Mais apoio aos investidores, com contrapartidas
O governo do Vietnã propôs vincular incentivos especiais de investimento a compromissos de transferência de tecnologia, capacitação de trabalhadores vietnamitas e uso de fornecedores nacionais. O apoio poderá ser ajustado ou retirado se os investidores não cumprirem o que prometeram. As mudanças fazem parte de uma iniciativa para colocar o ambiente de investimentos do país entre os três melhores da ASEAN e entre os 30 melhores do mundo até 2028.
Conteúdo
- Mais apoio aos investidores, com contrapartidas
- Por que uma nova revisão está sendo proposta
- Como investidores estrangeiros poderiam ter acesso facilitado
- Quatro tipos de apoio vinculados a resultados
- Quem controlaria o Fundo de Apoio ao Investimento?
- Parques industriais verdes e prioridades regionais
- Procedimentos mais rápidos precisam estar alinhados às regras de uso da terra e do mar
- Uma plataforma digital única para investidores
- Avaliar resultados e proteger a estabilidade das políticas
- Principais pontos
O ministro das Finanças, Ngo Van Tuan, apresentou a proposta em 23 de outubro de 2026, durante a segunda sessão da 16ª Assembleia Nacional, por autorização do primeiro-ministro. O projeto contém três artigos que abrangem quatro áreas de política: acesso de investidores estrangeiros, incentivos e apoio, procedimentos de investimento e administração pública com suporte de sistemas digitais.
O pacote combina a facilitação da entrada em setores restritos com um acompanhamento mais rigoroso da contribuição dos projetos após a aprovação. As empresas poderão receber apoio para produção, equipamentos, pesquisa e capacitação, enquanto o governo avaliará se cumprem seus compromissos e usam a terra, os recursos e a energia de forma eficiente.
Phan Van Mai, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos e Financeiros da Assembleia Nacional, apresentou uma análise que, em linhas gerais, apoia a revisão. Ainda assim, a comissão pediu limites mais claros para os poderes do governo, condições mensuráveis para incentivos especiais e a manutenção da fiscalização legislativa sobre o Fundo de Apoio ao Investimento.
O governo propõe que a lei entre em vigor em 31 de março de 2027. A aprovação, as regras definitivas de elegibilidade e a divisão dos poderes de fiscalização ainda serão decididas. Para empresas que planejam instalar fábricas ou fazer outros grandes investimentos, essas decisões determinarão tanto o apoio disponível quanto as obrigações associadas a ele.
Por que uma nova revisão está sendo proposta
A legislação de investimentos do Vietnã já passou por várias mudanças recentes. O ministro das Finanças, Tuan, afirmou que a Lei de Investimentos nº 143 entrou em vigor em 1º de março de 2026 e foi posteriormente alterada pela Lei nº 24. Alguns integrantes da comissão pediram ao governo que explicasse melhor por que outra alteração seria necessária depois das mudanças aprovadas na sessão parlamentar extraordinária de agosto de 2026.
O governo aponta novas diretrizes de política, entre elas a Resolução nº 10-NQ/TW do Birô Político, sobre o desenvolvimento da economia com investimento estrangeiro. A comissão também citou a Conclusão nº 18-KL/TW ao explicar os fundamentos da revisão.
O site de consulta da Assembleia Nacional disponibiliza uma versão anterior do projeto da Lei de Investimentos, datada de 11 de dezembro de 2025 e preparada para a 10ª sessão da 15ª Assembleia Nacional. O documento identifica o Ministério das Finanças como órgão responsável pela elaboração e a Comissão de Assuntos Econômicos e Financeiros como responsável pela análise. Suas disposições abrangem garantias de investimento, acesso ao mercado, incentivos e apoio.
A sequência legislativa ajuda a explicar a preocupação da comissão com as mudanças frequentes:
- 11 de dezembro de 2025: O projeto anterior e abrangente da Lei de Investimentos foi datado para análise pela 15ª Assembleia Nacional.
- 1º de março de 2026: A Lei de Investimentos nº 143 entrou em vigor, segundo o ministro das Finanças.
- Agosto de 2026: O Parlamento revisou a lei em uma sessão extraordinária.
- 23 de outubro de 2026: O governo apresentou a proposta de alteração mais recente.
