Mortes em acidentes de moto chegam a 16.027 em Bangladesh, com jovens entre as principais vítimas

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Bangladesh Motorcycle Deaths Reach 16,027 as Young Riders Bear Heavy Toll

Jovens perdem a vida enquanto mortes em acidentes de moto passam de 16 mil

Acidentes de moto mataram 16.027 pessoas e deixaram 14.547 feridas em Bangladesh entre janeiro de 2020 e setembro de 2026, segundo a Road Safety Foundation (RSF). O levantamento, que contabilizou 16.402 acidentes, foi divulgado enquanto o governo prepara uma proposta de lei de segurança viária que prevê atendimento emergencial gratuito, proteção para quem ajuda vítimas de acidentes e aumento das penalidades para reincidentes em infrações de trânsito.

Conteúdo
  1. Jovens perdem a vida enquanto mortes em acidentes de moto passam de 16 mil
  2. O que os números mostram ao longo do tempo
  3. Veículos pesados e perda de controle predominam
  4. Rodovias regionais concentram o maior número de acidentes
  5. O número de vítimas em Dhaka vai além dos motociclistas
  6. Por que as pessoas continuam escolhendo motos
  7. Capacetes, velocidade e jornada de trabalho precisam de atenção
  8. O total geral de mortes exige registros mais confiáveis
  9. O que mudaria com a proposta de lei
  10. Principais pontos

A análise detalhada da fundação até julho mostra onde está boa parte do perigo: veículos pesados atingiram motos em 6.314 acidentes, enquanto os motociclistas perderam o controle em outros 5.497. Pessoas de 13 a 35 anos representaram 58% dos mortos ou feridos. As rodovias regionais registraram mais acidentes do que as rodovias nacionais, as vias urbanas ou as estradas rurais.

Por trás desses números, famílias perdem trabalhadores, pais e filhos. Em 23 de setembro, um caminhão atingiu uma moto que levava dois amigos na área de Sayeednagar, em Bhatara, Dhaka. Sumon, que trabalhava com grades metálicas e pilotava a moto, morreu depois de ser levado ao hospital. Seu amigo Robiul, de 22 anos, ficou ferido. Outro passageiro, Imam Hossain, morreu no mesmo dia após um ônibus atingir uma moto.

Em 9 de setembro, Hridoy, de 27 anos, morreu depois de perder o controle da moto perto da ponte Kuchiamora, na via expressa Dhaka–Mawa, em Sirajdikhan, distrito de Munshiganj. Sazzad, de 24 anos, ficou gravemente ferido. Hridoy havia voltado da Arábia Saudita quatro meses antes e se preparava para retornar ao trabalho. Ele deixou uma filha.

A promessa do governo de aprovar uma lei abrangente de segurança viária até 2027 agora se soma às demandas por mudanças imediatas: redução da velocidade, mais segurança nos encontros entre motos e caminhões, capacetes melhores, jornada de trabalho regulamentada e transporte público que as pessoas possam usar com conforto.

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O que os números mostram ao longo do tempo

A RSF divulgou sua análise detalhada dos acidentes de moto em 8 de agosto, abrangendo o período de janeiro de 2020 a julho de 2026. Foram registrados 16.065 acidentes, 15.712 mortes e 14.143 feridos. Os totais posteriores, de setembro, ampliam esse período em dois meses. Os dados por tipo de acidente, responsabilidade e localização da via referem-se ao levantamento até julho.

Os números anuais de mortes mostram uma forte alta depois de 2020, um pico em 2022 e um número ainda elevado nos anos seguintes:

  • 2020: 1.463 pessoas morreram em acidentes de moto.
  • 2021: 2.214 mortos.
  • 2022: 3.091 mortos, o maior total anual de mortes listado.
  • 2023: 2.487 mortos.
  • 2024: 2.609 mortos.
  • 2025: 2.671 mortos, segundo o relatório anual da fundação; outro levantamento da RSF aponta 2.672.
  • Janeiro a julho de 2026: 1.177 mortos.
  • Janeiro a setembro de 2026: 1.492 mortos.

