Participação recorde e caminho para Los Angeles
Os Jogos Para-Asiáticos Aichi-Nagoya 2026 foram abertos em 18 de outubro, no Estádio Paloma Mizuho, em Nagoya, reunindo um número recorde de 45 países e regiões para a primeira edição do evento realizada no Japão. A expectativa é de cerca de 3.000 atletas, em delegações que somam aproximadamente 4.000 atletas e oficiais.
Conteúdo
- Participação recorde e caminho para Los Angeles
- Uma cerimônia ligada a Aichi
- Uma semana em duas províncias
- Equipe japonesa reúne atletas com diferença de 64 anos de idade
- Oda e Kamiji buscam títulos e um prêmio maior
- Modalidades de volta e campeões que defendem seus títulos
- Os candidatos asiáticos a medalhas vão muito além dos anfitriões
- Descobrir novos atletas para os próximos Jogos Paralímpicos
- Acessibilidade e público influenciam o impacto dos Jogos
- Uma primeira edição como anfitrião com raízes em Oita
- Principais pontos
O programa oficial de competições do Comitê Paralímpico Japonês lista 18 modalidades e 502 provas entre 18 e 24 de outubro. A maior parte das competições ocorre na província de Aichi, mas o ciclismo leva os Jogos também à vizinha Shizuoka.
O Japão inscreveu 282 atletas em todas as modalidades. A equipe reúne 17 medalhistas de ouro dos Jogos Paralímpicos de Paris 2024 e 120 atletas que estreiam nos Jogos Para-Asiáticos. O país-sede busca medalhas e, ao mesmo tempo, prepara uma nova geração para os Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028.
Alguns resultados terão impacto imediato na próxima competição global. Os campeões das disputas individuais masculina e feminina do tênis em cadeira de rodas garantirão vaga direta em Los Angeles, e o tiro esportivo também oferece oportunidades de classificação. Para esses atletas, uma semana de sucesso no Japão pode render mais do que um título continental.
Uma cerimônia ligada a Aichi
O imperador Naruhito declarou os Jogos abertos no estádio, também conhecido como Estádio de Atletismo do Parque Mizuho da Cidade de Nagoya. O príncipe herdeiro Fumihito, presidente honorário dos Jogos, e a princesa herdeira Kiko participaram da cerimônia, que começou às 18h.
O jogador de rúgbi em cadeira de rodas Katsuya Hashimoto e a velocista Moe Nakagawa carregaram a bandeira do Japão. O tenista em cadeira de rodas Tokito Oda e a atleta de atletismo Kaede Maegawa fizeram o juramento dos atletas. O Afeganistão abriu o desfile das delegações, realizado em ordem alfabética, e o Japão, país-sede, entrou por último.
Li Yujie e Yan Panpan foram os porta-bandeiras da China. Também desfilaram delegações de Hong Kong, Macau, Taiwan, Coreia do Sul, Palestina, Iêmen, Catar e Arábia Saudita, refletindo o alcance geográfico do evento.
O revezamento da tocha começou em 10 de outubro, em Okazaki, e passou por outras cidades de Aichi. O ex-jogador de basquete em cadeira de rodas Katsumi Miyake, a ex-atleta de atletismo Maya Nakanishi e a esquiadora alpina paralímpica Momoka Muraoka foram os últimos condutores da tocha.
A pira conectou a cerimônia às tradições de cerâmica da região anfitriã. Ela foi feita com argila de Seto, Tokoname e Sanshu, três regiões produtoras de cerâmica em Aichi. As chamas se ergueram quando os últimos condutores acenderam a madeira e a palha reunidas na pira.
Uma semana em duas províncias
Nagoya é o principal centro dos Jogos, mas espectadores e equipes viajarão por várias cidades. A lista oficial de locais informa que o tênis em cadeira de rodas será disputado no Centro de Tênis do Parque Higashiyama, o basquete em cadeira de rodas na Aichi International Arena e a natação no Rainbow Pool, no complexo esportivo da cidade de Nagoya.
Em outras partes de Aichi, o rúgbi em cadeira de rodas será disputado na Wing Arena Kariya, o tênis de mesa no Sky Hall Toyota e o badminton no Ginásio Municipal de Ichinomiya. Okazaki recebe o tiro com arco e o vôlei sentado, enquanto Toyohashi recebe o goalball.
