro título nos Jogos Para-ASIÁTICOS.
- Paralimpíadas de Paris 2024: defendeu com sucesso seu título paralímpico.
- 2025: conquistou o ouro pela terceira vez consecutiva no Campeonato Mundial de Atletismo Paralímpico.
- Maio de 2026: elevou o recorde mundial da F64 para 74,82 metros, em Bengaluru.
- 23 de outubro de 2026: manteve o título nos Jogos Para-ASIÁTICOS em Nagoya.
O recorde de Antil em maio de 2026 foi 6,27 metros superior à marca vencedora de 68,55 metros em Tóquio, um aumento de cerca de 9,1%. A comparação mostra o quanto ele avançou desde seu primeiro título paralímpico, mesmo que sua vitória em Nagoya tenha ficado abaixo de seu recorde mais recente.
O sucesso da Índia vai além da final combinada
Navdeep também conquistou uma medalha no lançamento de dardo para a Índia em Nagoya, com o bronze na prova masculina F41, ao alcançar 42,55 metros. Sua prova teve uma disputa de medalhas própria, separada da final combinada vencida por Antil.
Entre os ouros da Índia em outras modalidades nos Jogos houve conquistas no tiro com arco, no badminton, no atletismo e no tiro esportivo. Harvinder Singh e Vijay Sundi estiveram entre os campeões do tiro com arco. Nitesh Kumar e Naveen Sivakumar ganharam o ouro no badminton, assim como a dupla feminina formada por Thulasimathi Murugesan e Manasi Joshi.
Sandeep venceu os 400 metros masculinos T64, enquanto Mona Agarwal levou o ouro na prova feminina R8 de carabina de três posições a 50 metros SH1. Antil competiu com o apoio do Target Olympic Podium Scheme, conhecido como TOPS, programa da Índia para atletas que se preparam para os mais altos níveis da competição internacional.
A dobradinha indiana no lançamento de dardo veio cinco dias depois que os Jogos começaram em Nagoya, em 18 de outubro. A primeira edição dos Jogos Para-ASIÁTICOS realizada no Japão reuniu um recorde de 45 países e regiões, com disputas previstas em 18 esportes e 502 provas até 24 de outubro.
Ao fim de 23 de outubro, o Japão, país-sede, somava 63 ouros, 60 pratas e 62 bronzes, totalizando 185 medalhas. O velocista japonês Kengo Oshima esteve entre os campeões da casa, com ouros nos 100 e 200 metros masculinos T64. A dobradinha indiana no lançamento de dardo fez parte de uma reta final movimentada, com mais um dia de competições no calendário dos Jogos.
Principais pontos
- Sumit Antil manteve o título nos Jogos Para-ASIÁTICOS com 72,46 metros e 1.112 pontos RAZA em Nagoya, em 23 de outubro.
- Mahendra Gurjar ganhou a prata com 59,03 metros e 1.066 pontos; Sandip Sanjay Sargar ficou com o bronze, com 64,48 metros e 1.006 pontos.
- Gurjar terminou à frente de Sargar porque as medalhas da prova combinada foram definidas por pontos que levam em conta as diferentes classes.
- Gurjar e Sargar estabeleceram, cada um, um recorde dos Jogos em suas respectivas classes.
- O recorde mundial de Antil é de 74,82 metros, apenas 18 centímetros abaixo de sua meta de 75 metros.
- Navdeep acrescentou um bronze na prova masculina F41 de lançamento de dardo, separada da combinada, com 42,55 metros.