- 31 de março de 2027: O governo propõe que as mudanças mais recentes entrem em vigor.
- 2028: O governo pretende alcançar suas metas regionais e globais para o ambiente de investimentos.
Como investidores estrangeiros poderiam ter acesso facilitado
O projeto permitiria ao governo flexibilizar as condições em setores com restrições de acesso para investidores estrangeiros, levando em conta as circunstâncias econômicas e as necessidades de gestão. As mudanças teriam de proteger a defesa e a segurança nacionais, garantir transparência e tratamento igualitário e respeitar os compromissos internacionais do Vietnã.
O acesso ao mercado diz respeito à possibilidade de um investidor estrangeiro entrar em determinado setor e às condições para isso. O artigo 8 do projeto de dezembro de 2025 lista condições como limites à participação estrangeira, modalidades de investimento permitidas, escopo das atividades e requisitos relativos à capacidade do investidor ou a seus parceiros.
O ministro das Finanças, Tuan, descreveu as salvaguardas que acompanhariam a flexibilização proposta. Em vietnamita, ele afirmou:
A flexibilização deve garantir a defesa e a segurança nacionais, abertura, transparência, não discriminação e compatibilidade com os compromissos internacionais.
A proposta prevê uma etapa de controle legislativo. Quando as condições constarem de normas cuja aprovação cabe à Assembleia Nacional ou à sua Comissão Permanente, o governo consultará a Comissão Permanente antes de fazer alterações.
A comissão responsável pela análise quer uma implementação gradual, amparada por uma avaliação completa dos efeitos, especialmente em setores sensíveis. A preocupação é econômica e jurídica: as decisões do governo precisam ser compatíveis com as leis e as obrigações previstas em tratados que prevalecem sobre normas ordinárias de execução.
Quatro tipos de apoio vinculados a resultados
O governo propõe quatro modalidades adicionais de apoio ao investimento: desenvolvimento de cadeias de suprimentos; produção de produtos de alta tecnologia; investimentos que criem ativos fixos; e cooperação entre empresas, universidades, instituições de ensino profissionalizante e organizações de ciência e tecnologia. A discussão sobre a política também abrange melhorias de produtos e tecnologias e custos iniciais de investimento.
Ativos fixos são recursos que uma empresa utiliza por vários anos, como edifícios, máquinas e equipamentos de produção. O apoio a cadeias de suprimentos diz respeito à rede de empresas que fornecem os materiais, componentes e serviços necessários à fabricação de um produto.
Os incentivos especiais teriam prazo limitado e seriam vinculados a compromissos de transferência de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, capacitação da força de trabalho vietnamita, desenvolvimento de fornecedores nacionais e transição verde. Os pacotes propostos também buscam apoiar a transição digital.
Para as empresas vietnamitas, o benefício pretendido vai além da atração de uma fábrica estrangeira. Um projeto poderia ajudar fornecedores locais a se qualificarem para receber pedidos, capacitar trabalhadores em métodos de produção mais avançados ou compartilhar tecnologias que fortaleçam a indústria nacional.
A comissão quer que a própria lei estabeleça os critérios básicos de elegibilidade, incluindo benefícios que alcancem outras empresas e contribuições para a competitividade nacional. Também quer um mecanismo claro que vincule o apoio prometido aos resultados concretos, deixando menos condições decisivas inteiramente a cargo de regulamentações posteriores do governo.
Quem controlaria o Fundo de Apoio ao Investimento?
O Fundo de Apoio ao Investimento concederia assistência com base nos custos elegíveis efetivamente incorridos, dentro da previsão orçamentária central aprovada anualmente pela Assembleia Nacional. Isso vincularia os pagamentos às despesas qualificadas e aos recursos públicos autorizados para cada ano.
O governo propõe ter autoridade para emitir regras detalhadas sobre o fundo sem consultar previamente a Comissão Permanente da Assembleia Nacional. Essas regras abrangeriam aspectos como modelo operacional, personalidade jurídica, recursos orçamentários, beneficiários elegíveis, condições, procedimentos e níveis de apoio.
A maioria dos integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos e Financeiros quer manter a exigência atual de análise prévia pela Comissão Permanente. A comissão argumenta que a escala financeira e o amplo alcance do fundo justificam a continuidade da fiscalização sobre a gestão dos recursos nacionais.
