Relatório sobre o incêndio em Wang Fuk Court é entregue enquanto Hong Kong prepara reformas e medidas de responsabilização

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Wang Fuk Court Fire Report Delivered as Hong Kong Prepares Reforms and Accountability Measures

Um milhão de arquivos, 30 audiências e um relatório à espera de publicação

O chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, recebeu em 22 de outubro de 2026 o relatório da comissão independente sobre o incêndio em Wang Fuk Court, após uma investigação que ouviu 80 testemunhas e reuniu mais de um milhão de arquivos. Ele prometeu anunciar em breve reformas abrangentes e medidas para apurar responsabilidades, enquanto busca orientação jurídica antes de divulgar as conclusões.

Conteúdo
  1. Um milhão de arquivos, 30 audiências e um relatório à espera de publicação
  2. Por que processos criminais afetam a publicação
  3. Como a investigação chegou a esta etapa
  4. Quem é criticado pela reforma?
  5. O que aconteceu quando os fiscais testaram a tela?
  6. Certificados, amostragem e uma política não comunicada
  7. Visitas repetidas não detectaram problemas de segurança contra incêndios
  8. Uma denúncia sobre fumo e 17 inspeções
  9. Quais reformas estão sendo preparadas?
  10. Principais pontos

A investigação examinou o desastre no conjunto habitacional de Tai Po e a supervisão de grandes projetos de manutenção de edifícios. As provas incluíram depoimentos de moradores, funcionários do governo, especialistas e prestadores de serviços de combate a incêndios, além de manifestações por escrito e argumentos de advogados que representavam os envolvidos.

O relatório deve ter centenas de páginas, divididas em dois volumes, com mais de 10 capítulos e versões em chinês e inglês. Informações que vieram à tona antes da publicação apontam críticas à empreiteira principal, à consultoria responsável pelas obras e a quatro órgãos do governo. Entre os departamentos, a Unidade Independente de Verificação do Departamento de Habitação é alvo das críticas mais fortes.

O governo se comprometeu a publicar o relatório, mas não definiu uma data para a divulgação nem para o anúncio das reformas. Lee afirmou que pessoas ligadas ao incêndio já foram acusadas de crimes, o que exige cautela com informações que possam afetar seus julgamentos.

Para os moradores e familiares das vítimas, a entrega marca uma nova etapa na busca por respostas sobre materiais perigosos usados na reforma, alertas ignorados e equipamentos de segurança contra incêndios. As decisões imediatas agora dizem respeito ao que o governo divulgará, a quais recomendações adotará e a como buscará responsabilizar os envolvidos.

Por que processos criminais afetam a publicação

Lee afirmou que o governo buscará orientação jurídica sobre como lidar com trechos relacionados a processos criminais. A questão é como divulgar as conclusões da investigação sem comprometer a imparcialidade dos julgamentos, nos quais os tribunais decidirão sobre as acusações contra cada réu.

Ao explicar a decisão, o chefe do Executivo, John Lee, afirmou:

"Como várias pessoas implicadas no incêndio em Wang Fuk Court foram acusadas de diferentes crimes, cabe ao governo identificar e considerar a melhor forma de lidar com as partes do relatório que possam estar relacionadas aos julgamentos criminais, para não prejudicar os processos judiciais", disse.

O trabalho da comissão abrange um conjunto de decisões mais amplo do que qualquer processo individual: como a reforma foi realizada, como os órgãos públicos a supervisionaram e quais mudanças são necessárias para evitar outro desastre. Os processos criminais tratarão das acusações contra pessoas específicas.

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Como a investigação chegou a esta etapa

O juiz David Lok presidiu a comissão, que teve Chan Kin-por e Rex Auyeung como integrantes. Lee anunciou sua criação em 12 de dezembro de 2025, e os trabalhos começaram oficialmente em 19 de dezembro de 2025.

A comissão realizou 30 audiências em seis rodadas, entre março e julho de 2026. As 80 testemunhas apresentaram provas factuais e técnicas. A investigação também analisou manifestações por escrito de pessoas e organizações, outras provas e argumentos jurídicos. Seus arquivos continham mais de dois trilhões de bytes de dados, o equivalente a mais de dois terabytes.

As principais datas mostram um processo que ultrapassou o prazo original, previsto para setembro:

  • Julho de 2024: O Departamento do Trabalho recebeu uma denúncia sobre trabalhadores fumando nos andaimes de Wang Fuk Court.
  • 28 de outubro de 2024: A Unidade Independente de Verificação testou uma tela de proteção dos andaimes que continuou queimando após 10 segundos.
  • 12 de dezembro de 2025: Lee anunciou a criação da comissão independente.
  • 19 de dezembro de 2025: A comissão iniciou oficialmente os trabalhos.
  • Março a julho de 2026: Seis rodadas de audiências examinaram o incêndio e as responsabilidades relacionadas.
  • Setembro de 2026: O prazo original para a entrega do relatório expirou depois que a comissão pediu uma prorrogação.
  • 22 de outubro de 2026: A comissão entregou o relatório a Lee.