Com base nos números do relatório anual, as mortes em acidentes de moto aumentaram cerca de 83% entre 2020 e 2025, passando de 1.463 para 2.671. O total de 2025 ficou abaixo do pico de 3.091 em 2022, mas superou os números de 2023 e 2024.

Em 2025, motos estiveram envolvidas em 3.029 dos 7.584 acidentes de trânsito registrados pela fundação, ou 39,93%. Motociclistas e passageiros representaram 2.671 das 7.359 mortes no trânsito, ou 36,29%.

Veículos pesados e perda de controle predominam

Colisões com veículos pesados responderam por 39,30% dos 16.065 acidentes de moto analisados até julho de 2026. A perda de controle representou 34,21%, enquanto 3.548 colisões frontais corresponderam a 22,08%. Outros 706 acidentes foram classificados em outras categorias.

Juntas, as colisões com veículos pesados e a perda de controle somaram 11.811 acidentes, quase três quartos do total. Esses dados colocam duas medidas concretas no centro da prevenção: controlar a velocidade das motos e tornar mais seguras as vias em que elas circulam ao lado de veículos muito maiores.

A avaliação da fundação sobre a responsabilidade também atribui uma parcela maior aos veículos de carga do que aos motociclistas. A entidade atribuiu 6.481 acidentes, ou 40,34%, a veículos de transporte de cargas, contra 5.831, ou 36,29%, atribuídos exclusivamente a motociclistas. Ônibus responderam por outros 2.164 acidentes, ou 13,47%.

O vice-comissário da divisão de trânsito de Tejgaon, Rafiqul Islam, descreveu motociclistas que circulam sem capacete ou habilitação, fogem de abordagens policiais e aceleram até perder o controle das motos. Ele também apontou a pressão para transportar passageiros rapidamente e a tentação de acelerar em rodovias livres.

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Rodovias regionais concentram o maior número de acidentes

As rodovias regionais registraram 6.689 acidentes de moto até julho, ou 41,63% do total contabilizado pela fundação. Em seguida vieram as rodovias nacionais, com 4.773 acidentes; as vias urbanas, com 2.646; e as estradas rurais, com 1.957. Portanto, as rodovias regionais tiveram 1.916 acidentes de moto a mais do que as rodovias nacionais.

Rafiqul Islam destacou a ampla via Purbachal, em Dhaka, conhecida popularmente como 300 Feet Road, como um local em que o trânsito relativamente leve incentiva os motoristas a acelerar. Seu relato relaciona uma característica atraente de uma via larga e aberta a um problema recorrente de segurança: os motociclistas podem andar mais rápido justamente porque o trânsito parece mais livre.

A fundação recomendou vias marginais para veículos mais lentos e divisórias nas rodovias. As vias marginais oferecem um trajeto separado ao lado da via principal, reduzindo os encontros entre veículos que circulam em velocidades muito diferentes. As divisórias separam o tráfego em sentidos opostos e reduzem as chances de colisões frontais.

A Bangladesh Jatri Kalyan Samity, organização de defesa dos passageiros, também pediu travessias de pedestres mais seguras, sinalização e marcações viárias mais claras, auditorias regulares de segurança e retirada de circulação de veículos de transporte público antigos. Essas medidas tratam do ambiente viário, além do comportamento de cada motorista.

O número de vítimas em Dhaka vai além dos motociclistas

Dhaka registrou 1.849 acidentes de trânsito entre janeiro de 2020 e julho de 2026, com 1.384 mortos e 2.488 feridos, segundo a fundação. Entre as vítimas estavam 536 motociclistas e passageiros e 592 pedestres.

Esses dois grupos somaram 1.128 mortes, cerca de 81,5% do total na capital. Os números relacionam a segurança dos motociclistas à das pessoas que caminham para o trabalho, atravessam as ruas ou se deslocam até o transporte público.

