Japão propõe aprovação prévia para negociações de terrenos perto de bases e ilhas remotas na fronteira

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Japan Proposes Prior Approval for Land Deals Near Bases and Remote Border Islands

Verificações de segurança seriam feitas antes da transferência de terrenos

O governo do Japão apresentou ao Parlamento, em 23 de outubro de 2026, um projeto de lei que exigiria aprovação prévia para aquisições de terrenos e transferências de propriedade em áreas designadas próximas a instalações sensíveis e em ilhas remotas desabitadas na fronteira. Transações concluídas sem autorização seriam inválidas, e as violações poderiam resultar em até três anos de prisão ou multa de até 3 milhões de ienes, cerca de US$ 19 mil.

Conteúdo
  1. Verificações de segurança seriam feitas antes da transferência de terrenos
  2. Por que o governo está dando atenção aos drones
  3. Quais áreas exigiriam autorização?
  4. Quem estaria sujeito a restrições de propriedade?
  5. Como funciona a lei atual
  6. O que acontece com uma transação não autorizada?
  7. Empresas poderiam ser obrigadas a vender
  8. Inspeções ajudariam a fiscalizar o cumprimento
  9. Dados sobre compras e cronograma legislativo
  10. Principais pontos

O gabinete da primeira-ministra Sanae Takaichi aprovou a proposta antes de apresentá-la. A administração quer que o Parlamento a aprove durante a sessão atual, que vai até meados de dezembro. Em geral, o projeto proibiria transferências para governos estrangeiros e militares, e as restrições também abrangeriam empresas efetivamente controladas por eles e pessoas obrigadas a auxiliar governos estrangeiros na coleta de informações de inteligência.

A proposta mudaria a forma como o Japão administra terrenos nas proximidades de locais importantes para a segurança. O sistema atual investiga o uso de imóveis, exige notificações de transações em áreas especialmente monitoradas e permite medidas contra atividades que obstruam instalações sensíveis. O projeto acrescentaria a exigência de autorização do governo antes de uma mudança de propriedade nas zonas restritas propostas.

Por que o governo está dando atenção aos drones

O secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, relacionou a proposta à evolução da guerra durante a invasão russa da Ucrânia. Em uma coletiva de imprensa regular em Tóquio, ele descreveu a preocupação do governo com equipamentos escondidos perto de possíveis alvos:

Em meio às novas formas de guerra observadas na invasão russa da Ucrânia, cresce o risco de que terrenos e outros imóveis próximos a instalações importantes sejam usados como bases para ataques contra essas instalações, com recursos não tripulados armazenados secretamente nesses locais,

A preocupação do governo é com o uso de imóveis próximos para armazenar equipamentos e preparar ataques. Um drone é uma aeronave operada sem piloto a bordo. Nesta proposta, a proximidade importa porque um terreno perto de uma instalação sensível pode oferecer um local de onde equipamentos não tripulados poderiam ser lançados.

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As bases das Forças de Autodefesa estão entre as instalações consideradas potencialmente vulneráveis. As restrições propostas vinculariam as verificações de propriedade aos poderes que o governo já tem para investigar atividades nos arredores desses locais.

Quais áreas exigiriam autorização?

O projeto designaria zonas restritas em ilhas remotas desabitadas na fronteira e em áreas situadas a cerca de um quilômetro de instalações importantes sujeitas a ataques de drones. Aquisições e transferências de propriedade nessas zonas exigiriam autorização prévia do governo.

O Japão já adota uma distância semelhante em seu sistema de monitoramento de terrenos. A visão geral da regulamentação de terrenos do Gabinete do Governo explica que as zonas monitoradas podem abranger áreas a cerca de 1.000 metros de instalações importantes, incluindo instalações de defesa, bem como áreas em ilhas territoriais remotas.

O sistema atual também prevê zonas de monitoramento especial. Elas se aplicam quando uma instalação ou ilha tem uma função particularmente importante, ou quando essa função é fácil de obstruir e difícil de substituir em outro local. As zonas restritas propostas introduziriam um processo adicional de aprovação de propriedade, voltado aos riscos de segurança descritos pelo governo.