Em Shizuoka, as competições se concentram no ciclismo. As provas de pista serão realizadas no Velódromo de Izu, enquanto as de estrada usarão o circuito de cinco quilômetros do Cycle Sports Center. Assim, os Jogos vão além da província mencionada no nome do evento.
As competições começaram antes da cerimônia de abertura, dando a algumas equipes japonesas uma vantagem inicial. As principais datas são:
- 4 de outubro: encerramento dos Jogos Asiáticos que antecederam o evento.
- 10 de outubro: início do revezamento da tocha dos Jogos Para-Asiáticos, em Okazaki.
- 16 de outubro: o Japão venceu as partidas preliminares masculina e feminina de basquete em cadeira de rodas.
- 17 de outubro: a equipe masculina de goalball do Japão venceu o Catar, e a feminina derrotou a Tailândia.
- 18 de outubro: realização da cerimônia de abertura em Nagoya.
- 19 de outubro: início do calendário principal de competições.
- 24 de outubro: encerramento dos Jogos com a cerimônia de encerramento.
Equipe japonesa reúne atletas com diferença de 64 anos de idade
Os 282 atletas do Japão têm entre 14 e 78 anos, uma diferença de 64 anos. A mesatenista Kimie Bessho, de 78 anos, é a integrante mais velha da equipe, enquanto a nadadora Mayu Togo, aluna do ensino fundamental II em Oita, é a mais jovem. O nadador Ryuga Yamada também tem 14 anos e é o representante masculino mais jovem do Japão em uma edição dos Jogos Para-Asiáticos.
Bessho participou de quatro edições dos Jogos Paralímpicos. Outra mesatenista, Setsu Kadota, tem 75 anos, e seis integrantes da equipe de vôlei sentado estão na faixa dos 50 ou 60 anos. Entre os mais jovens, o Japão conta com 25 atletas adolescentes, incluindo 10 nadadores de 14 a 19 anos.
Os 120 atletas que estreiam nos Jogos Para-Asiáticos representam cerca de 42,6% da equipe japonesa. Alguns já têm experiência no mais alto nível: Hashimoto, um dos porta-bandeiras do Japão, conquistou o ouro no rúgbi em cadeira de rodas em Paris 2024 antes de estrear nesta competição continental.
A delegação completa do Japão soma 451 pessoas, incluindo atletas e profissionais de apoio. Quinze atletas moram em Aichi, o que aproxima diretamente a província anfitriã das competições de várias modalidades.
A equipe também inclui os irmãos Yuta e Kenta Wako, do lançamento de dardo. Yuta desenvolveu neuropatia óptica hereditária de Leber, uma condição que prejudica a visão, aos 20 anos. Kenta desenvolveu a mesma condição em 2024 e começou no esporte com o objetivo de representar o Japão ao lado do irmão mais velho.
Oda e Kamiji buscam títulos e um prêmio maior
Tokito Oda e Yui Kamiji chegam aos Jogos como números 1 do mundo no tênis em cadeira de rodas, nas categorias masculina e feminina. Ambos conquistaram o ouro nas disputas individuais na edição anterior dos Jogos Para-Asiáticos, em Hangzhou, e repetiram o feito nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024.
A retrospectiva dos Jogos de Hangzhou do Comitê Paralímpico Internacional registra que Oda derrotou o compatriota Takashi Sanada por 6-3 e 7-5 na final masculina, garantindo sua primeira participação nos Jogos Paralímpicos. A vitória de Kamiji garantiu vaga em sua quarta edição paralímpica, após a prata na disputa individual em Tóquio 2020, realizada em 2021.
Aichi oferece a Oda a oportunidade de competir em casa: ele é de Ichinomiya e mora em Nagoya. Desta vez, a mesma combinação de ouro continental e classificação paralímpica direta está em jogo, com Los Angeles como destino.
O Japão tem outros fortes candidatos além do tênis. O nadador Naohide Yamaguchi detém o recorde mundial dos 100 metros peito masculino para atletas com deficiência intelectual. Medalhistas de ouro em Paris, como o nadador Keiichi Kimura e o jogador de badminton Daiki Kajiwara, também trazem a experiência de vencer no cenário mundial.