Acidentes noturnos mataram 519 pessoas, o equivalente a 37,5% das mortes no trânsito registradas em Dhaka no período. Veículos pesados de carga estiveram envolvidos em 33,25% dos acidentes, e motos, em 26%. A circulação noturna de veículos pesados, as calçadas ocupadas e o tráfego misto motivaram pedidos por travessias mais seguras e maior controle da circulação de caminhões.

Em todo o país, a fundação registrou 4.211 mortes em 4.614 acidentes de trânsito entre janeiro e setembro de 2026. Acidentes de moto mataram 1.492 pessoas, cerca de 35,4% do total. Somente em setembro, 154 acidentes de moto mataram 139 pessoas; outras 106 vítimas eram pedestres e 53, motoristas e auxiliares de veículos que também morreram nas vias.

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Por que as pessoas continuam escolhendo motos

Dados da Bangladesh Road Transport Authority apontam 4.997.090 motos registradas. Até maio, havia 1.325.394 registros na região metropolitana de Dhaka. Segundo a fundação, as motos representam cerca de 71% de todos os veículos motorizados registrados.

Mozammel Hoque Chowdhury, secretário-geral da associação de defesa dos passageiros, estimou que cerca de 8 milhões de motos circulavam no país, um número mais amplo do que os quase 5 milhões registrados pela autoridade. Não se sabe quantas motos circulam diariamente pelas vias de Dhaka, já que motos registradas em outros locais também entram na capital, enquanto alguns veículos registrados não circulam.

Chowdhury apontou um motivo prático para a migração para as motos: um ônibus com 40 assentos pode transportar 80 passageiros. A lotação e a imprevisibilidade das viagens tornam a moto atraente para quem tenta chegar rapidamente ao trabalho ou a outro destino.

A fundação também relaciona a dependência das motos à insuficiência do transporte público e aos congestionamentos graves. Por isso, suas recomendações incluem transporte público acessível, a preços razoáveis e confortável, além de regras mais rigorosas para as motos.

Liton Ershad, secretário-geral da Nirapad Sarak Chai, pediu a implementação do plano de reorganização dos ônibus de Dhaka. A proposta consiste em organizar linhas e operações em uma rede coordenada, com o objetivo de reduzir a disputa por passageiros entre os ônibus, que pode levar a corridas e manobras bruscas.

Capacetes, velocidade e jornada de trabalho precisam de atenção

A fundação aponta o uso inadequado de capacetes de qualidade como um dos principais fatores que contribuem para as mortes em acidentes de moto. A entidade cita pesquisas segundo as quais capacetes adequados podem reduzir em cerca de 48% o risco de morte em um acidente e recomenda tornar obrigatório o uso de capacetes certificados.

Escolas, faculdades e redes sociais são outros alvos das ações de prevenção. A organização quer campanhas de segurança em instituições de ensino, campanhas digitais por meio da Bangladesh Telecommunication Regulatory Commission e mudanças nos anúncios de motos que, segundo a entidade, incentivam o excesso de velocidade. A fundação também aponta como prática perigosa as corridas de moto em alta velocidade associadas a atividades políticas.

Saidur Rahman, diretor-executivo da RSF, defendeu o uso de tecnologia para monitorar a velocidade e de treinamentos para melhorar o comportamento ao volante. Ele também afirma que motoristas profissionais podem trabalhar até 18 horas, sem salário fixo nem horários previsíveis, além de enfrentar fadiga e problemas de saúde.

Rahman afirmou que as empresas de transporte e os órgãos reguladores compartilham a responsabilidade por essas condições. Em tradução, ele disse:

A responsabilidade pelos acidentes não é só do motorista, mas também da administração.

Salários fixos, jornada de trabalho regulamentada, vínculos empregatícios formais e inspeções veiculares mais rigorosas estão entre as mudanças propostas. Md Shamsul Hoque, professor de engenharia civil da Bangladesh University of Engineering and Technology, também pediu que as autoridades responsáveis pela habilitação verifiquem se os motoristas conseguem lidar com as condições reais das vias antes de permitir que dirijam.