Quem estaria sujeito a restrições de propriedade?

Em geral, governos estrangeiros e militares seriam proibidos de adquirir terrenos nas zonas restritas. A proposta também abrangeria empresas efetivamente controladas por esses grupos, ampliando a análise para além do nome formalmente registrado como comprador.

O controle empresarial importa porque uma companhia pode deter a propriedade legal enquanto outra organização dirige suas decisões. Pela abordagem proposta, o governo verificaria se um governo estrangeiro ou agente militar controla efetivamente uma empresa que pretende adquirir terrenos.

Pessoas obrigadas a cooperar com governos estrangeiros na coleta de informações de inteligência também estariam sujeitas a restrições. As categorias descritas pelo governo se concentram em vínculos com Estados, condição de militar, controle empresarial efetivo e obrigações ligadas à inteligência. A nacionalidade estrangeira, por si só, é um critério mais amplo do que os motivos listados para proibir uma transferência em geral.

Para os vendedores, a exigência de autorização passaria a ser uma etapa necessária para concluir uma transação em uma zona restrita. Para os possíveis compradores, a elegibilidade dependeria de se enquadrarem ou não nas categorias proibidas e de o governo conceder a autorização.

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Como funciona a lei atual

A legislação que seria alterada é a Lei sobre a Análise e Regulamentação do Uso de Imóveis no Entorno de Instalações Importantes e em Ilhas Territoriais Remotas, Lei nº 84 de 2021. Ela foi promulgada em 23 de junho de 2021 e entrou plenamente em vigor em 20 de setembro de 2022.

O Gabinete do Governo descreve um sistema atual baseado na identificação de áreas sensíveis, na investigação do uso de terrenos e edifícios e na adoção de medidas quando esse uso obstrui as funções de instalações importantes ou de ilhas. Partes que firmam contratos para transferir ou constituir direitos de propriedade e outros direitos abrangidos em zonas de monitoramento especial devem apresentar notificações.

Uma notificação informa as autoridades sobre uma transação. A aprovação prévia torna a autorização do governo uma condição para a realização do negócio. A alteração proposta acrescentaria essa exigência mais rigorosa nas zonas restritas, além de controles sobre quem pode adquirir a propriedade.

A página da legislação em inglês do Gabinete do Governo traz links para a lei, seu decreto de execução e seu regulamento de execução. Esses documentos compõem o marco legal que o novo projeto alteraria.

O que acontece com uma transação não autorizada?

Uma transação de terreno realizada sem a autorização exigida seria inválida segundo a proposta. Pedidos de registro do imóvel também seriam rejeitados. O registro é o processo formal usado para documentar a propriedade e os direitos relacionados.

Essas medidas afetariam a própria transação e também sujeitariam os infratores a punições. A pena criminal máxima descrita na proposta é de três anos de prisão ou multa de 3 milhões de ienes. Assim, o governo teria instrumentos tanto para impedir que uma transferência de propriedade produza efeitos legais quanto para punir uma violação.

Para quem compra ou vende imóveis em uma zona restrita, a autorização precisaria ser tratada antes da conclusão do negócio. A consequência de prosseguir sem ela iria além de um problema administrativo com a documentação: a própria transferência seria inválida.

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Empresas poderiam ser obrigadas a vender

Uma empresa poderia deixar de ser elegível para possuir terrenos após adquiri-los, inclusive em decorrência de uma fusão ou outra mudança societária. A proposta exigiria que essa empresa transferisse o imóvel a terceiros no prazo de um ano.

Se a empresa não transferisse o terreno nesse período, o governo poderia pedir a um tribunal que ordenasse sua venda em leilão. Assim, o tribunal teria participação no processo caso a empresa não cumprisse a exigência de transferência.

Essa disposição manteria as restrições de propriedade relevantes mesmo depois da compra original. Uma fusão pode mudar quem controla uma empresa, ainda que ela continue sendo a proprietária registrada do imóvel. Empresas que possuam terrenos em zonas restritas precisariam considerar como mudanças posteriores no controle societário afetam sua elegibilidade para mantê-los.