Modalidades de volta e campeões que defendem seus títulos
O rúgbi em cadeira de rodas retorna ao programa dos Jogos Para-Asiáticos pela primeira vez em três edições. O Japão chega como campeão paralímpico de Paris 2024 e dá oportunidades a jogadores com pouca experiência internacional. O torneio permite que esses atletas se desenvolvam em uma competição importante.
A equipe masculina japonesa de basquete em cadeira de rodas defende o título conquistado em Hangzhou por apenas dois pontos. Segundo o Comitê Paralímpico Internacional, o Japão venceu a Coreia do Sul por 47 a 45, com Koki Maruyama marcando nos minutos finais, quando a equipe completou a virada no último quarto.
A China conquistou o título feminino de basquete em cadeira de rodas em Hangzhou ao derrotar o Japão na final. As duas equipes japonesas já estrearam nesta edição com vitórias nas partidas preliminares, dando aos anfitriões um começo animador antes da cerimônia.
Outros campeões chegam com campanhas impressionantes. O Irã venceu o torneio masculino anterior de vôlei sentado sem perder uma partida e derrotou o Cazaquistão por 3 sets a 0 na final. O capitão Davoud Alipourian destacou a contribuição dos jogadores mais jovens para o sucesso.
A bocha promete outra forte disputa regional. O objetivo do esporte é lançar bolas o mais perto possível de uma bola-alvo. A Tailândia conquistou três das oito medalhas de ouro individuais em Hangzhou, com Witsanu Huadpradit, Akkadej Choochuenklin e Pornchok Larpyen. Entre os japoneses que podem desafiar os favoritos está Hiromi Endo, medalhista de prata no mundial feminino da classe BC1, uma das classificações da modalidade.
Os candidatos asiáticos a medalhas vão muito além dos anfitriões
A nadadora chinesa Yuyan Jiang é uma das atletas mais vitoriosas que chegam aos Jogos. Em Hangzhou, ela conquistou sete medalhas de ouro e uma de bronze, subindo ao pódio nas oito provas de que participou. Também foi a atleta mais bem-sucedida em Paris 2024 e liderará a equipe chinesa em Aichi-Nagoya.
A edição anterior dos Jogos teve recordes mundiais além de medalhas. O indiano Sumit Antil lançou o dardo a 73,29 metros na classe masculina F64, enquanto a chinesa Yujiao Tan levantou 141 quilos no halterofilismo paralímpico feminino, na categoria para atletas de até 67 quilos.
Delegações menores também tiveram conquistas marcantes. Khaiitkhon Khusan Kyzy, do Quirguistão, tornou-se a primeira medalhista de ouro de seu país nos Jogos Para-Asiáticos ao derrotar a japonesa Shizuka Hangai na final feminina de judô da classe J1, para atletas de até 48 quilos. Iêmen, Nepal e Quirguistão conquistaram suas primeiras medalhas naquela edição.
Singapura enviou 20 atletas para competir em nove modalidades: tiro com arco, atletismo, badminton, bocha, ciclismo de estrada, judô, natação, tiro esportivo e tênis de mesa. O velocista James Ang é o porta-bandeira, enquanto Low See Lien, vice-presidente do Conselho Nacional Paralímpico de Singapura, lidera a delegação.
O evento acontece depois de uma edição dos Jogos Asiáticos em que a China liderou o quadro de medalhas, com 341 conquistas, incluindo 169 ouros. O Japão obteve seu melhor resultado na competição, com 269 medalhas, incluindo 83 ouros. Agora, os atletas paralímpicos japoneses buscam seus próprios resultados, com a expectativa de superar as 198 medalhas conquistadas pelo país nos Jogos Para-Asiáticos de Jacarta 2018.
Descobrir novos atletas para os próximos Jogos Paralímpicos
A equipe japonesa inclui 31 atletas identificados pelo Japan Rising Star Project, conhecido como J-STAR. A iniciativa nacional começou no ano fiscal de 2017 para encontrar e desenvolver pessoas com potencial para competir internacionalmente.
Apenas seis dos 31 atletas já participaram de uma edição dos Jogos Paralímpicos. O grupo oferece, portanto, uma grande reserva de competidores para o Japão, que busca experiência antes de Los Angeles. Oito são adolescentes e 15 estão na faixa dos 20 anos, embora os representantes do projeto tenham até mais de 50 anos.