O relatório vem após as primeiras cobranças por responsabilização depois do desastre. Em 3 de dezembro de 2025, haviam sido registradas pelo menos 128 mortes, e cerca de 150 moradores continuavam desaparecidos. Esses eram os números naquela fase da emergência, quando as buscas e o trabalho de identificação ainda estavam em andamento.

Quem é criticado pela reforma?

A empreiteira principal, identificada como 宏業, e a consultoria responsável pelas obras, 鴻毅, devem receber grande parte da responsabilidade no relatório. Os quatro órgãos públicos criticados são a Unidade Independente de Verificação do Departamento de Habitação, o Departamento de Edificações, o Departamento de Serviços de Bombeiros e o Departamento do Trabalho.

As conclusões apresentadas antes da publicação atribuem à Unidade Independente de Verificação a maior responsabilidade entre esses órgãos. O relatório também deve atribuir responsabilidade relativamente menor ao Departamento do Trabalho e deixar de fora da discussão sobre responsabilidades os funcionários nomeados para cargos políticos.

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As audiências expuseram divergências sobre como explicar o desastre. Victor Dawes, representante principal da comissão e advogado sênior, apontou responsabilidades regulatórias dos quatro órgãos. Nas alegações finais, em julho, ele defendeu que a reforma exigia mudanças estruturais, e não pequenos ajustes.

Jenkin Suen, advogado sênior que representou o governo, argumentou que condutas ilegais de particulares, incluindo empreiteiras e profissionais, causaram diretamente o incêndio e o elevado número de mortes. Ele reconheceu falhas na supervisão que permitiram que violações passassem despercebidas, mas rejeitou a ideia de que toda a responsabilidade deveria recair sobre o governo.

Essas posições colocaram no centro da investigação duas questões relacionadas: a conduta de quem executou as obras e a eficácia das medidas de proteção pública destinadas a detectar práticas perigosas.

O que aconteceu quando os fiscais testaram a tela?

A atuação da Unidade Independente de Verificação em relação à tela de proteção dos andaimes é um dos exemplos mais concretos examinados nas audiências. Em 28 de outubro de 2024, funcionários testaram a tela em Wang Fuk Court. Ela continuou queimando após 10 segundos e precisou ser apagada manualmente.

A resistência ao fogo é importante porque a tela envolve andaimes próximos à fachada dos edifícios. Um material que continua queimando pode alimentar as chamas junto às janelas dos moradores e às rotas de fuga. A investigação examinou por que o resultado do teste não levou a medidas eficazes.

A unidade visitou o conjunto habitacional 10 vezes antes do incêndio. Oito visitas foram anunciadas com antecedência; duas ocorreram sem aviso prévio. Na prática, 80% das visitas foram comunicadas antecipadamente. O relatório deve criticar essa prática, pois ela deu à empreiteira a oportunidade de trocar a tela antes da inspeção.

Ku Siu-ping, fiscal sênior de manutenção de edifícios, reconheceu nas audiências que não havia prestado atenção especial às placas de espuma que cobriam janelas ou às aberturas feitas nas escadas dos fundos que afetavam as estruturas das escadas de emergência. As reclamações dos moradores e a resposta a elas também foram examinadas.

Para os moradores, eram condições ao redor de suas casas: o que cobria as janelas, o que envolvia os edifícios e se as rotas de fuga continuavam protegidas. A investigação relacionou essas condições físicas às decisões tomadas pelos fiscais durante as visitas.

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Certificados, amostragem e uma política não comunicada

A supervisão do Departamento de Edificações revelou outro problema: a dependência de documentos sem verificações no local. Cheung Yuk-ching, diretor-adjunto do departamento, reconheceu que não havia sido feita nenhuma coleta de amostras físicas das telas usadas em projetos de manutenção antes do incêndio.

O departamento confiava em certificados apresentados pelas empreiteiras, sem dispor de um mecanismo para verificar se eram autênticos. Um certificado é um documento que atesta que um produto ou serviço atende a determinado padrão. Sua utilidade depende de ser legítimo e de se aplicar ao material efetivamente instalado.

As audiências também examinaram uma política introduzida pelo Departamento de Edificações em 2023. Ela exigia inspeções no local de uma amostra de 20% das obras menores abrangidas por planos de supervisão. A Unidade Independente de Verificação só soube da política depois do incêndio.

O relatório deve criticar a comunicação entre os dois órgãos. Uma política que exige que os fiscais visitem um em cada cinco projetos abrangidos depende de que os responsáveis pela supervisão conheçam essa exigência e a apliquem em seu trabalho.

Visitas repetidas não detectaram problemas de segurança contra incêndios

Segundo as provas examinadas nas audiências, o Departamento de Serviços de Bombeiros visitou Wang Fuk Court 26 vezes durante mais de 10 meses de obras de reforma. Os fiscais não entraram nas salas das bombas de incêndio nem testaram os alarmes durante essas visitas.