Inspeções ajudariam a fiscalizar o cumprimento

Funcionários do Gabinete do Governo teriam acesso a um sistema para realizar inspeções no próprio imóvel. A polícia também poderia inspecioná-lo quando necessário. Se identificasse atividades que obstruíssem as funções de instalações designadas, poderia recomendar que o primeiro-ministro solicitasse medidas corretivas.

A lei atual já permite recomendações e ordens para que usuários de imóveis adotem as medidas necessárias quando terrenos ou edifícios são usados para obstruir instalações importantes ou ilhas territoriais remotas. O projeto acrescentaria poderes de inspeção para apoiar a fiscalização.

A análise de propriedade e as inspeções de imóveis abordariam diferentes etapas da preocupação do governo. A aprovação determinaria quem pode adquirir o terreno, enquanto as inspeções ajudariam as autoridades a examinar o que acontece nele. Ambas seriam aplicadas nos arredores das instalações e ilhas designadas abrangidas pelas regras.

Dados sobre compras e cronograma legislativo

Um estudo do governo constatou que pessoas físicas ou entidades estrangeiras compraram 3.498 imóveis nas proximidades de instalações críticas para a segurança e ilhas remotas no ano fiscal de 2024. Quase metade dessas compras foi atribuída a compradores da China. O Gabinete do Governo publica informações sobre aquisições nos anos fiscais de 2023 e 2024 como parte da administração da lei atual.

O número contabiliza imóveis, e não compradores distintos ou a área de terreno adquirida. Sua relevância para a proposta está no volume de transações em locais que já recebem atenção por motivos de segurança. As regras de aprovação propostas avaliariam as aquisições com base nas zonas designadas e nas categorias de compradores definidas no projeto.

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O sistema japonês de segurança fundiária se desenvolveu ao longo de vários anos:

  • 17 de julho de 2020: Uma decisão do Gabinete do Governo pediu a coleta de informações sobre a propriedade de terrenos e a análise de medidas para abordar preocupações de segurança.
  • 23 de junho de 2021: Foi promulgada a Lei nº 84 de 2021.
  • 20 de setembro de 2022: A lei atual entrou plenamente em vigor.
  • Ano fiscal de 2024: Um estudo do governo registrou 3.498 compras de imóveis por pessoas físicas ou entidades estrangeiras nas proximidades de instalações sensíveis e ilhas remotas.
  • 23 de outubro de 2026: O Gabinete do Governo aprovou o projeto de alteração, e o governo o apresentou ao Parlamento.
  • Meados de dezembro de 2026: A sessão parlamentar atual tem previsão de encerramento, estabelecendo o prazo pretendido pelo governo para a aprovação.

O projeto ainda precisa da aprovação do Parlamento. Uma data para a entrada em vigor das mudanças propostas não foi anunciada. Até que a legislação entre em vigor, o sistema atual de monitoramento, notificações e medidas contra usos que obstruam as atividades continuará sendo a base para a regulamentação dessas áreas.

Principais pontos

  • O Japão propõe exigir aprovação prévia para aquisições de terrenos e transferências de propriedade em zonas sensíveis designadas.
  • As zonas abrangeriam ilhas remotas desabitadas na fronteira e áreas situadas a cerca de um quilômetro de instalações importantes vulneráveis a ataques de drones.
  • Governos estrangeiros, militares e determinados compradores a eles ligados seriam, em geral, proibidos de adquirir propriedades.
  • Transações não autorizadas seriam inválidas, e as violações poderiam ser punidas com até três anos de prisão ou multa de 3 milhões de ienes.
  • Empresas que deixassem de ser elegíveis após uma fusão ou outro evento teriam um ano para transferir o terreno, antes que o governo pudesse pedir a um tribunal que determinasse um leilão.
  • O governo busca aprovar o projeto durante a sessão parlamentar que termina em meados de dezembro.
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