Na edição anterior dos Jogos Para-Asiáticos, 18 atletas do projeto conquistaram 15 medalhas, incluindo cinco ouros. O grupo atual, com 31 integrantes, é 13 atletas maior, um aumento de cerca de 72%. Esses números mostram que o programa está mais amplamente representado na equipe nacional desta vez.
Os nadadores mais jovens e os atletas do J-STAR enfrentam o mesmo desafio imediato: competir contra adversários internacionais. Ao inscrever atletas nas 18 modalidades, o Japão oferece oportunidades a esses competidores em desenvolvimento ao lado de campeões consagrados, em vez de limitar a delegação aos candidatos a medalha mais conhecidos.
Acessibilidade e público influenciam o impacto dos Jogos
O presidente do Comitê Paralímpico Asiático, Majid Rashed, usou a cerimônia de abertura para destacar a capacidade do esporte de aproximar pessoas apesar de suas diferenças.
O esporte aproxima as pessoas quando, às vezes, o mundo tenta separá-las. Aqui, nossas diferenças não nos dividem.
Os organizadores querem que os Jogos ampliem a conscientização sobre as pessoas com deficiência após os Jogos Paralímpicos de Tóquio, em 2021. Hideaki Omura, governador de Aichi e presidente do comitê organizador, disse que o principal objetivo do evento é mudar as atitudes e os comportamentos das pessoas em direção a uma sociedade que respeite a diversidade.
A cerimônia incluiu medidas práticas para facilitar o acompanhamento das apresentações. Explicações em áudio e legendas foram transmitidas para smartphones, enquanto telões exibiam legendas e língua de sinais. Esses serviços ofereceram ao público diferentes formas de acompanhar o mesmo evento.
A presença do público foi desigual. Havia assentos vazios durante a cerimônia, que durou cerca de duas horas, inclusive em setores onde a maioria das cadeiras estava desocupada. Em 16 de outubro, os organizadores haviam informado que a venda de ingressos para a cerimônia de abertura estava entre 60% e 80%. Para as provas de tênis em cadeira de rodas, natação, rúgbi em cadeira de rodas, badminton e tiro esportivo, as vendas ultrapassaram 90%.
Os números finais de público não foram divulgados. Ainda assim, os dados de venda mostram forte procura por várias modalidades e criam oportunidades para que espectadores conheçam atletas e competições que talvez raramente vejam ao vivo.
Uma primeira edição como anfitrião com raízes em Oita
Aichi-Nagoya é a quinta edição dos Jogos Para-Asiáticos desde que o evento assumiu seu formato atual em Guangzhou, na China, em 2010. O Japão recebe a competição pela primeira vez, mas a história anterior do movimento tem uma ligação direta com o país.
O evento que deu origem aos Jogos, os Jogos do Extremo Oriente e do Pacífico Sul para Pessoas com Deficiência, começou na província de Oita em 1975. Foram realizadas nove edições antes de a competição ser reorganizada como Jogos Para-Asiáticos.
Mais de meio século depois daquele primeiro encontro em Oita, o Japão recebe um número recorde de delegações para a competição que o sucedeu. A semana reúne defesas de títulos, oportunidades para atletas em ascensão e caminhos diretos para Los Angeles, com competições até 24 de outubro.
Principais pontos
- Os Jogos foram abertos em Nagoya em 18 de outubro e vão até 24 de outubro de 2026.
- Um recorde de 45 países e regiões participa do evento, com cerca de 3.000 atletas entre aproximadamente 4.000 atletas e oficiais.
- O programa oficial inclui 18 modalidades e 502 provas nas províncias de Aichi e Shizuoka.
- O Japão inscreveu 282 atletas, incluindo 120 estreantes nos Jogos Para-Asiáticos e 17 medalhistas de ouro de Paris 2024.
- Os campeões das disputas individuais masculina e feminina de tênis em cadeira de rodas se classificarão diretamente para Los Angeles 2028.
- O rúgbi em cadeira de rodas retorna, enquanto o Japão defende o título masculino de basquete em cadeira de rodas.
- Serviços de acessibilidade e a forte procura por ingressos para várias modalidades acompanham o objetivo dos anfitriões de mudar as atitudes em relação à deficiência.