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O total geral de mortes exige registros mais confiáveis

A associação de defesa dos passageiros registrou 95.761 mortes e 168.000 feridos em 69.448 acidentes de trânsito entre 2014 e 2025. Somente em 2025, contabilizou 9.111 mortes, contra 7.359 apontadas pela fundação.

Uma declaração posterior da associação, abrangendo o período de janeiro de 2014 a 30 de junho de 2026, informou um total acumulado muito maior, de 125.405 mortes, além de 176.249 feridos e 72.736 acidentes. A associação não explicou como esse total de mortes se relaciona com o número divulgado para o período até 2025.

Tanto a declaração posterior da associação quanto o relatório anual da fundação de 2025 usaram informações compiladas a partir da cobertura da imprensa. A associação afirmou que o número real de vítimas pode ser maior. Registros melhores de acidentes também fazem parte da agenda de segurança, pois dão às autoridades uma base mais sólida para decidir onde alterar as vias, reforçar a fiscalização e melhorar o atendimento de emergência.

Em um debate realizado em 19 de outubro pelo Centre for Injury Prevention and Research Bangladesh, os participantes defenderam registros precisos de acidentes, treinamento em primeiros socorros para motoristas de ambulância e orientações sobre os cuidados após acidentes. Também propuseram incluir pessoas com deficiência nos programas de segurança e envolver proprietários e trabalhadores do setor de transporte na prevenção.

O que mudaria com a proposta de lei

O projeto da Lei de Segurança Viária de 2026 prevê atendimento emergencial gratuito às vítimas de acidentes e proteção legal para quem as socorrer. Também criaria um sistema de pontos na carteira e dobraria as multas para reincidentes. Nesse sistema, as infrações de trânsito registradas acrescentam pontos ao prontuário do motorista, e a repetição de infrações pode resultar em penalidades adicionais.

Sheikh Rabiul Alam, ministro dos Transportes Rodoviários, Ferrovias e Navegação, prometeu uma lei abrangente de segurança viária até 2027. Ele também apresentou propostas sobre normas para capacetes, limites de velocidade, atendimento de emergência e infraestrutura mais segura nas rodovias. As propostas ainda estão em fase de projeto, sem data exata para a aprovação.

Enquanto isso, a fundação pediu a aplicação efetiva da Lei de Transporte Rodoviário de 2018. A legislação vigente e a proposta aparecem em conjunto com o compromisso de Bangladesh de reduzir pela metade as mortes no trânsito até 2030.

O Dia Nacional de Segurança Viária é celebrado em 22 de outubro. A Nirapad Sarak Chai marcou uma manifestação para as 10h, saindo de seu escritório em Kakrail, Dhaka, em direção ao National Press Club. Seu líder, o ator Ilias Kanchan, pediu controle de velocidade perto de escolas, hospitais, mercados e residências, travessias de pedestres mais seguras, inspeções veiculares adequadas e treinamento suficiente para motoristas.

Kanchan também aponta a demora no atendimento de emergência como um fator que contribui para as mortes. A preocupação relaciona as propostas de atendimento do projeto de lei às necessidades imediatas das famílias após uma colisão: socorro rápido, transporte ao hospital e acesso a cuidados médicos.

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Principais pontos

  • A Road Safety Foundation registrou 16.027 mortes em 16.402 acidentes de moto entre janeiro de 2020 e setembro de 2026.
  • A análise detalhada até julho constatou que pessoas de 13 a 35 anos representaram 58% dos mortos ou feridos.
  • Colisões com veículos pesados e perda de controle responderam juntas por quase três quartos dos acidentes analisados até julho.
  • As rodovias regionais registraram 6.689 acidentes de moto, a maior parcela entre as categorias de vias.
  • Acidentes de moto responderam por 36,29% das mortes no trânsito registradas pela fundação em 2025.
  • O projeto da Lei de Segurança Viária de 2026 prevê atendimento de emergência gratuito, proteção para quem socorrer vítimas e penalidades mais rigorosas para infrações repetidas.
  • O governo prometeu aprovar uma lei abrangente de segurança viária até 2027, além de se comprometer a reduzir pela metade as mortes no trânsito até 2030.
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