A divergência diz respeito à forma de verificar as regras detalhadas de gastos antes que entrem em vigor. A aprovação parlamentar anual do orçamento continuaria fazendo parte do modelo de financiamento proposto, enquanto a comissão defende uma camada adicional de análise sobre o funcionamento do fundo.
A comissão também pediu uma definição mais clara das competências do governo, do primeiro-ministro e da Comissão Permanente na decisão sobre pacotes excepcionais de apoio, incluindo limites de conteúdo e de recursos orçamentários. Para quem solicita o benefício, essas regras determinariam como o apoio seria negociado, aprovado e pago.
Parques industriais verdes e prioridades regionais
O projeto propõe uma depreciação acelerada de até duas vezes a taxa normal para ativos fixos elegíveis em parques industriais ecológicos. A depreciação distribui o custo de um ativo ao longo de sua vida útil para fins contábeis e para os cálculos tributários pertinentes. Uma taxa mais rápida antecipa o reconhecimento de uma parcela maior desse custo.
A apresentação do ministério prevê estender para até 70 anos o prazo de projetos de investimento em infraestrutura. A proposta mais ampla também prevê prazos de operação maiores para projetos em parques industriais ecológicos, com o mesmo limite de 70 anos. A política de parques industriais verdes pretende que eles representem cerca de 10% dos parques industriais do país, aproximadamente um em cada dez.
A atração de investimentos também variaria de acordo com a localização. Polos de crescimento dariam prioridade a projetos modernos, verdes e de alta tecnologia, com maior geração de valor. Áreas no entorno ou satélites se concentrariam em processamento, manufatura e indústrias de apoio, enquanto outras localidades selecionariam projetos adequados a seus pontos fortes.
Os Conselhos Populares provinciais poderiam usar recursos dos orçamentos locais para apoiar os custos de capacitação da força de trabalho das empresas, respeitando os limites definidos pelo governo. Entre as opções de formação propostas estão instituições nacionais e estrangeiras; a discussão sobre a política também inclui instalações das próprias empresas no Vietnã e no exterior.
Essas medidas conectam a estratégia nacional de investimentos às decisões locais. As províncias teriam margem para apoiar o desenvolvimento de competências, mas os gastos dependeriam da capacidade orçamentária, das prioridades locais e dos limites nacionais.
Procedimentos mais rápidos precisam estar alinhados às regras de uso da terra e do mar
O projeto estenderia procedimentos especiais de investimento a determinados projetos em setores elegíveis a incentivos e apoio especiais, mesmo quando localizados fora de zonas funcionais concentradas. Essas zonas incluem parques industriais, zonas de processamento de exportações e parques de alta tecnologia.
A elegibilidade dependeria das condições fundiárias. A comissão pediu ao governo que explicasse com precisão como o registro de investimentos se articularia com a desapropriação, a destinação e o arrendamento de terras, especialmente nos casos em que o Estado ainda não tivesse desapropriado a área.
Para uma empresa, um procedimento de investimento mais rápido ainda precisa estar conectado às etapas que tornam um terreno legalmente disponível. A comissão quer que essas etapas sejam alinhadas, para que a tramitação acelerada não deixe os investidores diante de questões fundiárias pendentes depois.
Os projetos que utilizarem áreas marítimas também passariam por mudanças. A proposta introduz leilões de direitos de uso do mar na seleção de investidores que buscam a destinação de áreas marítimas pelo Estado, além de procedimentos de aprovação e possíveis isenções ou reduções das taxas de uso do mar.
A comissão quer que a lei especifique o escopo, os critérios e os princípios para as isenções de leilões ou licitações competitivas. Também pede compatibilidade com a legislação sobre terras, licitações, recursos marinhos e meio ambiente, em vez de referências amplas que deixem as exceções a cargo de regulamentações posteriores.
Uma plataforma digital única para investidores
O Portal Nacional Unificado de Investimentos se tornaria uma plataforma digital integrada, que conectaria dados de investimento e permitiria, gradualmente, concluir procedimentos online do início ao fim. O objetivo declarado pelo governo é reduzir o tempo e os custos de conformidade.