As audiências revelaram que um interruptor principal de energia ficou desligado por um período prolongado e que um tanque de água permaneceu vazio por sete meses. Bombas, reservatórios de água e alarmes têm funções diferentes: as bombas movimentam a água, os tanques a armazenam e os alarmes avisam as pessoas para sair. Verificar se todos funcionam exige mais do que visitar o conjunto habitacional.

Dawes também criticou a forma como o departamento encarava suas responsabilidades. Questões envolvendo materiais de construção, riscos de incêndio durante as obras e elementos de proteção integrados à estrutura eram tratadas como assuntos do Departamento de Edificações. Entre os problemas examinados estavam a espuma que cobria as janelas e as aberturas nas escadas dos fundos.

O relatório deve distinguir essas falhas de prevenção da resposta à emergência. Segundo informações, a avaliação não aponta falhas na operação de combate ao incêndio e rejeita a ideia de que as equipes deveriam ter lançado bombas de água, usado drones para apagar as chamas ou pedido ajuda à China continental.

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Uma denúncia sobre fumo e 17 inspeções

Em julho de 2024, o Departamento do Trabalho recebeu a denúncia de um morador sobre trabalhadores fumando nos andaimes cobertos por telas de proteção. Em vez de iniciar imediatamente uma investigação completa, encaminhou a denúncia ao Departamento de Serviços de Bombeiros.

O departamento também informou por escrito ao morador que a legislação de segurança cuja aplicação era de sua responsabilidade não abrangia os padrões de resistência ao fogo para telas de andaimes ou outros materiais. Nas audiências, reconheceu que nenhuma de suas 17 inspeções havia detectado trabalhadores fumando.

O relatório deve atribuir ao Departamento do Trabalho menos responsabilidade do que aos demais departamentos. Ainda assim, o papel do órgão integra o quadro mais amplo de como um alerta circulou entre agências enquanto os moradores viviam ao lado das obras.

A denúncia, o teste da tela e os registros de inspeção indicam ocasiões específicas em que funcionários receberam informações ou visitaram o local. Em conjunto, ajudam a explicar por que a investigação examinou o tratamento dos alertas e a coordenação entre departamentos, além das ações das empreiteiras.

Quais reformas estão sendo preparadas?

Lee afirmou que a resposta do governo abrangerá a supervisão de obras de manutenção de edifícios, a gestão predial e a regulamentação das instalações de combate a incêndios. Essas áreas vão desde a organização dos projetos de reforma até os equipamentos destinados a proteger as pessoas quando há um incêndio.

Ao apresentar o escopo previsto, o chefe do Executivo, John Lee, afirmou:

"O governo fará reformas abrangentes em áreas como a supervisão de obras de manutenção de edifícios, a gestão predial e a regulamentação das instalações de combate a incêndios", acrescentou Lee.

Lee afirmou que o Discurso de Política de setembro de 2026 já havia introduzido medidas prioritárias e que os preparativos para mudanças mais amplas estavam em andamento. Ele prometeu analisar as recomendações da comissão e anunciar em breve os planos de reforma e de responsabilização.

Entre as recomendações apresentadas antes da publicação estão uma supervisão mais rigorosa dos profissionais e a criação de penas criminais. Também estão previstas a entrega eletrônica de certificados para instalações e equipamentos de combate a incêndios e a eliminação do uso de fax para encaminhar pedidos de ajuda da polícia ao Departamento de Serviços de Bombeiros.

A entrega eletrônica mudaria a forma como os registros de segurança chegam ao departamento. A substituição dos encaminhamentos por fax mudaria a forma como pedidos de emergência circulam entre os serviços. As duas propostas tratam de etapas práticas de sistemas dos quais os moradores dependem, além das decisões mais amplas sobre inspeções, deveres profissionais e punições por violações.

Para as famílias afetadas pelo incêndio em Wang Fuk Court, a próxima etapa é a resposta do governo: a divulgação das conclusões, as decisões sobre as recomendações e uma explicação de como buscará responsabilizar os envolvidos. A entrega do relatório encerra a coleta de provas pela investigação e deixa essas decisões a cargo do governo.

Principais pontos

  • John Lee recebeu o relatório da investigação sobre o incêndio em Wang Fuk Court em 22 de outubro de 2026.
  • A comissão realizou 30 audiências, ouviu 80 testemunhas e reuniu mais de um milhão de arquivos.
  • O governo buscará orientação jurídica antes da publicação porque há processos criminais relacionados em andamento.
  • Informações divulgadas antes da publicação apontam críticas à empreiteira principal, à consultoria responsável pelas obras e a quatro órgãos do governo.
  • As provas apresentadas nas audiências abordaram a tela inflamável dos andaimes, a dependência de certificados e inspeções que não detectaram problemas de segurança contra incêndios.
  • Lee prometeu reformas na supervisão da manutenção de edifícios, na gestão predial e nas instalações de combate a incêndios, além de afirmar que as medidas para apurar responsabilidades serão anunciadas em breve.
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