O projeto de dezembro de 2025 já diferencia duas ferramentas nacionais de investimento. O Banco de Dados Nacional de Investimentos reúne informações sobre projetos em todo o país e se conecta aos bancos de dados de outros órgãos. O Sistema Nacional de Informações sobre Investimentos apoia o monitoramento, a avaliação e a análise, além de oferecer serviços aos investidores.
A comissão quer que a relação entre esses sistemas e o portal proposto seja definida com clareza. Ela pediu que sejam explicitadas as responsabilidades pela gestão, atualização, conexão, compartilhamento e utilização dos dados de investimento.
O pedido mais prático diz respeito à repetição de documentos: os investidores não deveriam ter de apresentar informações que já constem dos bancos de dados do governo. Para isso, os órgãos precisam compartilhar registros que possam ser utilizados, além de disponibilizar uma tela para solicitações online.
O projeto atribuiria ao Ministério das Finanças a responsabilidade pelas zonas econômicas, enquanto o Ministério da Indústria e Comércio ficaria à frente da gestão dos parques industriais e das zonas de processamento de exportações. A definição clara das responsabilidades administrativas e pelos dados seria importante quando os projetos passassem de um órgão a outro.
Avaliar resultados e proteger a estabilidade das políticas
A proposta acrescenta a avaliação da eficácia dos investimentos na Cláusula 4a do Artigo 45. As verificações monitorariam os compromissos dos investidores e permitiriam medidas quando os projetos não apresentassem resultados, desperdiçassem terra, recursos ou energia, ou prejudicassem o meio ambiente, a ordem pública ou a segurança.
As alterações à Cláusula 3 do Artigo 49 redirecionariam a promoção de investimentos: em vez de atrair projetos em grande número, a prioridade passaria a ser selecionar investimentos por sua qualidade, inovação, transferência de tecnologia, desenvolvimento da força de trabalho e contribuição econômica concreta. Os esforços de promoção se concentrariam mais em buscar, negociar com e apoiar investidores e projetos estratégicos.
Dau Anh Tuan, vice-secretário-geral e chefe do Departamento Jurídico da Câmara de Comércio e Indústria do Vietnã, afirmou que as empresas querem que os compromissos de políticas estáveis e transparentes se traduzam em proteções que possam ser aplicadas na prática.
O pedido da comissão por disposições transitórias cuidadosas responde a essa preocupação. Ela quer proteger os direitos legais dos investidores e evitar lacunas durante a substituição das regras antigas pelas novas. O projeto de dezembro de 2025 contém proteções relativas a mudanças nos incentivos, incluindo a manutenção do tratamento vigente pelo restante do período de incentivo em circunstâncias especificadas.
O pacote também propõe alterar a Lei de Execução de Sentenças Cíveis nº 106/2025/QH15 para permitir que os órgãos de execução sejam organizados como empresas. A comissão pediu uma explicação mais clara da necessidade e da base jurídica da mudança, além de uma análise de suas disposições transitórias.
A proposta do Vietnã, portanto, combina duas tarefas: facilitar o início dos investimentos e condicionar mais o apoio ao desempenho. As revisões solicitadas pela comissão buscam tornar ambos os aspectos previsíveis, com critérios claros de elegibilidade, procedimentos legais, fiscalização definida e proteções durante a transição.
Principais pontos
- O Vietnã pretende colocar seu ambiente de investimentos entre os três melhores da ASEAN e entre os 30 melhores do mundo até 2028.
- O governo apresentou a alteração em 23 de outubro de 2026 e propõe que ela entre em vigor em 31 de março de 2027.
- Os incentivos especiais dependeriam de compromissos como transferência de tecnologia, capacitação de trabalhadores e desenvolvimento de fornecedores nacionais.
- O apoio poderia ser ajustado ou retirado se os investidores não cumprissem seus compromissos.
- A comissão responsável pela análise quer manter a fiscalização da Comissão Permanente sobre as regras detalhadas do Fundo de Apoio ao Investimento.
- As medidas verdes incluem depreciação de até duas vezes a taxa normal e prazos propostos de até 70 anos para projetos.
- Os parlamentares querem procedimentos mais claros para terras e áreas marítimas, bancos de dados de investimento conectados e proteção dos direitos atuais dos investidores.






